Notas iniciais
O efeito do alcool sempre passa, a coragem que ele dá para fazer o que se tem vontade para além da razão, acaba. E como lidar com isso?


Algum tempo se passou antes que Regina despertasse. Ela foi
abrindo os olhos sentindo-se relaxada, mas ao olhar para o lado tomou um susto.
O que a xerife estava fazendo em sua cama apenas enrolada em uma toalha? A
confusão na mente da ex-prefeita durou poucos segundos, logo a sua mente se
encheu de flashes de tudo o que havia acontecido horas antes. As muitas
bebidas, o desabafo, os beijos, o entrelaçamento dos corpos. Regina não
conseguia acreditar, como podia ter sido tão fraca, como pôde ter se aberto
tanto para sua inimiga? Não sabia o que fazer, agora que já não tinha mais os
efeitos do álcool em seu corpo, a razão começava a dominá-la. Elas nunca haviam se dado bem, ela nunca havia se permitido pensar na outra como qualquer coisa que não sua inimiga. Agora sabia que muitas das vezes em que havia armado para a loira, ou a agredido verbalmente era para sublimar o seu desejo, mas ela nunca tinha se permitido pensar nisso antes. E agora? Como agir em relação à outra, 1 ano de disputa, e outros tantos de maldição, não se apagam em algumas horas de entrega sexual.

Regina se levantou com cuidado e colocou um robe não queria
estar naqueles trajes quando acordasse a xerife, o que tinha que ser feito,
afinal já era 4:30 da manhã, se as pessoas na casa de Emma percebessem a sua ausência até essa hora não seria nada fácil de explicar. A morena estava muito confusa, não sabia nem mesmo como acordar a outra, então se aproximou e tocou o braço enquanto dizia:

- Miss Swan, está ficando tarde.

Ela não planejou chamar a xerife de Miss Swan, apenas saiu,
e na mesma hora ela percebeu o quão sem lógica tinha sido. Afinal há pouco
tempo atrás não existia nenhuma formalidade entre elas.

Emma acordou com a doce voz de Regina, espera um pouco,
Regina? Ela só podia estar sonhando, ao contrário da ex-prefeita ela já havia
fantasiado muito com a morena, sempre lutava contra isso, mas ainda assim cenas delas duas teimavam em invadir os seus pensamentos. Parece que agora havia sido real.

Os fatos também estavam embaralhados na sua cabeça, como
elas passaram de inimigas para amantes? Porque a outra a estava chamando
novamente de Miss Swan quando ela tinha sussurrado tantas vezes o seu nome
agora a pouco? Ela não estava conseguindo raciocinar direito, só conseguiu
perguntar:

- Que horas são?

- 4:30. – Foi tudo o que Regina disse.

Emma levantou rapidamente e começou a procurar por suas roupas.

- Já está muito tarde, tenho que ir, onde estão as minhas roupas? – Disse enquanto olhava embaixo da cama.

- Acho que ficaram no escritório lá em baixo. – Falou uma Regina ruborizada.

Emma desceu com pressa começou a juntar as suas roupas e a
se vestir, enquanto a morena descia lentamente as escadas, não queria ver a
loira se vestindo, não queria reviver a intimidade agora. Regina esperou na
porta e Emma saiu com uma expressão confusa. Nenhuma das duas estava entendendo direito o que havia acontecido, elas estavam bastante constrangidas na presença uma da outra, elas ficaram uma de frente pra outra sem se olhar, até que Emma quebrou o silencio.

- É eu tenho que ir, se o pessoal lá de casa nota minha ausência, não vai ser nada fácil de explicar. Vou tentar pensar em uma história no caminho, mas espero que eles não me vejam entrar.

- Você tem razão, é melhor se apressar.

Elas se dirigiram a porta, Regina a abriu, nenhuma das duas
sabia o que falar, como se despedir. Dessa vez foi a morena a quebrar o
silencio.

- Boa sorte. – disse com um tímido sorriso nos lábios.

