Notas iniciais
Muito obrigada por todos os reviews lindoos, vocês são maravilhosas. Um agradecimento em especial a Ananda que com os seus sempre doces comentários e agora com a recomendação, sempre me emociona.

Emma tentava com afinco se concentrar nos papéis a sua frente, mas a todo o momento sua mente era invadida ora pela voz de Snow dizendo que Regina a tinha feito acreditar em seu amor, ora pelas palavras de Hook sobre a esperteza da rainha em fingir estar ao seu lado, ora pelas lembranças da prefeita e suas armações. Não tinha jeito, ela não conseguiria se concentrar, a única coisa que poderia fazer era ir até a morena e conversar, precisava colocar tudo em pratos limpos, precisava olhar nos olhos da outra e saber a verdade. Então se levantou e foi como um foguete para a mansão.

Do outro lado da delegacia estava o pirata, a atitude de Emma havia o deixado intrigado, ele começaria a observar todos os seus passos. Pouco tempo depois de ter saído da presença da loira, ela logo aparece indo em direção ao seu fusca amarelo com cara de poucos amigos, arrancou o carro e sumiu de vista. Hook não tinha magia, estava sem nenhum veículo, não tinha como segui-la, mas suspeitava fortemente de qual era o destino da xerife. Pôs-se a andar até o lugar onde sabia que iria encontrar Emma.

Regina estava no escritório, havia chegado a pouco tempo e estava tentando se distrair com um livro quando a campainha tocou. Ao abrir a porta não pode deixar de sorrir ao ver quem era.

-Tão cedo Xerife? Eu sei que combinamos de nos ver hoje, mas não esperava que o encontro fosse logo pela manhã – disse a rainha sorrindo.

-Posso entrar Regina? – falou Emma séria.

A ex-prefeita estranhou a expressão da outra e apontou para dentro da casa dizendo:

-Claro. Aconteceu alguma coisa?

-Não. Eu só queria conversar com você, pode ser? – a xerife foi dizendo enquanto entrava e se sentava na poltrona que havia sido ocupada pela outra na noite anterior, dessa vez era ela quem queria evitar o contato com a morena, sabia que tê-la muito próxima não ajudaria.

-Claro Emma. Sobre o que quer conversar? – perguntou a rainha sentando-se no sofá ao lado, estranhando o comportamento da outra.

-Como você conseguiu durante tantos anos fingir que amava Snow quando tudo o que você queria era acabar com a felicidade dela?

-Por que isso agora Emma? – disse Regina incomodada com o rumo da conversa.

-Por favor, apenas me responda.

-Tudo bem. Se você realmente quer falar sobre isso. Bem, quando eu conheci a sua mãe eu me senti muito ligada a ela, tive um carinho instantâneo. Depois do que aconteceu com o Daniel minhas emoções ficaram muito embaralhadas, eu não passei a odiá-la do dia pra noite, a medida que a certeza de não ter Daniel nunca mais ia aumentando, que a minha dor ia tomando conta de mim, é que minha mente e meu coração se enchiam de ódio e desejo de vingança. Quando eu já estava tomada por isso, ter que conviver com a causadora de todo o meu sofrimento, vendo-a feliz, recebendo todo o amor do pai, só aumentava a minha fúria. Mas eu precisava mascará-la, não podia demonstrar meus sentimentos, então sempre que eu a olhava tentava ver aquela menina que eu salvei e por quem me afeiçoei tão rapidamente para que ninguém percebesse minhas reais intenções.

-Então foi fácil assim? Você simplesmente se lembrava que já tinha gostado dela e então fazia de conta que nada tinha acontecido? – perguntava a xerife com um olhar de tristeza.

-Emma, porque você está me perguntando... – No meio da frase Regina parou e pareceu entender tudo. E então foi se levantando olhando para o chão e começou a andar enquanto falava – Você quer saber se eu estou mentindo pra você como fiz com a sua mãe- não era uma pergunta era uma constatação, não falava com raiva, na sua voz só tinha tristeza.

Emma abaixou a cabeça, estava realmente confusa, então disse:

-Regina, eu não sei direito o que pensar. Hoje Snow me falou de como ela acreditou no seu amor, de como você fez parecer real, depois você apareceu na delegacia completamente diferente do que eu tenho visto nos últimos tempos, cheia de frieza e crueldade, e então veio o Hook me falando de como você é esperta e que estar ao meu lado só facilitaria para você me tirar do caminho. Aí eu me lembro dos nossos momentos juntas, dos breves instantes onde você deixa as suas proteções caírem, dos seus olhos, do seu toque, e nada mais faz sentido. Parece que você não é uma só, em alguns momentos você é apenas uma mulher querendo amor e sossego, em outros parece uma rainha enfurecida tomada pelo ódio, capaz de qualquer coisa e ainda tem momentos em que parece não ter nenhuma emoção, apenas frieza, como se estivesse arquitetando cada passo. Quando eu estou com você tudo parece completamente certo, real, mas basta a gente se afastar pra tudo ficar embaralhado de novo. Eu não estou querendo de acusar, não estou querendo brigar, só estou tentando ser o mais honesta possível. Me diga Regina, quem é você? Você garante que não vai me machucar? – disse a loira deixando cair uma lágrima.

