Fragmentos de Lembranças
9 Você não é inútil
Notas iniciais
Aflito, estressado, ansioso, desesperado e principalmente, nervoso. A mistura de todas essas emoções formavam uma perfeita bagunça em mim. O tão esperado encontro estava próximo, em poucas horas eu estaria em um parque de diversões ao lado de Anabell. Eu andava de um lado para o outro no pouco espaço que tinha em meu quarto, dominado pelo nervosismo e a ansiedade. E se ela não gostasse de parques? E se eu não souber o que falar? E se ela de repente desistir do encontro? Oh, céus.
Marcamos o encontro para as sete da noite. Restava apenas uma única hora, uma única hora para eu me arrumar decentemente para um encontro. Ainda assim eu não sabia o que vestir, e praticava mentalmente diálogos que na minha cabeça pareciam ser agradáveis para se dizer em um encontro, mas que depois de um tempo pensando, pareciam na verdade diálogos de um idiota. Espalhei todas as opções de roupas possíveis, pensava e repensava em qual usar. Examinava atentamente cada opção, em busca o visual perfeito. Pela primeira vez eu estava entendendo o lado das garotas, perdi as contas das diversas vezes que vi Caroline na mesma situação que eu, queimando o cérebro em busca do vestido perfeito. Me passou pela cabeça usar terno, mas quem diabos usa um terno para ir em um parque de diversões?
A porta se abriu fazendo com que eu me assustasse, virei meu corpo em sua direção, era Caroline.
– Bati quatro vezes, não tive resposta. — Ele disse enquanto fechava a porta novamente. Caroline se aproximou, e aposto que conseguiu deduzir o porquê daquela bagunça, roupas espalhadas pela cama, perfumes no criado-mudo, toalha jogada no chão.
– Tem um encontro? — Ela perguntou enquanto examinava as opções de roupas.
– Por incrível que pareça, sim, eu tenho.
– Precisa de ajuda?
– Na verdade, eu preciso sim. Você é uma garota, que tipo de roupa acha que Anabell iria gostar?
– Isso depende do tipo de garota que ela é, Eric. Não é porque sou uma garota, aliás, obrigada por notar isso... enfim, não é só porque sou uma garota que vou saber o tipo de todas as outras, entende?
– Certo, então me faz um favor, escolhe a que mais gostou, pode ser?
– Certo. — Ela concordou.
No fim das contas, acabei usando o tipo de roupa que sempre optei por usar, uma camisa xadrez vermelha, um jeans surrado, e um all star preto. Acho que nunca me arrisquei em outro tipo de estilo, afinal de contas, eu nunca fui vaidoso, qualquer coisa estava ótima pra mim.
O parque estava lotado, haviam crianças, casais, famílias inteiras, e até mesmo pessoas sozinhas. As luzes coloridas iluminavam a noite escura, dava para ouvir claramente o riso feliz das crianças que brincava e se divertiam. A noite estava perfeita, não muito quente, e nem muito fria, estava apenas perfeita. Sentei em um banco de cor branca que ficava ao lado de uma barraca de tiro ao alvo, e esperei Anabell lá enquanto observava o movimento animado do parque. Inclinei a cabeça observando a roda-gigante em movimento, as luzes azuis e verde combinavam-se e moviam-se sincronizadamente. A minha concentração na roda-gigante colorida teve fim, quando consegui ver um cabelo de cor cobre em minha frente, eu sabia que era ela, não existiria outra pessoa dona de um cabelo tão bonito quanto o dela. Voltei a olhar para frente, e confirmei, era mesmo ela. Anabell usava uma saia de pregas em um tom claro de azul, certamente seu tom de azul favorito, o azul bebê, combinando com sua saia azul bebê, uma regata branca e simples, e por cima da regata, uma jaqueta jeans de tom claro, tudo isso ainda combinando com sua sapatilha floral. Em seu longo cabelo ruivo havia uma trança frouxa, onde ela deixava algumas mexas caídas sobre seu perfeito rosto.
– Você está linda. — Falei enquanto me levantava do banco para cumprimenta-la.
– Obrigada. — Ela sorriu.
– Onde quer ir primeiro? — Perguntei.
– Que tal na roda-gigante? Sempre gostei de rodas-gigantes. — Ela confessou, entrelaçando seu braço ao meu, guiando-me em direção ao brinquedo que ela desejava ir. Era visível que ela estava empolgada, o que, de certa forma me acalmava. Confesso que fiquei com medo de ela ter aceitado o convite apenas por educação, não é legal obrigar uma garota a sair com você.
Na fila, Anabell contava que amava parque de diversões, que amava ver a felicidade estampada no rosto das pessoas, que amava sentir a adrenalina pulsar em suas veias. E eu, por minha vez, contava que quando eu era pequeno detestava parque de diversões porque um palhaço bêbado certa vez vomitou em mim, ela riu da história e eu pude ouvir o doce som de sua gargalha contagiando o ar com alegria.
