Fraqueza Ou Força?
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Mary Margaret, David e Henry estavam paralisados. Depois de alguns minutos de completo silêncio, Snow falou enquanto andava atordoada:
-Eu preciso falar com a minha filha.
Logo David a segurou pelo braço e disse:
-Espera, ela não sabe que a gente ouviu a conversa. Temos muita coisa para processar, vamos pra casa pensar um pouco e aí a gente decide o que fazer.
-Eu não sei, não sei o que fazer -- disse a professora andando de um lado para o outro.
-Calma Snow, primeiro nós temos que cuidar de outra coisa -- falou o príncipe enquanto apontava para Henry, que estava com uma expressão confusa.
Ao ouvir as palavras de Charming, ela pareceu voltar para a realidade e então se ajoelhou para ficar na altura do menino e perguntou:
-Henry, você está bem?
-Er... acho que estou -- respondeu o menino.
Os jovens avós se olharam e pareceram entrar em um acordo silencioso.
-Vamos para casa, lá conversaremos sobre o que aconteceu disse David.
Enquanto isso Emma ainda chorava na rua, não queria ver o pirata, mas também não poderia ficar ali exposta, então depois de alguns minutos entrou na delegacia que estava vazia. Ela imediatamente percebeu que ele devia ter ido embora com Cora usando magia, não pode deixar de se sentir aliviada. Sentou em sua cadeira, ainda com lágrimas nos olhos e tentou organizar os pensamentos. Ela precisava se recompor, precisava ver Regina, não desistiria sem lutar. Foi até o banheiro lavou bem o rosto, tentou disfarçar a cara de choro, não podia chegar em casa desse jeito, como iria se explicar? A sua casa era o último lugar para onde ela queria ir, odiava ter que mentir, mas ela precisava de um banho, Regina estava certa ela ainda estava com o seu cheiro. Por mais que amasse aquele odor, ela não podia ficar daquele jeito, precisava se recompor e ir falar com a sua mulher.
Cora e Hook já estavam na casa da bruxa. Assim que aterrissaram na sala, se olharam e sorriram. Hook foi logo falando:
-Acho que temos a nossa rainha de volta.
-É provável. A única vez que vi aquele olhar em Regina foi quando ela me jogou pelo portal. Ela estava realmente uma fera.
-E agora, qual será o próximo passo?
-Mas tarde vou até a casa dela, aproveitar todo esse ódio que ela está sentindo e a trarei para nosso lado.
-Mas ela não pode saber que eu estou com você, ela acha que eu te traí.
-Isso é secundário, ela sabe como as alianças em nosso meio são voláteis. Hoje nós somos inimigos, amanhã aliados. Por ora deixo que ela pense que brigamos, depois acho um jeito de dizer que reatamos a nossa parceria.
-Porque não vai lá agora?
-Vamos dar um tempo para que ela entre em ebulição, o primeiro passo é ela ser dominada pela magia disse Cora sorrindo.
Regina dirigia com pressa. Chegou rapidamente em casa, sentindo o corpo todo ferver, a magia estava tomando conta do corpo dela, parecia lutar para sair. A rainha estava dominada pela raiva, há tempos não sentia isso. Ela travava uma luta interna, a sua vontade era destruir tudo, incinerar os carros com bolas de fogo, arrancar as árvores, demolir as casas, derrubar o que via pela frente. Mas ela não podia ceder agora, não agora que estava tão perto de ter o seu filho de volta. Ela se concentrou nas palavras de Emma ao dizer que Henry estava decidido a voltar pra casa. Mas ela precisava liberar aquela raiva de algum jeito. Então ela foi até o aparador da sala de jantar e derrubou tudo que estava lá, abriu o armário do bar e jogou taça por taça contra a parede. Foi sentindo a raiva ir sumindo do seu corpo, e dando espaço à tristeza que até então não se tinha permitido sentir, desabou sobre o sofá branco e então se permitiu chorar.
Os Charmings logo chegaram em casa, depois de fazerem todo o caminho em silêncio, era hora de falarem sobre o ocorrido.
-O que vamos fazer? Vamos contar para Emma, que ouvimos a conversa? Perguntou David.
-Eu não sei, acho que nunca estive tão confusa em toda a minha vida. Ainda não estou entendendo direito o que aconteceu, o que eu ouvi não faz o menor sentido, eu só posso estar ficando louca disse Snow ainda atordoada.
