Free Soul
7 A metade do meu tomate
(Stray Cats)
Arthur fazia a introdução, sozinho, na guitarra. Tinha um ritmo caipira e engraçado. De repente Gilbert entrou com a bateria, seguido de Francis com o baixo e Arthur na guitarra solo.
As garotas vibraram quando Antônio entrou em cena.
–
Well my baby and me went out late Saturday night
(O meu amor e eu saímos tarde no sábado à noite)
I had my hair piled high and my baby just looks so right
(Meu cabelo estava arrepiado pra cima e minha gata estava linda)
Well, pick you up at ten got to have you home by two
(Te pego às 10 e tenho que levar de volta às 2)
Mama don't know what I've got in store for you
(Mamãe não sabe o que eu tenho esperando por você)
Well that's alright 'cause we're looking as cool as can be
(Bem, não tem problema, pois parecemos super tranquilos)
–
Antônio batia o pé no ritmo dos acordes e olhava para Yekateria dançando animada com Natália, que dividia a atenção entre ela e Ivan.
–
Well we found a little place that really didn't look half bad
(Encontramos um lugarzinho que não parecia nada mal)
I'll have a whiskey on the rocks and change of a dollar for the jukebox
(Eu quero um uísque com gelo e trocados pra jukebox)
Well, I put a quarter right into that can, but all it played was disco man
(Coloquei uma moeda na máquina, mas só tocava dance)
C'mon pretty baby, let's get outta here right away.
(Ah, vamos nessa, gatinha, vamos sair daqui)
–
We're gonna rock this town, rock it inside out
(Nós vamos agitar essa cidade, vamos agitar de dentro pra fora)
We're gonna rock this town, make 'm scream and shout
(Nós vamos agitar essa cidade, fazer gritar e berrar)
Let's rock, rock, rock man rock, rock
(Vamos agitar, agitar, agitar, cara, agitar! Agitar)
We're gonna rock till we pop, We're gonna roll till we drop
(Vamos agitar até estourar, curtir até cair)
We're gonna rock this town, rock it inside out
(Nós vamos agitar essa cidade, vamos agitar de dentro pra fora)
–
Arthur ganhou destaque no solo da guitarra. Seus dedos se moviam rapidamente pelas casas e o inglês não conseguia olhar para outro lugar que não fosse a própria guitarra. Cada nota tocada em conjunto deixava todos serem levados pelo ritmo dançante.
Gilbert dançava apenas com a cabeça enquanto batia nos pratos. O baixo de Francis também se destacava.
Antônio tocava a base dos acordes e esperava o momento para voltar à canção.
Well we're having a ball just bopping on the big dance floor
(Estamos curtindo pulando na pista de dança)
Well there's a real square cat he looks nineteen seventy four
(Tem um cara esquisitão que parece ser de 1974)
Well, you look at me once, you look at me twice,
(Você olha para mim uma vez, olha duas vezes)
You look at me again there's gonna be a fight
(Se olhar de novo, vai sair briga)
We're gonna rock this town, we're gonna rip this place apart
(Nós vamos agitar essa cidade, vamos detonar esse lugar)
–
We're gonna rock this town, rock it inside out
(Nós vamos agitar essa cidade, vamos agitar de dentro pra fora)
We're gonna rock this town, make 'm scream and shout
(Nós vamos agitar essa cidade, fazer gritar e berrar)
Let's rock, rock, rock man rock, rock
(Vamos agitar, agitar, agitar cara, agitar, agitar)
We're gonna rock till we pop, We're gonna roll till we drop
(Vamos agitar até estourar, curtir até cair)
We're gonna rock this town, rock it inside out
(Nós vamos agitar essa cidade, vamos agitar de dentro pra fora)
Lily estava eufórica olhando para o palco, juntamente com Natália e Yekaterina, que haviam se juntado a ela. Vash estava apenas quieto num canto, olhando para todos os passos da irmã. Feliciano dava a mão para Roderich e o austríaco o fazia dar duas voltas seguindo o ritmo da música, mas quando viu Ludwig, Kiku e Lovino, o músico o soltou e o italiano foi animado para perto dos três.
Tino aplaudia resistindo à vontade de dançar enquanto Beward mantinha-se inexpressivo. Anly dançava com o irmão, que, surpreendentemente, dançava perfeitamente o rockabille. Yao seguia eufórico o ritmo da música ao lado do seu irmão japonês, e Mathias só faltava implorar para Anko dançar com ele.
