Notas iniciais
Espero que vocês gostem. Esse foi o meu capítulo predileto até agora.

O beijo era doce e carinhoso, as mãos de Emma tocavam lentamente o cabelo de Regina enquanto esta abraçava gentilmente a loira. Depois de alguns segundos a morena parou o beijo e disse sorrindo:

-Isso não é apropriado, Henry está em casa.

-Ele acabou de subir, não vai descer agora.

-É melhor não arriscar – disse a ex-prefeita dando um selinho na xerife e logo se dirigindo à mesa para retirar os pratos.

-Você é muito cautelosa para ser a rainha má – sussurrou Emma no ouvido de Regina a abraçando por trás.

-Não me provoque Miss Swan, você não tem ideia do que eu sou capaz – falou deixando escapar um sorriso.

-Sabe, minha vontade agora era de jogar tudo que está em cima dessa mesa no chão e repetir os momentos de horas atrás – disse a loira dando alguns beijos entre o pescoço e o ombro da outra.

-Você nunca se cansa? Parece uma adolescente. É melhor se conter e me ajudar com a louça como me prometeu – Regina não conseguia tirar o sorriso dos seus lábios.

-Como quiser majestade – a xerife soltou a ex-prefeita e começou a coletar os pratos e copos.

Quando toda a louça já estava na pia, Regina começou a lavá-la enquanto Emma se apoiou de costas contra a pia ao lado de sua namorada olhando pra ela com os braços e pés cruzados.

-Conte-me como foi o seu dia? – perguntou a loira.

-Bem, não aconteceu nada demais, minha mãe veio almoçar aqui e pra variar nós brigamos, depois eu fui me encontrar com uma certa moça e a vi cheia de graça com um pirata, também brigamos, mas logo ela deu um jeito de transformar toda a raiva em lascividade, como costuma fazer, e acabou me convencendo a deixa-la entrar na minha vida. Desde então me pego sorrindo como uma boba e sentindo um calor no meu coração. E o seu dia como foi?

Emma não pode deixar de sorrir e acariciar o rosto daquela mulher tão linda que pela primeira vez estava de fato se abrindo pra ela.

-O meu dia também não teve nada demais, acordei atrasada por ter passado boa parte da noite em claro pensando em uma certa rainha, não consegui trabalhar direito incomodada por ter sido dispensada na noite anterior até que resolvi ir atrás dela apenas para ser rejeitada novamente. Quando voltei ao trabalho a tarde um certo pirata galanteador me esperava para tentar me convencer a sair com ele. Resisti às suas cantadas baratas e entrei na delegacia onde fui surpreendida pela mulher que não sai da minha cabeça, cheia de ciúme. Não resisti e a tomei ali mesmo, mas como de costume ela quis me deixar, mas dessa vez eu não permiti e ela finalmente se entregou, me fazendo a pessoa mais feliz dessa cidade.

Regina parou de lavar a louça e beijou a sua loira com todo o carinho, depois de algum tempo o beijo acabou e elas juntaram as suas testas e narizes, até que dessa vez Regina quebrou o silêncio:

-Obrigada.

-Pelo que?

-Por me fazer sentir assim de novo.

Emma não respondeu apenas a beijou novamente. Com o fim desse beijo a rainha se recompôs da sua momentânea fragilidade e disse sorrindo:

-Miss Swan, esta na hora de pegar um pano de prato e começar a secar a louça.

-Como quiser – disse a xerife também sorrindo.

Regina continuou lavando a louça enquanto Emma ia enxugando e a conversa recomeçou:

-Quer dizer que aquele pirata intrometido queria sair com você? O que você respondeu?

-Você fica tão linda quando está com ciúmes.

Regina não respondeu apenas rolou os olhos.

-Então, ele me chamou pra sair e fez uma proposta irrecusável disse que se eu aceitasse ele pararia com as cantadas baratas. Então eu disse que ia pensar.

Regina parou tudo, olhou pra Emma e disse com a sobrancelha arqueada:

-Você falou que ia pensar?

-Não se esqueça que você tinha acabado de me rejeitar duas vezes.

-Ainda assim, aquele homem não é pra você.

-Eu sei, você é pra mim – disse a loira dando um leve abraço de lado, já que estavam juntas de frente pra pia.

