Fragile

2 Chapter: II. Charlotte


Notas iniciais
Hey, hey! Viram como eu não demorei para postar o capítulo? u.u
Até lá em baixo~

A manhã seguinte fez Leo sentir-se péssimo.

A noite passara acordado, não conseguiu cair no sono. Seus pensamentos estavam fixos em Elliot.

Onde ele estaria? O que pensava de Leo agora? O que faria amanhã? Iria para o baile?

Leo estava sendo atormentado por péssimos sonhos. Envolvendo seu passado, suas feridas mais profundas. Ah, aquele maldito dia... repetia-se por sua mente. Sua cabeça não parava de latejar e não queria mesmo pedir remédios à Vincent. Além de ter quase certeza que remédios não resolveriam os seus problemas. Era fechar os olhos que os orbes azuis vividos do jovem Elliot lembravam-lhe a coisa terrível que fizera.

Mentiu. Fez Elliot sofrer. E estava ali pagando o preço.

Estava torturando a si mesmo. Ele poderia simplesmente procurar por Elliot, e pegar seus óculos. Tudo voltaria ao normal.

Não. Nada voltaria a ser como era. Já estava convencido disso. Decidido, pediu para Vincent cortar-lhe os longos cabelos e aquilo era uma prova de que não voltaria atrás.

Ao menos, não queria.

Esbarrara com Elliot há algumas semanas. O loiro estava desnorteado, sua expressão indecifrável parecia tristemente cansada. Estava vestindo roupas pretas. O de olhos azuis não se deu ao trabalho de olhar para a sua face, apenas desculpou-se curto e grosso e continuou o seu caminho. E só quando olhou para trás percebeu quem era.

Mas era tarde para dizer algo.

O jovem Baskerville começava a ouvir pássaros cantando, e ainda não havia conseguido cair no sono. Quando dormiu?

6:40 AM.

Abriu os olhos. Encarou o relógio presente no criado mudo. Marcava exatamente 14:10. Bocejou, esticando os braços subitamente. Por impulso pegou-se procurando Elliot e os seus tão preciosos óculos, mas afastou os pensamentos balançando a cabeça desajeitadamente.

Tanto tempo havia se passado e ainda acordava desejando encontrar Elliot ao seu lado.

Antes mesmo de se queixar por ser estúpido, a porta do quarto abriu-se rapidamente, revelando os cabelos loiros de Vincent. O Nightray encarou Leo, surpreendendo-se por encontrá-lo ainda na cama. Seus cabelos desarrumados e apenas os olhos sonolentos sem serem escondidos pelo travesseiro lembravam-lhe daquele Leo.

Do antigo Leo.

O Baskerville levou a mão ao pescoço, mexendo-o para os lados e estralando-o.

— O que houve, Leo? Não está se sentindo bem? — o mestre encarou-o por um tempo, entediado.

— Não. Estou com sono. — respondeu irônico, rindo falsamente.

— Você já tem a minha resposta? — o Baskerville franziu o nariz interrogativamente, arqueando a sobrancelha esquerda.

— Que resposta?

— A do baile. Você ficou de me dizer se iria ou não me acompanhar.

— Ah, sim. — decepcionou-se por um momento ao lembrar que teria de levantar da cama. — Eu não estou com vontade de ir.

— Por que, Leo? Eu garanto que vai ser divertido.

— Só se for para você, Vincent. — bufou, sentando-se na cama e jogando os cabelos para o lado.

— Está preocupado com Elliot Nightray? — Leo rangeu os dentes ao ouvir o nome do loiro, abaixando a cabeça.

— Por que... você sempre acha que eu estou preocupado com ele, seu inútil?! — exclamou nervosamente, fazendo Vincent dar um passo para trás subitamente.

— Não me leve a mal. Eu também estou preocupado com o seu bem-estar e a sua preocupação excessiva com o Nightray está o afetando. — engoliu em seco, esperando a reação de Leo.

O jovem levantou-se da cama com a cabeça baixa e punhos cerrados, dando passos lentos até o grande e largo armário no fundo da sala.

— Pare de se preocupar, então.

— Mas, Leo. Eu...

— Cale a boca. Eu já entendi o que você quis dizer. — Vincent encarou-o de canto de olho, suspirando pacientemente. — Saia daqui.

