Frankliah

2 Capítulo 2


Capítulo 02 -

Rua Caselli Ave — 29/06/2012 – 09h45

Ginásio do Colégio

– Fox, você tem certeza que é seguro estarmos na sua escola essa hora da manhã? – Carter falou logo atrás da garota que mencionara, adentrando a enorme quadra, sendo seguido pelo restante das pessoas

– Claro que eu tenho – ela revirou os olhos – Todo sábado a escola abre o ginásio para as líderes de torcida treinarem, mas ninguém chega cedo. Então, sim, está tudo sob controle.

Todos se sentaram no canto da arquibancada, deixando um silêncio sem motivação pairar no ar, enquanto trocavam olhares.

– Então! – Carter bateu uma palma, chamando atenção – Não tenho o dia todo, ok?

– Ok – Fox sorriu amarelo para ele, claramente se controlando para não mandá-lo à merda – Quem é o seu companheiro? – ela perguntou olhando na direção do rapaz moreno de olhos claros encostado na parede

– É o Ethan, entrou para o estágio policial na mesma época que eu – Carter olhou para o amigo, que acenou com a cabeça para Fox e as meninas

– Ótimo, então podemos começar – ela suspirou para tomar fôlego, tomou uma posição ereta e jogou seu cabelo para o lado – Todos nós sabemos o porquê de estarmos aqui. Sei que o lugar não é muito favorável, mas é o que estava ao nosso alcance – ela deu de ombros – Sei também que não somos detetives, a turma do Scooby Doo ou algo do tipo, mas a morte de Bave se torna cada dia mais perturbadora – Fox olhou para as amigas que imediatamente concordaram com a cabeça – Então a única coisa que queremos, é simplesmente descobrirmos o que realmente aconteceu com a nossa melhor amiga, e quem foi o culpado.

– Vocês têm idéia por onde começar? – Ethan falou, com a voz baixa e firme, e o olhar concentrado na porta de entrada

– Sinceramente? Não. Temos algumas coisas que as meninas acharam na casa da Bave, e as nossas recordações – Fox respondeu

– Cara – Amy pronunciara, querendo se livrar do peso que segurava de uma vez – Antes de qualquer coisa eu quero que vocês dêem uma olhada nisso aqui – ela colocou uma caixa no meio do circulo formado, e Logan instintivamente pegou o objeto, colocando de frente para ele

Com um ou dois movimentos, a tampa já estava levantada, e uma expressão de espanto tomou conta da face do garoto.

– Puta que pariu – ele exclamou – A menina comandava o tráfico da Califórnia?

– É o que parece – Amy deu de ombros

– Vocês não sabiam que a Bave fumava? – Fox falou duplamente espantada para as amigas, logo depois de conferir o conteúdo da caixa

– Não! – Maddison falou – Você sabia?

– Claro que sim! Quer dizer, não que ela tenha me contado nem nada, mas quando eu ia pra casa dela sempre tinha um baseado em algum canto do quarto e vez ou outra aquele lugar exalava maconha.

– Eu realmente estou sem palavras – Amy falou, e Maddison concordou com a cabeça

– Quando foi que ela morreu? – Ethan se pronunciara novamente com sua voz firme, quebrando o assunto por completo, mas nessa altura já olhava fixamente para Fox

– Dia dois de maio – a garota respondeu baixo

– Tem idéia do lugar? Horário? Algo do gênero? – ele continuou

– Não – ela balançou a cabeça negativamente – A única coisa que sei, é que eu estava em uma festa na casa de um amigo, e recebi uma ligação do Jordan, dizendo que Bave não atendia o celular de jeito nenhum, e que não estava em casa. De manhã chegou a notícia para todos que ela havia morrido. E eu não sei como.

– Então se não há evidencias de como e onde ela foi morta, isso pode significar que ela pode se encontrar viva, correto?

– Também não. Nós vimos o rosto dela no caixão no dia do enterro, a família deixou que ficasse aberto para os entes mais próximos, sabe?

– Mas se acharam o corpo, isso significa que se sabe aonde ela morreu – Ethan exclamou

– Sem dúvidas – Fox concordou – Mas isso é uma informação que só a polícia investigativa de Stanford sabe, e com certeza a família dela.

– Fox – Maddison olhou para a amiga – Nunca passou pela sua cabeça perguntar para a mãe da Bave sobre isso?

– Já passou sim, mas é uma perda recente. Não quero afetar mais ainda o emocional dela. Até porque, aquela mulher desconfia de tudo. E sinceramente, contar para ela que estamos remexendo no caso da sua filha não é uma opção.

– Entendi – Maddison concordou – Bom, também tinha essas notas fiscais e papéis no closet dela – ela mostrou as folhas – É uma loja de nome estranho, porém as iniciais conferem com as letras da caixa, então pensamos que poderia ter algo a ver.