-Obrigada. Er... Obrigada por tudo. – disse a xerife coçando a cabeça meio desconcertada. E em seguida deu um selinho na ex-prefeita e saiu. Elas tinham tido acabado de viver momentos maravilhosos de intimidade plena, não faria o menor sentido dar um aperto de mão e ir embora, mas o constrangimento e a culpa eram grandes demais para qualquer passo maior que um selinho.

Regina deu um sorriso, e a loira saiu em direção ao seu fusca amarelo, a morena esperou até que o carro sumisse de sua vista para então fechar a porta e se escorar nela.

- O que foi que eu fiz? – Esse era o pensamento que martelava em sua mente.

Emma dirigiu rápido, com a cabeça a mil, o que diria a seus
pais e seu filho se fosse pega chegando uma hora dessas? Pensou em dizer que
ficou até mais tarde conversando com Ruby, mas isso jamais funcionaria a loba
desmentiria na hora, pensou em dizer que ficou conversando com Regina sobre o
Henry, mas o que ela diria que elas tinham acertado? Passaram bastante tempo
juntas, mas definitivamente Henry não tinha sido nem de longe o motivo. Enfim,
decidiu que diria ter passado horas andando por Storybrooke, olhando o mar,
matando a saudade da cidade e colocando os pensamentos em ordem. Essa era
realmente uma desculpa terrível, mas a única que fazia o mínimo sentido. Ela
realmente desejava não ser preciso contar essa mentira.

Chegou em casa, abriu a porta com cuidado, e foi se
dirigindo a seu quarto, onde Henry estava dormindo agora. Não quis arriscar
deitar-se na cama com ele, para não acordá-lo, então seguiu para o sofá. Não
tinha conforto nenhum, mas ela não queria arriscar que ninguém acordasse.
Deitou-se ali e tentou sucumbir ao cansaço físico, mas a sua mente não parava
de pensar no que ela e Regina haviam feito. No que será que a outra estava
pensando? O que será que significou pra ela? E todo o ódio que elas nutriram
tanto tempo uma pela outra? Emma pensou muito e chegou à conclusão de que todos mereciam uma segunda chance, assim como ela, queria apenas saber se as intenções de mudança da morena eram reais. Perguntaria a Snow o que havia
acontecido entre elas, como era mulher antes de se tornar rainha, e procuraria
Archie para saber se uma mudança nesse estágio do campeonato era possível.
Deus, como ela queria que fosse.

Regina estava muito confusa, ter sentimentos misturados não
era algo novo pra ela. Sentiu-se assim com a pequena Snow, tendo um carinho
enorme por ela, mas nutrindo também uma mágoa terrível pela menina não ter sido capaz de guardar um segredo, escolheu alimentar a mágoa. Sentiu-se assim quando precisou matar o seu pai para ativar a maldição, escolheu alimentar a vingança. Sentiu-se assim quando teve que dar fim a vida de seu antigo xerife, escolheu continuar com a maldição.

Ela não tinha ninguém com quem conversar, ninguém com quem
contar, estava completamente sozinha. Decidiu então que precisava dos
aconselhamentos do Dr. Hooper, precisava desesperadamente desabafar.

A ex-prefeita tentou dormir, afinal ainda estava escuro, mas
a enxurrada de pensamentos não a deixava relaxar. Rolou de um lado para outro
da cama, ora relembrando dos momentos com Emma, ora pensando nas implicações que isso traria. Ficou imersa em suas dúvidas até amanhecer. Com os primeiros raios de sol a morena se levantou e foi tomar um banho, entrar nesse banheiro agora era completamente diferente, lembrava de tudo o que havia vivido com a xerife poucas horas antes, isso mexia com o seu corpo, cabeça e coração. Estava vulnerável, odiava essa sensação. Enfim, tomou o seu banho, se arrumou com todo o capricho como de costume, fez o seu café e seguiu em direção ao consultório de Archie.

Bateu à porta e ao vê-la ser aberta já foi logo dizendo:

- Desculpe por vir aqui tão cedo e sem hora marcada, mas precisava muito conversar.

