Notas iniciais
Olá, como vai vocês? Espero que bem. O capítulo de hoje é um pouco triste :( É uma escolha exclusivamente de vocês lerem a parte indicada com a música. Boa leitura à todos.

Uma semana e dois dias depois do acidente, finalmente recebi alta. Porém, devido ao coma, acabei enfraquecendo, e emagrecendo também, o que fez com que Tia Luíza redobrasse sua atenção sobre mim, e sentisse a extrema necessidade de me alimentar constantemente. Passou a monitorar meus horários, e me ligar com bastante frequência. Resumindo, ela voltou a ser aquela tia que costumava ser quando meus pais morreram.

Anabell continuou indo para as aulas de balé, e Tia Luíza me proibiu de acompanha-la para que assim eu pudesse ter uma recuperação mais adequada. E voltamos a estaca zero, Anabell saia do colégio e ia direto para a Academia de Dança, e eu voltava a ficar sozinho no meu quarto.

Caroline andava triste pelos cantos da casa, reclamava que Josh estava passando muito tempo com os amigos, e a deixava de lado. Era evidente, ela estava perdidamente apaixonada por ele, e tinha medo de reclamar, e tudo acabar. Eu a entendia, ela fazia de tudo para que seu relacionamento desse certo, e estava disposta a aguentar qualquer coisa para manter. E era exatamente assim que eu me sentia em relação à Anabell, ela me escondia várias coisas, como o acidente do qual Alice comentou, ou quem era o misterioso homem com quem ela conversava no quarto do hospital. Por mais que eu desejasse saber o que tinha por trás dessas coisas, eu evitava falar sobre isso com ela, pois sabia que não iria terminar bem.

Após o aparecimento daquele homem no hospital, Anabell mudou, ficou assustada, sismou que estava sendo observada, desconfiava de todos. Tentei algumas vezes perguntar o que estava acontecendo, mas ela não respondia, mudava de assunto, ou negava sua mudança repentina e o aparecimento do homem no quarto. Mas eu sabia que ela estava escondendo algo.

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Parecia que tudo mudou completamente depois do acidente, como se estivéssemos em um universo paralelo. Anabell que sempre transmitia a sensação de paz e harmonia, andava por aí como se estivesse sendo caçada. E Caroline, que era feliz com seu relacionamento com Josh, se entristecia cada vez mais com o distanciamento dos dois. Fazia de tudo para que as coisas voltassem ao normal, mas era tratada com frieza.

– .. Car, sei que eu não deveria me meter, mas não seria melhor se vocês terminassem? Não é justo ele te tratar desse jeito. — Comentei.

– Também não acho justo, principalmente depois de tudo que passamos, depois de tanto tempo juntos. Mas eu o amo demais para deixa-lo assim tão facilmente. Sei que ele vai voltar a ser o Josh de antes. — Ela respondeu esperançosa. — Hoje tudo vai voltar a ser como antes, Eric. — Disse confiante. E aquele sorriso que eu adorava ver bordou o rosto dela novamente. Automaticamente um sorriso se fez presente no meu rosto também. Era bom ver pelo menos alguém bem em meio a essa confusão toda que virou nossas vidas tão de repente.

– O que pretende fazer? — Perguntei.

– Conversei com os meninos do time, e ele disseram que hoje não tem treino, portanto, pelo menos hoje, Josh está livre. Então, vou preparar um surpresa A La Caroline, e o resto meu querido primo, não queria saber. — Ela sorriu maliciosa.

– Se Tia Luíza souber disso ela te mata, sabe disso.

– É aí que você entra. Ela não permite mais que você vá até a casa de Anabell, mas permite e com prazer que ela nos visite, certo? Que tal se ela nos fizer uma vista hoje a noite? Vocês podem distrai-la, quando Anabell está por perto, ela nem nota que o tempo passa.

– Nem ela e nem ninguém. Anabell é tão mágica que pode congelar o tempo. — Falei rindo.

– Ouvi alguém citar meu nome? — Escutei a voz dela atravessando meus ouvidos. Virei à sua direção, e lá estava ela. A Anabell de antes. Com seu longo cabelo preso, sua franja cheia, suas sardas discretas, os olhos brilhando, e um sorriso no rosto.

– Parece que alguém acordou feliz hoje. — Comentei.

