Notas iniciais
Adivinhem quem está de volta? Isso mesmo, euzinha e com um novo capítulo. Desculpem o atraso de duas semanas, estou muito ocupada com a escola (época de prova/entrega de trabalhos) e quase não tenho tempo pra escrever novos capítulos. Esse capítulo está um pouco grande por um motivo: era para ser dois capítulos separados mas depois resolvi juntar os dois em um só pra começar logo os mistérios HAHA. Boa leitura.

Duas semanas depois do encontro no parque de diversões, ainda dava para ver o roxo no meu olho direito, e o ferimento no meu supercílio estava apenas começando a se cicatrizar. Tia Luíza como sempre, se desesperou loucamente ao me ver daquele jeito no dia seguinte — ainda estou surpreso por ela não ter colocado a culpa em Anabell pelo que aconteceu — Tia Luíza gostava de Anabell, e gostava do jeito que ela fazia eu me sentir. Caroline também se preocupou ao me ver daquele jeito, não desesperadamente como Tia Luíza, mas se preocupou. Ela acabou descobrindo quem fez aquilo, afinal de contas Vince é o melhor amigo de Josh.

Elevamos nosso nível de amizade, mas era apenas amizade. As ligações entre eu e Anabell começaram a se tornar frequentes, trocávamos mensagens, e passávamos nosso tempo juntos no colégio. Depois daquele beijo nada mais rolou, claro que, eu não conseguia tirar aquilo da cabeça, mas ela parecia estar tão normal em relação ao que aconteceu, não tocava no assunto, agia normalmente. Não conseguia entende-la, não conseguia decifra-la, não sabia o que pensar, não sabia se eu tentava algo com ela ou se apenas deixava as coisas como estavam.

A lembrança daquele beijo no entanto, não ajudava muito, não foi lá uma grande coisa, quer dizer, nem ao menos um beijo de verdade foi, mas eu senti seus lábios no meu, e isso já basta. Eu praticamente imaginei como as coisa seriam depois daquele encontro no parque, dialoguei conversas entre nós dois, como se já houvesse um roteiro pronto para ser seguido, mas nada estava saindo como pensei que seria. A cada dia que passava ela mexia ainda mais com minha cabeça, como se ela tivesse posse exclusiva dos meus pensamentos, e ela, somente ela dominasse. O cabelo ruivo, os olhos cor-de-mel, o cheiro dela, a voz doce, o perfume suave, estava tudo preso em meus pensamentos. Eu tentava evitar não pensar muito nela, mas era uma missão impossível, cada passo, cada suspiro, cada piscar de olhos, tudo era motivo para eu pensar nela e um turbilhão de emoções parecia tomar conta de mim. Eu me sentia bem, e também em sentia mal, vazio, me sentia vivo, perdido, leve, ansioso, entusiasmado, e principalmente apaixonado. A bipolaridade emocional se tornou uma parte fixa de mim.

Eu, definitivamente estava decidido a colocar um ponto final na confusão de sentimentos que eu estava, eu precisava saber se o que tínhamos não passava de uma amizade. Não era uma coisa comum para mim, eu nunca tive uma amiga do sexo aposto antes, quer dizer, eu nem sequer tive amigos, portanto eu não sabia se aquilo era uma coisa normal, ou se eu estava completamente apaixonado por ela. Sentia que aquilo era uma coisa para eu resolver, e não queria a ajuda de ninguém, mesmo que eu fosse me decepcionar no final, eu precisava descobrir o que ela sentia por mim.

No começo da tarde de uma sexta-feira, fui busca-la em sua casa, sem avisos, foi completamente uma ação impulsiva e inesperada até mesmo para mim, eu simplesmente decidi que seria aquele dia e segui meus instintos. Quem atendeu a porta foi Sebastian, ele usava seu típico fraque, e pareceu ficar realmente surpreso ao me ver.

– Anabell está? — Perguntei tentando acha-la entre as brechas. Ele pareceu hesitar em me responder. Imaginei que tivesse chegado em uma má hora, mas depois de um tempo ele respondeu.

– Está sim, entre. Vou chama-la. — Ele respondeu permitindo minha entrada.

Sebastian me deixou na sala, enquanto caminhava procurando por ela. Dava para ouvir o miados de Shadow ecoando, tentei acha-lo seguindo o som que ele deixava, mas com a quantidade de móveis que haviam naquela imensa sala, era uma tarefa impossível. Desisti de encontra-lo e passei a admirar a decoração um tanto vintage daquele cômodo, Anabell era de fato uma pessoa clássica. Creio que ela desejava ter nascido em outro século.