- Entre, não tem problema, não tenho ninguém marcado para agora. – Disse o grilo com um sorriso amigável. – Então, o que aconteceu?

- Bem, é algo muito, muito pessoal e difícil pra mim. Tenho que ter certeza que não serei julgada e que o que for dito aqui jamais sairá dessa sala.

- Você tem minha palavra.

Regina então contou tudo o que havia acontecido entre ela e
Emma, contou dos sentimentos misturados, do medo de se entregar e sofrer de
novo, de estar se apaixonando pela mulher que estava tirando o seu filho, contou
da solidão que estava sentindo, da vontade de usar magia, das demonstrações de
poder,falou da luta que estava sendo para mudar e ter Herny de volta.

Archie ouviu tudo sem demonstrar nenhum julgamento, os dois
passaram duas horas conversando até que o telefone tocou. O grilo pediu licença
atendeu, e pareceu marcar alguma coisa com a pessoa do outro lado do telefone.
Com essa interrupção Regina se deu conta de quanto tempo tinha se passado, e
resolver ir embora. Agradeceu a seu terapeuta, eles realmente estavam
estabelecendo uma conexão, e seguiu para a sua casa.

Regina estava mais leve, como era bom ter alguém para poder
desabafar, tinha chegado à conclusão que sempre que ela se via em conflito
acabava por escolher o caminho, movida pela raiva, e olhando para trás era com
muita dor que ela via não ter dado certo. Ali estava ela sem ninguém, com um
vazio em seu peito, e lutando para ter migalhas de seu filho. Era a hora de
tentar escolher o outro caminho. Seria
difícil, mas ela iria tentar.

Logo que amanheceu, Henry acordou procurando por Emma. Encontrou-a
dormindo no sofá, a acordou perguntando:

- Porque você dormiu aí? A sua cama tem espaço pra nós dois.

- É, eu sei, só não queria te acordar. – disse sorrindo

- É melhor você ir se deitar lá, aqui não é nada confortável e você deve estar
exausta por todos esses dias na floresta encantada.

- Tem razão, nem sei como consegui dormir aqui, minhas costas estão me matando.

Seguiram os dois para a cama, com essa movimentação Snow acordou. E foi conversar com eles.

- O que já fazem acordados tão cedo?

- Eu acordei e percebi que Emma não estava aqui, e a vi dormindo no sofá, então fui busca-la. – falou Henry

- Por que você estava dormindo no sofá Emma? – perguntou Snow

- Quando cheguei Henry estava dormindo e não quis acordá-lo.

- Então acho que é melhor você voltar a dormir. – disse Snow como uma mãe preocupada.

- Vou sim, mas antes quero falar com você, pode ser? – perguntou a xerife.

- Claro. – estranhou Snow.

Elas seguiram para a cozinha e enquanto Mary Margaret fazia
chocolate quente para a duas, Emma perguntou a história dela com Regina. Elas
conversaram bastante, Snow contou tudo que havia acontecido entre elas, Emma
viu que Regina não mentira, apenas não sabia dos detalhes da manipulação de
Cora e do ponto de vista de Snow. Depois de ouvir a historia toda, Emma pediu
licença para ir dormir, mas antes deu uma ligadinha para Archie, para combinar
de se encontrarem. Ela queria saber se poderia ter esperanças de que Regina
pudesse mudar, na noite anterior ela tinha certeza absoluta disso, mas não
queria se decepcionar como havia acontecido com Neal.

Depois de tudo ajeitado ela finalmente foi ter o seu
merecido descanso. Deitou-se na cama com o seu filho, o abraçou e dormiram
juntos. Ela finalmente se sentia mãe, e aquilo a fazia muito feliz.

Notas finais
Agora vamos entrar em algo muito parecido com o episódio 10. As conversas das duas nesse episódio pareciam carregadas de fatos que a gente não sabia, como se elas se conhecessem mais do que a gente imagina. E aí, estão gostando? Bjo