Fraqueza Ou Força?
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Regina acordou feliz como não fazia a muito tempo. Tinha seu filho no outro quarto, como deveria ser. Ela se levantou, tomou banho, se arrumou, acordou o menino para que ele fosse tomar o seu banho enquanto ela preparava o café. Henry desceu arrumado para escola e eles se sentaram à farta mesa, como fizeram durante 10 anos. Conversaram entre uma garfada e outra e logo deu o horário de leva-lo ao colégio. Ao chegarem na frente da escola, antes que o menino descesse do carro a rainha falou:
-Henry, eu gostei muito de você ter ido me ver, nunca se esqueça que aquela casa é sua e que você deve ir quando quiser. Eu te amo meu filho. Boa aula e não demore a me visitar.
-Pode deixar mãe, eu também te amo.
Eles trocaram um beijo e sorrisos, o garoto entrou e a ex-prefeita saiu com o carro. Ela tinha outro compromisso. Dirigiu-se ao consultório de Archie, ao descer do carro o avistou saindo do prédio que ficava em frente a Granny’s. Ela foi em sua direção e ele abriu um sorriso.
-Bom dia Regina, veio para mais uma sessão?
-Não. Nem agora nem nunca mais. Você traiu a minha confiança, como pôde contar a Emma o que eu te falei? Eu me abri, te contei coisas que nunca falei pra ninguém, eu confiei e você me traiu como todo mundo.
-Não Regina, eu jamais faria isso, nunca trairia a sua confiança, eu não disse nada demais, apenas falei que você estava procurando ajuda e de como isso era um ótimo sinal do quanto você quer mudar.
-Você não tinha o direito de falar nada, nossas sessões eram confidenciais. Mas a culpa foi minha de ter confiado em um inseto. Você tem muita sorte por eu ter mudado. – Disse a morena com raiva e decepção em seus olhos, deu as costas e foi embora pisando firme.
-Regina, Regina, espere... – Chamou o grilo sem sucesso, a rainha nem virou o rosto e seguiu arrancando o carro seguindo para a sua casa.
Do outro lado da calçada estava Ruby, assistindo toda a cena da briga. E de longe outros olhos observavam a cena, Cora vira a briga e começara a arquitetar um plano.
Emma já estava trabalhando, olhou o relógio e viu que já passara da hora da entrada de Henry no colégio, ela terminaria de ler e assinar alguns documentos e então iria ver a outra mãe de seu filho. Ela esperava ansiosamente desde a noite anterior, não parava de pensar nos lábios carnudos, no corpo definido, na pele macia, no cheiro, no gosto da rainha. Mas não podia ficar pensando nisso, ela ainda tinha trabalho a fazer, e tinha que estruturar o seu pensamento para a conversa que teriam, afinal nada poderia ser mais confuso do que qualquer tipo de relacionamento entre elas.
Regina chegou em casa ainda enfurecida, sentia-se traída, não podia confiar em ninguém. E estava a um passo de cometer o mesmo erro de novo, estava se abrindo demais para Emma. Não podia se entregar, elas nunca seriam compatíveis, ela era a responsável pela xerife ter tido uma vida tão difícil, a xerife era responsável por quebrar a sua maldição e afastar o seu filho. Depois de terem passado uma noite cheia de carinho, foi apenas se verem fora dos braços uma da outra que voltaram a brigar. Não adiantava elas seriam para sempre inimigas, talvez conseguissem levar todo o ódio para cama, mas nunca se livrariam dele. A rainha seria forte, não se entregaria, não confiaria, não sofreria de novo. Foi lavar as louças do café da manhã e arrumar a mesa, precisa parar de pensar e tentar se recompor. A raiva só aumentava a sua necessidade por magia, por poder. Ao terminar os seus afazeres, já estava bem mais calma, foi se dirigindo ao seu escritório quando a campainha tocou. Foi abrir a porta.
-Olá Miss Swan – só de olhar para a loira seu corpo se ascendeu.
-Oi Regina, precisamos conversar.
