Fracos

4 Capítulo 4: Uma parte do enigma


Notas iniciais
Outro capítulo grande! Ele é meio tenso, eu gostei do resultado. Espero q vcs tbm!

Visão de Draco Malfoy

Meu dia não poderia começar pior, Theodore Nott, um sujeito magricelo da Sonserina foi assassinado e deixado em um corredor do castelo, eu acordei na cena do crime esta manhã, sujo com o sangue da vítima e com ninguém menos que Hermione Granger ao meu lado, a irritante rata da biblioteca. Não que eu tivesse algum apreço pelo Nott, mas eu não o mataria, principalmente em um momento como esses.

O Departamento de mistérios do Ministério da magia foi acionado pela diretora McGonagall e um represente seria enviado o mais rápido possível. A diretora e Celestina Warbeck não nos chamaram por nenhuma vez de suspeitos desde que nós dois sentamos em suas cadeiras na sala da diretoria, mas não é necessário ser um gênio para entender que somos os primeiros suspeitos do caso. Minerva McGonagall esta visivelmente nervosa observando a paisagem fora da janela, porém ainda parece severa e com traços de raiva, Celestina Waberck não tirou os olhos de mim desde minha chegada, claramente furiosa comigo, enquanto Hermione Granger esta silenciosa, com os olhos fixos no nada, pensando no que havia acontecido, seu rosto ainda esta sujo de sangue.

Não sei exatamente do quê, mas estou com ódio saltando os limites da segurança. A Ilha inteira já deveria ter conhecimento do assassinato e não faltaria muito para estar estampado nos jornais, o Ministério estaria ainda mais forte no meu encalce e me afastando ainda mais da posse do meu dinheiro. Eu odeio! Realmente odeio seja quem for o maldito assassino.

A Granger quase da um salto de susto quando a porta da sala abre-se, um bruxo alto e muito musculoso entra, quase tão grande quanto um guarda roupa. Claramente um detetive do Departamento de Mistérios, cerca de quarenta anos, o bruxo tem a pele clara, olhos esbugalhados, nem um fio de cabelo na cabeça e uma boca de dentes muito brancos, trajando um bonito paletó escuro, atrás dele vem uma melhor vestida social, alta, esguia, de cabelo loiro mel, olhos castanhos e óculos, muito interessada no seu papel de anotações.

–Este é o Sr. Adam O' hanoly, detetive do Departamento de mistérios, e sua secretaria Srta. Kate Mc Garvey, — a diretora McGonagall apresenta, enquanto a maioria de nós troca um “bom dia”, menos eu, que achei que a resposta mais adequada seria um avada kedrava, então optei pelo silêncio – eles são os responsáveis chefes no mistério.

–Apenas estes os suspeitos? – O Sr. O’hanoly pergunta com sua voz grave pousando os olhos demoradamente em mim e a rata da biblioteca

–Testemunhas seria um termo mais apropriado, — a rata diz entrando em ação, eu não me interessei em falar nada – os ferimentos do corpo não foram feitos por magia, um objeto cortante, físico, foi utilizado e a arma não foi encontrada, tudo o que tem sobre nós é uma prova circunstancial, não é o suficiente estarmos lá, o julgamento não seria levado a diante.

– O sangue em vocês é da vítima, então são duas evidencias — o homem careca e carrancudo enumera com os dedos.

–E nenhum motivo

–É verdade, mas isso é uma questão de tempo. – ele virou-se para a velha diretora -- Sra. McGonagall, eu só estive em uma cena de crime, onde esta o garoto?

–Uma? Houve mais de uma morte? – Granger pergunta surpresa, me arrumo na cadeira mais interessado em ouvir a conversa sem realmente estar participando dela – Onde foi?

–Eu levarei o senhor à cena do crime, é no corredor do castelo, uma moça do quinto ano os achou esta manhã – Minerva McGonagall responde ao detetive ignorando completamente a rata da biblioteca – nós deixamos intacto para que os profissionais analisassem.

–Ótimo trabalho, — ele virou-se para nós outra vez – digam o nome, idade e o que aconteceu a noite passada.

A mulher loira de óculos com uma pena começa a anotar rapidamente o que se passa.

