Frankliah

1 Capítulo 1


– Justiça – a garota de cabelos dourados bateu a mão na mesa e repetiu pela terceira vez aquela palavra, como se o restante das meninas não houvesse absorvido – Esse caso merece justiça.

– Ok, Fox, nós já entendemos – a menina sentada na poltrona respondeu, suplicando para que a amiga se acalmasse

– Não – ela balançou a cabeça negativamente – Vocês não entenderam. Eu mesma não entendi. O que aconteceu não tem explicação, Amy.

– Eu sei – Mel se pronunciara pela primeira vez naquela conversa – E é exatamente por isso que temos que achar o culpado – ela deu de ombros

– Maddison! – Amy exclamou – Você só está deixando ela mais nervosa – apontou para Fox, que continuava de pé, apoiada na mesa

– Eu estou bem – ela assentiu – Apenas a idéia dela estar morta ainda não entrou na minha cabeça.

– Não entrou na cabeça de nenhuma de nós – Amy fitou o infinito, abalada – Mas não podemos fazer nada a respeito – falou como se tivesse colocado um ponto final no assunto

– Claro que temos – Maddison respondeu, e sentou ao lado de Amy – Investigar é a solução.

– Não somos detetives – ela alterou o tom da voz, como se fosse óbvio – Vocês não conseguem colocar na cabeça que estamos vulneráveis? O ocorrido não faz nem dois meses!

– A polícia não está fazendo o mínimo de esforço para entender esse caso – Fox disse e suspirou pesadamente – E eu estou farta de tantas especulações das pessoas. Até das nossas também. Não sabemos ao certo o que aconteceu com Bave.

– Fox, então você está querendo dizer que quer fazer o papel das autoridades? Por quê? Pra que nos arriscarmos e nos expormos desse jeito?

– Bave era nossa melhor amiga, Amy – Mel respondeu, claramente se controlando para ser o mais forte possível

– Mas agora ela está morta, e ponto final. Não há nada que possamos fazer – a garota de cabelos negros disse, cortante e fria como uma lâmina

– E eu tenho plena consciência disso – Fox continuou, ignorando a grosseria e falta de consideração da outra – Mas há um assassino à solta, Amy – ela olhou para a amiga de forma sonolenta e claramente farta – Isso não te assusta?

Amy permaneceu em silêncio. Realmente o fato de que uma pessoa poderia estar rondando as casas das três, pronta para atacar qualquer uma delas a qualquer momento, assim como fizera com Bave, não parecia de longe interessante. Até porque, se matou Bave, mataria as amigas também, tanto por precaução como pelos mesmos motivos.

Perceberam então, que aquela seria uma longa noite.

[...]

Capítulo 01 -

Fox Pov

Rua Lekon Ritcher – 27/06/2012 – 15h21

Delegacia Federal –

– Fox – ele riu-se – coloque uma coisa na sua cabeça: você é uma criança de 17 anos.

– E você, Carter, coloque uma coisa na sua cabeça: eu não saio daqui enquanto não disser que vai nos ajudar – me apoiei na mesa do estagiário, de forma intimidadora

– Para com isso. E eu falo sério. Espere sentada se quiser alguma coisa de mim.

– Quanto a isso, sem problemas – me sentei na cadeira logo atrás de mim, e cruzei as pernas, suspirando forte – Até ano passado íamos a festas juntos e agora você quer me tratar assim? Não finja que não me conheça, ou serei obrigada a fingir que não te conheço.

– Ano passado foi o ano passado, garota. Eu tinha acabado te terminar o colégio, queria curtir. Era seu amigo e tudo o mais, mas agora as coisas mudaram – ele colocou os braços atrás do pescoço, e relaxou-se na cadeira que ocupava – Sou estagiário e ajudante do delegado. Quer mais do que isso?

– Sei disso, e quero. É por isso mesmo que estou aqui. Para você nos ajudar.

– Já disse que não vou, não importa sobre o que seja. Tente não ser implicante – ele bufou

– Escuta aqui, Logan Carter. Quero ajuda – e rápida – sobre o caso da Bave. E cara, se você não fizer algo quanto a isso, não pense que eu não sou capaz de contar para Deus e o mundo que vocês transavam vez ou outra na cabana dos pais dela.

– Do que você está falando, garota? – ele manteve-se estático na cadeira

– Para de me chamar de garota – revirei os olhos – Você é o único que eu conheço que pode dar uma luz a mim, Amy e Maddison. Eu realmente estou desesperada e assustada. E você deveria ficar assim também, porque tenho mais coisas contra você do que você pode imaginar.

Ele ficou me encarando durante alguns segundos, e falou:

– Ninguém acreditaria em você, e se acreditassem, eu desmentiria. Não estou interessado em te oferecer um ombro amigo, muito menos o resto da polícia da cidade. Desistiram do caso da Bave antes mesmo de começarem a investigar, pois as evidências começaram fracas, então não pense que agora você vai conseguir alguma coisa.