A morena ficou andando de um lado para o outro, tentava colocar os próprios pensamentos em ordem. Ela estava triste por Emma não confiar completamente nela, mas porque a outra o faria? Ela tinha razão em desconfiar, nem ela própria sabia quem era. Ela abrigava dentro dela três mulheres, Regina, a rainha e a prefeita, cada uma se manifestava a depender da situação. A única coisa que sabia é que não queria perder a xerife, mas também não poderia mentir pra ela. Então foi se aproximando da outra, se agachou na sua frente, levantou o rosto da loira que estava fitando o chão, olhou dentro dos seus olhos e disse:

-Não Emma, eu não posso garantir isso. Eu também estou muito confusa, passei muito tempo tentando matar um pedaço de mim que você tem trazido de volta, passei muito tempo imersa no ódio e na amargura, e passei os últimos 28 anos me ajustando a esse mundo sem magia, calculando cada passo para ter o que eu queria. Eu vivo em conflito, agora tudo o que eu quero é ficar em paz com você e com o Henry, mas quando penso em tudo o que eu passei e continuo passando, quando vejo que eu fui a única a não ter direito a um final feliz, eu fico frustrada e sou capaz de tudo. Basta eu sair de casa pra eu querer acabar com a vida de todo mundo que me olha torto, que fica de cochichos a meu respeito, mas eu tenho me controlado muito, tenho evitado usar magia pelo Henry, mas eu realmente não posso garantir que eu vá conseguir. É com tristeza que eu te falo isso, mas acho que seria melhor pra você se manter afastada de mim – ao terminar de dizer isso, os seus olhos se encheram de água.

Ao ouvir todo o discurso de Regina, Emma olha bem fundo nos olhos dela, dá um sorriso e a beija carinhosamente. A rainha prontamente retribui, mas quando se dá conta interrompe o beijo e diz:

-Acho que você não entendeu, eu disse que eu não posso garantir não te machucar.

A xerife novamente sorri e diz tocando no rosto da morena:

-Você disse exatamente o contrário. Tudo o que eu ouvi foi uma mulher confusa, tentando proteger alguém com quem se importa de verdade, nem que pra isso precise ficar sozinha. Eu não precisava de uma prova maior de que você realmente está tentando mudar, está tentando descobrir quem é, e se você deixar eu quero te ajudar e ser a primeira a conhecer essa nova mulher.

Regina não respondeu nada, apenas sorriu enquanto uma lágrima escorria pela sua bochecha e então beijou ternamente a loira a sua frente.

Quando não tinha ninguém por perto, os beijos e os toques que elas trocavam eram sempre cheios de urgência, desejo e paixão. Mas dessa vez os beijos eram carregados de carinho e ternura. Depois de alguns minutos perdidas uma na boca da outra Emma se levantou, deu a mão a Regina, e sem falar nada foi se dirigindo ao quarto da antiga prefeita. Chegando nos aposentos voltou a beijar a morena com carinho, enquanto as mãos da rainha tocavam delicadamente as suas costas e cabelo. As roupas começaram a ir ao chão, em meio a toques delicados. Regina beijava lentamente o pescoço da loira enquanto essa sem nenhuma pressa desabotoava os botões da blusa da outra. Muitos beijos e carinhos foram trocados até que as duas ficaram completamente nuas, quando chegaram nesse estágio a morena foi se dirigindo à cama e se deitou, a loira logo veio em sua direção e se deitou por cima da outra, olhando profundamente nos seus olhos enquanto tocava delicadamente a sua face e então a beijou novamente. Dessa vez, como nunca antes, os beijos e toques eram sempre lentos e carinhosos, pela primeira vez não estavam com pressa, ou lutavam pelo poder, elas apenas queriam sentir uma à outra da forma mais completa possível. Enquanto se beijavam deitadas os seus corpos roçavam na velocidade dos beijos, os seios se tocando, os mamilos enrijecidos passando um pelo outro, as barrigas coladas, os sexos misturando as suas umidades, as coxas se esfregando enquanto as bocas e línguas trabalhavam juntas e as mãos de uma passavam carinhosamente por todo o corpo da outra. Depois de muito tempo de tanto carinho os seus corpos completamente excitados pediam pelo alívio, então Emma posicionou a sua coxa no centro da outra enquanto colocava o seu centro na coxa da outra, continuaram os carinhos enquanto se mexiam de modo a aumentar a fricção, sem nunca pararem de se acariciar ou beijar, seja na boca, no pescoço, nos ombros, elas estavam perfeitamente conectadas até que pouco tempo depois o orgasmo chegou para as duas e junto com ele uma onda que passou pelos dois corpos e pareceu sair deles em direção ao resto do mundo. Elas se deitaram lado a lado enquanto se recuperavam, sem entender o que havia acontecido até que a loira perguntou:

