Fraqueza Ou Força?
7 Capítulo 7
Regina chegou em casa e se sentiu muito mais leve do que quando saíra. As coisas pareciam estar melhorando, ela estava procurando ajuda com Archie, Henry estava acreditando nela e as coisas com Emma, bem, estavam diferentes, mas ela não queria pensar muito nisso, estava bastante cansada e resolveu se deitar um pouco. Mal sabia que esse seria um dos seus últimos cochilos tranquilos, a causadora de toda a sua desgraça estava vindo pelos mares.
Emma acordou perto da hora do almoço e se juntou à Snow, Charming e Henry na cozinha. Fizeram um almoço simples com todos ajudando, comeram, arrumaram a mesa e lavaram as louças, tudo em meio a muita conversa. Eram enfim uma família e todos estavam muito felizes. A xerife se lembrou do compromisso com Archie e seguiu para o seu consultório.
O grilo abriu a porta com a sua costumeira simpatia e a convidou a entrar. Emma como não era de enrola foi direto ao assunto.
— Oi Archie, bem, eu vim falar sobre Regina.
- Sou todo ouvidos.
- Você a conheceu antes, na terra dos contos de fada, e a conhece agora, você acha que existe alguma possibilidade da Regina se redimir?
- Sabe Emma, ouve um tempo lá na nossa terra em que eu achei que a mudança dela seria impossível, porque uma pessoa só pode trilhar o duro caminho da redenção se tiver um desejo e uma motivação muito grandes. E ela não tinha nenhum dos dois. Mas, a Regina daqui tem um amor enorme pelo filho, eu realmente acredito que ela vai fazer de tudo pra tentar mudar, e ela conseguir ou não depende apenas dela. Quando ela chegou aqui, hoje mais cedo, eu pude ver o quanto ela quer mudar e eu acho que ela vai precisar muito do Henry e de você.
Emma parou um segundo, Regina tinha ido procurar ajuda? Isso não se parecia nada com ela. E como assim a xerife seria importante na sua mudança? Será que ela tinha contado alguma coisa a Archie sobre elas duas? Então ela perguntou:
-Regina veio aqui hoje? Foi a primeira vez? Ela te contou alguma coisa?
O terapeuta logo percebeu a besteira que tinha feito, sem querer soltou duas coisas que ele jamais poderia ter dito, disse que Regina estava em sessões com ele, e insinuou que Emma tinha importância para a rainha. Ele tentou consertar, mas o estrago já havia sido feito.
-Eu não deveria ter dito isso, não deveria ter contado sobre as nossas sessões, e não posso te falar sobre o que nós falamos, isso é confidencial, o que é dito aqui fica aqui.
Emma estava sem graça, tinha certeza que Regina tinha contado sobre elas duas, não sabia o que pensar, se ficava com raiva por ter sido exposta ou se compreendia a necessidade da outra de trabalhar as suas emoções. Na realidade ela sentia as duas coisas.
-Obrigada Archie, eu só queria saber se existe a chance de Regina mudar. Não quero que o Henry se apegue a falsas esperanças.
Os dois sabiam que isso não era apenas sobre Henry.
Emma se despediu e foi para a delegacia, afinal ela era novamente a xerife.
Regina despertou do seu sono com bastante fome, mas ela não estava com nenhuma vontade de cozinhar, como seria bom estalar os dedos e ter um banquete a sua frente, mas não, ela havia prometido a Henry não usar magia. Ela estava evitando sair de casa, sabia o quanto todos os cidadãos a odiava, mas ela precisava encara-los, não seria uma prisioneira na sua própria cidade. Resolveu ir ao Granny’s.
Ao chegar à lanchonete todos os olhos se voltaram para ela, ninguém ficou satisfeito com a sua presença. Uns olhavam torto, outros desviavam o olhar e outros saíram. A própria vovó pensou em não servi-la e coloca-la porta a fora, mas se lembrou do dia anterior e de Emma a ter trazido. Se a xerife acreditava na rainha, não cabia a ela condená-la.
A morena se aproximou do balcão e pediu um sanduiche e um suco para Ruby, que anotou e passou o pedido para a cozinha. Regina fingia não se importar com nada nem com ninguém, mas ser hostilizada e ignorada daquela forma a feriam demais. Todos a olhavam com ódio ou desdém, ela com sempre desde a morte de Daniel e de seu pai, estava sozinha. Esperou o seu almoço torcendo para o tempo passar rápido, comeu, pagou e voltou pra casa. A ideia de ir à lanchonete não tinha sido boa, ela chegou muito triste a sua mansão.
