Fraqueza Ou Força?
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Eu não sei se vocês irão gostar, mas eu amei escrever...
Emma estava jogando dardos furiosamente no alvo da parede quando Hook entrou na delegacia. A xerife rolou os olhos e disse:
-Hoje não Hook, não estou no clima para aturar a sua conversa mole. -Mas o que é isso princesa? Isso são modos de tratar um amigo? -Amigo? Acho que você não entende direito o significado dessa palavra. -É, tudo bem, talvez amigo seja muito forte, quem sabe companheiros de dor? -Do que você está falando? -Não se faça de tola Emma, eu sei sobre você e Regina. -O que? Eu não faço ideia do que você está falando -- disse a loira recolhendo os dardos e desviando o olhar do pirata. — Agora a pouco eu estava passando perto da casa da nossa rainha, quando vi você sair em disparada e ela trajando apenas um robe logo atrás de você. Sem contar as outras tantas visitas que já presenciei.Emma avançou em Hook e perguntou gritando: -Você está espionando a Regina? -Digamos que nós também temos a nossa história. -Hook, vá já embora daqui ou eu não respondo por mim. -Calma xerife -- disse o pirata se afastando e indo sentar na cadeira dela -- você não tem motivos para ter ciúme, ela não quer nada comigo, na realidade ela não quer nada com ninguém, mas você já deve saber disso, afinal você saiu furiosa da casa dela, descobriu alguém no armário? Hook não sabia o motivo da briga, mas ele conhecia Regina, ele sentiu na própria pele a resistência da rainha em se entregar, quando ela ficava muito próxima de alguém, logo dava fim ao romance e colocava outro alguém em sua cama. Como ele não sabia o que havia acontecido, só restava jogar indiretas até descobrir e então cutucar a ferida. -Eu já te disse pra ir embora e que eu não sei do que você está falando, então aproveite a minha generosidade e saia daqui com as suas próprias pernas, ou eu mesma jogo você porta a fora. -Pode parar de negar Emma, eu não estou blefando, EU SEI, que vocês estão juntas, e também sei que como eu você está sozinha, não tem ninguém com quem conversar, com quem compartilhar a sua dor, uma dor inclusive que eu conheço bem. Eu já te disse uma vez que eu sei reconhecer o olhar de uma criança abandonada, e ele está estampado no seu rosto. Para de ser turrona e aceite o meu ombro.Pela primeira vez, desde que conhecera Hook, ele estava sério, sem nenhum tom irônico ou de chacota, e Emma estava de fato se sentindo completamente sozinha, não tinha ninguém com quem desabafar, e ela estava a ponto de explodir. Obviamente não confiava no pirata, mas era a única mão que estava estendida e que sabia do seu relacionamento com Regina e ainda compartilhava da sua dor. Emma finalmente se rendeu, sentou na cadeira em frente a ele e disse: -Eu não sei o que você sabe, não vou te confirmar nada, mas eu realmente não estou nos meu melhores dias, talvez trocar algumas palavras com você não seja de todo mal.Hook sorriu vitorioso e falou: -Você não tem nada a perder. Eu sou todo ouvidos, o que ela fez pra te deixar tão furiosa? -Primeiro esqueça essa história de romance.O pirata sorriu assentindo, e fazendo sinal para ela continuar, mesmo sabendo que era mentira, mas com certeza ele conseguiria tirar alguma informação do desabafo. -Henry está decidido a voltar a morar com Regina, mas ele passou muito tempo me procurando, nós nos damos muito bem e não queremos ficar separados, então ele sugeriu que como nós duas estamos melhorando o nosso relacionamento, eu fosse com ele pra casa. Quando eu fui contar isso pra ela, a mulher achou um verdadeiro absurdo, disse que nós estamos ficando amigas a muito pouco tempo, que era muito precipitado. Diante da breve explicação de Emma, mesmo cheia de meias verdades, somado ao que o pirata conhecia da rainha, ele entendeu tudo perfeitamente, e sabia exatamente o que falar para deixar a xerife ainda mais vulnerável. -Como você é ingênua Emma, você achou que ela iria se apegar a você? Que ela deixaria você entrar na vida dela? Eu também fui tolo e achei que comigo seria diferente, mas Regina não se entrega a ninguém, ela se diverte, vive alguns dias como se fosse pra sempre, e depois vai embora como se nada tivesse acontecido até encontrar outro otário, ou no caso otária, pra fazer tudo de novo -- falou e puxou uma garrafa de prata do bolso com rum deu um longe gole, e ofereceu para a loira que logo aceitou. -Não Hook, isso não pode ser verdade, eu vi nos olhos dela que ela queria a minha amizade, que nós poderíamos criar Henry juntas, eu vi o quanto ela estava só, o quanto ela precisava de um ombro amigo, eu sei quando as pessoas mentem e ela não estava mentindo. -Eu não disse que ela estava mentindo, eu apenas disse que é assim que ela é. Talvez por tudo o que ela tenha passado tenha sido assim que ela aprendeu a viver, sem se entregar, apenas se divertindo.Emma tomou outro gole da garrafa e pensou no quanto aquelas palavras faziam sentido, Regina tinha amado uma vez e tinha acabado tragicamente, talvez ela nunca mais fosse se entregar. Ela mesmo tinha dito a poucas horas que a rainha estava morta por dentro, talvez fosse verdade, talvez a morena fosse incapaz de amar.