Elizaveta dançava com um romeno loiro e de caninos afiados, parecido um vampiro. Ambos eram observados por um búlgaro tímido demais para dançar.
Quando a música acabou, todos aplaudiram.
– Gracias a todos!
–---
No dia seguinte, sábado, na casa de Vash, o suíço estava sentado no sofá com a irmã e mexia em uma calculadora. Ajoelhados em torno da mesinha da sala, o Bad Touch Trio devorava os biscoitos feitos por Lily.
Arthur estava na poltrona tomando chá.
– Merci, mon petit Lily. Seus biscoitos estão deliciosos. – Francis agradecia enquanto jogava mais um na boca.
– Você nos salvou. — Gilbert falava com a boca cheia — Sabe quantas vezes o pão duro do seu irmão ofereceu lanche pra gente?
– Calem a boca. Estou fazendo conta. – O dono da casa estava impaciente.
– Pra que? A festa foi um sucesso! Agora ninguém vai nos deter na Linha do Rock!
– Linha do Rock? Então vocês têm músicas autorais?
Todos os membros pararam de fazer o que estavam fazendo. Haviam olhado para o suíço como se ele tivesse acabado de falar em um idioma inexistente.
Vash parou de calcular e olhou para eles com desprezo:
– Pra participar da Linha do Rock vocês devem ter ao menos uma música autoral. Esqueceram isso?
– C-claro que não! – Nervoso, Gilbert mentiu descaradamente – T-tudo bem! Basta escrevermos músicas! Isso é muito fácil! Tão fácil que podemos fazer de olhos fechados!
– Por isso tem tantas músicas ridículas surgindo por ai.
– Não vamos fazer nada ridículo! E você falou igual ao Rod agora.
As bochechas de Vash ganharam um tom de rosa, mas o suíço fez questão de ignorar seu próprio estado:
– Façam uma música decente ou então nem se inscrevam para a Linha.
Os membros da banda gelaram e olharam uns para os outros. Lily apoiou o dedo indicador no queixo e olhou para cima pensativa:
– Quem faz as músicas da banda não é o vocalista?
Dessa vez todos olharam para Antônio e o espanhol perdeu a cor.
– Q-que? Não! N-nem toda vez é o vocalista que faz as músicas. As vezes é outra pessoa.
– Não fuja da raia, Tônio! – O albino se levantou e apontou o dedo para o moreno — Você devia ter uma letra pronta! Afinal você é o fundador e o vocalista!
– Mas por que eu?! Qualquer um de nós pode fazer uma música, amigos. Aquele que tiver uma ideia pode apresentar que todos nós tocaremos, que tal?
– Está maluco, mon amour? – Francis também se levantou – Nem todos podem! Se Arthur for nosso compositor vamos cantar música punk!
– Quem você está chamando de punk, francês filho da puta? – O inglês se levantou, quase derrubando a xícara.
– Silêncio! – Vash ordenou — Olha como fala na frente da minha irmã, Kirkland!
– Fiquem sabendo que é normal guitarristas fazerem as músicas da banda! – Arthur se defendia – Ao contrário dos baixistas e bateristas! Ainda bem que eles não compõem ou teríamos que tocar uma bizarrice feita por você e pelo Gilbert!
– Ei! Qual é o seu problema comigo, sobrancelhudo? Eu sou incrível!
– Mas ele tem razão sobre você não compor, Gil. – Francis falava dando uma risadinha – Você é do tipo que faria uma música sobre o processo digestivo do Gilbird e acharia a coisa mais incrível do mundo. É melhor deixarmos que eu faça a letra.
– Você!? Claro que não! Se você fizer uma música teremos gemidos de orgasmo no lugar de solos de guitarra!
– Queeee? Como ousa falar assim do meu romantismo?
– Que romantismo? – Arthur intervinha – Fique quieto, frog! Eu consigo compor uma música muito melhor que a sua.
– Qual? “Eu dormi na praça pensando nela”?
– Vá se foder!
Os três começaram a bater boca no lugar. Os demais observavam a tudo com uma gota de suor escorrendo da testa.
–---
Antônio estava sentado em sua cama, encostado em uma almofada em forma de um tomate sorrindo. Escrevia no caderno algumas letras. Pensava, pensava e riscava tudo o que havia feito.
– Mierda. — rasgou a folha do caderno, amassou e jogou fora — Não consigo pensar em nada bom. — olhou para o teto e mordeu a ponta da caneta.
Nessa hora a ave amarela de Gilbert apareceu pela janela e sobrevoou a cabeça do moreno, piano alto.