Agora que não era mais prefeita e não tinha ninguém, não tinha muito o que fazer. Foi a seu escritório e procurou algum livro para ler. Ela não conseguia se concentrar, estava se sentindo muito sozinha e perdida, quando olhou para o relógio viu que estava perto da hora de Henry sair do colégio, ela precisava vê-lo, precisava de pelo menos um olhar de carinho. Então seguiu para a escola de seu filho.
Chegou alguns minutos antes e ficou na porta esperando, todo mundo que passava por ela, ao perceber sua presença se afastava rapidamente com olhares repreensivos. Ela entendia a raiva da população, mas ainda assim doía. Tentava não demonstrar a sua dor colocando a sua tradicional máscara de superioridade, ela podia até sofrer, mas ninguém saberia, não daria esse gostinho a ninguém. Estava imersa em seus pensamentos e em sua atuação quando ouviu alguém a chamando:
— Regina? O que está fazendo aqui? Falou a xerife com a voz um tanto dura.
-Estava com saudade do meu filho e resolvi dar uma passada para vê-lo.
Emma se aproximou e disse em voz baixa:
-Espero que não pense que o que aconteceu entre nós ontem, vai mudar o fato de Henry estar comigo, de ser eu a sua mãe, portanto agora quem faz as regras com relação ao meu filho sou eu.
Aquelas palavras atingiram Regina como um milhão de adagas espetando o seu corpo. Ela queria dar um tapa naquela loira enxerida que tinha vindo a cidade para arrancar tudo que era dela, tudo o que havia conquistado. Mas não podia fazê-lo, então se controlou e apenas disse:
-Eu tinha que vir checar se ele estava na escola, afinal desde que você chegou ele cabula aulas o tempo todo e está sempre em perigo. Você só trouxe desordem à vida dele.
Emma se irritou muito ao ouvir aquelas palavras e imediatamente respondeu:
-Eu trouxe a ele felicidade, coisa que você nunca foi capaz de fazer.
Os olhos de Regina se encheram instantaneamente de água, isso sim tinha doído demais. Ser acusada de ser a responsável pela infelicidade de seu filho era demais, ela levantou a mão para lançar a outra pelo ar, mas se controlou a tempo. O ódio comia a sua alma, ela se segurou e apenas virou e foi embora, não deixando que a outra visse as lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
Assim que as palavras saíram da boca de Emma, ela viu a besteira que tinha feito. Chamou pela outra sem sucesso, mas não chegou a ir atrás dela pois Henry acabara de chegar.
-Emma? Aquela era a minha mãe? O que ela veio fazer aqui? Porque ela foi embora? – perguntou o menino
-Era sim, ela veio te ver, mas nós nos desentendemos e ela foi embora.
O olhar do menino se encheu de tristeza, ele era insolente, mas sentia muita falta da sua mãe. Ao ver a expressão no rosto do filho, Emma ficou ainda mais arrependida e perguntou:
-Você sente falta dela né?
-Sinto. Nossa relação nem sempre foi assim, antes do livro, antes de eu saber da maldição, nós nos dávamos muito bem. Eu achei que com a quebra da maldição eu ganharia você, meus avós, mas também teria a ela. Afinal, foi ela quem cuidou de mim a minha vida toda.
Henry não teve a intenção de alfinetar Emma, mas ela não pode deixar de sentir tristeza ao ouvir as palavras de seu filho. Ela o havia abandonado e a outra tinha feito o seu papel por 10 anos. E não podia negar, tinha feito um ótimo trabalho, Henry era um menino maravilhoso graças a Regina. Ela sempre teria essa dívida para com a outra.
-Hey garoto, que tal irmos para casa tomar um banho e aí eu te levo pra jantar com Regina e se você quiser pode até dormir por lá hoje, o que acha?
O rosto do menino se iluminou, ele abraçou a xerife e disse:
-Eu adoraria, obrigada mãe.
Ele ainda não sabia direito com chamar a loira, a cada hora ele falava uma coisa, mas quando estava muito emocionado ele sempre a chamava de mãe, e Emma amava ser chamada assim.
Regina chegou em casa com lágrimas descendo pelo seu rosto e um buraco em seu peito. Ela havia perdido o seu filho, teria que depender da boa vontade da outra para vê-lo, precisava da sua autorização para estar com o seu menino. O seu desejo era destruir a cidade toda se fosse preciso, ela tinha que se controlar muito para não ir até a casa da outra e buscar seu filho a qualquer custo. Mas ela tinha que se esforçar, ela não podia perder a confiança de Henry, não conseguiria viver sem o seu amor, mesmo que não estivesse com ele.