A morena abriu a porta e fez um gesto para que a outra entrasse. Com a entrada da xerife a ex-prefeita fechou a porta. As duas estavam se olhando de frente uma para outra. Emma tentou começar uma frase, mas a visão daquela mulher tão linda não deixava sua cabeça funcionar direito, quem tinha o domínio era o corpo. Ela então não resistiu e beijou Regina que prontamente respondeu ao beijo urgente. As bocas se uniram, as línguas pareciam dançar enquanto as mãos percorriam o corpo uma da outra. Quando o beijo acabou Emma só conseguiu dizer:
-Acho que a conversa pode esperar.
-Eu espero que sim – respondeu Regina sorrindo – vem comigo.
A rainha segurou na mão da loira a guiando pelas escadas, ao chegar à porta do quarto Emma a puxou para si e a beijou apaixonadamente e sem desgrudar as bocas foi guiando a sua rainha para a cama. Ao chegar perto a xerife empurrou gentilmente a morena sobre o leito e tirou a sua jaqueta deixando-a jogada pelo chão, foi andando pela cama de joelhos até segurar a morena pelos cabelos da nunca, a beijou com força e desejo e foi descendo os beijos pelo queixo e pescoço. Regina adorava aquilo, amava ser tão desejada, ser tomada com força e carinho, estar na posição de dominada era muito prazeroso, mas já estava na hora de reverter a situação. A rainha girou e se colocou por cima da xerife sentando no meio de seu corpo e segurando os braços da loira a cima da cabeça, segurou com força e a beijou. Desceu uma das mãos que segurava os braços da outra e começou a tirar a blusa regata de Emma, passou levemente a língua do umbigo ao centro dos seios, tirou o sutiã e começou a beijar, massagear e mordiscar os seios da loira, arrancando gemidos roucos. Desceu as mãos até a calça da xerife e a retirou, bem como as meias e as botas, Emma estava completamente nua em sua cama enquanto ela ainda estava completamente vestida. Regina estava com o controle, novamente segurou os braços da loira e prendeu o seu corpo entre as suas pernas restringindo os movimentos de sua parceira. A rainha beijou a outra mulher com força mostrando quem é que mandava, e foi descendo os beijos por todo o corpo até chegar ao centro úmido passando lentamente a língua pelo meio. Com esse único movimento Emma se arrepiou toda, um tremor passou pelo seu corpo, não ia resistir muito tempo, se não virasse o jogo ela atingiria rapidamente o orgasmo mal tendo tocado o corpo da outra. Concentrou-se o mais que pode, saiu da posição de passividade e agarrou a ex-prefeita com um movimento rápido pegando a morena de surpresa. A xerife tinha pressa, arrancou rapidamente o vestido preto de Regina e não conseguiu não parar para admirar o corpo coberto apenas por uma lingerie vinho, não resistiu e disse:
-Você é linda demais, só de te olhar eu perco o controle. Eu quero você agora.
Beijou a morena com todo o desejo enquanto massageava por cima da calcinha o clitóris duro da rainha. Foi então que ouviu pela primeira vez nesse dia aquele som que a tirava do sério, a ex-prefeita chamando o seu nome por entre gemidos. Sentiu o corpo da morena tremendo em baixo do seu, mas não daria o relaxamento à outra assim tão facilmente, parou o toque e intensificou o beijo. Regina tentava guiar a mão se Emma para o seu centro, mas a xerife apenas sorriu negando com a cabeça. Tentou se controlar e diminuir a urgência que tinha do corpo da rainha, diminuiu a velocidade dos beijos e foi tocando todo o corpo da outra lentamente. Passou vagarosamente a língua por toda a extensão da orelha, mordiscou o lóbulo. Foi descendo até encontrar o queixo com a boca e dar uma leve mordida, desceu beijando o pescoço enquanto colocava a mão por dentro do sutiã brincando com os mamilos enrijecidos da sua fêmea, abocanhou o seio sem tirar a lingerie. Regina se mexia em baixo do seu corpo, estava completamente excitada precisava sentir a outra dentro de si, apenas conseguia sussurrar:
-Por favor Emma...
