Notas iniciais
Olá, como vai vocês? Hoje, trago ótimas notícias. Finalmente estou de férias, e pra comemorar, venho aqui postar um capítulo novo pra vocês. E já que estou de férias, posso postar e escrever com mais frequência. Estou um tanto adiantada quanto aos capítulos, portanto, talvez eu venha postar uma ou duas vezes por semana, senão mais vezes.

Capítulo Narrado pela Terceira Pessoa.

Aquela noite tinha tudo para ser perfeita, as estrelas brilhavam ao lado da lua, e assistiam do céu negro a felicidade de Anabell. A garota realizaria um sonho de criança e interpretaria a personagem principal Odette na peça O Lago dos Cisnes.

O casal estava a alguns passos da Academia de Dança, com apenas uma avenida à caminho para atravessar. Do outro lado da rua podia-se enxergar os cartazes divulgando a peça, e as luzes iluminando a entrada.

Anabell entregou nas mãos de Eric seu celular, e agachou-se para amarrar a fita de sua sapatilha. No mesmo instante, o menino sentiu o celular vibrar, e por reflexo abriu a mensagem que havia chegado. Seu coração não pode aguentar, era o ciume falando mais alto que todas as suas outras emoções. Joseph Edwards, o garoto que declarou guerra contra Eric, estava no remetente da mensagem que dizia:

– "O ensaio de ontem foi ótimo. Estou louco para te ver de novo"

Anabell levantou-se, e enciumado com o que leu, Eric jogou de volta o celular nas mãos da garota.

– Olha só quem está louco pra te ver. — Ele gritou. Mesmo de costas para a avenida, ele continuava dando passos, sem dar o mínimo de atenção para os carro que vinham à sua direção..

Reclamava enciumado com Anabell, e ela, sem entender o que estava acontecendo. Ela viu o perigo que ele corria agindo daquela forma, e avistou de longe um carro em alta velocidade. Desesperada, ela gritou para que ele pudesse se salvar a tempo, mas era tarde de mais. O carro lhe atingiu.

Ela viu de perto o corpo de Eric estirado no chão. Desmaiado e com ferimentos graves. Em seu rosto, alguns cacos de vidros perfuraram sua pele, o corte no supercílio que ganhou meses antes, se reabriu, e em sua cabeça, um corte profundo. O chão coloria-se do sangue vermelho de Eric. O para-brisas do carro estava completamente destruído. Uma multidão de pessoas se formou ao redor do corpo inconsciente e ferido de Eric. Anabell ligava desesperadamente para uma ambulância. Com o celular colado em sua orelha, olhou para o motorista responsável, e o mesmo, sorriu debochado, e em instantes, sumiu daquela imensidão de gente.

–-x--

O corpo de Eric foi levado para um hospital com urgência, e rapidamente, os médios trataram de fazer curativos nos cortes causados pelos cacos de vidros. Ele, porém, não acordava. Sua cabeça se chocou tão fortemente contra o chão, que lhe causou um coma.

Sentada em uma cadeira ao lado da cama hospitalar, Anabell observava o rosto coberto por curativos de Eric, e em silêncio, ouvia os aparelhos trabalhar pela saúde dele. Segurando a mão fria dele, ela torcia para que ele acordasse logo. Anabell viu a maçaneta se mexer, e sabia que havia alguém do outro lado da porta.

– Vim assim que recebi sua ligação, querida. — Luíza entrou desesperada. — Como ele está? — Perguntou se aproximando do corpo coberto por cateteres e tubos.

– A enfermeira disse que a recuperação dele pode ser longa, já que ele teve um corte profundo na cabeça. — Anabell respondeu tristonha.

Luíza respirou fundo, tentando se acalmar. Se sentia culpada pelo que aconteceu, era responsável pela vida do sobrinho desde que sua irmã o deixou. Agachou-se ao lado de Anabell, e lhe perguntou o que aconteceu.