– O casalzinho feliz aí pode entrar. — O funcionário que cuidava da roda-gigante falou, fazendo com que eu e ela caminhássemos até a cabine pintada de verde.
A cabine tinha quatro assentos, um ao lado do outro e frente aos outros dois, como todas as outras rodas-gigantes do mundo devem ser. Ela sentou-se do lado que dava para ver as luzes da cidade brilharem, eu escolhi sentar do lado que dava para ver sua beleza radiante. Assim, ficamos sentados um frente ao outro.
– Quer me contar porque você sempre gostou de rodas-gigantes? — Quis saber.
– Ué, não é obvio? Ver do alto as luzes brilhantes iluminando a noite escura da cidade, sentir-se um pouco mais próximo do céu.. — Ela explicou.
– Imaginei que fosse isso. — Falei convencido.
– Sou tão previsível assim?
– Não, na verdade eu sinto que ainda tenho muito o que descobrir sobre você. Você provavelmente deve ter vivido muitas aventuras em Londres.
– É, você errou desta vez. Minha vida em Londres não era muito agitada.
– Viu como não é previsível? Eu é quem sou uma pessoa previsível, afinal de contas, você sem esforço algum soube que sou descendente de francês.
– Por seu sobrenome, Portinatt é um sobrenome muito comum na França.
– Como sabe disso?
– Morei na França um tempo.. — A roda-gigante travou no alto. Nossa cabine estava parada a metros do chão, longe de qualquer outra coisa, éramos apenas eu, ela e o vento gélido que batia em nossos rostos.
– Você deve ter visitado diversas vezes o London Eye.
– Algumas vezes.. — Ela disse encostando sua cabeça na grade da cabine. Seu olhar parecia transmitir tristeza. Anabell ficou fora de si por alguns instantes, como se estivesse lembrando de algo. Eu sabia que poderia ser aquilo, porque era algo comum para mim.
– Anabell?
– Sim? — Ela disse voltando, talvez, para o momento presente.
– Temos que sair. — Falei. A volta naquele brinquedo tinha acabado, Anabell ficou o restante dos minutos com a cabeça encostada na grade, com toda a certeza eu pude afirmar, que ela nem se quer notou que a cabine em que estávamos já tinha chagado ao chão.
– Desculpe, eu fiquei fora de si por um tempo, me desculpe.. — Ela disse levantando-se, e saindo para fora da cabine.
– Sem problemas, isso acontece comigo as vezes. — Segurei em sua mão ajudando-a a sair. — E então, aonde quer ir agora? — Perguntei novamente.
– Sua vez de escolher. — Ela disse empolgada esperando por minha decisão.
– Tá legal, e que tal a casa do horror? — Perguntei esperando por sua aprovação.
– Ótimo. — Ela aceitou a sugestão, e novamente me guiava até a casa da qual sugeri.
A casa do horror, era como já diz o próprio nome, uma casa de horrores. Nela haviam encenações de fantasmas, bruxas, vampiros, zumbis, demônios, aranhas extremamente realistas espalhadas pela parede, e barulhos estranhos. As luzes da casa eram apagadas, o que deixava tudo com um ar de terror. Anabell segurou minha mão assim que entramos na casa, dávamos passos lentos e atenciosos enquanto olhávamos todos os cantos, esperando por alguma assombração. A primeira coisa que apareceu foi uma bruxa, não dava para ver direito devido a escuridão, mas vi perfeitamente que ela tinha pele verde, e uma enorme verruga em seu nariz extenso e pontudo. Ela passava a mão no cabelo de Anabell e ria a típica risada de bruxa escandalosa. A bruxa tentou nos prender, mas conseguimos escapar, viramos a esquerda, e encontramos um quarto, as luzes lá permitiam que enxergássemos direito, era um quarto de aparência abandonada, estava sujo, os quadros da parede tortos, e as paredes manchadas de sangue, havia uma cama, onde de repente, uma garota que encenava a clássica cena do filme "O Exorcista" começou a levitar. Tá, confesso, foi muito realista, mas não chegou a me assustar, e acho que também não conseguiu assustar Anabell, ela parecia estar se divertindo com a cena. A casa era como uma espécie de labirinto escuro, você tinha que descobrir como sair dali. Virávamos esquerdas, direitas, nos deparávamos com teias de aranhas, e gritos aterrorizantes.
Fomos parar em uma sala onde parecia ser um quarto de hospital, haviam camas hospitalares lado a lado, e alguns ruídos estranhos acoavam, ao lado das camas tinham bolsas de sangue. Anabell lentamente se aproximava da mulher sangrando que estava jogada no chão perto de uma janela quebrada.
