Free Soul
2 Arthur Kirkland e os três mosqueteiros
– Precisamos chamá-lo pra banda!
Foi a primeira coisa que Gilbert falou quando chegaram ao quarto que ele dividia com Antônio.
Era um apartamento de apenas um quarto (grande o suficiente para caberem duas camas de solteiro, um armário duplo e uma cômoda com uma televisão velha), uma cozinha e um compartimento que podia ser usado ou como sala de jantar ou como sala de estar. Eles resolveram usar como sala de estar. A área de serviços vinha com uma máquina de lavar e uma secadora. Foi isso que levou os dois a escolherem aquele local.
Os três estavam sentados no chão, entre as duas camas.
– Aquilo foi incrível! Eu nunca vi alguém tão incrível na guitarra que não seja famoso! Imaginem quantos arranjos podemos fazer! Kesesesese!
Antônio ergueu as sobrancelhas e olhou para Gilbert. O albino estava entusiasmado demais pra lembrar que a banda deles já tinha um guitarrista: O próprio espanhol.
Francis deu um pescotapa no albino.
– Hey! Como ousa bater minha incrível nuca?
– Está ferindo os sentimentos do Tônio, desnutrido!
A face morena do espanhol corou de repente. Ele sorriu espantado, virou o rosto e coçou a cabeça sem jeito.
– Non. Está tudo bem, gente. O Arthur toca mesmo bem. Além disso, estávamos procurando um guitarrista solo, lembram? Eu só estou... Ahn...
– Espantado com o entusiasmo do cotonete aqui. – O loiro bateu no ombro do albino.
– AI! Pára, cara! – Gilbert se afastou de Francis e se aproximou do espanhol, passando o cotovelo em volta do pescoço dele – Bateu um ciuminho no Tônio, e daí? Ele ainda é um bom guitarrista. Não tão bom quanto o Arthur, mas e daí?
Antônio afundou a face na palma da mão.
Uma ave amarela, pequena, semelhante a um limão entrou pela janela e ficou sobrevoando a cabeça do albino como um sistema solar. O alemão soltou o espanhol, olhou pra cima e sorriu ao vê-la:
– Meu Gilbird!
– Você deixou a comida dele na janela? – Indagou o moreno.
– Claro que sim! Eu jamais me esqueceria do Gilbird!
Francis levantou-se do chão e tirou o celular do bolso da calça.
– Eu cuidarei de convidar Arthur pra banda. Conheço ele há mais tempo.
Gilbert não gostou da ideia:
– Queremos ele na equipe e não espantá-lo.
– Não se preocupe, mon amour. — Jogou um beijo para os amigos e saiu do quarto.
Os dois ficaram olhando para a porta pensando em todos os argumentos que Francis poderia usar para convencer o inglês.
– Vamos perder o Arthur por causa desse cara. – O albino bufou.
– Fran vai se esforçar.
– Você é muito ingênuo – o alemão se curvou para olhar debaixo da cama — Droga. Onde o meu controle se meteu? — retirava de lá algumas tralhas. Livros, cadernos, garrafas de cerveja, alteres...
Antônio observava tudo com as mãos segurando os pés juntos.
– Gil, por que não se mudou para o mesmo quarto do seu irmão? Se você falasse com o Abel, ele trocaria de lugar com você e viria pra cá.
– Está dizendo que prefere o Abel abel como colega de quarto? Qual é! Só porque eu disse que o Arthur é melhor que você?
– Achei que quisesse dividir o quarto com seu hermanito.
– Unf. Eu tentei trocar com Abel, mas aquele holandês disse que preferia dormir numa palafita a ter que dividir um quarto com você.
Uma gota de suor fez par com o sorriso amarelo do espanhol.
– Lo siento.
– Não importa. O bruder não queria que eu insistisse. Achei – mostrou o controle de Playstation — Ele anda evitando minha companhia. O Ludwig, sabe?
– Fusosososo! É porque você pega muito no pé dele. Francis tem razão, precisa deixar seu irmão em paz as vezes.
– Por que? Minha incrível presença não seria bem vinda? Não fale bobagens.
Gilbert colocou o jogo de Resident Evil para rodar.
Antônio olhou pensativo para o ventilador de teto.
– O Arthur seria um ótimo guitarrista solo. Nossa banda estaria mesmo completa com ele.
– Não fique com ciúmes, cara. – O albino falava concentrado em matar os zumbis – Se você se comparar a alguém vai se sentir superior ou inferior e os dois pensamentos dão merda no final. Seja como o incrível eu! Incrível! Mas modesto.
O espanhol riu.
– Muy bien, vamos confiar no Francis.
– Eu espero que aquele francês saiba o que f... CARALHO!! UM MONTE DE ZUMBI LOGO NESSA FASE!! AAAAARH!! NÃO! EU TO COM POUCA MUNIÇÃO E SEM REMÉDIO! AAAAH! MORRI!