O loiro abriu a boca para dizer algo mas preferiu não argumentar mais com o Baskerville. Saiu do cômodo, fechando a porta levemente sem fazer muita força. Assim que o barulho dos passos deixou os ouvidos do mestre, pequenas gotículas de água formaram-se no canto de seus olhos.

Sentiu-se estúpido.

Afinal, por que estava chorando? Sentia-se uma pessoa horrível. Sabia que era uma pessoa horrível.

Abriu o armário lentamente, procurando vestimentas confortáveis para si. Eram todas elegantes, feitas por tecidos caros. Pareciam da nobreza, é claro.

Mas sentia falta daquelas simples roupas que usava antes.

Pegou aquele conjunto negro, com um pequeno laço vermelho na gola. Encarou-o por um tempo. Não iria ficar muito tempo escolhendo roupas; iria fazer-lhe sentir como uma garotinha que preparava-se para um encontro. Por que resolveu ir ao baile mesmo?

Por puro tédio.

Tentaria esquecer do que aconteceu. Ele sabia que provavelmente iria ser tudo em vão, mas queria tentar de qualquer maneira. Aquilo tudo não estava nos planos de Leo. Tudo aquilo que fez com Elliot fora destruído em meros segundos.

Tudo estaria melhor se Leo estivesse morto. Elliot não deveria ter interferido. Se não fosse daquele jeito, o jovem Nightray não estaria tão ferido – mesmo que interiormente.

Andou até o banheiro ao lado de seu quarto, trancando a porta do mesmo e logo abrindo o chuveiro. Não queria sair de lá tão cedo.

A sensação doce que a água lhe proporcionava ao cair sobre seu corpo trazia-lhe paz e tranquilidade. Diferente do mundo lá fora.

Ao terminar seu demorado banho, secou-se e vestiu-se rapidamente, colocando uma toalha pequena na cabeça. Destrancou a porta, andando até sua cama e sentando-se na mesma. Mexeu a toalha descompassadamente sobre seus longos cabelos, afim de tirar todo o excesso de água dos mesmos.

Ainda com os cabelos molhados, largou a toalha — de um modo indelicado — na cama, deixando-a com um ar um tanto bagunçado. Levantou-se, andando até a porta e abrindo a mesma. Surpreendeu-se levemente ao ver as mesmas empregadas que não o deixaram dormir no dia anterior paradas em frente à porta do seu quarto.

As jovens encararam-o assustadas. Uma delas aproveitou que os orbes de Leo direcionavam-se à outra empregada e saiu, deixando-a sozinha ali como fizera no outro dia.

— O que está fazendo aqui? — perguntou seco.

— Ah... é que... Vincent-sama mandou-me aqui para ver se o senhor estava bem. Disse que não achava que o senhor estava sentindo-se disposto à ir ao baile hoje. — Leo rosnou, empurrando levemente a garota para o lado e passando direto, com uma expressão desagradável.

— Eu estou bem. — murmurou fracamente, voltando a sua atenção ao corredor comprido à sua frente.

A jovem empregada encarou-o confusa, dando de ombros e seguindo o seu caminho sem rumo.

Leo desceu as escadas lentamente, sem nem cumprimentar as pessoas que encontravam-se no caminho. Andou até o grande jardim da mansão, logo sentando-se num banco branco e claro. O ar pesado de dentro da residência estava deixando-o cansado.

Mas antes mesmo que pudesse pensar em relaxar, sentiu alguém tocar levemente o seu ombro esquerdo. Virou-se lentamente, irritado.

— Ei, garoto. Eu já não te vi antes? — uma garota de cabelos rosas um tanto enrolados encarava-o com os orbes lilases perolados, com um sorriso maroto nos lábios.

— ... — olhou-a mais atentamente.

Oh, sim. Era aquela garota que tentou matar Oz Vessalius no internato. Elliot havia metido-se no meio e acabaram por lutar uns com os outros.

— Acho que sim. — virou-se novamente, fitando o horizonte. A última coisa que queria era uma garota irritante no seu pé. A jovem garota sentou-se ao seu lado no banco, sem nem mesmo pedir permissão.

— Qual é o seu nome, garoto? — perguntou sorridente, com os olhos um tanto saltados.

— Leo. Leo Baskerville. — responde seco, estreitando os olhos. Realmente, aquele não era o seu dia.

Estava com uma súbita vontade de destruir algo.