–Hermione Granger, dezoito anos. – a rata começou – Eu fui ao baile de abertura com meu amigo Harry Potter, Viktor Krum me convidou para uma dança, nós dançamos e tivemos um pequeno impasse com meu ex-namorado Rony Weasley, quando a confusão terminou eu estava suja, saí do salão e entrei no banheiro do mesmo andar, eu estava sozinha, e tentei limpar a macha no meu vestido... – sua voz diminui enquanto fala até sumir completamente, todos nós olhamos para ela esperando que ela continuasse, eu estava quase certo de que ela não voltaria mais a falar, quando ela piscou percebendo que todos a encaravam – Estava difícil de respirar e eu não lembro mais de nada depois. Fui envenenada, estão me incriminando e por isso me associaram ao Malfoy.

–Eu não sou assassino, — eu respondo com acidez – e você é a assassina mais patética e burra que o mundo bruxo já viu.

–Eu não sou burra, Malfoy. – ela responde com os olhos cintilando de raiva, suas mãos estão fechadas em punhos e ela respira rapidamente — Não sou uma assassina.

–Não percebe que estou sendo gentil? Ser encontrada com o corpo da vítima ti faz a pior assassina que qualquer um já ouviu falar, enfim você mostra sua real natureza, Granger.

–Não faça joguinhos Malfoy, desta sala você é o único capaz de matar, foi um comensal da morte. – ela sorri vitoriosa.

–Não lê jornais? – eu sorrio – Eu fui inocentado, eu pensei que garotas como você fossem mais atentas a notícias.

–Quieto os dois, — o detetive O’hanoly pede sem paciência e dirige os olhos para mim – acho que conheço você.

–Sim. Há cinco minutos – eu respondo revirando os olhos.

–Quem é você?

–Fui avisada sobre ele, — a loira, Kate Mc Garvey diz arrumando os óculos – este é Draco Malfoy, foi inocentado sobre as acusações de comensal da morte, é um dos bruxos investigados a receber pagamentos de Voldemort.

–Por que não se apresentou? – o detetive pergunta

–Bom, eu estive ocupado. Fui acusado por uma maldita sangue ruim de ser um assassino burro, você não viu?

–Então você é um engraçadinho? – ele sorri – Eu odeio engraçadinhos, eles não têm vez comigo, mantenho em rédeas curtas.

–Pode deixar – eu me inclino para ele como se fosse confidenciar um segredo – eu aviso para um engraçadinho o que você disse assim que ver um.

–Me dê sua varinha

–O que?

–Me dê sua varinha, em nome do Ministério da magia.

Quando eu não movo nenhum musculo para entregar o objeto ele arranca da minha mão, antes que eu reagisse, Granger me segura na cadeira e McGonagall juntamente com Warbeck me policiam com os olhos, empurro a mão de Granger de perto de mim, mas decido não atacar o detetive.

Adam O’hanoly sobe e desce o olhar sobre minha varinha, analisando-a. Sua mão direita puxa do seu paletó um instrumento de meio dedo de altura, vermelho e quadrado, nada parecido com qualquer coisa que eu tenha visto, ele encaixou o pequeno objeto no final da minha varinha. Uma luz vermelha enraiou, e magicamente correntes vermelhas cercaram minha varinha até a ponta, desapareceram segundos depois, deixando rastros de luz.

O homem careca me devolveu a varinha, a minha primeira reação foi tentar retirar o objeto quadrado dela, mas não obtive sucesso, todas as vezes que eu usava força para tirar, as correntes vermelhas apareciam e sumiam rapidamente. Eu olho para o detetive e ele sorri satisfeito com minha reação.

–O que fez com minha varinha?

–Isto é um suspecta, o Ministério esta monitorando todos os feitiços desta varinha. Eu não gosto de você, não gosto mesmo, e se não cooperar durante minhas investigações, eu farei um relatório ressaltando o quão desprezível você é Sr. Malfoy. Pessoas foram brutalmente assassinadas, e se for você e a garota inteligente, ou qualquer outro, não vão escapar de mim.

Puta. Que. Pariu

Fecho os olhos e tento controlar todo o ódio que estou sentindo, eu estou tremendo e devo parecer um louco, por que sinto a sangue ruim se distanciar de mim.