– Bom, Carter, eu realmente não queria apelar para isso, mas você me deixou sem opções – suspirei fingidamente, e dei de ombros, virando pra trás e remexendo na minha bolsa

Tirei um envelope pardo de dentro do compartimento, e o levantei bem à altura do nariz de Carter, e puxei de volta para mim, abrindo-o. Peguei as três fotos ali presentes, e posicionei-as estrategicamente em sua mesa.

– São as minhas preciosas – apoiei a cabeça na minha mão, fingindo admiração sobre as imagens de Bave e Carter em pleno ato sexual

– Como você conseguiu isso? – ele falou de modo mais elevado, claramente assustado e intimidado, sem tirar os olhos das fotos

– Depois da morte dela, guardamos seu computador por precaução. Pensei que não surtiria efeito nenhum uma conversa pacífica com você, então vim preparada. Foi só revelar, e pronto, estão bem aqui, na sua frente. E se você pensa que é só isso, está enganado. Tem um vídeo também, que ela gravou. Mostra o seu rosto em todas as cenas, e também o momento em que você broxa – falei a última palavra em um sussurro forçado, e forçadamente compreensiva

– Ok, Fox, ok – ele balançou a cabeça e fechou os olhos, como se tentasse apagar o passado de sua memória – O que você quer que eu faça?

– Simples — eu disse, colocando as fotos de volta no envelope – Eu e as meninas estamos querendo saber os passos do assassino, onde e quando ele matou a Bave, e obviamente, quem é o cara, ou a cara. Não podemos fazer isso sozinhas, então precisamos de apoio policial, claramente não apenas o seu. Chame algum amigo estagiário. E lembre-se: estamos desprotegidas. Eu posso sair na rua agora mesmo e morrer assim como ela morreu. Então por favor, pense um pouco em nós, ok?

– Por que está querendo dar uma de justiceira?

– Justiceira? Eu? Me poupe. Estou fazendo isso pela minha melhor amiga, que poderia fazer muita merda, ter muitos defeitos e nem sempre ser um amor de pessoa, mas morreu injustamente, e nós nem sabemos como. Em memória a ela, preciso saber quem foi o filho da puta que acabou com a sua vida.

Carter ficou me olhando atentamente durante um tempo que não sei ao certo o quanto foi.

– Tá certo – ele disse, por fim – Vou ajudar vocês. Fica com o meu celular e decide um dia pra nós nos encontrarmos e começarmos a discutir sobre como vamos começar a investigar. Estou livre pelo resto da semana – pegou um pedaço de papel qualquer, anotou seu número e entregou a mim

– Obrigada – eu disse, com um aceno de cabeça. Passei a bolsa pelo ombro e saí da sala, dando uma última olhada para trás, claramente agradecida

Primeira etapa, concluída.

[...]

Amy Pov

Rua Libaneese — 27/06/2012 – 16h03

Casa da Bave

– Maddie? Acabei de achar um negócio aqui – eu disse, ajoelhada no chão enquanto tentava entender o objeto que estava na minha frente

– Também achei – ouvi-a falar de dentro do closet, e no instante seguinte a vi sentada de frente pra mim, com alguns papéis nas mãos – O que é isso? – ela perguntou, apontando para a caixa

– Uma caixa que achei debaixo da cama dela – falei, atenta – Mas está trancada e eu não faço idéia de onde tem uma chave por aqui – olhei para os lados

– A gente não pode demorar. A Sra. Clinton acha que estamos aqui para pegarmos coisas nossas.

– Eu sei, Maddison, eu sei. Mas eu tenho que abrir esse negócio antes de irmos embora. Precisamos achar o maior número de coisas que conseguirmos para nos encontrarmos com a Fox e o Carter, lembra?

– Tá bom. Esses papéis eu vou levar comigo.

– Sobre o que são? – perguntei

– Alguns gastos que ela teve de um lugar que eu nunca ouvi falar, e bem longe da parte Norte da cidade.

– Ótimo – balancei a cabeça positivamente, e girei o cadeado da caixa, que imediatamente abriu – Nada inteligente – falei, diante da situação

Ao levantar a tampa da caixa, e constatar o que havia dentro, um suadouro tomou conta da minha nuca, e um frio arrepiou a minha espinha. Olhei boquiaberta para Mel, que só retribuiu o meu olhar assustado depois de muito tempo, sem entender o porquê de eu estar daquele jeito. Com um aceno de cabeça, ela me induziu a dizer o que eu havia encontrado.

Sem reação, simplesmente peguei o meu celular e acessei a discagem rápida, ligando para a Fox. Depois de dois toques, fui atendida, e disparei:

– Fox, pelo amor de Deus, marque essa reunião com o Carter o mais rápido possível.