Ela foi se recompondo aos poucos tentando afastar o ódio do seu coração, tentava entender e aceitar a nova condição a que se submetera, todo o esforço valeria a pena para preencher o buraco em seu peito que só o amor verdadeiro traria, o amor de seu filho. Tentando afastar os pensamentos voltou ao seu livro, mas foi interrompida poucos minutos depois pelo som da campainha. Quem seria? Ela não tinha ninguém. Apressou-se para abrir a porta. Ao fazê-lo depara-se com a mulher que a pouco quase a tinha feito quebrar a promessa de não usar magia. Olhou-a com ressentimento e disse:
— Ms. Swan, o que faz aqui.
-Vim trazer uma pessoa que queria muito te ver. –Disse a loira sem graça, seguindo de um gesto como que chamando alguém.
-Eu. – Disse Henry com uma carinha travessa ao aparecer na frente da sua mãe.
O rosto da rainha se iluminou, o seu sorriso parecia o sol. Ela se abaixou e abraçou o menino.
-Eu estava com saudade. –Disse a morena.
-Eu também – falou o pequeno a abraçando forte – Emma me trouxe para jantar com você e disse que eu posso dormir aqui hoje.
-Que boa notícia. Como não sabia que você vinha, não preparei nada, acho que vamos ter que pedir pizza – falou Regina sorrindo.
-Oba! Emma pode ficar também? Gostaria de jantar com vocês duas.
O pedido do menino pegou as duas de surpresa. Elas se olharam meio constrangidas e Regina logo respondeu.
-Claro querido, como você quiser.
Henry olhou para Emma esperando a resposta dela. Emma gaguejou um pouco e respondeu:
— Por mim tudo bem.
-Então vamos entrando – disse a rainha sem tirar os olhos do seu filho.
Todos entraram e seguiram para a sala, decidiram os sabores e ligaram para a pizzaria. Regina queria saber de tudo sobre o seu filho, perguntou várias coisas. Ele sentia falta de conversar com ela, sua mãe estava sempre interessada no que acontecia com ele. Contou da escola, da nova casa, das aulas de espada com seu avô e contou que também aprenderia a andar de cavalo. Regina ficou preocupada e contente, falou como ela também adorava andar a cavalo na terra encantada. Henry adorou ouvi-la falar da sua vida no outro mundo, ele não conhecia de verdade a sua mãe.
Enquanto conversavam Emma ficou meio deslocada, e ao se dar conta a rainha tentou trazê-la a conversa e pediu para que contasse dos dias que havia passado no seu mundo. Henry praticamente contou toda a história, ele ficou muito empolgado com as aventuras, e quase não deixava a loira falar. Elas riam com a alegria do menino, naquele momento estavam todos felizes. A pizza chegou e eles comeram enquanto conversavam. Quando terminaram Henry perguntou se podia jogar vídeo game.
-Sim –disse Emma.
-Já fez o seu dever de casa? – perguntou Regina.
-Ainda não – falou Henry com uma carinha sapeca.
-Então faça o seu dever e depois você pode jogar – disse Regina assanhando os cabelos do menino.
-Ela tem razão – disse a xerife.
Henry subiu as escadas com a sua mochila, deixando as duas sozinhas. O clima ficou pesado instantaneamente. Regina começou a tirar a mesa, e Emma foi ajuda-la. Quando deixaram as louças na pia, a xerife segurou no braço da ex-prefeita e disse:
-Regina, me desculpe pelo que eu falei na escola. Eu não tinha o direito.
-Você não sabe o trabalho que é educar uma criança sozinha, a responsabilidade é muito grande. Talvez eu tenha exagerado, tenha sido muito rígida, mas tudo o que eu fiz foi pensando no bem do Henry, não queria faze-lo infeliz.
-Você não o fez infeliz, eu só disse aquilo pra te machucar. Acho que nunca vi o Henry tão feliz como hoje, quando falei que o traria aqui e agora a pouco enquanto ele te contava as coisas. Eu não conheci o relacionamento de vocês antes dele saber da maldição, acho que isso deve ter atrapalhado as coisas entre vocês. O Henry é um garoto muito correto, e ironicamente ele deve isso a você. Ele é um menino maravilhoso e serei eternamente grata a você por isso.
Regina sorriu.
-O que fez você trazê-lo aqui? Você não tem medo do que eu possa fazer? Perguntou a rainha
-Ele te viu saindo da escola e disse o quanto sentia a sua falta. Não queria ser a causa da tristeza do meu filho. Quanto ao medo, eu tenho certeza absoluta que você não fará nenhum mal a ele.
-E quanto aos outros?