Gilbert se jogou para trás e deitou a cabeça em uma mochila. Só então Antônio foi reparar que aquilo não pertencia nem a ele nem ao alemão:
– Francis esqueceu isso.
– Ahn? Ah! A mochila dele!
– Isso é mal. Ele pode ser o que é, mas leva os estudos bem a sério.
– Vou lá devolver. Vem comigo?
– Sí.
–-----------
“Meus amigos e eu vimos seu desempenho no bloco de música. Por que não conversamos sobre o seu talento musical e a possibilidade de você entrar para a nossa banda? Francis.”
Ao ler o sms, Arthur ficou vermelho de raiva e de vergonha. Francis havia visto-o tocar no bloco de música? Pior! O trio havia ouvido!
Ele estava sentado num banco nos jardins do campus. Uma sombra se formando na direção de Arthur. Duas, na verdade. O rapaz se virou rapidamente para ver quem era e se deparou com Alfred e um veterano japonês pequeno, delicado, de grandes olhos castanhos e tímidos.
– Alfred! Kiku!
– Ola, Arthur-san. – O japonês cumprimentou — Meu colega de quarto disse que o conhecia e, como você parece solitário, viemos lhe fazer companhia.
– Somos bem legais, Arthie. Ficamos com pena e viemos pra cá.
Uma veia se sobressaiu na testa do inglês:
– Eu não pedi sua companhia. Pode ir embora.
– Não seja chato. – o calouro se sentou ao lado dele. Ao ver o sms, desmanchou o sorriso e fez uma expressão curiosa – Tem alguém mandando sms pra você?
– Yes... Parece que o Bad Touch Trio está me convidando pra participar da banda deles.
– Bad Touch Trio?
– É como Francis, Gilbert e Antônio chamam o grupo deles. Eu achei que era trote, mas Francis está dizendo que me ouviram tocar na sala de música. Shit.
Kiku se mostrou surpreso:
– Eu não sabia que você tocava guitarra, Arthur-san.
– Ele é fã de rock. – Alfred informou sorrindo — Hey, Arthie, por que você não aceita?
– What?! Como se eu fosse participar daquele grupo de imbecis!
– Por que não? Você toca bem. Isso faz de você um cara legal. Por que não tenta ser legal de vez enquanto?
O rosto do inglês corou de leve. Ele virou a face sem conseguir sorrir, mas também sem continuar com o mal humor.
– Talvez eu devesse ver se isso é sério mesmo.
– Quer que a gente vá com você? – Kiku se ofereceu – Para o caso deles estarem pregando uma peça.
– Hm... Acho que me sentiria melhor assim. A possibilidade de participar do mesmo grupo que aqueles três já é estranha.
Uma onda distante de vozes aleatórias se propagava e chegavaaos ouvidos deles. Quando os três olharam para a direção de onde o barulho vinha, identificaram um grupo de pessoas reunidas e eufóricas com algo.
Alfred percebeu na hora do que se tratava e abriu um largo sorriso:
– É uma multidão! Com certeza tem uma briga! Vamos ver! — Saiu correndo.
– Alfred-san, espere! — Kiku foi atrás.
Arthur guardou o celular e se juntou aos dois.
–-------
Dentro da roda de briga, Francis levava um soco no rosto e caía no chão. O agressor era um dinamarquês loiro, de cabelos rebeldes e olhos azuis.
Perto dele havia um norueguês, menor, mais magro, mas arrumado e com cara de tédio.
– Levante essa bunda do chão e vem brigar, francês! Vai aprender a nunca mais apalpar meu futuro namorado!
– Seu o que? – O norueguês o olhava com desdém.
Francis segurou o queixo e abriu o olho que não havia sido atingido por um soco.
– Ei, eu já pedi desculpas!
– Desculpas não resolve a situação!
O dinamarquês ia acertar outro soco no francês, mas Gilbert surgiu dando uma voadora no nórdico e o derrubando no chão.
– AH!!
– O que é que você pensa que ta fazendo, palhaço? Vem bater em alguém mais macho!
– ...Ele tinha que me ofender – Francis estava zonzo. Antônio se aproximou para checar se o loiro estava bem.
O dinamarquês se levantou e fechou os punhos.
– Quem é você, alma penada? O macho dele?
– Sou o incrível Gilbert e você se meteu com o idiota errado! Se quiser bater no meu parceiro, vai ter que cair na porrada comigo primeiro! Somos o Bad Touch Trio! É assim que essa porra funciona!
– Pode vir, anêmico! Eu vou arrebentar tanto a sua fuça que vai sair daqui sem os dentes!
Gilbert tirou a mochila e jogou para Antônio segurar.
