Fracos
3 Capítulo 3: O baile de abertura
Notas iniciais
Visão de Hermione Granger
Não foi difícil contatar Blásio, qualquer bilhete usando a palavra “perigo” o faria explodir de felicidade e me procurar imediatamente. Quando estamos em aulas em Hogwarts raramente nos falamos, qualquer ligação entre nós dois deve ser ocultada por motivos maiores, eu da Grifnória, ele da Sonserina, eu com meus amigos fieis e ele sendo um grande antissocial como sempre foi, facilitava nosso afastamento.
Blásio Zabini é o homem mais brilhante e narcisista que eu conheço, é excêntrico, peculiar, anormal... Não é de se esperar que seja tão difícil vê-lo com amigos, quando o vi hoje cedo com ninguém menos que Draco Malfoy e duas sonserinas, foi realmente surpreendente, vejamos quanto Malfoy irá suportá-lo.
Meu relacionamento com Blásio sempre foi instável, quando crianças ele brigava comigo constantemente por eu ser mais inteligente que ele, mas sei que ele me ama.
Estou em um canto afastado no jardim do castelo, debaixo de uma árvore, esperando quando pontualmente Blásio entra debaixo da sombra da árvore como eu.
–Olá irmãzinha – ele diz com as mãos no bolso e um sorriso de divertimento
Sim, eu me esqueci de mencionar que ele é meu irmão.
– Onde esta?
Eu entrego para ele o que eu recebi, ao terminar de ler a carta, o rapaz moreno esta com um enorme sorriso no rosto, ele saltou e andou de um lado para o outro claramente entusiasmo por eu ter recebido a carta, obviamente o tipo de reação que só poderia vir dele, outra pessoa acharia que ele é um monstro, porém eu já estou acostumada.
O moreno se entedia facilmente, e é apaixonado por mistérios e pessoas que desafiam seu intelecto, a emoção da caçada o deixa assim todas às vezes.
–Ele adora jogos! Isto sim será excitante, Hermione. – ele diz finalmente – Escolha de palavras interessante! Ousado também, o mandante escreveu esta carta à mão, a frase em francês significa...
–“Menina fraca, você é minha diversão”, eu falo francês fluentemente, Blásio, não se esqueça com quem esta falando – eu o interrompo.
–O mandante é destro, veja como a caligrafia é repuxada para a direita, o papel cheira a tabaco, provavelmente um fumante, porém é difícil ter certeza se é um homem ou uma mulher. Não há manchas, amasso, quem escreveu isto deve ter tido todo cuidado possível para não deixar rastros
–É tudo o que pode deduzir?
–Por enquanto sim, mas é bem claro que nós teremos mais material para trabalhar em breve.
–Sim, isto é óbvio.
–Que bom que terminou com seu namorado, — Blásio diz respirando fundo, pondo as mãos para trás tentando claramente me impressionar com sua dedução, mas eu não sou impressionada facilmente – seu rosto ainda esta úmido.
–Ainda tentando me impressionar? Sabemos que eu sei jogar esse jogo tão bem quanto você – eu sorri ameaçadoramente
–Sim, eu lembro... Mas eu sou muito melhor, você disse que gostava das emoções humanas.
Quando crianças o meu passatempo favorito com meu irmão era irritar os adultos com nossos incríveis dons de dedução. Sim, eu era tão impressionante quanto ele, mas depois de um tempo, enquanto crescia — alguns anos antes de entrar em Hogwarts — eu percebi que o meu dom me afastava das pessoas, e essa era a última coisa que eu gostaria que acontecesse comigo, eu queria ser uma bruxa que pudesse amar e ser amada.
Então, eu tranquei essa parte de mim, deixei de observar e comecei a só ver o mundo do jeito que os outros também viam, somente atrás de uma brecha. Blásio Zabini para mim é o retrato de quem eu seria hoje se não tivesse abraçado as emoções humanas, um rapaz brilhante, porém sozinho.
–É verdade, eu gosto de emoções humanas, eu gosto de amor.
–O amor é a maior fraqueza de todas – Blásio responde com convicção – ele impede o raciocínio lógico, você irmãzinha é uma menina muito, muito inteligente, sua mente é quase superior a minha, capaz de armazenar mais conhecimento que eu, se não fosse esse tal amor.