Minutos depois Sebastian voltou para sala acompanhado de Anabell, que usava um avental e luvas de jardinagem e consigo carregava um cesta preenchida por flores. Em seu cabelo uma trança frouxa, e sua franja escondia parte de seus belos olhos. Ela sorriu discretamente ao me ver, e aproximou-se após entregar a cesta para Sebastian.

– Está muito ocupada? — Perguntei esperando por um "não".

– Não, só estava dando espaço para novas rosas. — Ela respondeu.

– Perfeito. E você me acompanharia para um passeio? — Falei sentindo minhas bochechas queimarem e meu coração se acelerar, como sempre me sinto quando ela está por perto.

– E para onde seria esse passeio? — Ela perguntou enquanto tirava as luvas.

– Surpresa. — Exclamei.

– Certo. Vou me trocar e voltou num instante. — Ela falou dando as costas e subindo as escadarias como uma dama. Sebastian observava tudo segurando a cesta entregue. Ele aproximou-se de forma estranha, e curvou-se de forma que pudesse igualar seu olhar ao meu, perguntando:

– Pretende leva-la por conta própria, ou irá precisar de meus dons como mordomo e motorista para chegar ao tal lugar?

– Na verdade, pretendo leva-la por conta própria. — Respondi.

Sebastian ora era amigável e gentil, noutra misterioso e estranho. Talvez faça parte de um mordomo ter tal personalidade, mas algo em mim dizia, que algo ele escondia. Sebastian virou-se costas, e retirou-se da sala ainda com a cesta que Anabell lhe entregou, deixando-me sozinho naquela extensa sala.

Anabell desceu as escadas alguns minutos depois, embora esperasse vê-la com algo florido — que imagino eu ser um item que não falta em seu vestuário — ela usava um jeans de cor clara, uma camisa com colarinho na cor rosa pastel, em seus pés um all star branco que parecia ter sido recém-comprado, seu longo cabelo ruivo estava levemente ondulado nas pontas, e sua franja cobria parte de seus olhos da cor do mais puro mel.

Suspirei ao vê-la, foi inevitável, incontrolável. Ela me deixava sem reação. Anabell aproximou-se de mim, e eu pude novamente sentir o cheiro de seu perfume doce e suave. Ela sorriu. Das inúmeras vezes que a vi sorrir, das incontáveis vezes que guardei seu sorriso em minhas lembranças, aquele eu nunca tinha visto, era inédito, era o mais belo de todos, não haveriam palavras suficientes para descrever o quão belo o sorriso dela era, o quão belo era seu cabelo, seus olhos, o quão bela era ela. Ficar perto dela me deixava tonto, e só assim eu pude ter a absoluta certeza de que eu estava completamente apaixonado por ela.

–-x--

Anabell fixava seu olhar na janela do ônibus, não sei ao certo se ela estava observando a paisagem em movimento ou se ela pensava em algo, mas estava radiantemente linda. Tudo que eu conseguia fazer era fitá-la, e aquele meu sorriso bobo estampava meu resto pálido sem mais nem menos, era natural, eu simplesmente sorria enquanto à olhava.

– O que foi? — Ela perguntou me flagrando admirando-a.

– Nada, é só que.. você é linda. — Confessei. Acho que não foi preciso minha confissão pra ela se dar conta de como era linda. Ela sorriu simples enquanto me olhava nos olhos, como se quisesse me dizer algo.

Segurei sua mão e tomei a frente guiando-a, ela apenas se deixava levar por mim. Estávamos no centro da cidade, a parte que descobri existir recentemente, a parte completamente aposta da que eu estava acostumado, era movimentada, haviam pessoas se esbarrando, cantores de rua, carros blindados, e é claro, a parte turística da cidade, dentre todas essa coisas, havia uma Academia de Dança Clássica, e era a minha surpresa. Anabell praticava balé, e por algum motivo do qual eu não sei, ela parou.

– Não acredito. — Ela falou boquiaberta. — Essa é sua surpresa? — Perguntou.

– É. Eu sei que é um pouco besta, mas achei que fosse gostar de voltar a praticar, você sempre falou tão bem do balé e da época que praticava.