– Gil, é melhor fugirmos com o Fran! – O espanhol estava amedrontado – Esse cara é maior que você!
– Se fugirmos, ele vai nos alcançar e ai nós dois apanhamos!
O dinamarquês acertou um soco no alemão e recebeu outro de contra ataque. Gilbert o derrubou no chão e logo os estavam rolando na grama e trocando socos. A multidão em volta da briga ficava cada vez maior e os oponentes já tinham até torcida de desconhecidos.
Arthur passou por algumas pessoas para poder ver o que estava acontecendo e ao se deparar com Gilbert e o nórdico trocando golpes.
– Mas por que esses dois estão brigando!? Temos que fazer alguma coisa!
– FIGHT! FIGHT! FIGHT! – Alfred torcia eufórico.
– ALFRED!
Kiku observava a briga com sorriso incrédulo.
De repente alguém bateu no ombro do japonês ao tentar passar pela multidão. Kiku só conseguiu ver que era loiro e alto.
– BRUDER! – a pessoa que havia passado pelo asiático se meteu no meio da briga e conseguiu deter o dinamarquês, prendendo-o por trás com os braços.
– ME SOLTA, MURALHA! EU TAMBÉM TENHO UMA GANGUE!
O albino limpou o sangue do nariz e se levantou.
– DANKE, BRUDER! AGORA FICA SEGURANDO ELE PRA EU DAR UMAS PORRADAS!
Mas Gilbert não pôde continuar porque alguém mais alto que Ludwig surgiu para intervir. Um sueco loiro de olhos azuis e aparência assustadora.
– AAAAH!! De onde saiu esse monstro?!
– Berwald! – Outro rapaz apareceu chamando pelo sueco. Um finlandês que, por sorte, era menor que ele – Não vamos continuar essa briga! Alguém pode se machucar!
– Alguém já se machucou, Tino – Disse o norueguês indicando os três que haviam apanhado – Esses idiotas aí.
Ao ouvir isso, o dinamarquês desistiu de se soltar e fez um bico:
– Anko, eu estou lutando pela sua honra.
– Eu por acaso tenho cara de donzela indefesa?
– Indefesa eu não sei, mas de Don...
– Mathias Kohler, termine essa frase e vai ganhar um corte de cabelo grátis com direito a uma dedicatória para Berwald.
– QUE?! Mas... Mas...
Ludwig soltou Mathias.
– Vamos acabar com isso? Antes que alguém leve uma detenção.
Berwald e Anko assentiram e deram meia volta como se nem ligassem pra isso. Tino segurou o braço de Mathias para irem embora.
– Melhor sorte da próxima vez, perdedores! – O dinamarquês falou com um sorriso de orelha a orelha enquanto era puxado pelo filandês.
Quando os nórdicos sumiram da vista, Antônio largou a mochila e ajudou Francis a se levantar. A multidão começou a se dispersar e Arthur, Alfred e Kiku se aproximaram.
– Good, guys! Nem sei pra quem eu torcia! Hahahá! – O americano parecia ter acabado de sair de um campeonato de basquete.
Gilbert deu um cascudo em Francis.
– AI!
– Seu maldito! Por sua causa quebrei meu incrível nariz! Não consegue se controlar?
– Eu só contornei a cintura do Anko. Que culpa eu tenho se ele é tão bonito?
– Não importa. Da próxima vez os irmãos Weillschmidt acabam com a raça dele!
Ludwig bateu de leve na própria testa.
Francis deixou escapar um risinho:
– Minhas investidas nem sempre acabam bem. Ai... Meu belo rosto... E Gilbert, o que você e Antônio fazem aqui?
– Viemos devolver sua mochila. – Respondeu Antônio pegando a mochila de volta. Depois mirou Arthur, Alfred e Kiku – Holla, chicos! Arthur, queríamos mesmo falar com você.
– Leu minha sms? – Francis indagou.
O inglês fechou a cara:
– Li! E se isso for algum truque, eu...
– Ei, ei! Jamais faríamos algo tão baixo quanto manchar o nome da nossa banda com um truque.
Ludwig se mostrou levemente curioso:
– Então Arthur vai entrar na banda de vocês?
– Se o inglês parar de frescura, quem sabe, bruder?
– Ora, seu...!! — Arthur se enfureceu.
– Por que não fazem um teste de sincronia? – Kiku sugeriu e de repente todos olharam para ele, deixando o japonês completamente sem cor – S-sumimasen! Falei algo errado?
– Eu concordo com o Kiku – Alfred anunciou enquanto tirava chiclete de um dos bolsos – O Arthie toca bem guitarra, mas é bom saberem se vocês conseguem ter sincronia.
O Bad Touch Trio se olhou como se estivessem se comunicando por telepatia. Em seguida olharam para Arthur.
– Sabe tocar Rock and roll all night, inglês? — Inquiriu o albino.