–“Sua mente é quase superior a minha” – eu repito a frase dele com um sorriso – vejo que seu narcisismo não morre, vai ser um bruxo muito convencido até o fim dos tempos.
–Eu sou brilhante, você sabe disso.
–Brilhante, mas pobre, você nunca vai saber como é sentir de verdade.
–E você sabe? O amor de sua vida na verdade não passava de uma paixão infantil
Suas palavras me atingem como uma faca afiada cravando no meu coração... Eu fechei os olhos, sem reação, respirei fundo e desviei meu rosto para outro lugar, abri os olhos e encarei a grama como se de repente ela se tornasse muito mais interessante do que aquela maldita conversa.
Blásio é incapaz de entender a gravidade das suas palavras, incapaz de entender o quanto ele pode ser cruel com outras pessoas sem perceber, usando seus comentários inteligentes e tremendamente rudes.
Sim, eu chorei ao terminar com Rony, mas não chorei por que o amava e o tinha o magoado, o verdadeiro motivo foi por que eu estava tremendamente decepcionada comigo, por que apesar de ter achado um namorado doce e atencioso comigo, que é algo tão difícil hoje em dia, mesmo assim eu não me apaixonei por ele, me arrastei anos da vida procurando por emoções humanas e não consegui a mais falada delas, o amor verdadeiro.
Depois de um tortuoso silêncio, Blásio aproxima-se e me beija na bochecha sussurrando um:
–Desculpe
–Quantas vezes mais vamos discutir isso, irmão? O amor existe, Blás, e ele não é fraco, um dia você verá isso. – eu respondo com a certeza vibrando na minha voz – O maior sonho da minha vida é trazer justiça e esperança para a vida de quantas pessoas e criaturas eu puder, até elfos, mas eu não posso tentar trazer isso ao mundo que já não tem mais nada de bom, se o amor verdadeiro existe, então ainda existe um motivo para lutar pelo mundo.
–É uma maneira linda de se pensar, — Blásio respirou fundo – mas julgando pelo que eu já vi no mundo, Hermione, não tem por que lutarmos por ele. O amor é ficção, é uma fraqueza.
–Veremos se posso provar o contrário.
Visão de Draco Malfoy
Ser podre de rico traz muitas vantagens.
Dentro de dinheiro e poder, há uma coisa que faz o mundo da família Malfoy e outras da alta classe do mundo mágico serem o que são: Chantagem e favores. Desde cedo, um Malfoy aprende a ser calculista e frio, detonando tudo e todos que estão no seu caminho, qualquer coisa é aceitável se lhe der satisfação pessoal. O dinheiro é uma arma poderosa, mas nada igualado a chantagear e trocar favores, eu estou mais que habituado a fazer acordos para conseguir o que eu quero, sou bom nisso.
Esta perto do meio dia, Blásio sumiu e eu fui chamado para me apresentar na sala particular de Celestina Warbeck. Não estou surpreso, conheci a Sra. Warbeck durante uma festa há alguns anos atrás, é uma mulher forte, amarga e ameaçadora, apesar de todos os sorrisos e a elegância, não passa de uma mulher de meia idade amargurada por nunca ter realizado o sonho de ser mãe, raramente a vejo com pessoas que não trabalhem com ela, pois seus assessores, assistentes e advogados então sempre ao seu redor, ver Celestina Warbeck com alguém que não receba pagamentos dela, com certeza significa que ela esta tentando e conseguindo extorquir por alguma razão.
A conclusão que eu chego é que a Sra. Warbeck planeja conseguir algo comigo ao me chamar na sua sala, e eu não estou com nenhuma vontade de ouvi-la dizer qualquer palavra.
A sala da famosíssima cantora Celestina Waberck é luxuosa e extravagante. Espelhos, taças de vidro, lustres de cristal, madeira fina, sofás de couro, tapetes persa e muito azul, a cor azul enche minha visão e em meio aquela infinidade de tonalidades da cor, algo chama a atenção por fugir do padrão, uma enorme estante de garrafas de vinho, o cheiro é inconfundivelmente forte e entorpecente. No fim da sala, uma mesa de mogno azul brilhante, atrás dela, a primeiríssima rainha da música bruxa, Sra. Warbeck levanta os olhos do seu espelho de mão para me ver entrar, seu rosto é inexpressível e ela só abre os carnudos lábios escuros para falar quando eu me sento em uma cadeira na frente da mesa.