– Holla, Gilbird! Gil esqueceu sua comida?
– Já disse que não esqueço meu Gilbird – Disse o alemão ao entrar no quarto depois de tomar banho. O cheiro de xampu e sabonete estava forte – Ele só está com vontade de ver o incrível eu, não é? Kesesese! – Deixou a ave pousar em seu dedo e olhou para o espanhol — Compondo?
– Mais ou menos. Estou tentando, mas só consigo pensar em tomate. Criar músicas não é comigo.
– Deixa eu ver isso ai.
Gilbert deixou a ave voar, sentou-se na cama e abraçou o amigo por trás, apoiando o queixo no ombro dele. Acabou olhando para todas as bolinhas de papel espalhadas pelo colchão e para os rabiscos no caderno.
Não havia nenhum verso pronto.
– Não escreveu nada bom?
– Todas as ideias me parecem iguais.
– E daí? Essas bandas não vão criar nada novo. A garota que não dá bola, o cara perfeito, o mané traidor, a sociedade é um lixo, o mundo me sacaneou, sou um emo da porra... Dá na mesma. Esses caras não são melhores que você.
Antônio suspirou.
– Eu quero fazer uma letra romântica. As músicas assim são mais populares. O problema é que eu não consigo criar uma.
– Então tente não fazer nada culto demais. Escreva o que vem na sua cabeça e escolha um ritmo. Fácil.
– Se é fácil, por que você não tenta?
– Eu sou só o baterista.
– Está dizendo isso porque não consegue fazer nenhuma letra romântica.
– Hmpf. O incrível eu é tão incrível que consegue fazer qualquer coisa que realmente queira. Mas o vocalista é você e não tenho nada a ver com isso.
– Como você é insensível... – O moreno fez um muxoxo e olhou o amigo de canto — Não é a toa que o Lovino chama você e seu hermanito de... Como é mesmo? Batata!
– Quem liga? Eu sou uma batata incrível! — Afastou-se dele — Vamos lá, cara. Foi você que fundou a banda! Vale a pena ter uma música sua nela, mesmo que só saiam tomates do seu cérebro. — Deu cascudinhos nele e de repente riu — É isso! Se eu sou uma batata, você é um tomate! Kesesesese!
Agora mesmo que o espanhol não conseguiria fazer uma boa letra. Falar em comida fez sua imaginação ficar mais solta e converter todos os seus pensamentos em batatas e tomates cozidos enfeitando um delicioso guizado. Imaginar algo assim o fez abrir um sorriso bobo.
– Batata com tomate. Eu gosto dessa combinação. — Começava a ficar com água na boca — Ei, Gil! Por que você não... Uhn?
Quando o moreno olhou para o albino, notou que Gilbert fazia uma cara de quem havia se deparado com alguma coisa estranha na tv. Só que o tom da sua pele havia ficado levemente cor de rosa.
– Gil? Oi? Gil?
O alemão balançou a cabeça e se levantou da cama.
– Nenhuma música sua pode ser pior que as que Francis e Arthur fariam. Agora eu vou fazer o almoço antes que você faça uma música sobre ensopados.
O moreno riu:
– Gracias.
–-----
Já era quase noite quando Roderich saía do bloco de música. O por do sol deixava a paisagem alaranjada e até que o campus estava cheio pra um sábado.
No seu caminho havia um robô e três pessoas agachadas em volta dele. Feliciano, Ludwig e Kiku.
– Boa tarde pra vocês. – O austríaco cumprimentou,
Feliciano ergueu a cabeça e ao ver o músico, sorriu.
– Ola, Roderich!
– O que estão fazendo?
– Kiku construiu um robô e está nos mostrando, mas está com problemas de funcionamento.
– Nada que eu não consiga resolver logo, Feliciano-kun.
– Estava funcionando ainda agora. — Ludwig olhava para o objeto pensativamente.
– Kiku vai resolver! Ele é um gênio! – Feliciano abraçou o japonês pelas costas e o deixou levemente vermelho — Vee. Já está corado! Achei que depois de ser colega de quarto do primo Francis você ficaria mais solto. Ele não flertava com você?
Kiku ficou mais vermelho ainda:
– C-claro que não! Francis-san era... Uma boa companhia.
– Tenha cuidado ao dizer isso. – Ludwig o alertou – Meu irmão já contou muitas histórias do Francis. Não espere que ele se transforme num tipo sentimental, cuidadoso, ciumento e fiel. Ele se diz um amante incorrigível.
