Notas iniciais
Olá, como vai vocês? O capítulo de hoje está um pouco revelador e triste. Eric vai descobrir algo que vai chateá-lo bastante. Preparados? Então boa leitura (:

Passaram-se dias após o enterro de Richard Alouise. O policial Jones investigou a fundo a morte do médico britânico, e por fim chegou a conclusão de que foi apenas um trágico acidente, liberando Anabell e Eric das suspeitas.

Naquela noite chuvosa, Anabell, que pensava estar livre de qualquer tipo de tormenta e amaças, recebeu uma visita inesperada e um tanto indesejável. Era o homem que ela tanto desprezava, o que lhe causava pesadelos, e não importa o quanto ela implorasse, ou até mesmo rezasse, ele estaria lá.

Debruçava-se sobre os muros de sua varanda, admirando a chuva cair e molhar o chão daquela rua tão vazia e triste.

– Bravo, se livrou de Richard. — O homem invadiu a varanda, assustando-a. Ela virou-se, e apesar da surpresa, ela sabia exatamente quem era.

– Foi apenas um coincidência. — Ela respondeu imediatamente.

– Não minta pra si mesma, Anabell. Você enviou variadas bebidas alcoólicas mesmo ciente de que ele tinha um certo vicio do qual tentava se livrar a anos. Você sabia que ele não iria resistir a tentação, e que só um gole não bastaria. Foi tudo um cálculo inteligente seu.

– Eu não o forcei a beber, foi uma escolha dele. Ele ter morrido foi apenas uma conspiração do mundo pra me fazer parecer culpada.

– Não precisa ser do mundo, pode ter sido minha. — Ele sugeriu sorridente.

– O que disse? — Ela perguntou espantada.

– A rua estava deserta, afinal de contas era tarde da noite. No efeito do álcool, Richard queria sentir a adrenalina pulsar em suas veias, e dirigia em alta velocidade, claro que despreocupado já que não havia pessoas, carros, ou animais na estrada. Mas foi aí que ele se enganou, havia uma pessoa de pé, bem no centro da estrada, esperando por aquele carro em alta velocidade. — Ele contou. — É inteligente, sabe me dizer quem era?

– Você.. — Falou quase que sem reação.

– Exatamente. Mesmo em péssimas condições, Richard avistou meu corpo, e tentou desviar antes que pudesse me atingir, causando assim a sua própria morte quando acabou capotando o carro.

– Não acredito que tenha feito isso.

– Sei que acredita, sabe muito bem do que sou capaz. Mas parece que você se livrou de um problema, e logo em seguida surgiu um novo, não é mesmo? Richard não deixaria as coisas tão fáceis pra você, e deixou uma maldita carta contanto tudo. — Ele aproximou-se dela. Posso me livrar da carta, e até mesmo da Audrey, é só você pedir. — Falou acariciando com os dedos as bochechas rosadas da menina.

– Não encoste esses seus dedos imundos em mim. — Reagiu afastando seu rosto das mãos do homem. — Audrey não tem nada a ver com isso, era uma coisa entre eu e ele. Além de tudo, ela está grávida e seu preço não é um dos melhores.

– Exatamente, pense bem, você pode se livrar do unigênito de Richard, sangue do sangue dele. É caro, mas meu trabalho sempre é bem feito. — Se gabou. — Você sabe disso como ninguém. — Ele sorriu sarcástico.

– Eu nunca faria mal a uma criança inocente. Não quero sua ajuda, suma daqui, agora. — Ela gritou furiosa. — Agora. — Ela insistia gritando.

– Você não deveria gritar desse jeito, está me irritando. — Ele confessou também furioso.

– Não ligo, apenas saia da minha casa, e também de minha vida.

– Tudo bem. Volto em breve com minha próxima surpresa. — Ele aceitou sorrindo debochado.

–-XX--

Os dias seguintes seguiram tão normais, que chegaram a ser questionados. Anabell continuava apreensiva quanto à tal surpresa, escondia tão bem sua preocupação, que não deixava rastros.

Em uma tarde qualquer, Eric estudava para as provas finais que determinariam se ele estava ou não pronto para a formatura. Sentado no chão focado apenas em adquirir conhecimento o suficiente para ser aprovado, tão de repente foi surpreendido por uma folha jogada perante sua janela.

Ele tentou ver o responsável pelo papel, mas de nada adiantou. Eric pegou o papel em suas mãos, e leu com calma o que dizia.

– "Não foi um acidente, foi homicídio doloroso. Seus pais foram assassinados e esse tempo todo estiveram escondendo a verdade de você" – Dizia o bilhete com essas mesmas palavras.

Mal conseguia acreditar no que havia lido, eram palavras tão claras, porém tão difíceis de acreditar. Sem reação, ele jogou-se pasmo no sofá, e aos poucos juntava as peças.