A rainha não pode deixar de sorrir com esse comentário. Elas enfim terminaram de lavar e secar a louça a guardaram e foram para a sala onde continuaram conversando. Regina sentou em uma poltrona para não dar a chance de ficar muito perto da xerife e acabar sendo pega em alguma situação constrangedora pelo seu filho. Elas continuaram a conversar, dessa vez sobre outras coisas. Emma falou do trabalho na delegacia, de como estava aprendendo a ser mãe, falou brevemente, pois sabia do relacionamento conturbado entre a namorada e Snow e Charming, sobre como estava se adaptando a viver com os pais. Regina disse o quanto sentia falta do seu trabalho na prefeitura e como ficar em casa era sufocante pra ela após 28 anos como prefeita e tantos outros como rainha. Sem contar como era horrível ter que sair de casa e ter todos os olhares acusadores sobre ela. Dessa vez elas simplesmente conversaram e foi muito bom, agora elas tinham uma a outra e tudo parecia certo. Quando Regina se deu conta já estavam conversando a 2 horas. Então foi logo falando:

-Emma, é melhor você ir, seus pais estão te esperando e não é bom que você fique aqui até tarde.

-Não é bom? Eu acho que seria ótimo – disse a xerife se levantando do sofá em que estava e indo felinamente até a morena.

-Você sabe o que eu quero dizer – falou se levantando e indo pra trás da poltrona a fim de que a loira não a pegasse – Emma, eu não queria que você fosse, eu realmente não queria, mas é melhor assim.

-Tudo bem, eu disse que faríamos do seu jeito. Vou lá em cima me despedir de Henry – falou meio triste e subiu as escadas.

Chegou no quarto do filho e o viu dormindo desajeitadamente na cama ao lado do controle do vídeo game, não pode deixar de sorrir. Foi em direção ao menino e o colocou devidamente deitado, tirou o controle da cama, desligou o aparelho, e ao olhar pra porta viu Regina encostada no parapeito da porta com um leve sorriso. Quando os seus olhos se encontraram a rainha veio em sua direção e tocou suavemente a sua mão, não trocaram palavras, não seria preciso, as duas sabiam exatamente o que estava acontecendo ali, eram uma família.

Regina tirou cuidadosamente a roupa do filho e colocou um pijama, Emma o cobriu e primeiro uma depois a outra deram um beijo em sua testa, desligaram a luz, fecharam a porta e então desceram de mãos dadas. Ao chegarem perto da porta de saída Emma quebrou o silêncio:

-Obrigada.

-Pelo que?

-Por me dar uma família.

Os olhos de Regina se encheram instantaneamente de água.

-Eu tirei a sua família – disse olhando para o chão.

-Não fale isso minha querida – falou se aproximando e levantando o queixo da outra com o dedo – que ninguém me ouça, mas se não fosse a maldição eu não teria Henry... –gaguejou um pouco e continuou – nem você.

Elas se olharam com ternura, os olhos de ambas marejados, e então se beijaram com muito amor. Com o fim do beijo Emma voltou a falar:

-Tem certeza que não quer que eu fique?

Regina riu.

-Ah, minha querida, querer eu quero, mas não é sensato. Cora está a espreita não posso colocar a sua vida em risco.

-Você é quem sabe. Mas amanhã eu te vejo de qualquer jeito.

-Então temos um acordo.

Trocaram mais um beijo e então Emma voltou pra casa. Durante todo o caminho não conseguia tirar a outra do pensamento, como era possível, estava a apenas alguns segundos sem ela e já sentia a sua falta, isso nunca tinha lhe acontecido antes. Chegou em casa e felizmente não encontrou seus pais na sala, tinham saído ou estavam no quarto, ainda bem, não queria ser pega com aquele sorriso bobo no rosto, então seguiu para o seu quarto.

Enquanto isso na outra casa, Regina também não conseguia parar de sorrir, tocava os seus lábios lembrando da forma como os da outra os tinha tocado com tanto carinho. Desligou todas as luzes da parte debaixo da casa, e foi subindo as escadas meio abobadamente. Deitou-se na cama e continuou a pensar na outra, que agora, ao que tudo indicava, era de fato a sua namorada, quando um som a despertou do seu transe. Era o seu celular, ela levantou-se depressa e ao olhar o visor do aparelho viu o nome: xerife. Atendeu rapidamente com preocupação em sua voz:

-Emma, aconteceu alguma coisa?

-Não minha querida, fique calma, eu só liguei pra dizer que já estou com saudade.

Imediatamente um sorriso se abriu no rosto de Regina e a loira continuou:

-Você realmente não está acostumada a namorar não é? Esse é o clássico dos casais, ligar depois de um encontro muito bom.

-De fato não estou acostumada. Namorei apenas uma vez e em um mundo onde não existiam celulares – disse sorrindo.