–Olá, Sr. Malfoy. Suponho que este curioso para entender por que eu lhe trouxe até aqui, – a mulher negra diz, e um sorriso perverso brinca em seus lábios – o senhor cresceu muito desde que nos vimos pela última vez.
–E não é isso que as pessoas fazem? Elas não crescem? – eu respondo claramente desinteressado na conversa
–Você ainda é um menino muito insolente...
–É claro, faz parte do meu charme. Não acha?
–Meus assessores estavam preocupados com a imagem que o público jovem tem de mim, ao que parece, meus álbuns desceram gradativamente nas vendas, pesquisas apontam que os mais novos não me apreciam, a proposta ao oferecer meu querido castelo como local provisório de Hogwarts seria para favorecer minha imagem, como caridosa e jovial... Porém, só se passaram três horas desde que vocês chegaram a minha Ilha e algo já aconteceu. Quer saber o que foi?
–Não, mas tenho certeza que me dirá mesmo assim.
A Sra. Warbeck levantou-se, puxou o ar e disse pausadamente:
–Meu mapa foi furtado
–O que?
–Meu mapa, Sr. Malfoy. –diz devagar, acentuando cada palavra. A mulher negra desliza suas unhas compridas e bem pintadas na madeira da mesa, e a circula, ficando em pé na frente da minha cadeira, seus olhos cintilam de raiva e por um segundo eu a temi – Esta Ilha servia como porto para antigos Piratas sombrios, conhecidos pela sua alta técnica em magia negra construíram partes deste castelo e lhe equiparam com infinitas saídas, passagem secretas e corredores subterrâneos, tantos que nem mesmo eu estive em tudo isso, o mapa era o único que catalogava este castelo com perfeição, a única cópia e ele foi roubado da minha sala. Eu preciso que você encontre o ladrão.
–Eu? Contrate um profissional
–Se eu quero que seja você, você fará. Escute Malfoy, tem noção do perigo se este mapa cair nas mãos erradas?
–Não sei. – eu respondo pausando entre as curtas frases — Não me importo. Não é problema meu. Não sei se você sabe, mas eu tenho coisas maiores para me preocupar, procure você outra pessoa.
–É mesmo... – ela concordou com a cabeça, passou a língua nos dentes e gargalhou, voltou a se sentar, depois que sua crise de risos parou, ela me encarou com os olhos cheios de perversidade – Eu soube, sou uma mulher muito bem relacionada, ouvi boatos, você esta de casamento marcado com a filha mais nova dos Greengrass, não é? Ela não parece ser seu tipo... E sua mãe, internada em um hospital público... Eu imagino a vergonha e o nojo que você deve sentir da situação. Esta se casando por dinheiro. Um Malfoy humilhado. De mãos atadas. Sem um tostão. Você já esta usando livros usados?
–Se você não se importa, eu realmente tenho que ir. – minha voz esta carregada de grosseria e minhas mãos estão cerradas em punhos – Eu não tenho por que esta aqui tendo essa conversa inútil com você
–Sente-se – ela ordenou – eu dou as cartas aqui, Malfoy, este é meu território, eu mando, você me obedece de bom gosto, ou terá consequências.
Eu não respondi, porém também não me mexi, continuei sentado na cadeira a encarando furiosamente. Quem essa mulher acha que é pra esta falando assim comigo?! O único motivo por ainda não tê-la azarado ou saído batendo furiosamente a porta é a expulsão da Ilha que teria má repercussão no meu próximo julgamento, eu não vou fazer qualquer bobagem que tire meu dinheiro de mim.
–Você vai encontrar o ladrão e trazer para mim
–Interessante... Dia 13 do nunca até 27 do jamais acontecerá esta bom pra você?
–E se você ganhar algo em troca? – ela da um meio sorriso — Eu conheço o seu tipo Malfoy, você nunca entra em um acordo sem que ganhe algo com isso, é calculista e não se importa com ninguém de verdade, e se importa com alguém, é por que ela traz vantagens ou prazer para você. Se me ajudar, fornecerei regalias no meu castelo, tudo o que quiser, e principalmente um quarto em um hospital particular para sua mãe, com direito a visitas secretas via pó-de-flur da minha sala, ninguém mais precisa saber.