A loira parou, olhou em seus olhos por alguns segundos, queria registrar aquela visão, a mulher mais linda do mundo pedindo por ela, seu sexo latejava não estava mais aguentando, beijou apaixonadamente a morena e depois dirigiu sem rosto para o centro do corpo da rainha. Passou lentamente a língua pelo seu sexo por cima da calcinha, enquanto a outra gemia alto, com os dedos puxou o pedaço de pano e começou a dar o alívio que Regina tanto queria. Colocou a sua língua dentro dela enquanto passava os lábios quentes pela parte de fora, começou bem lentamente torturando aquela que era acostumada a torturar, foi aumentando o ritmo, acrescentou lambidas e sugadas até que pouco tempo depois sentiu plenamente o gosto da morena que tremia e dava um último gemido prolongado. Ver o quanto dava prazer a Regina era melhor do que ela mesma sentir, claro que adorava ser tocada pela outra, nunca ninguém a tinha tocado como a ex-prefeita, mas a sensação de ver a rainha sucumbindo a ela era melhor que qualquer outra coisa.
Emma finalmente se deitou, aninhou Regina em seu peito e começou a acarinhar as suas costas, enquanto a morena liberava as últimas descargas do orgasmo. Passaram um tempinho assim, até a rainha se recompor, apoiar o queixo no peito da outra e olhar fundo em seus olhos. Ela foi aproximando os seus lábios dos da outra e se entregaram a um beijo doce e cheio de carinho enquanto as suas mãos desciam pelo corpo da xerife procurando pelo seu centro encharcado. Colocou dois dedos com facilidade acompanhando o ritmo calmo das línguas que se tocavam com ternura. A loira começou a movimentar o seu corpo para aumentar a velocidade, mas Regina mantinha o ritmo lento, acrescentou o polegar circulando o clitóris à dança sem parar de beijar a mulher. Emma estava completamente entregue, continuou o toque lento enquanto a loira gemia dentro de sua boca e então parou tudo, toque, beijo e levantou um pouco o seu corpo olhando diretamente para a expressão de necessidade de sua presa, que implorava por mais. Depois de alguns segundos observando o desespero da outra resolveu acabar com a agonia, não sem antes excitá-la um pouco mais, olhou-a profundamente nos olhos enquanto levava os próprios dedos à boca, queria que a outra soubesse o quanto ela gostava do seu gosto, Emma não resistiu a isso e pediu:
-Por favor Regina, eu não aguento mais, me faça sua.
Então a rainha finalmente atendeu o desejo da sua súdita, levou a boca a seu centro e em poucos segundos arrancou uma série de gemidos altos e gritos de seu nome, até que apenas sussurros fossem ouvidos.
Deitaram-se exaustas, abraçaram-se com os corpos suados e curtiram o relaxamento pós-orgasmo. Regina se recuperou primeiro, ficou de lado com o braço formando um triangulo para apoiar a cabeça, enquanto olhava para a xerife e com a outra mão fazia círculos leves em sua barriga. Emma não conseguia tirar os olhos de Regina, a beleza da mulher a enfeitiçava, podia passar a vida olhando para aquele rosto. Então depois de alguns segundos a morena quebrou o silêncio.
-Sim xerife, o que queria conversar – falou com um sorriso.
Emma foi se ajeitando até sentar com as costas apoiadas na cabeceira da cama enquanto se enrolava no lençol.
-Bem, eu quero falar sobre nós, sobre isso.
Regina levantou a sobrancelha fazendo uma expressão de quem não está entendendo. Emma então continuou.
-Nós nunca tivemos uma relação muito pacífica, passamos o tempo todo brigando seja pelo Henry ou pelas suas armações e agora ainda tem a maldição. Nós sempre estivemos em lados opostos. Como vamos fazer pra nos entender? Como vamos explicar para os outros que a salvadora e a rainha má agora dividem a mesma cama?
