Fragments

4 Tem uma "Cosplayer" no meu quintal!


No Caminho para casa dei de cara com a senhora Mikan que me cumprimentou e em seguida perguntou.

Sra. Mikan: — Ruan meu filho, tem visitas na sua casa?

Ruan: — Hum?

Sra. Mikan: — Sabe, visitas! Você já está namorando? Que danadinho hahaha!

Ruan: — Ei...

Sra. Mikan: — ?

Ruan: — Tem algo errado na afirmação da senhora! Eu não recebi visitas e muito menos tenho uma namorada!

Sra. Mikan: — Que seja! Talvez eu tenho me enganado! Tenho que ir agora, até mais Ruan!

Ruan: — Até mais...

Já estou cansado de me surpreender, meu corpo não reagia mais a esse sentimento! Eu já estava começando a aceitar as situações, que eram empurradas de goela a baixo em mim, de forma natural...

Cidade Natal — Casarão da Família – Anoitecer

Ao chegar em casa fiz um daqueles omeletes, sentei em frente ao notebook e tentei relaxar. O restante da tarde passou bem rápido e aquela coloração alaranjada do pôr-do-sol foi tomando o céu rapidamente. Criei coragem e resolvi dar uma olhadinha na vidraça da porta que dava acesso ao quintal. Fiquei alguns minutos parado olhando para aquele espaço... Eu sentia estranheza, brinquei muito nesse lugar na minha infância mas por que parecia tão diferente? Era como se não pertencesse a este lugar... Algo misterioso!

As Plantas eram diferentes, tinham uma estética que eu nunca tinha visto antes. A árvore central também parecia bem diferente e tenho esses “vagalumes” que deixavam seus brilhos visíveis até mesmo durante o dia. Seria alguma espécie nova de inseto? Bem atrás eu também consegui reparar mais algumas árvores e mais matagal fechando o acesso a parede de trás, consequentemente aquele matagal deveria ser cortado também... Já a parte da frente tinha bastante cinzas, das plantas queimadas, ainda.

Após vasculhar todo o campo de visão que eu tinha do quintal virei-me e fui dormir um pouco, durante o caminho para o quarto pude ouvir um pequeno som ecoando por alguns segundos. Era um som que lembrava uma harpa.

Eu tinha que ignorar aquilo também? Só precisava continuar a dar meus passos normalmente, nesse momento eu ouvi palavras do meu pai dentro da minha mente:

“— A Vida é eco um Ruan! Se você não está gostando do que está ouvindo, descubra o que está emitindo. ”

Eu sei. Eu vou me arrepender amargamente disso!

Voltei até a porta e olhei novamente para o quintal até que consegui reparar algo que eu tinha deixado passar. Em baixo da árvore central tinha uma silhueta brilhando bastante! Abri a portal do quintal e fui caminhando a passos curtos até a luz. Realmente era uma harpa...

Ruan: — Isso é sério?

Imaginei que aquilo poderia ser do meu pai, então resolvi guardar dentro da casa...

Minutos depois deixei o instrumento encostado sobre a parede em frente à minha cama. Fiquei encarando-o por alguns minutos apreciando a beleza daquele objeto de cor dourada. Era tão novo e tão bem cuidado. Nem parecia algo que tinha ficado guardado aqui durante tantos anos.

Tinha algo escrito na parte de cima do instrumento.

“ L u z z i a n a “

Ruan: — Será que é o nome de quem fez o instrumento? Que seja...

Passados alguns minutos acabei adormecendo.

“

Oh cavaleiro da esperança...

Que busca a paz,

Tu tens a confiança

Tu és capaz!

Nem os ventos do Norte

Podem lhe parar

E quando a face da morte

Para ti se revelar!

Oh Cavaleiro da esperança,

Teu destino é, por nós lutar!

E um mundo de maravilhas,

Onde o sol dourado brilha

Vai se separar!

Para que a paz dos dois mundos

Volte a reinar.

“

Casarão da Família – Manhã

Minha cabeça estava doendo um pouco e eu ainda lembrava de uma voz cantarolando alguma coisa confusa. Acho que estava sonhando mesmo! Esse final de semana vou tentar levar esta harpa a algum lugar para verificar essa marca, fiquei curioso!

Sra. Mikan: — Bom dia Ruan!

