Regina estava com o coração arrebentado, as lágrimas insistiam em correr pela sua face. Ela havia dado o seu filho de mãos beijadas para a xerife. Ela poderia ter deixado a loira e a mãe, a quem tanto odiava, morrerem e enfim teria seu filho apenas para si. Na realidade ela nunca desejou a morte de Emma, até havia sentido falta de suas brigas, de trabalharem juntas para salvar o filho ou pra vencer o Wraith, da luta pra ver quem dá a cartada final, mas quando viu a loira levar o seu filho foi como se o seu mundo ruísse. A rainha precisava desesperadamente de Henry, o seu amor por ele é o que a mantinha viva, humana e que lhe dava uma pontinha de esperança de voltar a ser feliz.

Estava novamente só, parecia esse ser o seu destino, nunca ter a quem amava, nunca ser feliz. Chorar enquanto os outros riam e comemoravam o que ela havia conseguido. Estava sentada em seu lindo sofá branco, com lágrimas descendo pelos seus olhos tendo como única companhia o seu sofrimento que já parecia ter se materializado, quando a campainha tocou.

Quem poderia ser? Ela se levantou, enxugou as lágrimas, disfarçou o quanto pode a cara de choro e se dirigiu intrigada a entrada da casa. Ao abrir a porta tomou um susto ao ver a xerife.

Ms. Swan, o que faz aqui? Não deveria estar com os outros comemorando o regresso que eu possibilitei? — Falou a ex-prefeita com uma pontada de mágoa em sua voz.

Olá Regina, estou aqui justamente por isso, para levá-la para comemorar conosco. — Respondeu Emma tocada por perceber as marcas de choro no rosto perfeito da rainha, afinal ela era humana.

E porque isso agora? Porque confraternizar com a rainha má? Ela não merece apenas castigo e desdem?

Regina, não torne as coisas mais difíceis do que já são. Não pense que é fácil pra mim vir aqui te chamar pra comemorar conosco, nós tivemos e temos muitas diferenças, mas eu sou grata a você por ter retirado o feitiço do poço, por ter permitido que nós voltássemos pra casa.

Regina queria retrucar, queria tornar tudo mais difícil pra Emma, mas ela estava sem forças para brigas. Queria ao menos uma vez não precisar jogar.

– Entre Ms. Swan. — Falou a morena baixando a guarda.

– Não Regina, eu não vim fazer uma visita, estou aqui pra te levar para o Granny's para se juntar a nós e ao Henry. Ele vai ficar muito feliz em te ver, ele está muito orgulhoso e cheio de confiança em você.

Regina finalmente abriu um sorriso, iluminando todo o mundo como sempre acontecia quando ela resolvia sorrir, e perguntou:

– Você realmente acha que ele ficaria feliz em me ver?

– Tenho certeza. — Respondeu Emma com um tímido sorriso.

– Mas e quanto aos outros? Acho que eles não irão ficar satisfeitos com a minha presença.

– Não se preocupe com isso, eu vim te buscar e você vai chegar comigo, ninguém vai se atrever a falar nada.

– Mas eu não quero causar desconforto, não quero destruir a festa de vocês.

– Fique tranquila, a festa só está acontecendo porque você nos ajudou. Você faz parte da festa.

– Tem certeza?

– Então vamos.

Regina estava sorrindo, estava apreensiva com a reação das pessoas, mas finalmente tinha sido convidada a participar de alguma comemoração. Estava feliz por Emma ter vindo pessoalmente exigir a sua presença, ela conhecia a loira ela não desistiria facilmente de convencê-la a ir com ela. A morena entrou, trocou rapidamente de roupa, pegou a bolsa, passou um batom e seguiu para a porta da casa, quando chegou a rua perguntou apontando para o fusca amarelo:

– Tenho.



– Nós vamos de carro, juntas?

– Isso. Eu acho que vai ser melhor se você chegar comigo. Vai ser mais fácil se eles souberem que fui eu quem a convidou.