– Ele ficou nervoso com uma mensagem que recebi, e atravessou a rua. Não viu que vinha um carro em alta velocidade e.. foi atingido.

– E o motorista?

– O motorista? — Repetiu tremula. Seu rosto já branco, ficou ainda mais pálido.

– Sim, o motorista, querida. Ele está por aqui?

– Bem, o motorista, ele.. — Anabell disse focada na sombra que as observava pela janela. Era o mesmo rapaz de antes, o motorista. Era um rapaz alto, tinha cabelos castanhos e um tanto encaracolados, barba mal-feita, olhos claros e a pele pálida. Ela mais do que ninguém, sabia quem ele era.

– Você está bem querida? Quem está procurando? — Luíza perguntou olhando para a mesma direção que Anabell, mas não encontrou nada.

– Estou sim. O motorista abandonou o carro e fugiu.. — Falou ainda concentrada na janela.

– Que desgraçado. Aposto que ficou com medo de se encrencar pelo atropelamento. Mas não se preocupe querida, o que é dele está guardado. Agora, vá descansar um pouco, esteve aqui a noite toda. Pode deixar que eu fico com ele aqui, se ele vier a acordar, prometo te ligar, tudo bem? — Luíza sugeriu.

– Tudo bem. — Ela falou levantando-se da cadeira.

Acelerou os passou para que pudesse alcançar o rapaz que observava perante a janela. Não encontrou nada além de médicos, enfermeiras, pacientes feridos e até mesmo mortos.

–-x--

Uma semana se passou após o acidente, e Eric continuava em coma. Luíza, Caroline e Anabell revisavam as noites que passavam ao lado dele, esperando para que seus olhos se abrissem novamente.

Naquela manhã, Anabell perambulava de um lado para o outro, quando viu a mão esquerda de Eric se mover. Correu para ver de perto, mas ele havia parado.

Deitou sua cabeça no peito de Eric, e sem mais aguentar, deixou que as lágrimas que imploravam para sair serem vistas.

– Eric, por favor, acorda. — Falava. — Acorda logo, não posso te perder de novo. — Dizia em meio as lágrimas. Sua voz estava abafada, mas foi o suficiente para Eric ouvir.

– E quando foi que você perdeu? — Ele respondeu com a voz falhada e fraca.

– Eric? Eric? Você acordou. Não acredito. — Falou levantando sua cabeça. Viu que ele realmente estava acordado, e não pode ficar mais feliz. — Finalmente você acordou, está se sentindo bem? — Perguntou.

– Eu poderia estar melhor. E como assim finalmente? Por quanto tempo estive desacordado? — Eric perguntou confuso, se esforçando para colocar seu corpo fraco sentado na cama.

– Uma semana. — Ela respondeu o ajudando.

– Uma semana? Pra mim aquilo aconteceu ontem. Lembro claramente de ter ouvido sua voz me alertando sobre o carro, como se tivesse acabado de acontecer..

– Pode até ter sido rápido pra você, mas para mim, Luíza e Caroline foi uma eternidade. Sabia que você poderia ter morrido?

– Mas não morri. Mas não quero falar sobre isso, como foi a peça? — Perguntou ele com dificuldade.

– A peça? Eric, você sofreu o acidente no dia da peça. Eu fiquei com você no hospital a noite toda, não interpretei a Odette.

– Porque fez isso? Abriu mão de seu sonho por mim?

– Porque me preocupo. E era um sonho bobo de criança, pode vir a acontecer de novo outras vezes..

– O que foi que eu fiz pra te merecer, hein? — Ele sorriu. Ela

o beijou na testa.

– Vou buscar algo para você comer, volto em um instante. — Ela falou próxima a porta.

Aquele seu sorriso alinhado voltou a bordar o rosto dela. Desceu as escadarias correndo, foi até uma lanchonete que havia frente ao hospital, e lá comprou o maior lanche que avistou. Deduziu que Eric estaria faminto, e que a comida do hospital não iria satisfaze-lo.