– Posso dar uma olhada? – Carter esticou o braço, e Mel concordou com a cabeça, entregando-lhe a papelada

Carter analisou o conteúdo dos papéis durante um tempo, e num piscar de olhos tirou seu celular do bolso. Analisou uma coisa ou outra enquanto comparava com as folhas e então disse:

– Fox, esse é exatamente o endereço do Café Calypso que fomos ano passado com ela uma vez. Você lembra? – ele disse olhando para a menina, que manteve a expressão de pastel – Ah qual é! – ele exclamou – Foi logo depois de um treino de vocês, para o campeonato Inter-Escolar de 2011.

– Aaaaah! Acho que eu lembrei – ela disse como se houvesse descoberto ouro – Foi lá para o mês de outubro não é?

– Exatamente. Lembro que ela atravessou o balcão e mandou a gente esperar do lado de fora, e voltou com um pacote na mão. Isso só significa que é lá que ela pegava a maconha.

– Não começa a viajar. Fomos lá com ela, sim. Mas é só um café, não podemos colocar suspeitas em cima de tudo que a gente ver agora.

– Não estou colocando suspeitas nenhuma. Estou afirmando. Na tampa da caixa ta escrito “sharkball”, e como a Maddison falou, as letras da caixa batem exatamente com as notas fiscais.

– Então tem tipo um mercado negro funcionando debaixo do Café? – Fox olhou debochada para ele

– Não sei, pode ser que hoje em dia isso nem funcione mais, mas de qualquer forma, não seria má idéia ir até lá pra ter certeza.

– Ok, ok – ela balançou a cabeça, de forma rendida – Me passa esse endereço para eu ter ele anotado.

Carter passou uma nota fiscal para ela, que imediatamente colocou a localização no celular, logo em seguida bloqueando-o. Devolveu a nota para ele, que devolveu para Maddison.

No instante que Amy ia abrir a boca para falar alguma coisa, um barulho de portas abrindo prevaleceu, e duas vozes animadas que conversavam ecoaram pelo ginásio. As cinco cabeças da arquibancada automaticamente viraram para a origem do som produzido, e as duas garotas que antes tagarelavam, pararam assim que os viram ali presentes.

– Amy, Fox, Mel? – uma garota alta e morena disse – O que fazem aqui essa hora da manhã? Pensei que só viessem treinar depois das 13 horas.

– Oi Rachel, oi Monica! – Fox disse extremamente feliz, tornando-se levemente forçada – Já estamos de saída. O zelador pediu para que hoje nós abríssemos o ginásio, porque ele tem um problema para cuidar no banheiro do vestiário masculino. Encontramos esses dois amigos no caminho e paramos pra conversar – ela apontou para Logan e Ethan.

– Ah sim – Monica, a menina levemente mais baixa comentou – Mas vocês vêm de tarde né? Estou com dificuldade para dar um salto Toca Pés.

– Sim, nós vamos vir – Maddison respondeu – Pode ficar tranqüila. Agora já estamos de saída – ela completou, fazendo todos se levantarem, pegarem seus pertences, e irem em direção ao lado de fora

Ao passarem pelas duas meninas, as garotas deram acenos e sorrisos. Quando atravessaram a enorme porta, Logan disse:

– “Ninguém chega cedo”, ela disse. “Está tudo sob controle”, ela disse – ele lançou um olhar fuzilante para Fox

– Olha – ela deu de ombros – Sinto muito se eu não prevejo o que vai acontecer.

– Bom, de qualquer forma – Ethan se pronunciara, novamente chamando a atenção só para si – Precisamos marcar outra reunião. Quarta feira a minha casa está livre de tarde porque meus pais vão ter um casamento. Se quiserem ir, avisem o Carter que pode levar vocês.

– Ok, obrigada – Fox disse, sendo acompanhada pelas meninas

Com um aceno de cabeça, os meninos saíram um pouco mais apressados à frente, deixando as três garotas atrás.

– Fugindo um pouco do assunto.. – Fox começou – Como assim Monica está com problemas para fazer o salto Toca Pés? Quero dizer, aquilo é o essencial do segundo nível para uma cheer.

– Dá um tempo para a menina – Amy divertiu-se – Ela entrou para a equipe no mês passado.

– Mas onde já se viu? – a garota continuou, indignada – Quando nós entramos para a equipe a gente tinha 15 anos e já sabia fazer isso e mais um pouco!

– A gente treinou desde nova – Maddison deu de ombros – Somos fodas demais.

O comentário inesperado da amiga gerou altas risadas das três meninas.

Apesar da tranqüilidade aparente, elas sabiam, mais do que nunca, que Bave seria um problema durante um longo tempo.