– A-acha que ele tem más intenções comigo?
– Não. Mas se você mostrar interesse, ele não vai hesitar em levá-lo pra cama... Ou pra qualquer lugar. Espere meu irmão beber algumas e escute-o falar sobre Francis e Antônio. Se ele não tentou nada com você, é porque você não deixou brechas.
Roderich olhou para o lado sem nenhuma pretensão e sem querer acabou vendo uma pessoa conhecida numa lanchonete próxima dali.
– Elizaveta – Disse para si mesmo — Boa sorte com esse robô. – Saiu andando em direção à lanchonete.
A húngara tomava um suco de frutas vermelhas enquanto lia um romance policial. Estava tão concentrada na leitura que nem notou o austríaco se aproximando.
– Ai está você.
O sangue subiu até a cabeça de Elizaveta ao ouvir a voz do músico e seu rosto ficou da cor do suco.
– Oi. Eu falei com você. Elizaveta, certo?
– Eu estou ouvindo. Só não sei o que quer comigo. – Ela dizia sem tirar os olhos das páginas, embora agora não conseguisse ler mais nada.
– Estou sendo indelicado?
– Indelicado?
– Rude. Grosseiro. Talvez queira ficar sozinha.
A estudante ficou um pouco em silêncio.
– Não. Eu estava lendo esse livro. – Respondeu — Mas não estou lendo mais. Pode se sentar.
Roderich puxou a cadeira e sentou-se. A moça fechou o livro e passou a observá-lo:
– Então? O que quer?
– Hm... Agradecer?
– Por ter salvado o seu calção? Não há de que.
– Não é a primeira vez que isso acontece. Você já me protegeu outras vezes. – Enquanto falava, as orelhas da húngara ficavam mais vermelhas – Você é quase como... Um anjo da guarda.
Silêncio novamente.
– Eu sou um cavaleiro. – Ela corrigiu.
– Ah.
– E você é a minha princesa.
– Como?!
– Isso mesmo. Ou preferia que o espanhol fosse seu cavaleiro?
Uma gota escorregou da cabeça do austríaco:
– Eu não disse isso.
– Vocês eram namorados, não eram?
– Sim.
– Quem comia quem?
Dessa vez Roderich quase caiu para trás:
– Q-Que!? Mas que tipo de pergunta é essa?!
– Você tem cara de passivo, mas as vezes age como se fosse ativo. Aquele espanhol também me confunde. Ele é muito violável. Acho que vocês revezavam.
– Você está me deixando sem reação. Por que estamos falando sobre minha vida sexual?
– Porque você não quer falar sobre a minha.
Roderich abriu a boca, mas não conseguiu responder nada. A húngara havia deixado-o sem reação para depois baixar a cabeça.
– Você deve estar me achando estranha.
– Estou. Nunca conheci uma mulher inconveniente como você.
Ela acabou dando uma curta risada.
– Você se esqueceria mesmo se conhecesse uma.
– Eu não conseguirei me esquecer de você.
Elizaveta desfez o sorriso e corou um pouco:
– Iria querer se esquecer de mim?
– Não seja tonta. Claro que não. Mesmo depois dessas perguntas inconvenientes. Por que não me fala de você? Que curso faz, o que gosta...
Elizaveta passou a mão nos cabelos e os jogou para trás do ombro. Já ia responder a pergunta quando viu Antônio observando os dois de longe.
– Eu estou sobrando. – Ela pegou o livro e o suco e se levantou.
– O que?
– Espero me esbarrar com você de novo, Roderich. Tchau.
Depois de recolher tudo (deixando o rapaz totalmente confuso) ela foi embora. Roderich a acompanhou com o olhar e só então pôde ver o motivo dela ter ido.
– Antônio?
O espanhol sorriu um pouco envergonhado e se aproximou do outro:
– Oi. Vai sair porque estou aqui?
– Hmpf. Não seja bobo. Você está sozinho. Gilbert aprontando comigo e Francis me assediando é que é o problema. O quer quer?
– Uma ajuda pra uma música.
– Nossos estilos são diferentes.
– Mas você é bem crítico. Eu fiz uma música para a Linha do Rock, mas Gil e Fran vão aceitar porque estão desesperados por uma letra. Pelo menos sei que você será sincero. Preciso de uma melodia e você toca muitos instrumentos!
Roderich olhou fixamente para aquele par de olhos verdes que misturavam a alegria radiante por finalmente ter pensado em uma letra com a timidez por estar pedindo um favor. Era difícil resistir a isso.