– Não foi uma ideia besta, é só que eu não sei se ainda sei fazer isso, já faz sete anos desde que parei. — Falou um tanto decepcionada enquanto admirava a bailarina de um cartaz.

– Pelo menos tenta, tenho certeza de que ainda há talento em você. — Falei tentando convence-la.

De olhos fechados, ela respirou fundo e deu o primeiro passo entrando na Academia. Ela pareceu ter ficado admirada com o interior daquele imenso salão. Imediatamente, uma moça de aparentemente trinta e poucos anos se aproximou, ela usava collant, meia-calça e é claro, as clássicas sapatilhas. Seu cabelo estava preso em um coque alto e apertado, sem rastros de mechas soltas.

– Posso ajuda-los? — Ela perguntou gentilmente. Tinha um sotaque meio britânico.

– Sim, na verdade ela pretende matricular-se nas aulas e..

– Ótimo. Uma garota era tudo que precisávamos. Joseph está sem uma parceira e você é perfeita para ele. — A moça disse rondando Anabell. — Ah, desculpe, não me apresentei. Sou Angelique Blanc, professora da classe 2A, dou aulas para adolescentes de quinze á vinte anos. — Ela estendeu sua mão, cumprimentando-nos formalmente.

– Eu não tenho certeza se vou me matricular pra valer, me desculpe.. — Anabell falou.

– Mas porque meu doce? Você tem o tipo físico de uma bailarina, é tão delicada e pequena. Você é perfeita. — Angelique falou segurando as mãos de Anabell. — Faremos o seguinte então, você pratica a primeira aula sem compromisso algum com a nossa Academia, depois cabe a você escolher se quer ou não continuar, pode ser? — Ela sugeriu. Anabell assentiu com a cabeça e Angelique levou-a para conhecer o seus parceiros de dança.

Angelique nos levou até uma sala de dança espelhada, onde cerca de trinta alunos esperavam por ela, todos usando seus devidos uniformes. Entre eles haviam alguns garotos, mais do que eu esperava para ser sincero. Angelique apresentou cada um deles devidamente, mas em especial um garoto de cabelos claros e olhos negros, de pele pálida e sem nenhum tipo de imperfeição.

– ... E este é o Joseph de quem te falei, meu doce. Uma de nossas estratégias é desenvolver a dança em casal, estimulando a química e a intensidade dos passos. Caso se matricule pra valer, Joseph será seu parceiro. — Angelique explicou.

– É um prazer conhece-la, Anabell. — Joseph falou inclinando-se e beijando a mão de Anabell.

– O prazer é todo meu, Joseph. — Ela respondeu gentilmente.

Angelique levou-a até o vestuário, me deixando em um banco para visitas. Era inevitável, eu estava encarando Joseph, aquele jeito dele estava me incomodando, como se houvesse algo de suspeito nele. Eu sabia que era ciúmes, e não tenho dificuldade nenhuma em assumir isso. Tudo que eu queria era que ele sumisse daquela Academia, da cidade e talvez do mundo. Eu sei que não tenho direito de sentir esse tipo de coisa, mas sinto.

Anabell voltou a sala vestindo collant, meia-calça, tutu e sapatilhas, seu cabelo ruivo estava preso de forma semelhante ao de Angelique, porém com algumas mechas soltas. Joseph imediatamente se aproximou das duas, e novamente inclinou-se e voltou a beijar a mão de Anabell, dizendo:

– Você está adorável. Espero que fiquei pra valer.

– Obrigada, Joseph. — Ela respondeu gentilmente com um belo sorriso estampado no rosto.

– Agora que esta pronta, mostre o que você sabe. — Angelique desafiou afável. Anabell deu pequenos passos até o centro da sala enquanto os outros alunos lhe deram espaço. Com uma de suas mão apoiadas em uma barra, Anabell ora flexionava seu joelho, noutra fazia passos delicados dos quais eu não saberia descrever. Ela estava linda, e parecia estar concentrada no que estava fazendo, sem dar atenção a quem à assistia, era como se naquele momento só houvesse ela e seus passos flexíveis.

Angelique, e os outros alunos aplaudiram Anabell depois da demonstração de seu talento. Ela resolveu matricular-se na Academia e resolvia os detalhes com Angelique. Joseph não tirava os olhos dela, à encarava como quem à desejava.