Ruan: — Bom dia!

Sra. Mikan: — Já está indo para a aula?

Ruan: — Sim!

Sra. Mikan: — Tenha um bom dia de aula!

Ruan: — Obrigado!

Mikan realmente é uma boa pessoa! Ela sempre me ajuda como pode e as vezes leva até uns doces que ela mesmo prepara. Lembro que ela vivia dando dicas de como preparar doces magníficos para a minha mãe.

Faculdade — Sala – Manhã

Ao chegar na sala de aula fui recebido por...

Yuuta: — Vossa Onipotência, Ruan!

Ruan: — ???

Yuuta: — O que seria dessa sala sem a sua presença? Espero que hoje também você possa me contemplar com seus ensinamentos divinos!

Yuuta falou tudo isso ajoelhado aos meus pés e adivinha? Sim, cara de repugnância das pessoas em volta.

Ruan: — Yuuta levanta!!! Para de fazer isso... É muito constrangedor!!!

Yuuta: — Oh! Não se preocupe com isso!

O professor chega na sala de aula e manda todos os alunos se organizarem para o início da aula.

Faculdade – Tarde

Na hora do almoço, fui até a loja de conveniência comprar algo para comer e por azar já não tinha mais nada nas prateleiras promocionais...

Não me restava escolha a não ser comprar algo que estava fora do meu orçamento. Eu não estava trabalhando ainda e futuramente eu teria que trancar algumas cadeiras da minha faculdade para poder arranjar algum trabalho de meio período.

Então ouvi um tímido chamado:

— Ei...

Ruan: — ?

Ao me virar eu vejo novamente a garota de ontem!

Ruan: — Ah, Saki? Tudo bem?

Saki: — S-sim!

Vejo uma sacola em suas mãos e percebo que ela chegou a tempo.

Ruan: — Haha... Não consegui chegar a tempo denovo! Mas que bom que você conseguiu não é?

Ela baixou a cabeça e estendeu seus braços para mim e suas mãos estavam a sacola, só que eu não tinha percebido que na verdade....

Saki: — Eu achei que você não iria chegar a tempo hoje... Em-Então e-eu com-comprei uma para você também!

Ruan: — Oh! Sério?! Não acredito!!! Você me salvou!!! Quanto foi?

Que garota gentil...

Saki: — Tu-tudo bem vo-você foi gentil comigo ontem, eu apenas quis retribuir...

Ela falou aquilo com o rosto visivelmente vermelho.

Ruan: — Muito obrigado mesmo! Então vamos?

Saki: — Va-vamos?

Ruan: — Almoçar juntos!

Saki: — EEEEEEEEEEEEEH?

Ruan: — Não lembra de ontem? Também almoçamos juntos!

Saki: — DESCULPE-ME!

Ela saiu correndo e me deixou ali no vácuo. Acho que a assustei! É melhor me desculpar com ela amanhã....

Almocei e retornei para assistir o restante das aulas.

Já tinha anoitecido quando as aulas terminaram, caminhando vagarosamente pela rua em direção a minha casa eu me sentia meio pesado. Provavelmente estava cansado e só pensava em jantar e cair na cama. Apesar de ainda se oito da noite não tinha ninguém na rua, estava bastante deserta. Cheguei à frente da minha casa, dei um breve suspiro e fui até a porta.

Casarão da Família – Noite

Ao abrir a porta olhei todo por todo meu campo de visão e o que vinha a mente era que, apesar de grande e solitária, aquela casa era a herança que meus pais tinha deixado para mim. Sim, meus pais já não estão mais aqui...

Mesmo depois de terem partido eles continuam cuidando de mim, não me deixaram desamparado. Realmente apostavam no meu futuro sem medo algum.

Os cômodos, objetos e lembranças. Tudo nessa casa... Eu vou proteger tudo isto! Aquilo que foi deixado e tudo que deve ser lembrado. Desculpe-me, eu sei que estou sendo um pouco egoísta já que você queria que eu seguisse em frente, mas pelo menos este lugar eu vou proteger!

Para o jantar fiz algo simples e rápido, sim um miojo! Estudei um pouco e em seguida me preparei para dormir! Enquanto me preparava pude ouvir novamente um som de harpa.

Ruan: — Isso é impossível!