Regina então entrou no carro, levantando de leve a sua saia lápis grafite, para poder entrar no carro da xerife. Ele não era digno de uma rainha, mais ainda assim ela estava contente por não estar sozinha, por ter alguém que fosse a defender, essa era uma sensação que ela não costumava ter.

O caminho foi um tanto estranho, elas não sabiam direito o que falar, a tensão era quase sólida. Quando chegaram a porta do Granny's Regina sentiu um frio na barriga, ela não costumava sentir medo, mas estar sujeita a aprovação era algo muito difícil pra ela. Respirou fundo, vestiu a sua expressão de confiança e saiu do carro. Emma já estava na porta da lanchonete esperando por ela, a abriu e esperou que a ex prefeita entrasse.

Quando as duas entraram, a barulheira se desfez, todos olharam para a porta sem entender direito, quando o silencio foi cortado

– Mãe — Gritou Henry correndo em direção a Regina e dando um abraço.

Regina se sentiu feliz como há muito tempo não se sentia, ela estava recuperando seu filho.

As pessoas estavam inquietas, surgiram alguns cochichos e Emma então se dirigiu a todos

– Olá pessoal, eu trouxe Regina para a nossa comemoração, ela não estaria completa sem a pessoa que tornou o nosso retorno possível. Espero que todos ajamos de forma educada. E que a comemoração recomesse.

As pessoas foram aos poucos voltando aos seus drinks, às suas conversas, aos seus pratos e risadas. Regina se dirigiu ao balcão com Henry ao seu lado, com ele ela estava segura.

Snow e Charmming puxaram a filha para perto e começaram a conversar

– Emma, o que você está fazendo? Essa mulher já tentou nos destruir inúmeras vezes, ela só deseja o nosso mal, e você a traz para comemorar conosco como se ela fosse nossa amiga? — Perguntou Charmming chocado.

– David, nós temos que reconhecer que por mais que ela já tenha nos feito mal, dessa vez foi graças a ela que conseguimos voltar, se dependesse de Gold nós estaríamos mortas, e eu nem posso culpá-lo, a possibilidade de Cora vir pra cá é realmente aterrorizante. — Respondeu a xerife.

– Emma tem razão, hoje não é dia pra pensarmos no passado, o que importa é que estamos juntos e felizes. Regina não é a pessoa que eu mais queria ver, mas ela teve um papel importante na nossa chegada em segurança, ela merece estar aqui. — Disse Snow.

Por mais que não estivessem satisfeitos, eles sabiam que Regina deveria estar ali, tentaram não pensar muito na presença da rainha, e se misturaram com os demais convidados, contando as historias da terra encantada e ouvindo as historias de Storybrooke.

Regina estava com Henry, eles conversaram um pouco, Regina ficou o tempo todo fazendo cafuné em seu filho, com o coração cheio de alegria. Ela estava sendo ignorada pelos demais, mas só o que importava para ela era a companhia de seu filho.

Henry estava muito cansado, o dia havia sido muito longo, e o cafuné de sua mãe apenas acelerou a sua necessidade de sono. Ele se apoiou sobre o balcão e tentou lutar pra ficar acordado, mas aquele carinho era tão aconchegante e seus olhos estavam tão pesados que ele acabou cochilando.

Snow vendo a situação de seu neto, chamou Emma e disse:

– Minha filha, Henry esta caindo de sono e eu e Charming estamos doidos pra ir pra casa. Nós vamos levar o menino, colocá-lo pra dormir e matar a saudade, se é que você me entende. Não se apresse pra voltar pra casa. — Falou a professorinha cheia de sorrisos

– Tudo bem. Pode deixar que o que eu menos quero fazer agora é estar na mesma casa que vocês dois. -Disse Emma timidamente.

Snow piscou para sua filha, falou com Charming e seguiu para perto de Henry, que estava sendo embalado por sua mãe.