– Tinha uma saída de emergência no caso de assalto, sequestro e incêndio. Nunca me falaram em que parte da casa o fogo começou, ou o que causou. Eles eram cautelosos o suficiente para não deixar que isso acontecesse, e teriam tempo de escapar. Porque nada mais faz sentido? — Ele pensava consigo.

Pensou, e teve tempo o suficiente para repensar. Lágrimas escapavam de seus olhos castanhos quando Luíza atravessou a porta segurando em seus braços sacolas de mercado.

– O que aconteceu, querido? — Ela perguntou preocupada.

Ele à olhou melancólico e em meio ao devaneio de sua lembrança ruim, havia também o ódio em pensar que ela poderia ter escondido algo como aquilo.

– Me diga você o que aconteceu. — Ele gritou jogando o papel próximo a sua tia.

Ela agachou-se e leu as palavras gravadas naquele papel. Seus olhos azuis instantaneamente se enxeram de lágrimas. Soltou as sacolas que segurava, e desabou no chão.

– Não foi um acidente? A morte de meus pais não foi um acidente? — Eric gritou nervoso, suas veias pulsavam e o sangue de seu corpo fervia.

– Eric, me desculpe eu.. — Luíza tentava explicar, mas deixava a frase morrer. Estava preocupada com o que Eric faria quando descobrisse a verdade sobre o incêndio, pensou que poderia esconder por toda a vida, mas estava errada, estava errada e agora despertou uma fera em seu sobrinho, despertou o que ela mais temia.

– Eu não quero ouvir desculpas, quero saber a verdade tia Luíza, a droga da verdade que você escondeu de mim por todos esses anos. — Ele tornava a gritar ainda mais nervoso. Mal podia conter a fúria que estava sentido em ser privado da verdade do trágico acidente que matou seus pais. — Ande logo, sem delongas, diz logo o que aconteceu de verdade, sem enrolação. — Ele gritava cerrando os punhos, segurando-se para não quebrar o que via pela frente. Luíza por sua vez, não conseguia conter as lágrimas. Era difícil para ela saber a verdade, e sabia que seria ainda mais difícil para Eric descobrir o que realmente aconteceu.

– O incêndio não foi um acidente, foi proposital. No começo, as autoridades achavam que foi suicídio, mas depois da autópsia, descobriram que Heloísa e Charles foram golpeados com um objeto pesado na cabeça, e isso os deixou inconscientes por tempo o suficiente para dar inicio ao incêndio e para o mesmo se alastrar. — Luíza disse um tanto melancólica, acima de tudo, preocupada com a reação do sobrinho após a revelação. Eric, sem reação para o que seus ouvidos captaram, sentou seu corpo novamente no sofá, sentia-se fraco, sem energia, era como se tivessem arrancado seu coração e o pisoteado.

– E.. e.. quem fez isso? — Ele perguntou ainda encarando o vazio. Parte dele não podia acreditar que a morte de seus pais foi na verdade um assassinato, e a outra parte, tentava assimilar os últimos acontecimentos por mais trágico que fosse.

– O caso foi investigado durante seis meses, mas um dos policiais, o senhor Green, resolveu investigar um pouco mais, já que o mesmo era muito amigo de seu pai. Infelizmente, não teve muito sucesso, tudo que se sabe é que um rapaz usando um capuz preto foi visto saindo da casa pouco antes do incêndio ficar visível. Ninguém conseguiu descrever a aparência do rapaz, apenas indicaram o uso do capuz. Green passou a investigar os possíveis rivais de Heloísa e Charles, mas todos gostavam deles, não conseguíam imaginar inimigos.

– Isso quer dizer que o que diz nesse bilhete é verdade, foi homídio doloroso?

– Sim, Eric. Infelizmente seus pais foram assassinados.

– E porque escondeu tudo isso de mim durante todo esse tempo? — Ele perguntou com sua visão turva devido as lágrimas que ele se esforçava para não deixa-las cair.

– Fiquei com medo da sua reação ao descobrir. Não foi fácil para os vizinhos, para os amigos, e não foi fácil para mim que sou irmã de uma das vítimas, e eu sabia que seria mais difícil ainda para você que era filho, Eric. Quando pensei em te contar, a Eduarda disse que seu psicológico estava frágil, que você acabou adquirindo estresse pós-traumático e depressão, e que pra piorar, poderia acabar cometendo suicídio. Fiquei apavorada, eu havia acabado de perder minha irmã e meu cunhado, se eu perdesse meus sobrinho também eu iria perder a cabeça. Eu sinto muito, muito mesmo. Eu não queria que as coisas acontecessem dessa forma. Você sabe o quanto me preocupo com você, o quanto eu te amo e o quanto eu me esforço para te manter são, me desculpe, Eric. — Luíza explicava-se em prantos.