Analisei mentalmente sua proposta. Meu casamento e o julgamento estão marcados para o mês que vem, e julgando pelas minhas últimas visitas a minha mãe, o hospital público não esta oferecendo o suficiente para o conforto e melhoria dela... Mas como encontrar o ladrão? Poderia ser qualquer um
–Esta é minha única oferta
–Eu quero mais uma coisa
–O que?
–Uma sala para meu uso, uma sala de espelhos, um estúdio, você teve ter algum para ensaio por aqui.
–Sim, eu que tenho o que você quer
–Acordo fechado. Vou achar o seu ladrão.
***
–Tem certeza Draco? Ela não parece confiável – Astoria esta desconfiada mordendo o lábio inferior – Ouvi dizer que é uma cobra
Nós caminhamos de mãos dadas para o salão principal onde seriam servidas as refeições, esta na hora do almoço. Por conta do casamento, é essencial que sejamos fotografados e vistos como namorados, visto que isso me favorecerá no tribunal.
–Eu sei, mas eu também sou. Fica tranquila, – eu digo despreocupadamente – eu tenho tudo sobre o controle, eu já recebi ordens piores de tiranos, Lord Voldemort me deu uma missão difícil no meu sexto ano
–Se é o que diz... Ok – ela esta nervosa, visivelmente desconfortável com os olhares em cima de nós, por onde passamos no corredor, os alunos nos olham como dois estranhos, Astoria é muito tímida e isso sempre atrapalha nossa atuação, se não fosse minha amiga eu já teria perdido a paciência há muito tempo, chegamos ao momento crítico que em plenos dois meses que fingimos esse romance eu não a beijei nenhuma vez.
–Eu consegui algo pra você
–O que?
–Um estúdio de dança.
–Sério? – ela arregala os olhos castanhos e endireita os óculos – Como?
–Foi parte do acordo
–Obrigado, Draco. Você é um doce, assim vou poder praticar balé.
–Não diga besteiras
–Eu acho você legal
–Eu só sou legal com quem eu quero ser legal, não sou um santo, não sou um herói, não sou um Potter, eu só faço o que eu quero fazer, bom ou mal, o que me traz prazer em fazer eu faço, é só por minha causa, eu não quero que as pessoas olhem pra mim e vejam um “cara bacana”, não quero que esperem nada de mim, Astoria, eu não sou bom, eu não morreria por ninguém. Não se apaixone por mim, eu não sou um cara para se apaixonar e repito: Não diga besteiras.
Visão de Hermione Granger
O salão principal do novo castelo exala uma atmosfera mais leve do que o de Hogwarts, as mesas são de vidro e o teto é enfeitiçado para mostrar um lindo céu de anjos, arco-íris, cupidos e outras coisas bonitas, é aconchegante, e meu almoço poderia ser perfeito, se Rony ao menos olha-se para mim. Estou sentada com Gina ao meu lado, na minha frente Harry e Rony, Harry esta animado conversando com outros meninos da Grifnória sobre a Ilha, mas Rony não disse nenhuma palavra desde que se sentou, McGonagall ainda não havia dado os únicos para o almoço ser servido e aquilo parecia uma eternidade, Gina também parecia incomodada.
De repente, Gina me cutucou de uma maneira nada discreta e gesticulou com a cabeça para a mesa principal onde o corpo estudantil e os convidados da Ilha estão sentados, este mês eles vieram festejar conosco a nova fase do mundo mágico pós-guerra bruxa, antes das verdadeiras aulas iniciarem. Entre eles posso ver representantes do Ministério da magia, o próprio ministro, alguns dançarinos famosos, jogadores de Quadribol... Viktor Krum.
Sim, é ele mesmo, o musculoso homem de olhar penetrante troca olhares comigo e eu aceno, Viktor sorri galantemente e pisca para mim, me arrependo do que faço assim que vejo Rony se remexer na cadeira da frente.
Eu pude ouvir um coro de anjos cantarem aleluia quando McGonagall finalmente levantou-se, a diretora fez um belo discurso de boas vindas e começou a chamar os primeiranistas para a seleção, eu fingi ao máximo estar prestando atenção na diretora, mas minha atenção estava mesmo voltada ao cabisbaixo Rony, por não prestar atenção tomei um susto quando a Grifnória comemorou o primeiro novo aluno da nossa casa, era a menina de hoje cedo, Letícia. Ver a linda garotinha me fez me sentir pior, Rony estava sofrendo e isso fazia eu me sentir um mau exemplo para a menina.
