Regina entrou primeiro no escritório e foi pegar uma garrafa da sidra de maça que ela mesmo preparara. Colocou o líquido em duas taças e entregou uma à loira.

Tem certeza que é seguro para mim tomar essa bebida de maçã, ou ela é da mesma macieira que fez a torta que meu filho comeu? — Disse Emma tentando fazer uma piadinha e ao mesmo tempo alfinetando a ex prefeita por ter quase matado Henry.

Fique tranquila Miss Swan, eu poderia ter te matado há poucas horas atras e não o fiz – Respondeu calmamente a morena com um leve sorriso de superioridade.

E porque não o fez? — Finalmente Emma fez a pergunta que martelava a sua cabeça desde o momento em que soube que Regina a tinha salvado.

Por que Henry me pediu, se algo acontecesse a você ele jamais me perdoaria.

Então você nos salvou para que Henry não se voltasse contra você?

Não. Eu quero me redimir. A intenção do feitiço nunca foi matá-las, nós queríamos evitar que Cora chegasse até aqui, e para garantir a única maneira era não permitir que ninguém passasse pelo portal. Mas, meu filho tinha certeza que seriam vocês a chegar a Storybrooke. O que me pareceu ser o certo a fazer foi confiar em Henry e não arriscar a vida de vocês pelo medo de minha mãe cruzar o portal.

Então você nos salvou pela felicidade de Henry e pelo seu esforço para se redimir. Foi só isso? Nada mais te motivou? — Disse Emma dando um passo em direção a ex prefeita.

Sim, foi por isso.

Apenas isso? Pergunto novamente a loira dando mais um passo em direção a Regina.

Sim Miss Swan, apenas isso.

Sabe Regina, eu não sei se o Henry já te contou mas eu tenho um superpoder, eu sei quando as pessoas estão mentindo. E você certamente está. — Falou Emma se aproximando ainda mais.

Você acha que eu estou mentindo quando digo que quero me redimir?

Não, eu acho que você está mentindo quanto aos seus motivos para ter me salvado.

Regina ficou um pouco sem graça, deu um passo pra tras e perguntou:

E você Miss Swan, porque me convidou para a comemoração? Eu posso não ter superpoderes, mas para ser rainha, para controlar tantas pessoas, para levar a vida que eu levei eu precisei aprender a ler as intenções das pessoas, e você certamente mentiu quanto aos seus motivos para ter me convidado.

Agora foi a vez de Emma ficar sem graça, de fato ela não tinha sido inteiramente honesta quando disse que queria que a rainha fosse a comemoração por Henry, ou mesmo por ter sido a responsável pela sua volta. Ela queria ver Regina, estar com ela, nem que fosse para apenas ficar no mesmo ambiente. Ela não iria admitir mas havia sentido falta daquela mulher.

Talvez o álcool esteja afetando as nossas percepções. — Disse a loira afastando-se e tentado acabar com o assunto e a tensão que havia fica no ar.

É, talvez. — Regina também preferiu parar por ali, antes que eles entrassem em um caminho perigoso.

O clima ficou um pouco pesado e as duas mulheres que estavam agora desconcertadas com a proximidade de seus corpos instantes atras e com as intenções escondidas por detrás de suas acoes, não sabiam o que dizer. Foi então que Emma quebrou o silêncio com outra pergunta:

Regina, o que fez você querer se redimir?

Essa é uma pergunta muito complexa Miss Swan. Quando a magia chegou a Storybrooke eu me enchi de esperança de ter meu filho de volta. Eu achava que ao ter magia eu teria Henry comigo. Quando eu recuperei meus poderes e trouxe o meu filho de volta a casa, eu percebi que com magia eu poderia ter seu corpo perto de mim, mas nunca o seu coração. Eu me lembrei de como fora a minha vida com a minha mãe e o quanto eu queria me libertar, o quanto eu queria ser diferente dela e no quando eu havia me transformado nela. Essa constatação me fez repensar quem eu realmente sou, no quanto eu mudei, e no que eu quero ser.

Quer dizer que você nem sempre foi má?