O pianista suspirou e ficou de pé:
– Vamos usar o piano da sala de música.
– Fusosososo! Sabia que podia contar com você.
– Só não abuse.
– Pode deixar. — Apoiou-se no ombro dele para irem juntos.
–----
– Cécile! Cécile, espere!
Era segunda-feira quando uma garota loira, de cabelos compridos, vinda de Mônaco, ouviu seu nome antes de entrar no bloco de música.
Era a garota de Seychelles que pedia para esperar. Michelle Mancham.
– O que foi? Eu estou atrasada para a aula. — Dizia a loira.
– Anly disse que você está com raiva de mim por eu ter ficado com Francis. É verdade? Eu não sabia que você também já tinha ficado com ele.
– Correu até aqui só pra perguntar isso?
Michelle ficou levemente corada:
– Oui.
– Eu fiquei com Francis sim, mas foi só uma noite. Ele não é o tipo de cara que assume compromisso, mas é uma ótima companhia para quando você está sozinha. Não estou com raiva de você por pensar como eu.
Os olhos da morena ficaram mais abertos. Então seu rosto ficou tristonho e ela baixou a cabeça:
– Desculpe.
– Uhn? Por que, Michelle?
– Eu não penso como você. E-eu gostava do Francis e estava com inveja de você. Considerei você minha rival, m-mas ele não vale nada. E-eu disse pra ele nunca mais aparecer no bloco de oceanografia.
Cécile cobriu um risinho:
– Não fique com raiva. Ele é só um idiota, mas é muito bom pra quando você está com aquela vontade e não quer ouvir aquele bla bla bla todo.
Michelle moveu o rosto envergonhada:
– P-pegaram a gente.
– Sério? Parece excitante.
– N-não foi! E-eu fiquei super envergonhada!
– Você pode ter sido flagrada por um voyeur e isso deixa as coisas mais quentes. Mas esqueça-o, sim? — Sorriu gentilmente e ajeitou os cabelos da morena. — Alguém como você merece coisa muito melhor que ele.
– Cécile...
– Eu tenho que ir pra aula. – Virou as costas e entrou no bloco.
Michelle suspirou. Quando olhou para o lado, viu Francis andando ao longe.
O francês olhou para ela e a moça virou a cara, cruzou os braços e foi embora no sentido oposto.
Francis ficou sem jeito, mas continuou seu caminho até se encontrar com Antônio, Arthur e Gilbert. Os três estavam esperando por ele.
– Bonjour.
– O russo torturou você hoje? – Gilbert perguntou.
– Não. Só ontem. Meia hora sob pressão psicológica. É assim pelo menos três vezes por semana desde que ele descobriu sobre o Matt.
Arthur olhou para o chão, ressentido:
– Isso foi culpa minha. Se eu não tivesse dito que você hospedou o Matthew...
– Esqueça, mon cher. É melhor eu não levar ninguém pra casa. Nunca. Jamais. – Olhou para Antônio – Muito bem, estamos reunidos aqui por causa do seu sms. Conseguiu fazer a música?
O moreno abriu um sorriso orgulhoso ao mostrar um papel com a letra.
– Aqui está! Rod me deu uma mãozinha com o ritmo.
Arthur arregalou os olhos. Francis sorriu. Gilbert fechou a cara.
– Roderich aceitou ajudá-lo? — Perguntava o inglês — Mas ele gosta de vocês?
– Está brincando? Ele nos ama! — O francês ria.
– Por que pediu ajuda pra ele? — Quis saber o albino.
– Fusososo! Ele é bom no que faz e me ajudou a escolher um ritmo perfeito, Gil. Querem me ouvir cantar?
– Sim, mas primeiro quero saber por que...
– Cante, cher! — O baixista interrompeu na cara de pau. — Vamos logo ver essa música!
– Sí. Prestem a atenção.
Antônio limpou a garganta, fechou os olhos, respirou fundo, abriu os olhos e começou a cantar olhando para o papel:
As vezes acho que você é a metade
Do meu tomate
Porque a laranja ficou sem graça
E o limão é azedo demais.
Faz tempo que resolvi jogar tudo para o alto
Só pra ficar com você
Sem medo
Sem compromisso
Sem nada disso
Então se estiver bom
Se estivermos bem
–
Seja você
A metade do meu tomate
A melhor metade do meu melhor pedaço
A metade de tudo que é bom
A metade do que eu mais gosto
Porque a laranja ficou sem graça
E o limão é azedo demais.