Quase meia hora depois o almoço é servido, e eu estou faminta, a mesa é farta e eu como o quanto posso, porém tentando ao máximo não perder a educação, minha mãe sempre foi severa com isto, pensar na minha mãe me deixou com o coração apertado, a fome passou e no lugar meu corpo se preencheu de culpa.
–Tudo bem, Mione? – Harry pergunta preocupado
–Claro – eu menti – só estou cheia
Comi mais três ou quatro colheres me forçando, mas desisti antes que a sobremesa chegasse, me despedi de meus amigos e segui para a sala da Grifnória, quando sou parada por Harry
–O que foi? – eu pergunto
–Vai parecer estranho e uma péssima ideia, – ele diz gesticulando as mãos e arrumando os óculos como ele faz quando esta nervoso – eu sei que você acabou de terminar com o Rony, e eu não quero que você ache que estou afim de você, mas eu não tenho ninguém com quem dançar no baile e nem você. Vamos como amigos?
–Claro, é só dançar – eu sorri, a ideia de algo acontecer entre mim e Harry, ao contrário do que o resto da escola pensa é completamente impossível.
–Ótimo. Rony vai entender. Ele já passou da fase de sentir ciúme de nós.
–Vai sim... Até a noite
–Até
Visão de Draco Malfoy
[Tchaikovsky, Concerto em Re maior, Op.35 para violino e orquestra]
[https://www.youtube.com/watch?v=4wWCGCPGvvk]
Uma música suave toca em alto som enquanto eu entro por uma pesada porta, o estúdio é bem iluminado, branco, delicado, e cercado de espelhos e barras. A visão que eu tenho é bela, a moça desliza em delicados passos pelo chão polido. Na ponta de pés ela rodopia com perfeição, pula, gira, enquanto seus olhos acompanham o próprio reflexo, ela parecia não sentir o próprio peso sobre os pés.
Astoria Greengrass é uma bailarina encantadora, o balé ainda não é uma arte comum entre os bruxos, porém é difícil não sentir paz a vendo dançar tão suavemente. A moça loira já esta pronta para um baile, usando um simples vestido, cor de marfim, não tão diferente da cor pálida da sua pele, justo na cintura e rodado em baixo que cai até os tornozelos, sapatilhas de pano e os cabelos amarrados em um habitual rabo de cavalo, o diferencial eram fios soltos que moldavam seu rosto infantil, em seu rosto posso detectar uma suave maquiagem, possivelmente obra de Pansy.
Aos dezesseis anos, Astoria parece uma menininha, seu vestido e maquiagem não lembram em nada as outras meninas da Sonserina da sua idade, sua beleza e caráter são diferentes de todas as outras, e não chama a atenção, ao contrário de sua irmã mais velha, Dafne Greengrass. Observá-la dançar só me faz ter certeza de uma coisa: Astoria tem sim sua beleza e um caráter doce e encantador, mas jamais seria uma mulher que me despertaria interesse romântico, nunca houve uma, mas eu sei que se houver uma, não será ela. Na minha vida o amor não passa de ficção, e mesmo que exista, não é o tipo de sentimento que eu quero para mim.
A música entre em seu clímax, os violinos dão tudo de si e Astoria tenta acompanhar ao máximo, eu me encosto ao batente na porta e é neste momento que ela nota minha presença, caindo no chão imediatamente, ela esta com o rosto pálido de susto e em seguida vermelho de vergonha.
–Você esta vendo olhos azuis e bolsos lotados de dinheiro? Calma garotinha, não sou seu pai. – eu digo me aproximando da menina caída no chão
–Você me assustou – ela fechou os olhos
–Precisamos ir. – eu ofereci minha mão e ela se apoiou em mim para levantar, ela olhou suas sapatilhas de balé e suspirou – Sim, você precisa trocar. – respondi sua pergunta mental
–Eu sei... Eu só... Deixa. Claro que Dafne não me pode ver usando isso, meus pais saberiam disso em minutos, eu vou trocar por saltos altos. Cadê a Pansy?