A morena fez uma cara de espanto e falou, enquanto levantava da cama a procura de um robe.
-Do que você está falando Miss Swan? Como assim explicar para os outros? Ninguém tem que saber disso.
-O que? Você está sugerindo que tenhamos encontros escondidos? Que não contemos a ninguém?
-Contar o que? Não temos nada o que contar, nós somos duas pessoas adultas que estão se divertindo, ninguém precisa saber quem a gente leva pra cama.
A expressão de Emma se transformou, aquelas palavras vieram como um tapa, seu rosto mostrava a dor que sentia.
-Você está querendo me dizer que isso que acabamos de fazer, o que fizemos na outra noite foi só sexo? Apenas uma diversão pra você?
— Pra mim só não, pra nós duas. Ou vai dizer que não foi divertido pra você?
— Eu não estou falando de apenas diversão, estou falando de entrega, isso não foi apenas uma transa e você sabe perfeitamente bem disso – disse Emma com a voz cheia de raiva
-Miss Swan, eu realmente não estou entendendo onde você quer chegar.
- Para de me chamar de Miss Swan – a xerife já estava gritando enquanto se levantava ainda enrolada no lençol – agora a pouco você gemia meu nome.
- Eu não estou compreendendo porque você está tão nervosa, o que fizemos aqui não muda a nossa relação. Como você mesma disse nós sempre estivemos em lados opostos.
- Então você propõe que nós continuemos nos matando da porta pra fora e venhamos descontar as nossas diferenças na sua cama?
- O que você pensou que fosse acontecer? Que depois de alguns beijos e toques, tudo o que nós passamos ia magicamente desaparecer?
- Eu não estou falando de beijos e toques Regina, eu estou falando de sentimentos.
- Sentimentos? Que tipo de sentimentos você teria por mim? Eu arruinei a vida de todos inclusive a sua. Você nunca vai conseguir confiar em mim.
Emma parou um momento e começou a juntar as peças, e então falou já recuperando a calma, a cada palavra dita ela se aproximava da morena:
— Não adianta você negar, se esconder atrás de uma expressão de frieza, se dirigir a mim com formalidades, eu sei que você também tem sentimentos, eu sei que você sentiu o que eu senti, eu vi. Eu estava lá quando você chorou com medo do amor ser uma fraqueza, foi pra mim que você olhou com uma necessidade enorme de ser amada, foram os meus lábios e o meu corpo que você tocou como se fossem uma extensão do seu. Fale o quanto quiser, eu sei que você me quer tanto quanto eu te quero.
Quando acabou de falar a xerife estava a poucos centímetros da outra e a beijou segurando com força. Regina tentou resistir, sair do abraço apertado da loira, mas a medida que a língua de Emma ia invadindo a sua boca, ela foi perdendo as forças e se entregando ao beijo apaixonado. Quando precisaram de ar as suas bocas se afastaram e as suas testas se tocaram, uma lágrima solitária correu pelo rosto da rainha e ela disse:
— Emma, eu estou me esforçando muito pra mudar, estou me controlando o máximo que eu posso, mas ninguém acredita em mim, e não posso tirar a razão deles, eles sabem do que eu sou capaz. Confiança é algo que leva tempo, não vamos apressar as coisas.
-Tudo bem. Não quero te pressionar, mas saiba que eu não quero apenas o seu corpo, por mais perfeito que ele seja, eu quero você por inteiro.
As duas sorriram e se beijaram novamente, quando o beijo acabou Regina disse:
— É melhor você ir, a cidade não pode ficar tanto tempo sem a xerife.
— Tem razão, tenho muito trabalho a fazer. Te vejo de noite?
-Acho melhor não. Que tal amanhã?
-Certo. Então amanhã a gente se vê.
Emma pegou suas roupas, se vestiu, desceu com Regina ao seu lado e foi embora pensando no encontro do outro dia, mal sabia que a próxima vez que se vissem não seria para trocarem beijos e abraços e sim acusações.
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