– "Corra." — A mulher disse com dificuldade. De trás da cortina, um vampiro saiu, ele lembrava o Drácula, tinha cabelos grisalhos jogados para trás, usava uma capa vermelha e preta, presas enormes, e do canto de sua boca escorria sangue. O vampiro aproximou-se do pescoço de Anabell com a boca aberta, ele estava pronto para morde-la, mas antes à puxei evitando que aquilo acontecesse.
Passamos por mais bruxas, por zumbis, e alguma outras aberrações, até que chegamos na última sala. Era uma sala completamente escura, desta vez não tinha luz, não conseguíamos enxergar nada, acabei tropeçando em algumas coisas espalhadas pelo chão. Anabell agarrou-se em meu braço, e me seguia enquanto eu tentava achar uma saída. Do nada, um homem com enormes chifres, pele vermelha, olhos completamente pretos apareceu, suas pernas eram peludas e no lugar de seus pés haviam cascos. Ele tinha uma voz grave e assustadora. Ele ria uma espécie de risada maligna e macabra, e como todos os outros monstros daquela casa, ele fez questão de se aproximar de Anabell tentando assusta-la, mas diferente de todos, ele sussurrou algo no ouvido dela, o que conseguiu assusta-la, e muito. Anabell rapidamente avistou uma saída e correu até o ponto de luz, abrindo a porta que nos tiraria daquela casa. Corri preocupado atrás dela, enquanto a encenação de demônio parado naquela escuridão ria estranhamente uma risada realista. Ela saiu daquela casa assustada, sua respiração estava acelerada, e ela estava nervosa.
– O que aconteceu, Anabell? — Perguntei preocupado. Ela continuava nervosa, seu corpo tremia, e ela ainda estava com a respiração acelerada. Parecia que ela era asmática e que naquele momento estava precisando de sua bombinha para conseguir respirar.
– Você está bem? — Insisti preocupado.
– Ele.. ele sabia meu nome. — Ela disse se recuperando, ou pelo menos tentando.
– Ele deve ter ouvido eu falar seu nome. — Falei tentando acalma-la.
– Você não disse meu nome uma única vez enquanto estávamos naquela casa.
– Calma. Quer comer ou tomar algo? — Perguntei. Ela assentiu com a cabeça. Era claro o desespero que ela estava sentindo, infelizmente era verdade e eu não mencionei seu nome enquanto estávamos lá. Desta vez, eu à guiei até uma barraca onde vendia refrigerantes, sucos, limonadas e algodão doce. Vendo que ela ainda estava nervosa com o que aconteceu, a deixei sentada num banco enquanto comprava alguma bebida.
– Você poderia me dar um suco de maracujá e dois algodões doce? — Perguntei ao senhor que cuidava da barraca.
– É pra já. — Ele respondeu preparando os algodões doce, enquanto uma senhora preparava o suco.
Não demorou muito até que ele entregasse o que pedi em minhas mãos, coloquei o dinheiro sobre a mesa, e acelerei os passos, ainda estava preocupado com Anabell e queria checar se ela já estava mais calma o quanto antes. As coisas apenas complicaram para mim quando vi Vince segurando Anabell contra sua vontade, ele segurava os pulsos dela com força, e ela gritava para ele à soltar. Imediatamente larguei o que eu segurava em minhas mãos, e corri para defende-la.
– Não ouviu? Ela falou pra você à soltar, agora, Vince. — Gritei furioso o puxando. Vince à soltou e se aproximou de mim.
– Então você virou herói agora, garoto esquisito? — Ele disse me empurrando contra uma parede. Enquanto eu tentava me recuperar da dor que senti ao bater as costas na parede, Vince se preparava para seu próximo golpe, antes que ele pudesse me socar, abaixei evitando que isso acontecesse, fazendo com que ele socasse a parede. Vince tinha o dobro da minha altura, e talvez o dobro do meu peso, era obvio quem iria perder aquele briga.
Desta vez, sem poder escapar, ele acertou seu soco em meu olho direito, o impacto do soco foi tão forte que fez com que eu caísse no chão. Mal pude me recuperar do soco, e ele me puxou pela gola da camisa, e continuou dando inúmeros socos no mesmo local.
– Solta ele agora, seu idiota. — Anabell gritava tentando impedi-lo de continuar com a agressão.
Sem dar ouvidos à ela, ele continuou, mas ao invés de socos, ele me chutava sem parar. Anabell o empurrou, fazendo com que ele parasse. Desta vez, quem não conseguia respirar era eu, Vince chutou com tanta força meu peito, que o ar dos meus pulmões parecia não querer mais sair. Eu sentia o gosto do sangue em minha boca, e pude senti-lo escorrer.
– SAI DAQUI AGORA. — Ela gritou furiosa puxando-o pela camisa.