-Querida se acalme, primeiro vamos colocar as coisas em ordem. Henry, o que você entendeu da conversa entre Emma e Regina?
-Bem, elas estavam brigando e pelo que eu entendi elas estavam namorando escondido e eu acho que Emma beijou Hook e minha mãe ficou furiosa.
-E como você está com tudo isso? perguntou o príncipe de um jeito paternal.
-Eu não sei, é tudo muito estranho. Eu quero ir falar com a minha mãe, ela não estava nada bem, parecia a mulher de antes da quebra da maldição, ela com certeza está precisando de mim.
-Não Henry, de jeito nenhum. Aquela mulher já é perigosa quando está calma, do jeito que ela estava é uma bomba relógio prestes a explodir -- disse Snow com raiva.
-Ela é a minha mãe e eu não vou deixa-la de novo.
-E Emma? Você não se preocupa com ela? Você viu o estado em que ela estava. Aquela bruxa com certeza enfeitiçou a minha filha.
-Chega Snow, você sempre acusa a minha mãe. Pra você a culpa de tudo que acontece no mundo é dela, e pelo que eu sei você não é tão inocente nessa história -- disse o menino e logo subiu as escadas correndo e foi para o seu quarto.
-Henry, Henry volte aqui -- Chamou Mary Margaret, ainda atônita com as palavras do menino.
-Deixa ele Snow, tudo isso é muita coisa pra cabecinha dele. Vamos dar um tempo, daqui a pouco ele se acalma e a gente conversa melhor.
-O que será que Regina contou pra ele? Será que ela está colocando Henry contra nós?
-Eu não sei, mas antes de pensar nisso temos que decidir o que fazer a respeito de Emma e Regina.
-Aquela bruxa, que tipo de feitiço será que ela usou na nossa filha? Vamos até Gold procurar o antídoto.
-Snow, por mais que me doa, eu não acho que a nossa filha tenha sido enfeitiçada.
-O que? Como você pode falar uma coisa dessas? É claro que ela foi. Ou você está insinuando que Emma esteja verdadeiramente apaixonada por aquela mulher?
-Se ela estivesse enfeitiçada ela não beijaria Hook.
-Mas se ela beijou o pirata é porque ela não está apaixonada por Regina.
-As coisas ainda estão muito confusas, mas pelo que eu entendi, Emma falou de morar com ela e Regina recusou, então ela ficou com raiva e beijou Hook, aí Regina viu e ficou doida. Se ela tivesse enfeitiçado a nossa filha, ele nunca teria negado morar com ela.
-Não, não, não pode ser, só pode ser feitiço -- a professora estava desesperada não podia aceitar o fato de que a sua filha estivesse apaixonada pela rainha má vamos até Gold, ele deve ter um contrafeitiço.
-Não Snow, primeiro nós vamos falar com Emma, e entender o que está acontecendo.
Mary Margaret abraçou o seu marido e soltou as lágrimas que vinha segurando. Os dois ficaram assim, em silêncio durante um tempo até que foram interrompidos pela entrada de Emma.
-Oi -- disse a loira meio sem graça enquanto se dirigia para as escadas sem encarar os pais.
-Emma, espere, nós precisamos conversar -- disse David com firmeza.
-Agora não é uma boa hora, tenho que tomar um banho e resolver algumas coisas -- disse a xerife começando a subir as escadas.
--Emma, nós sabemos de você e Regina -- Snow falou com raiva.
A loira ficou completamente imóvel, seu sangue pareceu sumir do seu corpo. Não sabia o que fazer, então depois de alguns minutos de silêncio, ela falou baixo ainda de costas para os pais:
-Eu não sei do que você está falando.
-Não se dê o trabalho de mentir. Nós vimos toda a discussão de vocês em frente a delegacia -- falou David.
A xerife continuou imóvel, então foi a vez de Mary Margaret falar novamente por entre lágrimas:
-Vamos Emma, diga alguma coisa, diga que você não sabe o que está fazendo, que não está conseguindo se controlar, que você só pode estar enfeitiçada.
Diante da fala de Snow, a loira se virou e finalmente disse:
-Não Mary, eu não estou enfeitiçada, eu amo a Regina.
Snow chorou com mais força, sentindo a verdade nas palavras da filha, mas ela não podia acreditar, não podia aceitar isso, então falou novamente:
-Isso é exatamente o que você falaria se estivesse enfeitiçada.