–-x--

A noite caiu rapidamente, as estrelas preenchia o infinito céu pintado do mais escuro azul. Sentávamos em um banco de praça velho e enferrujado. O vento gélido congelava nossos rostos, o vapor condensado escapava de nossas bocas, o rosto dela estava rosado — acredito eu que seja por causa do frio — ofereci à ela o casaco que eu usava, e ainda assim ela abraçava seu corpo tentando amenizar o frio que sentia. O vento fazia com que as folhas secas das árvores caíssem, formando um cenário perfeito. Ela estava quieta, concentrando-se em se aquecer. Aquela praça estava deserta, eramos apenas eu, ela e as estrelas.

– É bom. — Ela falou olhando-me, quebrando o silêncio.

– O que? — Perguntei confuso.

– O cheiro do seu casaco. — Ela respondeu rapidamente. Ainda me olhava esperando por uma resposta à sua observação, mas tudo que consegui fazer foi admira-la. Ela deslizou alguns centímetros aproximando seu corpo do meu, e discretamente deitou sua cabeça sobre meu ombro. O cheiro de seu cabelo era familiar, por alguns míseros segundos meu cérebro se concentrou em descobrir de onde eu conhecia aquele cheiro.

– Você está quente. — Ela comentou. — Não está com frio? — Ela perguntou afastando-se, igualou seu olhar ao meu e esperava por uma resposta.

– Não. Na verdade meu corpo esta fervendo, estou sentindo o sangue correr em minhas veias, estou nervoso, e a única certeza de que tenho e de que isso tem a ver com você. Você me deixa assim, e eu não consigo controlar. — Confessei. Ela ouvia atenta o que eu tinha a dizer com sua feições séria. — Desde que você apareceu as coisas mudaram, você me deu outro par de olhos e consigo enxergar a vida de outra forma, mas isso só acontece quando você está do meu lado, e Anabell, desde aquele beijo as coisas só aumentaram, eu penso em você o tempo todo, como se só existisse você pra pensar. Desculpa se isso te assusta, mas é o que eu sinto e não sei se posso esconder isso de você por mais tempo. — Falei de uma vez por todas.

Me senti aliviado, como se um estivesse carregando um enorme fardo, e este tivesse se desfeito me libertando de seu peso. O nervosismo porém não ajudava, ela permaneceu séria por um tempo, ainda me encarando. Eu estava com medo do que iria acontecer a partir dessa confissão. Senti minhas pernas formigando. O que levou apenas uma fração de segundos, pareceu ter sido uma eternidade. Vi lentamente seus lábios se movimentando, seus olhos piscando, e ela finalmente disse:

– Isso quer dizer que.. — Ela não terminou a frase.

– Que eu gosto de você. — Falei de vez. Suspirei aliviado.

Ela aproximou seu corpo novamente, posicionou seu rosto perto do meu de forma que eu pudesse sentir sua respiração. Ficou assim por um tempo, até que ela tornou próximo seus lábios do meu. Eles se tocavam suavemente. Os batimentos cardíacos do meu coração pareciam se acelerar cada vez mais e mais, eu sentia como se ela pudesse ouvi-lo palpitando. Finalmente, nossos lábios se uniram, desta vez com mais intensidade. De forma reflexiva, coloquei minha mão em sua cintura. Com uma de suas mãos ela brincava com meu cabelo, enquanto a outra apoiava-se em meu ombro. Senti uma imensa vontade de apeta-la contra meu tórax e envolve-la em meus braços para nunca mais solta-la. Queria congelar aquele momento e ficar para sempre nele. Nunca me senti tão bem.

– O que isso significou? — Perguntei.

– O que acha que significa? — Ela retomou.

– Que estamos juntos a partir daqui? — Arqueei a sobrancelha confuso. Ela riu com a pergunta.

– Acho que sim. — Respondeu. — Você quer estar junto?

– Depois do discurso revelador de alguns minutos atrás, eu esperava que você já soubesse a resposta. — Falei rindo discretamente. — Então estamos juntos a partir de agora, deste momento? — Perguntei novamente. — Como namorado e namorada?

– Sim, estamos. — Ela respondeu.

Notas finais
Eu queria que o balé voltasse a fazer parte da vida de Anabell antes dos próximos acontecimentos e que, é claro, o namoro finalmente começasse, portando eu juntei os dois nesse mesmo capítulo porque a partir do próximo os mistérios finalmente irão aparecer. Espero que tenham gostado. xoxo, YC.