–Já foi, bem requisitada, ela foi o par em trio com dois meninos do sétimo ano
–Ela é louca – Astoria riu, sentou-se no chão e trocou as sapatilhas por um salto dourado, apesar de não passar de mais de cinco centímetros provavelmente, eu já podia até imaginar que eu ficaria a noite toda a segurando para não cair.
–É sim
Quando Astoria finalmente levantou-se, eu a seguirei pelo braço e seguimos caminho para o salão de festas, que infelizmente é no último andar do castelo.
O salão é muito comprido, chão em madeira escura, paredes azuladas, candelabros de ouro e muitas luzes, a mesa principal esta embutida a parede, longa e muito enfeitada, quase exagerada, cheias de doces e comidas que de tão caracterizadas para fingirem serem abóbora que eu demorei a entender do que se tratava, muitos alunos já estavam no salão e elfos vestidos de paletó serviam as mesas, aquilo era estranho.
A festa mal havia começado e haviam poucas pessoas na pista de dança, entre eles a minha louca amiga Pansy que dançava sensualmente uma música animada com os dois garotos que estavam mais interessados em olhar seu decote generoso em um lindo vestido azul do que realmente dançar, não sei se ela já havia notado, mas ela com certeza não se importa, tudo que Pansy quer é se divertir esta noite, indo pra cama com um deles ou não, a garota só gosta de aproveitar os momentos.
Um casal passa ao nosso lado, a mulher é Dafne Greengrass que encara Astoria quando passa por nós, Dafne é uma mulher bem mais alta e formosa que a irmã, seu corpo é cheio de curvas, cintura fina, coxas grossas, quadril largo e seios avantajados. Sua pele é branca, bochechas coradas, lábios carnudos, olhos azuis e longos cabelos loiros dourados que caem até a cintura, uma das meninas mais desejadas da Sonserina com quem eu fiquei muitas vezes antes de estar nessa situação com Astoria, eu voltaria a me envolver com ela se não fosse o maldito dinheiro em risco. Eu admito, Dafne é uma megera, mas eu não me importo, ela é muito gostosa e nunca ficaria no meu pé bancando a ridícula apaixonada, essa é a minha combinação perfeita de garota.
–Longa noite... – Astoria suspira pesadamente desviando o olhar da irmã – Isso tem que valer alguma coisa.
Visão de Hermione Granger
Toda mulher gosta de se sentir bonita, mas nenhuma gosta das tediosas horas na frente do espelho acertando a maquiagem e o cabelo, quando Gina terminou de me arrumar, minhas pernas já estavam dormentes e minha pequena vontade de ir já havia chegado ao zero, pensei seriamente em desistir, se não fosse à insistência de Gina e saber que Harry esperava por mim, com certeza eu teria feito isso.
Gina estava uma mulher fatal com um ousado vestido vermelho vinho que deixava os ombros e parte do seio a mostra, um colar de pérolas, brincos escuros e saltos tão altos que me faziam uma anã ao seu lado, ela sim parecia confiante em seu visual, e eu tentava o mesmo. Meu vestido é branco, longo, sem decote e uma cavada costa nua, minha perna direita esta a mostra com uma fenda não tão alta e sapatos branco, meu único acessório é um bracelete dourado, minha maquiagem é leve, destacando um batom laranja e meus cabelos estão amarrados em um lindo coque no alto da cabeça, gosto da imagem que vejo no espelho, bonita, elegante e inteligente, diferente da mocinha fofa do quarto ano.
Harry esta diferente, ele parece confortável usando um jaquetão social azul Royal e uma calça preta, um look adequado e aparentemente muito confortável. Olho em volta na sala comunal da Grifnória e não vejo Rony, isto me preocupa.
–Onde ele esta? – eu não preciso ser mais especifica por que os dois já sabem que estou falando de Rony
–Esta se arrumando, não esta muito animado, Lilá e ele resolveram ir de última hora – Harry respondeu
–Ótimo, então vamos – Gina sorriu animada.
–Você não vai esperar Dino?
–Eu não vou com ele, Harry – ela da um risinho, provavelmente se divertindo com a cara de espanto de Harry – meu par e eu vamos nos encontrar na porta do Salão.
–Ok
Quando chegamos à frente do Salão, Gina olhou em volta e não achou o tal rapaz, Harry e eu entramos enquanto a ruiva esperava do lado de fora, a festa já havia começado há algum tempo e muitos casais já estavam dançando.