-Então é isso, só liguei pra desejar boa noite e ouvir a sua voz.

-Emma...

-Sim...

-Eu também já estou com saudade – falar esse tipo de coisa, mostrar esse nível de vulnerabilidade era um passo muito grande pra rainha e a xerife sabia disso, então ao ouvir a frase abriu um sorriso enorme.

-Então vamos dormir rápido para que amanhã chegue logo.

-Ok. Até amanhã.

As duas desligaram e ficaram com cara de bobas segurando o celular. Não adianta, os clichês dos apaixonados atingem a todos, até a rainha e a salvadora.

O dia amanheceu, Emma acordou, dessa vez no horário. Tomou banho se arrumou, desceu para tomar café, e como de costume encontrou Mary Margarett na cozinha preparando o desjejum.

-Oi minha filha, como foi o jantar? Alguma comida envenenada no menu? – disse Snow com um leve sorriso.

Emma também sorriu da piadinha boba e respondeu:

-Não, nada envenenado. Foi uma noite muito agradável.

-Você parece estar se dando muito bem com a Regina, tome cuidado, ela tem o talento de enganar qualquer pessoa. Passei anos achando que ela me amava, que me tinha como filha.

A xerife não pode deixar de ver os olhos marejados de sua mãe, então seguiu meio sem jeito em sua direção e passou o braço pelos seus ombros.

-Não se preocupe. Eu sei lidar com Regina, e sei que dessa vez ela não está mentindo.

-De qualquer forma, fique sempre alerta. Todo cuidado é pouco com aquela mulher.

-Fique tranquila, eu vou me cuidar.

David se juntou a elas, conversaram um pouco e então chegou a hora da xerife seguir para a delegacia. Despediu-se dos pais e seguiu para o trabalho.

Na outra casa Regina tomou banho, se aprontou e foi acordar Henry para que ele se arrumasse enquanto fazia o café. O menino se levantou rapidamente entusiasmado em voltar a cuidar do seu cavalo. Não era lá muita coisa, mas era o primeiro passo para se tornar um perfeito cavaleiro. Tomaram café, conversaram um pouco e a morena o levou para os estábulos. Ao chegar em seu destino Regina perguntou:

-Quer que eu fique com você meu querido?

-Não precisa mãe, tá vendo aquele ponto ali? É onde o ônibus para, não tem com que se preocupar tá bom?

-Tudo bem meu querido. Bom treinamento e boa aula.

-Obrigado – disse o menino antes de dar um beijo em sua mãe e seguir para cuidar de seu cavalo.

Regina estava voltando para casa quando viu Hook entrando na delegacia. Decidiu que dessa vez alertaria o pirata do perigo em que estava se metendo.

-Olá princesa – disse o capitão gancho tirando a atenção da loira dos papeis que examinava.

-Princesa? Sério? Isso é o melhor que pode fazer? – disse a xerife zombando do homem a sua frente.

-Não é o que você é? Afinal você é filha do rei e da rainha – disse colocando o seu sorriso sedutor.

-Aqui eu sou apenas a xerife.

-De forma alguma, você é muito mais que isso – disse Hook se debruçando sobre a mesa e ficando a poucos centímetros do rosto da loira.

Quando acabou a frase ambos ouviram o som de saltos vindo em sua direção. E logo ouviram aquela voz rouca:

-Ora, ora, ora, vejam se não é o famoso pirata. Estava passando e o vi entrar na delegacia, não pude deixar de vir falar com você – Regina vinha andando na direção do homem, tinha a expressão que costumava usar quando era prefeita, um sorriso frio, carregado de ameaças.

Hook olhou profundamente nos olhos na morena e disse:

-Veio relembrar os velhos tempos querida? – falou e em seguida tomou a mão da ex-prefeita e a beijou.

Regina riu.

-Vejo que continua se achando irresistível. Mas não, não vim relembrar o passado. Vim te dar um aviso – disse chegando bem próxima do rosto do pirata.

-E qual seria ele? – o homem disse sorrindo sem se mover um milímetro continuando a centímetros do rosto da rainha.

Ela então se virou com um sorriso cruel, e se afastou.

-Vim te dizer que não vou punir a sua traição, vou perdoar o fato de ter me enganado e se juntado a minha mãe. Mas se você sonhar em armar contra mim novamente, tentar me ferir, ou a meu filho, ou ainda a qualquer pessoa com que nós nos importemos, eu vou acabar com você, de uma forma tão dolorosa que frente a mim, Rumplestilskin parecerá ter sido o seu melhor amigo – disse com um sorriso cruel em seus lábios.