-O que foi isso?

Regina demorou um pouco e então respondeu:

-Magia.

-Magia? Como isso é possível? – perguntou a xerife confusa.

-Isso minha querida, eu não faço a mínima ideia.

Nenhuma das duas sabia, mas a partir daquele momento elas estavam ligadas, não apenas seus corpos, mas as suas almas.

Elas ficaram se olhando um tempo, tocando o rosto uma da outra, curtindo o relaxamento, até que novamente Emma quebrou o silêncio:

-Posso te perguntar outra coisa?

A rainha riu e disse:

-Claro.

-Quando você chegou na delegacia Hook perguntou se você estava ali pra relembrar o passado, vocês tiveram alguma coisa?

-Você quer saber se nós tivemos um romance?

— É – disse a loira meio incomodada.

-Não. Nós apenas dormimos juntos.

-Você já transou com o Hook? – disse Emma levantando a voz em surpresa.

— Minha querida, você se impressionaria em saber quantos passaram pela cama da rainha.

Nesse momento instintivamente a xerife puxou o lençol mais para si, e perguntou com o olhar cheio de tristeza:

-Eu também sou isso pra você? Mais uma a passar pela cama da rainha?

Regina tocou o rosto da outra e respondeu:

-Claro que não, você nem mesmo está na cama da rainha, ela nunca se entregaria dessa forma.

Emma fez uma expressão meio confusa e a morena continuou:

-Você está na cama de Regina, e por aqui apenas duas pessoas passaram: Daniel e agora você.

A loira ficou tocada com as palavras da ex-prefeita, ela sabia o quanto a outra amara Daniel e por mais que isso lhe desse uma pontinha de ciúme não pode deixar de se sentir honrada por ter sido a única, além dele, a ter tocado tão fundo aquela mulher. Então a puxou para mais um beijo.

Ficaram ali por mais algum tempo, trocando carinhos até que a xerife disse:

-Eu tenho que ir, já deixei a delegacia sozinha por muito tempo.

-Ainda é cedo, fica mais um pouco – disse a morena dengosamente.

-Sabia que essa é a primeira vez que você me pede pra ficar mais?

As duas sorriram.

-Eu sempre quero que você fique mais, mas hoje Henry não está em casa, nem você tem que voltar correndo pra sua casa pra evitar perguntas. Se bem que Cora pode estar observando, acho que você tem razão é melhor você ir.

— Poxa, eu já estava convencida a ficar.

As duas riram novamente. Mas logo o sorriso de Emma sumiu e deu lugar a uma expressão de dúvida seguida de uma pergunta:

-Quando vamos poder ficar o tempo todo juntas, sem ter que fugir de Henry, dos meus pais ou da sua mãe?

-Eu não sei, pra ser bem sincera, nem sei se esse dia vai chegar – falou uma Regina triste.

-Do que você está falando?

-É melhor não pensar nisso, lembra que combinamos ir devagar, sem pressão?

-Tá bom, mas não repita mais isso ok? Eu não vou conseguir ficar tanto tempo me escondendo.

Regina achava engraçado o jeito que Emma falava, parecia que pra ela não existia a possibilidade delas se separarem. Já a rainha ficava agradecida a cada dia que estava com a outra, tinha medo que um belo dia a loira se levantasse e percebesse a loucura que estava fazendo e então sumisse de vez da sua vida. Ou em um cenário ainda pior, tinha medo que alguém descobrisse e começasse a caça a bruxa, no caso ela, ou ainda que Cora descobrisse e acabasse de vez com a sua felicidade, para a morena não havia nenhuma possibilidade delas ficarem juntas e serem aceitas.

Elas então se despediram e Emma saiu da casa da ex-prefeita sendo vista por Hook que estava do outro lado da rua. Ele acertara, a xerife realmente tinha ido ver Regina. Mas porque? Ele só conseguia pensar em uma resposta, mas não queria acreditar nela.