–
Você me faz perguntas difíceis
Do jeito que está
É tão bom
Que eu não sei se quero mais de você
Mas é claro que quero!
Vamos pegar as nossas coisas
E ir rumo à lua
Ou para a lanchonete mais próxima
Eu e você
Se estivermos juntos não importa
Tudo é mais divertido ou mais difícil
Mas sempre é bom
–
Seja você
A metade do meu tomate
A melhor metade do meu melhor pedaço
A metade de tudo que é bom
A metade do que eu mais gosto
Porque a laranja ficou sem graça
E o limão é azedo demais.
Seja você!
(Para saber como é o ritmo, clique aqui e ouça na voz do Theodoro)
Quando Antônio terminou de cantar, ficou na expectativa olhando para a banda.
De repente Francis começou a aplaudir e Arthur quase capotou.
– Perfeito, mon amour! Essa será a nossa música!
– WHAT? Não! Sou contra! Isso não faz o menor sentido! – Protestava o inglês — Como é que vamos cantar algo com "a metade do meu tomate"? Aliais, como alguém como o Roderich aceitou fazer uma melodia pra essa música?
– Você não consegue ler as entrelinhas? As pessoas sonham com a metade da laranja, mas muitas se contentam com a metade do limão! Tônio prefere a metade do tomate!
– Isso não faz sentido!
– Faz todo o sentido! Ele gosta de tomate!
– E qual é o sentido disso?! Se for assim, vou fazer uma música chamada A Metade do Meu Scone!
– Que coisa triste. Quem vai querer um scone inteiro?
– Grrr. Gilbert, fale alguma coisa!
Gilbert estava quieto, com os olhos bem abertos, fixos em Antônio.
Tanto o moreno quanto toda a equipe olhou para ele e quando o albino percebeu que era o centro das atenções, mirou cada um dos membros e passou a mão pela nuca.
– Vamos usar a música do Tônio.
– Perdeu, sobrancelhudo! – Francis apertou a bochecha do inglês e quase levou socos dele — Você é minoria. Agora vamos ensaiar essa música nos nossos instrumentos.
– Shit. Está bem. Eu vou fazer um solo de guitarra pra ela.
– Vamos lá tirar essas notas! Vamos pra casa do Vash! Ele vai cair pra trás quando souber que temos uma música.
– Ele vai cair pra trás de susto quando ouvir a letra.
O francês e o inglês foram na frente, discutindo como sempre. Gilbert caminhava mais atrás, sem nenhuma pressa, e Antônio caminhava ao seu lado.
De repende algo freou o albino.
O espanhol havia parado de andar e o segurado pelo pulso.
– Tônio...?
– Você não gostou da música?
– O que?
– Eu achei bonitinha. Você não?
O baterista ficou olhando para o amigo por um tempo. Então virou de frente para ele.
– Você e o Rod fizeram essa música juntos?
– Não, não. Rod me ajudou no ritmo e me ajudou a completar algumas partes da letra, mas fiz a música praticamente sozinho.
Silêncio.
Os olhos verdes do moreno começaram a demonstrar preocupação:
– Que sucede, Gil? Estas bien?
– Tônio, quando alguém merecer essa música você me contará?
– Unh? – Inclinou levemente a cabeça para o lado — Está com medo que fiquemos afins da mesma pessoa?
– Apenas me conte, tonto. — O albino virou o rosto – Afinal, você sabe que... Eu... Bem... Gosto de você. – fez outra pausa e ganhou um pouco de cor – Você é meu amigo.
Ouvir aquilo fez Antônio sorrir.
– Você também. Você e o Fran.
– Então?
– Não se preocupe. Quando eu achar alguém que mereça essa música, vocês serão os primeiros a saberem. E você também vai me contar quando gostar de alguém, certo?
Gilbert acabou dando uma breve risada e deu um meio abraço no moreno.
– Claro que eu contarei, tonto. – Cruzou os dedos atrás das costas – Quem você pensa que eu sou? Agora vamos logo. Temos que ensaiar essa sua música maluca.
O espanhol retribuiu o meio abraço passando o braço pela cintura do amigo e seguiram caminhando juntos.
Continua
Notas finais
Essa música maluca fui eu que fiz. Deixei na voz do Theodoro porque a minha não presta.
Ta, se acharem erros na fanfic não tenham vergonha de me mandarem uma pm avisando. Corrijo tudinho.
Obrigada pelo carinho! =D
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