Fragmentos de Lembranças

15 Lar doce Paris, parte III - O Casamento


Notas iniciais
Como eu havia dito, cá estou eu com a terceira e última parte do capítulo em Paris o/ Peço-lhes antecipadamente minhas humildes desculpas caso encontrem algum erro ortográfico. Boa leitura à todos.

Senti o sol incomodo atravessar as persianas do quarto. Abri os olhos lentamente, ainda sentia-os pesados. Ainda deitado, tentei encontrar o celular no criado-mudo ao lado da cama, e ao invés de encontra-lo, acabei sentindo em minhas mãos um papel. Levantei meu corpo com rapidez da cama, e abri o papel dobrado em duas partes.

– "Bom dia, espero que tenha dormido bem! Vou passar o dia fora ajudando Alice a se preparar, jurei que seria a melhor madrinha do mundo, lembra? Por favor, cuide de Alexander e ajude no que ele precisar. Nos vemos às quatro da tarde.

A.M" — Era o que dizia no papel.

Troquei os trapos que usava de pijama por algo mais descente e desci as escadas atrás de Alexander. Eu sabia que o encontraria nervoso na cozinha. E acertei. Ele estava andando de um lado para o outro pensativo, nem notou que eu estava presente. Ora parava e continuava pensativo, e depois voltava a andar de um lado para o outro. Um tempo depois ele notou que eu estava observando seu nervosismo, e me divertindo.

– A quanto tempo está aí? — Ele perguntou.

– A quanto tempo você está fora do mundo? — Perguntei de volta.

– Estou nervoso. Hoje eu deixo de ser um homem solteiro. Vou me casar hoje, Eric. — Ele falava histérico.

– É eu sei. É justamente por isso que estou aqui. — Falei rindo. — Precisa de ajuda em algo?

– Sim, na verdade preciso. Quero que veja se a decoração, o buffet e é claro, se as flores estão prontas. Estou tremulo de mais pra ver isso. — Falou colocando em minhas mãos um celular. — Os números estão todos aí. — Completou.

– Pode deixar. — Falei procurando imediatamente os números.

Alexander parou seu corpo em frente a pia, respirando e inspirando lentamente. Abriu a torneira e deixou que aguá fosse o único barulho a penetrar seus ouvidos.

Geralmente, era ele quem acalmava, mas naquele dia, os papéis se inverteram. Alexander estava tão nervoso, que tropeçava em si mesmo. Compreendi o porquê do pedido de Anabell.

– E se ela dizer não? E se ela nem se quer aparecer? — Ele dizia enquanto perambulava a cozinha.

– Isso não vai acontecer. Pensei que só as noivas pensassem assim. — Falei humorado, mas acho que isso não ajudou muito. — Faz o seguinte, vai tomar um ar, ou sei lá, um banho. Enquanto isso eu vou conferir se está tudo pronto para a cerimônia, tudo bem?

– Tudo bem. Obrigado, Eric. — Ele disse tocando meu ombro e sorrindo gentil.

–-x--

Estava tudo pronto, a decoração, o buffet, as flores, os convidados, o padre, o noivo. Os bancos da Igreja estavam todos preenchidos por pessoas das quais eu não conhecia uma sequer. A cerimônia estava prestes a começar e nada de Anabell e Alice aparecerem, o que era um motivo extra para o nervosismo de Alexander. Enquanto todos esperavam pela chegada da noiva sentados, eu aguardava na entrada, imitando inconscientemente Alexander perambulando de um lado para o outro.

Uma limousine branca estacionou frente à Igreja. Nunca me senti tão aliviado, eram elas. Anabell desceu de um lado, e correu para o outro para ajudar Alice a descer. Ela usava um vestido longo em um tom claríssimo de rosa, seu cabelo estava preso de forma ocasional com uma tiara de brilhantes deixando-a com um ar mais delicado.

Alice saiu da limousine logo em seguida. O vestido não era como eu esperava que fosse. Era longo, rendado, de mangas longas e colado em seu corpo. Ela usava um enorme véu e uma coroa de flores. Ele respirava e inspirava constantemente também nervosa com o grande dia.

– É charme de noiva se atrasar um pouco. — Anabell disse sorrindo aliviada.

Os padrinhos e madrinhas se posicionaram e entravam formalmente em casais. Anabell e eu éramos um dos últimos, ela também parecia estar nervosa.

– Me de sua mão. — Falei. — Assim você relaxa um pouco.

– Tudo bem. — Ela disse entregando sua mão. Antes de entrelaçar sua mão na minha, notei algo estranho na palma de sua mão. Havia cortes profundos e pareciam ser recentes, começando a cicatrizar.

– O que aconteceu com sua mão? — Perguntei.

– O que? Como assim?

– Esses cortes, o que aconteceu? — Ela puxou sua mão escondendo-a de minha vista.

– Eu caí sobre cacos de vidros. Não foi nada de mais, não se preocupe.

– Mas os cortes estão tão profundos e recentes, como não vi isso antes?

– Isso não importa agora. — Ela disse sorrindo amarelo. — É nossa vez de entrar.