Hook começou a sentir a presença de Cora, ainda não estava muito forte, mas a cada segundo ia se intensificando ele tinha que agir rápido. -Sabe Emma -- disse o pirata levantando de sua cadeira e indo em direção a xerife e ficando agachado em sua frente, enquanto pegava em sua mão e continuava a falar -- eu nem sei se posso culpa-la. Eu já perdi um amor, e só fui me apaixonar de novo por Regina, que me usou e me largou quando já tinha se divertido o suficiente. Talvez ela é quem esteja certa, talvez o amor só traga sofrimento, talvez tudo o que a gente precise é de um pouco de diversão. O pirata olhou fundo nos olhos da xerife, levantou o seu rosto e a beijou. Emma correspondeu ao beijo sem pensar direito no que estava fazendo, a sua mente estava trabalhando a mil, pensando em tudo o que havia vivido com Regina. Hook tinha toda razão, a rainha tinha sofrido muito, tinha muitos problemas em se entregar, mas ela nunca tinha escondido isso, elas haviam tido essa discussão tantas vezes e sempre a xerife sentia que havia algo muito forte entre elas. Os seus beijos eram carregados de sentimentos, completamente diferentes desse que ela trocava com o pirata, talvez ela estivesse realmente indo com muita pressa, Regina tinha sofrido muito, mas mesmo que a rainha fugisse, mesmo que ela não dissesse, a loira sabia que ela a amava, e ela lutaria por esse amor. Emma estava fragilizada o beijo representou apenas um ato de carinho, e serviu para dar certeza a xerife, que por mais que fosse difícil para Regina, ela esperaria o tempo que fosse necessário, porque ela tinha plena certeza que a rainha também a amava. Quando o beijo acabou ela começou a falar: -Sabe Hook, você tem certa razão, mas...-- nesse momento ela olha para a cara do pirata que está com uma expressão de medo olhando para a porta, então ela se vira e vê Regina ao lado de Cora com os olhos tomados pela fúria. Então ela logo se levanta e começa a falar: -Regina, não é nada disso que você está pensando eu posso explicar. -Explicar o que? -- Regina respondeu gritando completamente furiosa -- não venha me dizer que eu não vi o que eu acabei de ver, porque idiota do jeito que eu sou, ainda fiquei parada esperando o lindo beijo acabar pra ter certeza que ele não estava te forçando a nada. Eu sou realmente uma tola, já estava me preparando pra arrancar o coração desse pirata imundo, mas ele não te obrigou a nada, a decisão foi completamente sua. Se eu fosse você, eu começaria a agradecer a todos os deuses por Henry te amar tanto, porque se não fosse isso, eu nem sei o que eu seria capaz de fazer.Depois de despejar as palavras como se fossem fogo, ela virou em seus saltos e saiu a passos largos da delegacia, Emma logo correu atrás dela, deixando Cora e Hook sem ação dentro da delegacia.Regina estava tentado abrir o carro transtornada, quando Emma chegou e a puxou pelo braço dizendo: -Calma Regina, por favor, me deixa explicar. -Explicar o que? Você quer me contar os detalhes sórdidos do caso de vocês? -Nós não temos um caso. -Pouco me importa se vocês tem um caso, ou se você brigou comigo e veio procurar consolo nos braços dele, afinal não foi a primeira vez que isso aconteceu. Nesse momento Mary Margaret, David e Henry, chegam na esquina e ouvem os gritos, logo eles voltam para a rua ao lado para não serem vistos, mas ainda em posição de ouvir a conversa. Já era mais de duas horas da tarde e Emma ainda não tinha