Harry e eu nos olhamos, ele fez uma reverência exagerada me estendendo a mão, eu ri e nós seguimos rindo para o meio do salão dançar juntos. Nós já estamos dançando há duas ou três músicas, nenhum de nós dois é bom nisso, e somos completamente descornados pulando no meio da pista ao som de uma música mais animada.
[Westlife — Us Against the World]
[https://www.youtube.com/watch?v=vQM0QS8HChE]
Nós estamos com cara de idiota e rindo muito quando a terceira música termina, bruscamente as músicas mais animadas são trocadas pelas mais lentas, habituais nos bailes de Hogwarts, ponho os braços ao redor do pescoço de Harry, ele põe as mãos na minha cintura e tentamos caminhar seguindo ritmo, particularmente sou muito melhor dançarina em músicas como esta, infelizmente Harry é bom em nenhuma, e nós tínhamos que parar e tomar todo cuidado possível para que ela não me machucasse
–Calma, eu posso comprar um pé novo pra você – ele riu.
–Eu gosto desse, obrigado.
–Aquele é Draco Malfoy?
–Sim... – eu respondo olhando para a figura vestida com um simples e elegante terno preto, essa devia ser a cor do Malfoy, pois ele estava muito atraente, porém eu jamais diria em voz alta, bonito por fora e uma coisa arrogante e nojenta por dentro, apesar de ele estranhamente parecer muito tranquilo naquela situação dançando com a menina baixinha e loira de hoje cedo – Astoria Greengrass, noiva dele, eu li no Profeta diário.
–Ela é tão... Criança. Parece tão inocente pra uma Sonserina.
–É irmã da Dafne Greengrass, então eu não apostaria nisso.
Depois disso, ficamos em silêncio acompanhando a música, nós já estamos a cantando baixinho quando eu começo a pensar sobre nós. Meu Merlin... Eu não sei como descrever o quanto eu amo Harry Potter, não do jeito estranho que Rita Skeeter tenta por na cabeça dos leitores do Profeta diário, mas de um jeito inocente e sincero, meus olhos se fecham e eu encosto minha cabeça no seu peito atormentada com a ideia de que ele jamais me perdoasse.
–Calma Hermione. Ele esta ali dançando com a Lilá, esta tudo bem. – Harry diz se referindo a Rony
–Não é isso... – eu me afasto – Preciso ser sincera com você
–O que é isso? – Harry diz com os olhos arregalados, eu me viro para ver do que tratava e vejo uma cena inacreditável... Como ela ousa deixar de me contar?! Gina entra no Salão de mãos dadas com ninguém menos que Blásio Zabini! – Pensei que ele fosse gay...
–Desgraçados – eu grunhi. Foi eu que apresentei vocês! Por que eu não sabia disso? Espera... Isso não faz o menor sentido. A questão da sexualidade de Blásio sempre foi um tabu por onde ele passa, minha opinião como irmã sempre foi que Blásio é um tipo de ser assexuado, ele não gosta de homem ou mulher, ele é só um grande desinteressado em sexo. Isto não faz sentido! E de mãos dadas? Posso contar nos dedos às vezes em que ele foi carinhoso com qualquer coisa.
–Posso interromper esta dança? – eu ouço uma voz que eu jamais confundiria
–Claro – Harry respondeu
Viktor Krum sorri para mim e põe suas grandes mãos em volta da minha cintura, por mais incrível que parecesse, o rapaz esta ainda mais bonito e musculoso do que a última vez que o vi, no casamento antes da guerra.
–Eu não podia deixar de dançar com minha donzela favorita
–Sou sua donzela favorita? – eu ri – Suas fãs não iam gostar de ouvir isso.
–Não vou contar pra elas. Você vai? – ele sussurrou no meu ouvido como se contasse um segredo, ele se afastou e continuamos dançando juntos – Parece que o Profeta diário esta errado atualmente, ele diz que você esta namorando Rony Weasley, parece que é Harry Potter.
–Eu terminei com ele, estou solteira – fui sincera, Viktor é confiável – eu sei o que você esta fazendo Viktor, por favor, não estou em boa hora.
–Posso ajudar em alguma coisa? – ele pareceu preocupado – Tem vantagens ser famoso.