Ela entrelaçou seu braço ao meu, e colocou um sorriso em seu rosto pois sabia que seria fotografada assim que entrasse. Tentei fazer o mesmo, mas os cortes não me saiam da cabeça. Tinha algo acontecendo com ela, e não era coisa boa.

Mal consegui me concentrar na cerimônia, ora eu pensava no quão bonita Anabell estava naquele vestido, noutra em como ela conseguiu aqueles cortes. Como ela teria caído em cacos de vidro?

Quando voltei ao momento presente, Alice estava dizendo sim. Todos levantaram-se dos bancos e aplaudiram o final de cerimônia que no fim das contas, acabou dando certo para ambos os noivos.

–-x--

No domingo de manhã, todos acordaram cedo. Era o dia de despedida, Alexander e Alice iriam viajar para a lua-de-mel e eu e Anabell voltaríamos para Ternure. A noite foi longa, um tal de Ellen pegou o buquê de flores, um tal de Enrie estava dando em cima de Anabell, e uma senhora de nome Audrey me convidou para dançar. Recusei delicadamente. Tentei descobrir o que realmente aconteceu com a palma da mão de Anabell, mas toda vez que eu tocava no assunto ela dava um jeito de escapar, as vezes voltava a ter seu olhar preenchido pela melancolia.

Mas as coisas mudaram no dia seguinte, todos estavam felizes. Anabell usava um perfume diferente aquela manhã, era um cheiro mais suave e marcante. Ela sentou-se ao meu lado na mesa, e eu pude sentir mais de perto o cheiro de seu novo perfume.

– Está de perfume novo? — Perguntei aproximando meu rosto de seu pescoço.

– Estou. Alexander me deu de presente. O nome é Passionate.

– Esse cheiro.. conheço de algum lugar. — Falei pensativo. — Talvez Caroline tenha um. — Conclui.

– Acho um tanto impossível. Ele é vendido apenas na França, e ele importado custaria uma fortuna pois é quase extinto. Mas eu posso estar enganado, sua amiga Caroline pode ter um também. — Alexander disse.

– Não, acho que não. Caroline nunca visitou a França antes, e Tia Luíza nunca daria tanto em um perfume. Talvez alguém com o mesmo cheiro tenha passado por mim durante nossa viajem. É realmente bom, combina com Anabell.

– Concordo. É como se ele fosse feito para ela. — Alexander observou.

Depois de uma longa conversa relembrando os melhores momentos da viajem, tivemos que ir para o aeroporto. Infelizmente, a curta viajem tinha chegado ao fim.

Eles iriam para o portão B com o destino Holanda, enquanto eu e Anabell para o portão G com o destino Colorado. Apesar dos portões serem distantes, ainda tínhamos um tempo para despedidas. Alice abraçou Anabell e parecia não querer mais soltar. As duas sabiam que iriam demorar para se reencontrarem.

– Você poderia me visitar com mais frequência. — Alice cobrava.

– E você poderia me dar um primo em breve. — Anabell retrucou. As duas riram e voltaram a se abraçar.

Alice aproximou-se de mim logo em seguida, me abraçando.

– Foi um prazer te conhecer, Eric. Cuida bem da minha sobrinha, ela é a única que tenho. Por favor, não deixe nada de ruim acontecer com ela, sinto que algo muito ruim está próximo. — Ela sussurrou em meu ouvido.

– O que quer dizer com isso? — Perguntei com medo da resposta.

– Não sei, é essa sensação estranha de algo não está legal. Prometa que vai cuidar dela, ela é a única que restou do meu sangue, Eric.

– Eu prometo, Alice. — Falei.

Ela afastou nossos corpos sorrindo meio torto, eu sabia o que aquele sorriso significava. Ela estava angustiada em ter que deixar a única sobrinha nas mãos do mundo, e essa angustia competia com a felicidade de ser agora uma mulher casada.

Alexander despediu-se também com abraços e discursos. As lágrimas começaram a escorrer dos olhos de Alice, e ela voltou a abraçar Anabell chorando.

– Vamos, querida. Já está na hora do nosso voo. — Alexander disse.

– Só mais um instante. — Alice falou agarrando-se ao corpo de Anabell. — Eu te amo. — Eu pude ouvi-la dizer à Anabell, que respondeu com as mesmas palavras.

Alice afastou-se e caminhou lentamente até o portão de embarque. Ela me encarava repetindo com os olhos as mesmas palavras de antes "Por favor, cuide dela..."

Tive a absoluta certeza de que tinha algo acontecendo com Anabell ou de que algo ruim estava prestes a acontecer. E não era uma das melhores sensações, era angustiante e sufocante.

Notas finais
E esse é o final do capítulo Lar doce Paris. Espero que tenham gostado do capítulo e suas três partes. Preparem-se para o próximo capítulo, uma nova personagem vai ser apresentada, e vai ser responsável pelo fim de um certo namoro (insira aqui uma risada maligna). Só não sei ao certo quando irei posta-lo, pois estou cheia de trabalhos para fazer, pois é né, quarto bimestre não é nada fácil. Enfim, até a próxima. xoxo, YC