– Olá Regina. Ainda não te agradeci por ter retirado o feitiço do poço.

– Não precisa me agradecer, agradeça ao Henry eu fiz por ele. — Disse Regina com o seu natural tom de superioridade

– De qualquer forma obrigada. Nós agora estamos indo, viemos pegar o Henry. — Falou Snow, enquanto acordava o seu neto. – Henry, meu querido, vamos pra casa.

Henry levantou meio sem dormindo, se despediu rapidamente de sua mãe, e seguiu com os seus avós.

Regina estava novamente sozinha. Cercada por pessoas que não a suportavam. Ela estava olhando para o salão quando Ruby sorriu meio sem graça e lhe ofereceu um drink. Ela aceitou não apenas esse, mais vários drinks enquanto assistia a conversas animadas ao longe. O único momento em que não ficou sozinha foi quando Archie se sentou com ela para dizer o quanto estava orgulhoso da sua atitude.

Enquanto isso Emma rodava por todo o salão sempre com um sorriso no rosto, e um drink na mão enquanto dançava e conversava com as pessoas. Ruby não pode deixar de notar a diferença dessa Emma para a que chegou ali mais cedo, agora ela parecia realmente feliz.

Depois de algum tempo, quando a lanchonete já estava quase vazia, Emma se aproximou de Regina, que estava sozinha com o seu sabe-se lá qual drink e perguntou:

–-Gostou da festa?

– Muito mais do que eu imaginava. Acho que o Henry realmente ficou feliz em me ver. — Respondeu Regina com um sorriso que agora, depois de tantas doses, estava fácil em seus lábios

– Eu te disse. — Falou Emma também com um sorriso facilitado pelo álcool. – Já está pronta pra ir?

– Claro, quando você quiser.

Então Emma deu um aceno geral para as poucas pessoas que ainda estavam lá e se dirigiu ao carro ao lado da morena.

– Emma, você está em condições de dirigir? Não queria ter que te salvar duas vezes no mesmo dia. -Falou uma Regina risonha.

– Estou sim, você mora perto e a cidade está sem movimento nenhum. Pode ficar tranquila Madam mayor, você chegará em casa em segurança. — Disse uma Emma também risonha.

Elas seguiram para a casa da ex prefeita, dessa vez o caminho foi menos tenso, as duas conseguiam conversar e até rir. Quando chegaram na casa de Regina, a xerife disse:

– Está entregue, tá vendo? Eu te disse que te traria em segurança.

– É verdade, vejo que você é boa em cumprir as suas promessas. Venha, entre um pouco. -Convidou Regina com um sorriso doce.

Emma meio sem graça respondeu:

– Eu não sei, acho melhor não, afinal meu filho, minha mãe e meu pai estão em casa.

– Henry está dormindo, e eu garanto que Snow e Charmming vão ficar muito mais satisfeitos se você deixar hoje a casa pra eles. -Disse Regina dessa vez com um sorriso malicioso.

– É, eu acho que você tem razão.

Elas sairam do fusca e Emma não pode deixar de olhar para a rainha arrumando sua saia ao descer do carro, nossa, como ela era linda.

Regina abriu a porta, esperou Emma entrar, entrou e fechou a porta. Emma estava na frente, olhando para dentro da casa, quando Regina tocou o seu braço e disse:

– Obrigada.

Emma não pode deixar de notar que os seus olhos estavam marejados. E perguntou?

– Obrigada por que?

– Por ter me fazer parte da comemoração. Disse Regina, ainda com a mão segurando o braço da xerife.

– Você não tem nada que agradecer.

Regina sorriu, finalmente largou o braço da loira e perguntou:

– Quer tomar uma taça da melhor cidra de maça?

As duas riram e seguirão em direção ao escritório.



Notas finais
Espero que estejam gostando, nunca escrevi uma fic antes. O próximo capitulo é do jeito que a gente gosta, e provavelmente só vamos ver em fics. Swan queen neles ;)