– Se não o que princesinha, você vai lutar por ele? — Vince perguntou zombateiro enquanto eu gemia de dor no chão sem condições de dizer algo, ou fazer algo.
No mesmo instante Anabell o chutou em suas regiões intimas, fazendo com que ele gemesse ainda mais alto. Vince ajoelhou-se no chão com suas mãos entre as pernas, gritando a dor que sentia. Anabell se aproximou do meu corpo jogado no chão, e ajoelhou-se apoiando minha cabeça sobre suas coxas.
– Sou mesmo um inútil, não sirvo nem pra defende-la decentemente. — Murmurei em meio aos meus gemidos de dor.
– Não, você não é inútil. — Ela disse aproximando seu rosto do meu, o sangue do meu nariz escorria e sujava sua saia, mesmo assim, ela continuava a se aproximar, eu ainda conseguia sentir seu cheiro doce e suave apesar de meu nariz naquele momento estar praticamente preenchido por sangue. Meu olho direito estava inchado, portanto eu não conseguia enxergar direito com ele. Mas eu pude ver ela se aproximando cada vez mais até que.. ela me beijou, seus lábios naturalmente rosados encaixaram-se perfeitamente nos meus. Aquele beijo conseguiu amenizar instantaneamente a dor que eu sentia. Eu me senti, literalmente me outra galaxia, era como se naquele momento, só existisse eu e ela no planeta Terra, como se nossos lábios fossem feitos um para o outro, como se fogos de artifício estivessem brilhando para homenagear aquele momento mágico, onde pude sentir parte dela em mim.
– Porque.. porque você fez isso? — Perguntei depois do beijo, ainda com a cabeça apoiada em suas coxas. Eu estava completamente sem reação, e ainda pasmo com o que acabara de acontecer.
– Porque gosto de você. — Ela disse em meio a um belo sorriso. — Vamos, você precisa de alguns curativos, está sangrando muito.
Ela me ajudou a levantar do chão, e apoiou meu braço em seu ombro para que eu não caísse durante o caminho. Foi patético, precisei da ajuda dela para ir até uma sala de emergência que havia no parque, apoiado em seu ombro, ela se esforçava para carregar meu peso. Anabell me carregou até a pequena sala, onde havia uma enfermeira. Juntas, as duas me sentaram em uma cama. Eu me esforçava para não gemer a dor que eu sentia, e murmurava ruídos baixos.
– Deixa eu adivinhar, foi uma briga? — A enfermeira perguntou molhando uma gaze em aguá oxigenada. Apenas assenti com a cabeça enquanto ela limpava o sangue do meu rosto.
– Tentando defender a namorada? — Ela perguntou novamente.
– Bem.. — Tentei explicar, mas os gemidos de dor atrapalhava.
– Tá legal, você não precisa dizer nada. — Ela disse caminhando até uma pequena mesa onde haviam remédios e curativos.
Anabell aproximou-se com um curativo em suas mãos, ela levantou meu corpo, fazendo com que eu me sentasse e ficasse frente a ela, ela levantou minha cabeça, e colocou o curativo no local onde a enfermeira limpou o sangue.
– Desculpe. — Falei enquanto ela arrumava o curativo.
– Pelo que? — Ela perguntou confusa.
– Por ser inútil. — Falei decepcionado comigo mesmo.
– Você foi um cavalheiro, Eric. Um herói. Não é porque você perdeu a briga que você é inútil. O Vince sim é inútil. — Ela disse. Anabell beijou minha testa, e sorriu lindamente logo em seguida.
No fim do encontro, acabei com gaze no nariz, curativos no supercílio, roxo no olho, e alguns hematomas na região do abdômen, sem contar com a dor imensa que eu sentia. Apesar da dor, foi uma noite ótima. A cada pequeno segundo que eu ficava ao lado dela, eu sentia uma imensa vontade de ficar mais ainda, de ficar sentindo seu cheiro doce e suave, de encarar a cor perfeita de seus olhos, de admirar a beleza rara de seus cabelos, de conhece-la ainda mais.
– Boa noite, Eric. — Ela disse beijando-me na bochecha. Sebastian à aguardava no carro e ela esperava por minha resposta.
– Boa noite, Anabell. — Respondi.
– Cuida bem desses machucados, certo?
– Certo.. e obrigado por hoje. — Falei. Senti meu rosto ficando corado, o sangue correndo pelas minhas veias e meu coração acelerando.
– Obrigada você. — Ela disse, sorriu e virou-se de costas, dando passos lentos até o carro que a aguardava.
Me joguei na cama, e lembrava várias e várias vezes daquele beijo. Confesso que quando imaginei que isso fosse acontecer, não pensei que aconteceria comigo naquele estado, sangrando e gemendo de dor, mesmo assim, foi maravilhoso sentir os lábios dela no meu.
Antes de adormecer, lembro-me claramente que a última coisa que pensei, foi nela.
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