Não Miss Swan, eu nem sempre fui a rainha má, eu nem sempre fui a mulher que você conheceu. Na realidade eu era muito diferente disso.

E o que foi que aconteceu?

Você chegou de uma jornada cansativa, não quero lhe encher com as minhas histórias. — Disse Regina ao virar as costas para a xerife, tentado cortar o assunto.

Emma, se aproximou da ex prefeita e falou por cima do ombro da morena:

Eu gostaria muito de saber, de te conhecer melhor.

Pois bem Miss Swan, sente-se, vou te contar uma história resumida de como eu me tornei a rainha má, o pedaço da história que os contos de fada não contam.

Regina contou por alto a sua história para Emma. Como ela foi criada por uma mãe opressora, que havia traçado todo o seu destino para ter poder e dinheiro, contou como seu pai mesmo a amando era omisso, contou do assassinato de Daniel em sua frente, da traição de Snow, de como ela mandou a sua mãe para outro plano e de como ela aprendeu a usar magia tendo a intenção de não ser como a sua mãe mas como ela foi seduzida pelo poder, afinal foi apenas pela magia que ela começou a conseguir o que quer que desejasse. Ela terminou de contar a sua historia com lagrimas escorrendo pelo seu rosto e disse:

Desde que eu vi Daniel morto em minha frente, eu perdi a capacidade de amar até ter o Henry, pela felicidade do meu filho eu sou capaz de qualquer coisa, até mesmo de abrir mão de tudo pelo que eu lutei em todos esses anos. Minha mãe estava certa, amor é fraqueza.

Não Regina, ela estava errada. Eu passei a minha vida inteira sem amor, a sua maldição me tirou dos meus pais, eu fui criada sendo jogada de casa em casa sendo tratada como uma mercadoria, fui traida pelo homem que eu amava, fui presa por conta disso, tive que abrir mão do meu filho, que foi a decisão mais difícil que já tive que tomar, criei um muro para evitar o amor e assim o sofrimento, mas também evitei a felicidade, que eu só fui conhecer ao amar o Henry e Mary Margarett. O amor te deixa vulnerável, mas é a única coisa capaz de te fazer feliz.

Ao ouvir as palavras de Emma, as lágrimas de Regina começaram a cair com mais força. Ela nem chegou a ouvir todo o discurso, o peso e a culpa que ela sentiu ao ouvir e ao pensar no sofrimento que ela havia causado à loira, apertou o seu coração e invadiu os seus pensamentos ela só conseguiu dizer:

Emma...

Ao ouvir Regina chamando o seu nome pela primeira vez, o corpo da loira estremeceu, parecia que uma parede havia sido derrubada entre elas, ela ficou um bom tempo concentrada no som da voz da morena chamando o seu nome e só depois de um tempo é que ela ouviu o restante da frase

me perdoe...

Naquele momento Emma sentiu raiva por ter sido privada de ter crescido com os seus pais, por ter tido uma vida tão difícil por conta de um desejo de vingança de uma rainha contrariada, mas também sentiu uma profunda dor pela mulher em sua frente, ela estava quebrada, ela também não tinha tido ninguém para recolher os seus pedaços, para cuidar de suas feridas. Era doloroso para a xerife admitir, mas elas eram muito parecidas. Ambas haviam construído muros enormes para se proteger, e ela estava presenciando o muro da outra desmoronar na sua frente. Ela poderia ter ido embora e ter deixado a rainha com o seu sofrimento, mas a loira entendia a sua dor, tudo o que ela queria fazer era se juntar a morena para que as duas pudessem derrubar as suas proteções e curar uma a outra. Foi então que mesmo sem pensar ela seguiu em direção a mulher que havia lhe privado de tantas coisas, tocou em seu rosto, enxugou as suas lágrimas e beijou seus lábios ternamente.

Notas finais
E aí,curtiram? Novamente me desculpem pela narrativa fraca, nunca escrevi uma fic antes, acredito que com a prática devo melhorar. O próximo capítulo é pra maiores de 18 anos ;) Tomara q fique bom.