-E como você pretende fazer isso, vossa majestade? – Hook disse zombeteiramente.

Regina apenas levantou os dedos e o gancho que ficava no lugar da mão do pirata se desprendeu e veio direto para a sua mão. Ao pegar o objeto foi seguindo com passos lentos até o homem e com o seu próprio gancho levantou o queixo do homem fazendo-o olhar em seus olhos a poucos centímetros de distância dos dele.

-Nunca se esqueça com quem está o poder – abriu novamente um sorriso frio e seguiu em direção ao corredor. Ao chegar na extremidade se virou e disse:

-Xerife.

A voz de Regina chamando por ela pareceu acorda-la de um sonho, ela estava presente durante toda a conversa e parecia não estar ali. Estava confusa com a diferença dessa mulher para a que tinha estado com ela há poucas horas. Essa com toda certeza poderia ser a rainha má.

-Sim.

-Acho que está na hora de escolher melhor as suas amizades – disse com um tom frio e virou as costas levantando o gancho, o soltou no ar fazendo com que fosse parar direto no seu lugar de origem sem nem mesmo olhar pra trás.

Emma e Hook ficaram em silêncio por alguns segundos a primeira impressionada com a capacidade de transformação de Regina, como aquela mulher conseguia fazer isso? Em uma ora está doce e frágil como uma flor, no momento seguinte parece feita de gelo e crueldade. Estava tentando com afinco entender o que se passara ali. O segundo tentava ler as entrelinhas das ameaças da rainha, ela de fato era uma oponente poderosa, como ele odiava magia, isso desiquilibrava muito as lutas. Ele era acostumado a ser o mais temido. Todos corriam de um embate com a sua espada, ninguém o desafiara até Rumplestilskin, e a partir daí conheceu Regina e Cora, também usuárias de magia, desde então o pirata não era mais o detentor do poder. Precisava trazer logo Regina para seu lado e acabar de vez com a magia do senhor das trevas. Percebeu que estava calado a muito tempo e que a loira estava imersa em seus pensamentos então resolveu quebrar o silêncio.

-Ela é intensa, não é mesmo? – disse Hook trazendo Emma novamente à realidade.

-Pois é, já sei a quem eu tenho que pedir ajuda se você não me deixar em paz, não que eu precise de ajuda, já acabei com você antes e com toda certeza posso fazer novamente, mas sempre é bom encontrar aliados – disse a xerife com um sorriso.

-E quem disse que ela iria te ajudar? Pelo que sei vocês são inimigas, seria mais fácil conseguir a minha ajuda – disse o pirata também sorrindo.

-Eu sou a outra mãe do filho dela, e ele certamente se importa comigo me colocando na primeira fila da sua proteção, ou já se esqueceu do que ela disse?

-Se eu fosse você não estaria tão certa disso.

-Se ela quisesse acabar comigo já o teria feito, quer dizer, tentado, como você viu ela tem magia.

-Mas se ela o fizesse, colocaria o filho contra ela, a rainha é muito mais esperta do que você pensa. Não cometeria um deslize desses. Ela sabe que será muito mais fácil acabar com você a tendo como aliada, aí ninguém desconfiaria dela.

-Chega Hook, eu tenho muito trabalho a fazer e já cansei da sua ladainha – falou uma Emma furiosa.

O pirata estranha a atitude da xerife, bastou colocar em xeque a fidelidade de Regina para a moça se descontrolar. O que será que estava acontecendo?

-Calma meu bem, eu estou apenas te alertando, toda vigilância é pouca quando se trata da rainha má. Já vou seguindo o meu caminho, mas não se desespere, logo estarei de volta — disse o pirata com um sorriso e deixou a delegacia.

Emma começou a andar de um lado para o outro, isso não estava correto, não era possível, quando estava com Regina tudo parecia se encaixar, tudo era tão verdadeiro, mas bastava estarem distantes para que tudo começasse a minar a relação das duas. Será que ninguém conseguia ver a mulher Regina? Ou será que era ela que não conseguia ver a rainha má a quem todos viam? Não, não deixaria que a desconfiança a traísse novamente, dessa vez iria acreditar no seu coração, a morena estava apaixonada por ela, não mentiria quanto a isso. Tentou afastar as dúvidas da sua mente, mas por mais que tentasse o passado de Regina sempre estaria ali para assombrá-las.

Notas finais
E aí gostaram? Bjos