– Acordei mais que feliz hoje. Finalmente tive um ótima noite de sono, Sebastian preparou uma torta ótima, e pra completar, fez aquele chá que eu adoro. — Ela falou sorridente.

– Perfeito. Já que está de bom humor hoje, o que acha de me ajudar com um plano? — Caroline perguntou.

– Plano? — Ela repetiu confusa.

– Exatamente. Você deve ter percebido que não estou em uma das melhores fases com Josh, certo? Mas não passa de hoje, tudo vai voltar a ser como era antes.

– Tudo bem, se for por uma boa causa eu ajudou com o plano.

Finalmente o sol voltou a brilhar, e as coisas estavam ficando bem novamente.

Victória havia parado de atormentar Anabell com suas provocações, mas não deixava de me encarar em meio uma aula e outra. Uma época de prova se aproximava, e a atenção de todos, especialmente a minha deveria ser redobrada.

Aproveitando a situação, Anabell e eu estudaríamos para as provas ao anoitecer, enquanto Caroline concluía a surpresa dela para Josh.

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Narrado pela Terceira Pessoa. [apertem play aqui]

Apesar dos últimos acontecimentos que acabaram abalando todos, aos poucos, todos foram voltando a suas rotinas. Eric se recuperava do acidente seguindo as recomendações do médico. Anabell, apesar de ter ficado assustada com a visita do homem misterioso, acabou superando. E Caroline, apesar de estar enfrentando uma fase ruim em seu relacionamento, planejava algo que ela mesma jurava que iria funcionar, e que o Josh que ela tanto amava, iria voltar a ama-la com a mesma intensidade.

Anabell arrumava uma mochila com cadernos e livros para estudar, Sebastian limpava a cozinha, e Shadow miava por comida.

– Aqui está, não precisa ser tão manhoso. — Anabell falou enquanto despejava ração para seu gato. Acariciou seus pelos macios, e voltou a arrumar os livros que precisaria.

– Tem certeza de que está melhor? E se encontra-lo por aí novamente? — Sebastian perguntou.

– Uma hora ou outra ele vai voltar a me procurar. Sabemos o que ele quer, Sebastian. Mas não vou dar esse prazer a ele. — Ela disse colocando o último livro na mochila, e a fechando.

– Mesmo assim, tome cuidado. A senhorita fica um tanto alterada com a presença dele. — Sebastian comentou.

– Vou ter. Prometo. — Ela disse.

Seu mordomo à levou até a porta, e a deixou ir à céu aberto. Contando apenas com a iluminação dos postes, estrelas, e a lua.

–-x--

Caroline enchia sua mochila com tudo que julgou precisar. Ouviu a campainha tocar, e sabia que estava na hora. Antes de descer as escadas, borrifou perfume em seu pescoço, e só assim desceu escondendo a mochila que carregava atrás de seu corpo.

Enquanto Luíza recebia Anabell na cozinha, Caroline saiu discretamente pela porta. Entrou no táxi que à esperava no portão, e deu as coordenadas ao taxista. Tirou os bobes que faziam leves cachos em seu cabelo loiro, e os jogou na mochila. Seu rosto estava pintado, e por debaixo do sobretudo preto, ela usava um lindo e sensual vestido preto.

Estava ansiosa. Em sua cabeça imaginava a cena. Para ela, tinha tudo para dar certo, para ser perfeito. Preocupada em ele chegar antes, pediu pra o taxista acelerar. E em menos de dez minutos, ela chegou ao seu destino.

Abriu a porta com a cópia da chave que tinha. Procurou fazer silêncio. Todas as luzes estavam apagadas, mas ela conhecia cada centímetro daquela casa. Caminhou sem tropeçar em um objeto sequer, e enquanto fazia isso, espalhava pétalas de rosas por onde trilhava. Subiu as escadas, e notou que as luzes do quarto de Josh estavam acesas.

– Ué, ele está em casa? Achei que ele fosse chegar mais tarde. — Cochichou para si.

Ela caminhou com passos suaves até o quarto, e por entre as brechas da porta, pode ver seu homem com outra na cama. Não acreditou no que seus olhos acabaram de ver. As lágrimas se formavam, e sem esforço algum, escorriam pelo rosto tão cuidado dela. A maquiagem que ela teve tanto trabalho para fazer, se borrava. O rímel escorria junto das lágrimas.

No impulso, Caroline empurrou a porta à abrindo por inteiro. Foi o bastante para os dois na cama se assustarem com sua chegada.