-Também não tenho medo, eu acredito que você quer mudar.
-O que te faz acreditar nisso?
-Primeiro o fato do Henry acreditar, depois porque você salvou a minha vida e a de Snow, e eu conheci um lado seu que me faz ter certeza que você tem o bem dentro de si. E além do mais Archie me disse que você tem se esforçado.
-O que o Dr. Hooper te disse?
-Nada, ele só me falou que você está realmente tentando mudar. E por falar nisso, deixa eu te perguntar uma coisa. Você contou a ele sobre ontem a noite? Sobre nós? – Falou Emma timidamente.
Regina engasgou e disse:
-Ele te falou isso?
-Não, mas ele disse que eu poderia ajuda-la.
A morena sentiu a raiva nascer novamente dentro dela, como aquele inseto podia fazer uma coisa dessas? Como ela iria confiar nele? Tentou se acalmar e não demonstrar a raiva que estava sentindo.
-Eu não preciso da sua ajuda Miss Swan. Não se preocupe com isso- disse a ex-prefeita se afastando.
-Eu não estou preocupada, eu quero te ajudar. E porque você está me chamando de Miss Swan? Ontem não era isso que você sussurrava no meu ouvido.
Regina ficou vermelha na hora, não esperava que fossem por esse caminho, ela não queria falar disso agora, não com o seu filho em casa.
-Miss Swan, acho melhor não tocarmos nesse assunto. Não aqui, não agora, não com o meu filho a alguns metros de nós.
-Tudo bem. Mas amanhã a gente conversa. Acho melhor eu ir, vou deixar vocês a vontade. Vou me despedir do Henry. Você o deixa amanhã na escola?
-Claro –sorriu a morena.
Emma subiu para o quarto de Henry e se despediu do seu filho, combinou de busca-lo na escola no dia seguinte. Então desceu as escadas e encontrou Regina esperando por ela no hall perto da porta.
-Obrigada – disse a ex-prefeita.
-Não foi nada, você também é parte da vida dele – disse a loira se aproximando e tocando o rosto da morena.
Regina enrubesceu e olhou pra baixo.
-Desculpe-me por mais cedo, não queria ter te magoado. Acho que eu estava com raiva de você ter ido conversar com Archie, eu nem sei se você falou alguma coisa da gente, mas se falou é um direito seu, eu não tenho que ficar aborrecida com isso. Não deixe que isso atrapalhe as suas consultas com ele. Tenho certeza que ele vai te ajudar, e se você me deixar, eu também. – A xerife se aproximou ainda mais e deu um beijo na rainha, a imprensando contra a parede.
-Você está ficando louca, Henry pode descer – disse Regina sorrindo e ao mesmo tempo aflita.
-Ele não vai descer agora, mas eu te solto se você me chamar pelo meu nome – falou a xerife dando um selinho da ex-prefeita.
A morena sorriu e disse sussurrando no ouvido da outra:
-A gente se vê amanhã, Emma.
O corpo da loira se arrepiou todo com o calor que saia da boca de Regina tocando em sua orelha, ela tinha que ir se não a tomaria ali mesmo.
-Tudo bem, amanhã eu passo aqui.
As duas sorriram e deram mais um selinho. Regina abriu a porta e Emma foi para casa.
Ao fechar a porta um turbilhão de emoções tomou novamente Regina, estava feliz por ter seu filho em casa, a sua relação com Emma estava se encaminhando, mas também tinha a raiva do grilo, como ele pôde expô-la desse jeito? Isso não ficaria assim. Mas por ora ela não pensaria nisso, tinha seu filho com ela e precisava aproveitar. Subiu as escadas e foi ter com ele.
Enquanto isso, do lado de fora da casa, estava um casal. Uma senhora e um rapaz com uma luneta olhando para dentro da casa da ex-prefeita. Por sorte, a parte do hall não era visível por fora da casa, então a cena de carinho entre as duas não foi vista. Mas o quarto de Henry era facilmente visualizado dali.
A senhora, Cora a mãe de Regina e de todas as tragédias que tinham acontecido em sua vida, ficou pensativa.
-Ela não está tão quebrada quanto eu imaginei. Ela ainda tem o menino, preciso acabar com isso. Preciso que ela esteja desmoronando para que eu possa pegar os pedaços e tê-la de volta.
Qualquer um ficaria chocado com uma mãe falando assim da própria filha, mas não o jovem ao seu lado, Hook, já a conhecia muito bem, sabia do mal que ela era capaz de causar a qualquer um para alcançar os seus objetivos. Cora faria qualquer coisa para ter novamente a sua filha.
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