Quando voltou ao quarto, Eric havia adormecido novamente. Ainda cansado e fraco, não aguentou espera-la voltar. Ela balançou a cabeça negativamente, ainda com um sorriso no rosto. O cobriu novamente, e colocou o lanche que comprou na mesa ao lado da cama. Virou-se para porta, e se assustou com quem viu.

– O que faz aqui? — Perguntou assustada.

– É assim que me recebe depois de tanto tempo, Anabell? — O homem perguntou aproximando-se dela.

– Todo desprezo do mundo ainda é pouco para você, saia daqui ou vou gritar. — Ela ameaçou.

– Mas porque, Anabell? Eu te ajudei tanto, lembra? — Falou irônico.

– Você, foi você quem atropelou o Eric. Porque está fazendo isso, já não teve o que queria?

– Sim, eu consegui o que queria. Mas você está me contrariando, e não vou deixar que isso aconteça. Ah, não se preocupe meu bem, só quero assistir as desgraças de sua vida mais de perto. Não é fácil assistir de longe.

– Então é você quem anda invadido minha casa de madrugada? — Perguntou desconfiada.

– Exatamente. Oh, Anabell, não fique brava, eu estava com saudades, e toda vez que eu me aproximava para dizer um Oi, você gritava, assim como pretende fazer agora.

– E com razão. Fique longe de mim. — Ela afastava-se.

Com a discussão, Eric que ainda não havia dormido por completo conseguia ouvir com dificuldade a conversa. Tentava enxergar o homem com quem Anabell conversava, mas sua visão estava turva, e tudo que ele enxergava era um grande borrão.

– Anabell, quem esta aí com você? — Perguntou tentando levantar-se da cama.

– Eric? Está acordado? — Ela perguntou virando seu corpo em direção á cama.

– Quem esta aí com você? — Tornou a perguntar.

– Ninguém. — Ela respondeu.

– Vou estar sempre observando seus passos, assistindo de perto as tragédias que a vida planeja para você. Te vejo por aí, minha doce e adorável, Anabell. — O homem disse saindo pela porta.

Antes que pudesse fechar-la, Victória apareceu, e consigo carregava flores e balões.

– Anabell, vamos ter um trégua pelo menos hoje. Quero vê-lo. — Victória disse entrando pela porta.

– Tudo bem. — Anabell respondeu saindo pela porta.

– Anabell, espere. — Eric gritou, mas ela já havia saído.

Victória aproximou-se de Eric, colocou as flores na mesa, e amarrou os balões na cabeceira da cama. Sentou na cadeira, e sorriu ao vê-lo acordado.

– Está se sentindo melhor? — Perguntou.

– Estou sim, um pouco fraco e cansado, mas estou. Victória, você viu quem era o homem que saiu pela porta agora pouco? — Ele perguntou curioso.

– Não consegui ver o rosto dele, ele saiu tão depressa. Você viu que Anabell saiu correndo atrás dele? — Ela provocou.

– Não começa, Victória. Não foi você quem acabou de pedir à ela trégua? Acho que aquele homem não faz muito bem à ela...

–-xx--

Do lado de fora do quarto, ela procurava pelo homem, mas ele foi mais rápido, e como fez das outras vezes, sumiu antes que ela pudesse alcança-la. Distraída, acabou esbarrando em um homem alto e de cabelos negros. Olhou para cima para que pudesse enxergar o rosto do homem, mas não era quem ela procurava, e sim Sebastian.

– Sebastian, ele voltou a me procurar. — Ela disse desesperada.

– E o que queria desta vez? — Sebastian perguntou nervoso.

– Foi ele quem atropelou o Eric. Estou com medo, Sebastian. Não sei o que ele é capaz de fazer. — Falou abraçando seu fiel e companheiro mordomo.

Notas finais
Preparem-se, porque agora os verdadeiros mistérios e tragédias vão começar. Espero que tenham gostado do capítulo. Até breve. xoxo, YC