-Eu não conheço muito desse mundo mágico, mas eu acredito que se eu estivesse enfeitiçada vocês saberiam. Vocês conhecem o amor, olhem nos meus olhos e me diga se isso que eu estou dizendo é obra de algum feitiço.
Mary Margaret não conseguiu olhar nos olhos da filha, ela já sabia a verdade, não conseguiria encará-la, então enterrou a cabeça do peito do marido e continuou a chorar.
-Olha, eu não queria que as coisas tivessem acontecido assim. Eu não queria ter mentido, mas Regina estava com medo, ela queria me proteger.
Snow saiu do abraço de David e respondeu com raiva:
-Proteger você? Não seja tola Emma, ela não se importa com ninguém, isso com toda certeza é parte de um plano. Aquela mulher não faz nada que não seja para nos destruir.
-Mary, eu sei que você está com raiva, eu entendo que vocês tem um histórico ruim, mas eu não vou permitir que você fale assim da mulher que eu amo.
-Para Emma, pare já de dizer isso. Você não pode gostar dela, aquela mulher tentou matar a mim, a seu pai, a você, colocou a vida do seu filho em risco, sem contar que ela amaldiçoou todo um povo pra se vingar de mim.
-Eu sei de tudo isso, e também sei que ela está tentando o máximo possível se redimir. Eu também já fiz coisas horríveis, e aqui estou eu tendo a minha segunda chance e ela também vai ter.
-Essa não é a segunda chance de Regina, é a milésima.
-Eu não me importo, eu daria um milhão de chances a ela se fosse preciso, porque eu a amo e sei que ela quer mudar.
-Ama tanto que foi correndo para os braços do pirata.
-Chega Mary, você não sabe do que está falando. Eu não tenho tempo pra ficar aqui discutindo com você, preciso tomar um banho e consertar a estupidez que eu fiz.
-Não, você não vai atrás dela. Eu não vou deixar.
-Eu não estou pedindo a sua permissão. Já que vocês ouviram a nossa conversa, devem ter ouvido que eu não permitirei que ninguém se coloque entre mim e ela, e isso inclui vocês -- disse Emma e logo se virou de costas e subiu as escadas ignorando os gritos de sua mãe.
Ao entrar no quarto, viu Henry fazendo uma corda com lençóis, como as que ele costumava fazer para fugir da casa de Regina.
-Henry, o que você está fazendo?
-Eu preciso ir ver a minha mãe.
-O que foi que aconteceu? -- perguntou a xerife já prevendo a resposta.
-Eu vi a briga de vocês, e ela não estava bem, parecia a mulher que ela era antes, eu preciso falar com ela.
-Henry, calma. Nós precisamos conversar.
-Eu não quero conversar com você, eu quero falar com ela.
-Eu sei que você quer falar com ela, mas eu preciso te pedir um pouco de paciência, eu também quero falar com ela. Eu fiz uma coisa errada e preciso me desculpar, eu não quero que ela ache que eu estou te usando. Quando ela souber que você sabe sobre nós ela vai ficar ainda mais furiosa. Primeiro eu tenho que te explicar tudo que aconteceu.
-Eu sei o que aconteceu, vocês estavam namorando e você a traiu.
-Não meu querido, as coisas não são simples assim.
-Vocês sempre dizem isso. Mas pra mim é simples sim, vocês mentiram como sempre fazem.
-Nós não mentimos, apenas não contamos. Nós tínhamos medo de como você iria reagir.
-Outra mentira, você não está nem aí para o que eu penso.
-É claro que eu me importo, eu só acho que você ainda é muito novo pra entender certas coisas.
-Muito novo para entender o que?
-Que eu amo a sua mãe e que eu lutaria com o mundo inteiro para tê-la de volta.
-Inclusive contra mim?
Emma engasgou e respondeu baixinho, olhando pra baixo.
-Sim, inclusive contra você.
Contrariando todas as expectativas da xerife, nesse momento Henry sorriu e disse:
-Isso é exatamente o que um verdadeiro cavalheiro faria por seu amor verdadeiro.
A loira abriu um sorriso imenso e abraçou o seu filho, que a abraçou de volta com força. Depois de alguns segundos o garoto saiu do abraço e disse:
-Agora corre e vá atrás dela. Nós seremos uma família.
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