– Preciso de um tempo, desculpe. — Eric disse saindo as pressas de casa. Deixando as lágrimas acumuladas pingarem no chão gélido.

Eric caminhava pelas ruas deixando clara sua tristeza. Não importava-se em esconder suas lágrimas. Quando notou, estava em um estado de devaneio, lembrando do fogo que ardia e queimava sua casa com seus pais dentro. Seu mundo desmoronou, e a barreira que ele havia construído para superar, desabou junto da notícia. Estava sem rumo, e deixaria a melancolia despertar o Eric que ele mesmo havia repreendido com a chegada da garota ruiva.

Entrou em um bar mal frequentado, atraiu maus olhares, mas ele não ligava. Não ligava se alguém iria vê-lo, se iriam reclamar. Não ligava pra mais nada. Pediu ao balconista um maço de cigarro, e este, sem questionar ou preocupar-se com a idade do garoto, o vendeu sem delongas. Eric gritou por um esqueiro, e rapidamente um homem mal encarado lhe ofereceu o dele.

O garoto dominado pelo tristeza repentina acendeu um cigarro e o colocou em sua boca. Saiu daquele bar como um zumbi. Andava sem rumo, sem nem ao menos se importar com quem cruzaria.

Um pouco mais a frente, acabou trombando com Anabell, que procurava por ele apreensiva.

– O que aconteceu? Você está fumando? — Ela perguntava preocupada. Tirou o cigarro da boca do garoto, e o jogou no chão apagando-o com a ponta dos pés. Ele não respondia, e muito menos reagia.

– Luíza me ligou desesperada, ela não quis contar o que aconteceu, só pediu pra que eu te encontrasse depressa. Eric, por favor, me diz o que aconteceu. — Ela insistia.

Ele levantou sua cabeça, e enxergou a cor tão bela dos olhos da garota à sua frente. E novamente, desabou-se desta vez no chão. Anabell, incapaz de aguentar seu peso, acabou caindo no chão junto dele.

– Meus pais.. não foi um acidente.. — Falou chorando.

– O que? Do que está falando? — Ela perguntou confusa.

– O incêndio não foi um acidente, foi proposital. Eles foram assassinados. — Confessou à ela incapaz de controlar suas lágrimas.

– Está dizendo que..

– Sim, foi homicídio doloroso. Ela sabia o tempo todo, e o tempo todo ela escondeu de mim.. — Falava já soluçando.

– Eric, acho melhor conversarmos em um lugar mais privado. Que tal irmos pra minha casa, e então você me conta o que aconteceu? — Ela sugeriu.

Secou as lágrimas, e aceitou a sugestão da garota.

–-x--

Ela ofereceu em sua casa todo o conforto que poderia trazer. Lhe aconchegou debaixo de cobertas quentes, e o acalmou com chá de camomila. Estava lá ao lado dele, se esforçando para consola-lo.

– Está melhor? — Ela perguntou sentando-se ao lado dele na cama.

– Estou, obrigado. — Ele respondeu finalizando sua xícara de chá.

– Quer me contar o que aconteceu?

– Eu recebi um bilhete que dizia que o incêndio não foi um acidente, e sim homicídio doloroso. Foi difícil de acreditar, mas depois comecei a juntar as peças, e o que aquele bilhete dizia parecia fazer sentido. Então ela chegou, e eu comecei a questionar, e ela acabou contando a verdade, e afirmou o que o bilhete dizia.

– Foi só isso que ela disse? — Ela perguntou.

– Não. Também disse que o caso foi investigado, mas que não descobriram nada, só sabem que um homem de capuz preto foi visto saindo de lá antes que o incêndio ficasse visível, e que ele é provavelmente o responsável.

– Conseguiram encontra-lo?

– Não tive tempo de perguntar, eu estava com tanto ódio, que nem sequer sabia o que estava fazendo quando sai de lá. Ela sabia o tempo todo. Ela não tinha esse direito, não foi certo o que ela fez.

– Eu sei, eu sei. Mas ela só fez isso porque provavelmente estava preocupada com você. Ela só quer seu bem, Eric.

– Mesmo assim, ela deveria ter me contado. Ela teve três anos, se o problema era meu psicológico, ela teve tempo o suficiente pra que as coisas se acalmassem. Ela já deveria saber que não poderia esconder pra sempre a verdade.

– Você tem razão, mas não seja tão duro. Ela só queria te privar de todo esse sofrimento. É melhor você descansar, amanhã quando estiver com a cabeça mais fria, vocês conversam, tudo bem?

Ele assentiu com a cabeça e confortou sua cabeça no travesseiro. Fechou os olhos, e apagou.

Notas finais
Pois é pessoal, o incêndio na verdade foi proposital. Mas quem fez isso, e o mais importante, porque? Descubra continuando a ler ;) Até a próxima! xoxo, YC