Subi rapidamente as escadas em direção ao meu quarto pois nem imaginava como algo que eu tinha deixado lá em cima poderia estar tocando sozinho! Ao chegar no quarto olhei para o canto e a harpa estava lá, estática, no mesmo local que eu havia deixado. Tentei imaginas milhares de possibilidades de como aquele som poderia ter sido reproduzido sem ter sido tocado por uma pessoa... O vento talvez?

Eu estava começando realmente a ficar assustado. Se eu interligasse todas as coisas que estavam acontecendo comigo, tudo indicava para algo sobrenatural. Algo como fantasmas? Tive até alguns calafrios. Por algum motivo ao qual eu não sabia explicar meu corpo queria ir até o quintal... É como se lá eu fosse encontrar a resposta para tudo...

Ruan: — Eu não estou com medo... Es já sou um universitário e coisas assim não existem!

Ruan: — E-eu...

Droga, eu realmente estava desconfortável. Mesmo assim segui meu caminho até o quintal!

Eram oito e meia da noite, nada tipo zero horas, aqueles horários onde as coisas sobrenaturais naturalmente acontecem. Cheguei em frente a porta, engoli seco e girei a maçaneta! Abri lentamente a porta e confesso que deixei meus olhos fechados! O barulho da porta abrindo era a única coisa que eu conseguia ouvir e ao fixar meus olhos a frente vi uma nova silhueta em meio àquela escuridão do quintal...

Não haviam vagalumes hoje... Só algo branco e meio encolhido abaixo da arvore central. Engoli seco novamente e disse:

Ruan: — O que diabos é aquilo?

Era uma pessoa com certeza! Um ladrão?!

Em voz alta eu perguntei.

Ruan: — QUEM ESTÁ AI?! UM LADRÃO?

Droga, quem fala algo assim nessa situação? Eu sou realmente burro! A pessoa parecia ter se assustado com meu chamado e ficou meio congelada. Após alguns segundos a pessoa se virou lentamente, não dava para ver direito estava escurou, mas eu ouvi uma doce voz dizendo:

— Ladrão...?

No momento que isso foi pronunciado os vagalumes surgiram iluminando a pessoa que estava na escuridão. Pronto, é oficial! Eu fiquei louco!

Tinha uma linda garota de cabelos dourados vestida como uma princesa no meu quintal!!!

Ruan: — UMA COSPLAYER?!

A garota fechou a cara e começou a falar de uma forma extremamente irritante:

Garota misteriosa: — VOCÊ TEM CORAGEM DE CHAMAR A PRINCESA DO REINO DE LUZIANNA DE LADRA?

Ruan: ???

Garota misteriosa: — VOCÊ É O ÚNICO LADRÃO AQUI!!! DEVOLVA MINHA HARPA! ESTA PROPRIEDADE PERTENCE AO MEU PAI!!!

Tem uma menina linda, vestida de princesa, dentro do meu quintal me chamando de ladrão e dizendo que minha casa pertence ao pai dela?

Ruan: — Hã?! Eu ladrão? Se você não percebeu ainda, está dentro do meu quintal vestida de princesa! Isso é invasão domiciliar, eu vou ligar para a polícia se você não sair agora!

Garota misteriosa: S-sair?! Eu não posso voltar para o castelo agora! Se eu voltar eles vão me ver e perceber que eu saí escondida!

Ruan: — Castelo?

Garota misteriosa: É! Castelo! Você é muito esquisito! Agora devolve a minha harpa!

Eu me virei e sai em direção a porta. Entrei dentro de casa rapidamente e bati a porta. Olhei para o teto e pensei: “agora eu preciso de um psiquiatra”.

Fiquei imaginando se eu ficasse ali só por alguns minutos e abrisse novamente a porta do quintal tudo iria voltar ao normal, então eu teria certeza que ainda dava tempo de ir a um psiquiatra, mas em seguida eu ouvi uma forte batida na porta. Sim! Era a cosplayer enfurecida batendo e gritando

Cosplayer enfurecida: — ABRA JÁ ISSO DAQUI! SEU LADRÃO! ABRA AGORA! ABRA! ABRA!

Direcionei-me até a sala enquanto ela continuava a bater na porta e chamar por mim, olhei para o sofá e apenas desmaiei caindo em sono profundo.

Não...

Não dava mais para ignorar.