— Bonito nome. Sou a Lottie. Digo, Charlotte Baskerville. — cerrou os olhos, inclinando a cabeça levemente. — Já que nós dois somos Baskervilles, devemos nos encarar como irmãos de agora em diante, né? Oh, você parece meio tristonho. Te apresentarei alguém legal. Pode ser? — riu divertida.

— Não.

— Espere aqui um minuto então! — levantou do banco saltitante, ignorando a resposta grosseira de Leo.

Leo estava em dúvida se ignorava ou fugia.

Logo, Charlotte voltou trazendo uma garotinha pela mão. Leo encarou-as interrogativamente, amaldiçoando a si mesmo por ter permanecido naquele banco.

Quem ele esperava que fosse? Elliot Nightray?

— Aqui, Leo-onii-chan! — voltou com um sorriso meigo nos lábios, enquanto o Baskerville tentava manter a calma perante o apelido.

A garotinha loira que era levada por Charlotte encarou Leo curiosa. Possuia uma tatuagem familiar na face direita do rosto.

— Lottie, ele é o novo nii-san? — fez um biquinho pequeno com os lábios logo abrindo um sorriso brincalhão. — Qual é o seu nome, nii-san?

— O nome é Leo. — Charlotte respondeu pelo jovem, percebendo que o mesmo estava prestes a ter um ataque de nervos. — Leo, essa é Lily.

— Leo-nii-san! — exclamou, logo aproximando-se com a intenção de abraçar o Baskerville.

— Você tem... olhos bonitos, Leo. — Charlotte comentou, voltando a sentar-se ao lado do garoto, enquanto Lily brincava com as mangas da blusa de Leo. — ... Eu tenho certeza que já te vi em algum lugar. Mas não me lembro onde.

— ... — arqueou uma sobrancelha interrogativamente, perguntando-se se a jovem ali era idiota. — Se eu fosse Oz Vessalius, tenho certeza que se lembraria. — Charlotte fez uma careta. Parecia que uma lembrança acabava de iluminar-se na sua mente. A garota olhou-a surpresa, logo apontando para a face do mesmo.

— Você é aquele nerd quatro-olhos?! — exclamou, vendo-o cerrar os olhos em desaprovação ao grito.

— Não foi tão difícil se lembrar, foi?

— Oras... mas... você está diferente... falando nisso, por que andava com aquele loiro sem-graça? — encheu as bochechas de ar ao terminar a frase, fazendo Leo cerrar os punhos ao ouví-la dizer aquilo sobre Elliot.

— Não fale desse jeito dele. — murmurou irritado, enquanto Lily afastava-se do mesmo, se perguntando o que estava acontecendo.

— Oras. Você ainda gosta dele? — abaixou a sobrancelha direita, confusa. O Baskerville achou melhor manter-se calado antes que dissesse alguma outra coisa desnecessária. — Acho que isso foi um sim. Mas... oh. Eu quase te matei, não é? Foi mal. — coçou a cabeça nervosamente, sorrindo amarelo.

— Lottie, eu não estou entendendo o que vocês estão falando. — comentou a garotinha loira interrogativamente, perplexa.

— Que bom. — murchou o sorriso, encarando o mais novo novamente. — Você fica bem mais bonito sem aqueles óculos e aquele cabelo todo bagunçado. — Leo lançou-lhe um olhar duro, fitando o chão. — Ei, Leo. Você vai no baile de hoje?

— Ah... acho que vou.

— Eu não fui convidada. — fez um pequeno biquinho com os lábios, cruzando os braços.

— Nem imagino o porquê. — ironizou, com um pequeno sorriso cínico nos lábios.

— O baile deve começar em umas duas horas.

— Obrigado por me avisar. — levantou-se do banco, andando de volta para a mansão. — Tenho que ir.

Saiu sem nem ao menos se despedir adequadamente, deixando Charlotte e Lily sozinhas no jardim.

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Notas finais
O capítulo está um pouco grande mas ok e__e
E então? O que vocês acharam? Tá bom? Eu sempre fiquei imaginando como seria se a Lottie percebesse que o novo mestre Glen na verdade é o "quatro-olhos" que ela quase matou no internato que eu nunca decoro o nome, e a aí o resultado AHSUAHSUAHSUAHSUH
Não estou com muito tempo para ficar escrevendo (ainda tenho que fazer algumas coisa ç_ç) então até o próximo capítulo (e não se esqueçam de mandar reviews!) o/
Kissus ~♥