– Do Kiss?
– Isso mesmo.
– Sei sim.
– Então vamos pro bloco de música e está todo mundo convidado.
–----------
Gilbert, Ludwig, Alfred, Antônio e Kiku esperaram os acadêmicos saírem até o bloco de música ficar vazio. Issoaconteceu bem na hora que Francis e Arthur chegavam com os próprios baixo e guitarra.
Quando entraram, arrumaram os aparelhos perto da bateria da sala. A plateia arrumava umas cadeiras para se sentar.
A bandeira do Reino Unido estava inteiramente grafada na guitarra do inglês. Já o baixo do francês era branco com uma luxuosa rosa desenhada na ponta inferior.
Antônio ligou o microfone e Gilbert foi para trás da bateria.
– Esperem — Arthur notou que faltava algo — Antônio não vai tocar a guitarra também?
O moreno sorriu para ele:
– Quando você entrar na banda, vamos diferenciar os arranjos da guitarra solo e da guitarra base. Você toca melhor que eu.
O inglês ficou levemente rosado com o elogio.
O espanhol bateu no microfone e ao perceber que estava ligado, falou:
– Calouros e veteranos, bem vindos a uma amostra da banda do Bad Touch Trio! Segurem-se nos seus assentos que agora é hora do rock! É um, é dois, é um é dois e é três!
(Kiss)
Gilbert começou a percussão e a guitarra tocou ao mesmo tempo, acompanhada pelo baixo. Antônio se animou ao perceber a sincronia e tirou o microfone do suporte.
You show us everything you've got
(Você nos mostra tudo o que você tem)
You keep on dancin' and the room gets hot
(Você continua a dançar e o quarto fica quente)
You drive us wild, we'll drive you crazy
(Você nos deixa malucos, nós o deixamos louco)
You say you wanna go for a spin
(Você diz que quer dar uma volta)
The party's just begun, we'll let you in
(A festa apenas começou, nós o deixaremos entrar)
You drive us wild, we'll drive you crazy
(Você nos deixa malucos, nós o deixamos louco)
Gilbert bateu várias vezes nos pratos de ataque e o Bad Touch Trio começou a cantar junto o refrão.
You keep on shoutin!
(Você continua gritando!)
You keep on shoutin!
(Você continua gritando!)
Arthur fez o riff da guitarra.
Aaah, I wanna rock and roll all night and party everyday
(Aaah , eu quero rock and roll toda a noite e festa todo dia)
Aaah , I wanna rock and roll all night and party everyday
(Aaah, eu quero rock and roll toda a noite e festa todo dia)
Antônio desviou a atenção para Arthur, que continuava concentrado nas cordas.
You keep on saying you'll be mine for a while
(Você fica dizendo que será meu por algum tempo)
You're lookin' fancy and I like your style
(Você está elegante e eu gosto de seu estilo)
You drive us wild, we'll drive you crazy
(Você nos deixa malucos, nós o deixaremos louco)
You show us everything you've got
(Você nos mostra tudo o que tem)
Baby, baby that's quite a lot
(Baby, baby, até que é o bastante)
And you drive us wild, we'll drive you crazy
(Você nos deixa malucos, nós o deixaremos louco)
You keep on shoutin!
(Você continua gritando!)
You keep on shoutin!
(Você continua gritando!)
Aaah, I wanna rock and roll all night and party everyday
(Aaah , eu quero rock and roll toda a noite e festa todo dia)
Aaah , I wanna rock and roll all night and party everyday
(Aaah, eu quero rock and roll toda a noite e festa todo dia)
Aaah, I wanna rock and roll all night and party everyday
(Aaah , eu quero rock and roll toda a noite e festa todo dia)
Aaah , I wanna rock and roll all night and party everyday!
(Aaah, eu quero rock and roll toda a noite e festa todo dia)
Francis fez o riff no baixo e piscou para a plateia. Kiku corou violentamente e Ludwig olhou com cara de poucos amigos para o baixista.
Quando terminou, Gilbert bateu várias vezes no tambor e jogou as baquetas pra cima, cheio de energia.
Arthur não ouviu direito os aplausos da plateia. Estava quieto demais olhando a palheta na mão direita. Sentia-se bem. De alguma forma tinha gostado de fazer aquilo. Gostado muito.
– Ei, Dartanian!
O inglês atendeu ao chamado de Gilbert, certo que ele usou Dartanian ao invés de Arthur.
– Bem vindo ao grupo, sobrancelhudo.
Continua
Notas finais
E a resposta da pergunta que não quer calar. E os casais? Hehehe!
Vão ter casais sim. Aliais, o ranking da fanfic é por causa disso. Mas a fic não foi feita pra tratar de um shipper em si. Ela foi feita centrada no BTT e Arthur.
Obrigada!
Fale com o autor