ido almoçar, Henry e David tinham chegado do treino e ficaram esperando com Mary pela chegada da xerife para poderem fazer a refeição. Como a loira não estava atendendo ao telefone, eles resolveram ir atrás dela pra saber se Regina não tinha aprontado nada. E ao passarem pela esquina da delegacia, logo presenciaram a discussão.Emma tentou argumentar: -Não é nada disso Regina, eu estava fragilizada...A morena logo interrompeu aos gritos: -Não me venha com essa conversa, isso só me deixa com mais raiva. Você agora a pouco estava na minha cama, me pedindo para morarmos juntas e quando eu apenas usando o bom senso nego, você se revolta e foge como uma menina mimada e vem beijar aquele pirata me dizendo que está fragilizada? Imagina se em um momento de loucura eu tivesse aceitado? Na nossa primeira briga, que não tardaria a acontecer dado o nosso histórico, você se sentiria fragilizada e viria atrás do Hook. -Regina, meu amor, não fale assim, eu errei, mas...A rainha logo interrompe novamente: -Eu não quero ouvir nenhum mas, você é uma menina inconsequente, que quer passar por cima de tudo pra conseguir o que quer na hora que quer, você se quer pensou no meu filho. Como você pode cogitar a hipótese de morarmos juntas sem ele saber de nós? -Eu nunca quis esconder nada, essa foi uma escolha sua. -Eu sei, eu tenho plena consciência disso, mas eu não te chamei pra morar comigo sem antes consultar o meu filho. Esse tipo de decisão teria que ser tomada após o consentimento dele, e se ele dissesse não? Se ele fosse contrário a nossa relação? -Ele teria que aceitar, isso não cabe a ele decidir. -Esse é mais um ponto em que somos diferentes, se meu filho não aceitasse tudo estaria terminado, ele é a minha prioridade. -Realmente, é aí que somos diferentes. Nem Henry, nem ninguém me impediria de estar com você. -Ah não, claro, apenas a sua fragilidade. -Regina, por favor me escute, vamos conversar com calma. -Eu não tenho nada pra conversar com você, eu cansei de ser a adulta aqui, cansei de ser eu a me preocupar em manter segredo pra minha mãe não te matar, ou pra proteger a sua mãe de um ataque no coração, ou ainda de tentar viver um relacionamento maduro dando um passo de cada vez. Eu sempre fui a temperamental, eu sempre fui a menina mimada, por você eu mudei, mas eu cansei. Ser a madura é exaustivo, eu não quero conversar, não quero entender, não quero mais olhar pra você. -Regina, por favor... -- disse Emma desesperada e com lágrimas correndo a sua face.Ao ver a cena a rainha dá uma risada e diz: -Engraçado, eu vi exatamente essa cena a poucas horas atrás, e era eu quem chamava o seu nome. Realmente é muito melhor estar do outro lado -- disse e abriu a porta do carro, mas antes de entrar disse com o tom mais irônico que conseguiu -- Ah xerife, é melhor você ir pra casa tomar um banho você ainda está com o meu cheiro -- dito isso entrou no carro e arrancou sem responder aos chamados da loira que ainda chorava.
Notas finais
Pelo que vejo em alguns comentários, acho que alguns de vocês não devem ter gostado do capítulo, mas sem conflito não se faz nenhum história, sem contar que eu procura fazer o mais realista possível, e diante da personalidade das duas que foram sendo construídas no decorrer da fic, acho que isso seria exatamente o que ia acontecer. Espero os comentários de vocês, com críticas e sugestões. Bjos
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