– Caroline? O que faz aqui? — Josh perguntou sem jeito.

– O que eu faço aqui? O que essa vadia faz aqui? — Caroline gritou furiosa.

– Eu posso explicar. Calma, não é o que você está pensando. — Ele falou levantando-se da cama.

– Não é o que estou pensado, é o que eu vi. — Ela gritou dando-lhe um tapa no rosto. Viu as marcas de seus dedos se formarem no rosto dele, mas para ela, aquilo não bastava.

– E você, Victória, achei que fosse melhor. Mas parece que você só se contenta com resto. Você é mesmo uma mal amada. Quer saber, vocês dois se merecem. — Ela disse secando suas lágrimas. O que fez com que sua maquiagem só se borrasse ainda mais.

– Espera, Car. Eu posso explicar, não vai. — Josh gritou à segurando pelo braço, tentando impedi-la de sair.

– Não me chama assim. Não precisa explicar, eu sei muito bem o que aconteceu aí. — Ela o respondeu soltando seu braço.

Magoada, ela desceu as escadas correndo. Não conseguiu controlar a vontade que sentia de chorar litros de lágrimas. Estava completamente sem rumo, não sabia o que fazer, ou como reagir. E antes que alguém pudesse vê-la naquele estado, se jogou frente à um táxi. Viu Josh na porta procurando por ela, e antes que ele pudesse vê-la, pediu para que o taxista saísse dali depressa.

– Para onde a senhorita quer ir? — Perguntou.

– Pra longe daqui. Bem longe daqui. — Ela gritou.

Encostou a cabeça no vidro do carro, e chorou todas as lágrimas que tinha. O motorista sem rumo, apenas seguia as ordens de Caroline. Observava a menina chorar pelo retrovisor, e sem medo, perguntou o que aconteceu.

– Sei que não é da minha conta, senhorita. Mas o que aconteceu? — Se atreveu a perguntar.

– Fui traída. — Ela respondeu seca. — E dói, dói muito. — Continuou.

– Sei bem o que é isso. Minha esposa, quer dizer, ex-esposa, tinha um caso com o porteiro do prédio, e isso durou quase dois anos. Todos do condômino sabiam do caso, me xingavam de corno pelas costas, mas não teve uma alma sequer disposta a me alertar sobre a traição. Dói, e dói mesmo, senhorita. Mas vai passar. Você ainda é jovem, bonita, vai encontrar alguém que te ame de verdade. — O taxista falou.

Caroline secou as lágrimas, e agradeceu pelas palavras tranquilizantes do taxista. Com a cabeça mais fria, pediu para que ele à levasse de volta para sua casa. Encostou a cabeça na janela, e observava o movimento dos carros em velocidade, a maioria na direção oposta à que o taxista dirigia.

Não demorou muito até que ele finalmente chagasse à sua casa. Caroline desceu do táxi, e tirou de sua mochila o dinheiro que achou ter sido o preço da viajem. Esticou a mão e entregou o dinheiro ao taxista.

– Não precisa pagar, senhorita. Eu insisto. Vá para casa, tome um banho, um chá, sorvete, escute sua música favorita no volume máximo, e esqueça o idiota que te deixou desse jeito. — O taxista falou recusando o dinheiro.

– Obrigada. — Ela disse sorrindo. — Se o mundo tivesse mais pessoas como você, tudo seria melhor.

Ainda magoada com o que aconteceu, caminhou até a porta, e de longe, viu o taxista dirigir para longe. Tocou a campainha, e foi atendida por Eric.

– Caroline, o que aconteceu? — Ele perguntou. Caroline ignorou a pergunta, e entrou sem dizer uma palavra. Parecia um zumbi.

A menina se jogou no sofá ao lado de Anabell, e as lágrimas que ela pensou terem terminado, voltaram a escorrer sobre seu rosto.

– O que aconteceu? — Eric persistia.

– Ele.. ele estava me traindo.. — Ela finalmente disse. — Esse tempo todo, ele estava me traindo com aquela sem classe... — Ela dizia em meio a soluços.

Deitou sua cabeça no ombro de Eric, e chorou as lágrimas que ela escondeu durante anos.

Notas finais
Eu avisei que a Victória seria responsável pelo fim de um relacionamento :( Enfim, espero que tenham gostado do capítulo e até a próxima. xoxo, YC