–Não tem nada que possa ajudar
–Vai ficar tudo bem, Hermione – ele beijou minha testa.
–O que você esta fazendo?! – eu sou arrancada de perto de Viktor tão rapidamente que nem me dou conta do que aconteceu, o empurrão me faz esbarrar na mesa principal e meu vestido é manchado por uma bebida escura. – Ela não é para brincar Krum!
Mal vejo a mancha no meu vestido e ouço um barulho estridente, olho para frente e vejo os últimos segundos onde a mão cerrada em punhos de Rony Weasley acertam o queijo de Viktor Krum, com os olhos ardendo de fúria Viktor devolve com um soco no peito que deixa Rony com o rosto roxo causada pela falta de ar, esforçando-se para respirar ele segura sua varinha, Viktor puxa a sua e é o primeiro a azarar Rony, o ruivo esta prestes a se defender com um contra feitiço quando ele é atingido por um expelliarmus de Harry Potter, o ruivo voa longe.
–O que é isto?! – a voz de Minerva McGonagall soa furiosa, atrás dela Celestina Warbeck chega encarando a todos.
–Ele me socou do nada! – Viktor se defendeu
–Você é um idiota que fica brincando com as meninas de Hogwarts – Rony diz entre lufadas de ar levantando-se do chão, ele massageia o peito onde foi atingido por um soco forte de Viktor.
–Você não sabe se isso é verdade, Weasley! – eu digo com as mãos fechadas em punhas gritando com o ruivo que se assusta com minha reação, eu raramente grito, mas aquela cena na frente de todos os alunos e membros do próprio Ministério da magia é ridícula, é neste momento que eu percebo os flashes, alguns estão aproveitando a situação para filmar, eu visualizo que estarei na capa dos jornais amanhã e isso me deixa ainda mais furiosa.
–Weasley, Krum e Potter, na minha sala. Agora!
–Eu só separei os dois...
–Weasley e Krum então, e o resto esqueçam o acontecimento.
Krum e eu trocamos olhares, ele parece furioso e eu dou meu melhor olhar de “desculpas”, ele não merece isso.
As duas mulheres saem do Salão por uma porta lateral com os dois rapazes, e os alunos no salão se agitam comentando o ocorrido, no meio da multidão de alunos eu posso reconhecer até o Ministro da magia que me observa abismado, minha cabeça esta quente e eu temo fazer uma besteira, desvio de Harry que esta no meu caminho e saio pela porta principal sem olhar para trás. Como eu faço pra fugir de tudo isso?!
***
O silêncio absoluto é rompido por um grito aterrorizante que corta meus ouvidos. Sento-me com os olhos abertos, porém não vejo nada, a luz recente me cega e eu demoro alguns segundos para conseguir enxergar com clareza, a primeira coisa que sinto é meu olfato, o cheiro de sangue é forte e eu encaro as minhas mãos procurando por um ferimento.
A segunda coisa que vejo é um homem deitado ao meu lado, ele esta com um braço cobrindo seu rosto, quando ele o tira reconheço Draco Malfoy, seu cabelo esta desgrenhado e o terno esta aberto, no seu rosto há manchas de sangue, mas nenhum ferimento a vista, ele me encara assustado, eu deslizo os dedos no meu rosto e vejo que ele também tem sangue.
Tudo isso se passa em segundos, uma menina esta nos olhando deitados no chão, finalmente para de gritar e sai correndo aterrorizada pelo corredor. Por que estamos no chão do corredor?
Malfoy encara a parede e eu olho logo em seguida, levanto-me assustada, vejo a parede suja de sangue com uma sequência numérica escrita com sangue: 4-5-3-5-13-2-18-5. Sequência numérica... Só pode ser do mesmo homem que torturou minha mãe.
Sentado encostada a parede, o corpo ensanguentado de um menino moreno e magricela, sua garganta esta cortada e a cabeça esta torta para a direta como se estivesse a ponto de rasgar completamente do corpo e o pior, no seu rosto tudo que resta são dois buracos fundos onde estavam os seus olhos.
– Theodore Nott... – Malfoy sussurrou reconhecendo o corpo.
Um novo grito aterrorizante rompe meus ouvidos, e desta vez ele é meu. Theodore Nott foi brutalmente assassinado e teve os olhos arrancados, que monstro faria isso?!
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