–Sr. Malfoy, o que aconteceu ontem à noite? – ouço Adam O’hanoly dizer calmamente, mas ainda estou com os olhos fechados, um milhão de maneiras de como eu poderia mata-lo passa pela minha mente e eu decido não responder, este maldito não tirará meu dinheiro e nem a vida da minha mãe – Fale Malfoy, o que aconteceu ontem à noite? Eu posso fazer coisas piores se não responder

Eu quero muito matar você detetive Adam O’hanoly.

–Eu não matei o Nott. – eu respondo com firmeza em cada palavra – Eu fui ao baile, dancei com minha noiva, comi alguma coisa e só, e se não acredita, guarde suas teorias detetive, elas não passam de historinhas.

Não esperei por permissão e não me preocupei em ser educado, apenas me levantei e saí pela porta a batendo com força.

Já estou passos à frente, quando ouço as porta se abrir novamente, passos nervosos me seguem.

–Eu sou inocente! – eu gritei me virando para o detetive, mas é apenas a garota sangue-ruim.

–Eu sei, eu também, – Granger respondeu com a respiração pesada aproximando-se de mim – eu tenho pistas sobre o que esta acontecendo, sobre o verdadeiro assassino...

–Se vai me chamar para sua caçada, Granger, você esta perdendo seu tempo.

–Não estou feliz em me juntar a você, Malfoy. Porém por algum motivo você foi metido nisso, não quer saber?

–Não, não quero. É seu problema, seu funeral, não meu, eu tenho outros problemas, estou cheio deles.

–Pessoas estão morrendo!

–Isso é um incentivo para que eu me importe?

–Você é um grande idiota

–Não me incomode mais, Theodore Nott não é uma vida que eu estava interessado em salvar, adeus sangue ruim.

Visão de Hermione Granger

Draco Malfoy é um grande babaca! Um idiota desprezível sem coração! Como ele pode ser tão egoísta e simplesmente me virar às costas em um momento desses? Pessoas estão morrendo, e o maldito assassino não deve ter posto Malfoy ao meu lado esta manhã por nenhum motivo, e agora com ele se recusando a me ajudar eu talvez nunca saiba por que, preciso dele, mas é claro que eu não voltarei a pedir ajuda.

A fúria me sobe a cabeça de um jeito ridículo que apenas Malfoy consegue fazer comigo, aquele jeito sarcástico, egoísta e narcisista é infalível em tirar a sanidade de qualquer um. Eu estou andando em círculos no corredor que ele me deixou tentando organizar meus pensamentos, quando finalmente consigo me acalmar decido que a primeira coisa que devo fazer é me lavar, estou pensando se devo ir para meu quarto, eu não quero ter de encarar outros alunos enquanto eles me encaram a me ver passar suja de sangue e com a roupa da festa, porém percebo que já passa do horário do café da manhã e a sala comunal da Grifnória provavelmente está vazia, assim sigo caminho.

A segunda coisa que devo fazer é contatar Blásio, juntos precisamos examinar a cena do crime antes que seja limpa, provavelmente devo ter duas horas para isso acontecer, por que como conheço os procedimentos de investigação, eles demorarão algum tempo para recolher provas.

Entro na sala comunal tentando ser o mais silenciosa possível, infelizmente não é muito útil, alguém este sentado no primeiro degrau da escada para os quartos femininos, ele esta com a cabeça entre as pernas, e tudo que posso ver são os cabelos ruivos, eu estou torcendo para que seja Gina, quando ele levanta a cabeça para me ver chegar, é Rony Weasley.

Rony arregala os olhos quando me vê, levanta-se assustado e anda rapidamente em minha direção, suas mãos seguram meu rosto e ele me examina:

–Você esta bem? Desculpe-me Hermione, por favor, me desculpe.

–Devia pedir ao Viktor, — eu respondo amarga afastando sua mão de mim tentando ser o menos grosseira possível, ainda estou furiosa com Malfoy, e não quero pensar no escândalo que Rony fez na noite passada – você o socou sem nenhum motivo.

–Eu achei que tinha um, eu fiquei louco quando vi vocês juntos, eu quis concertar as coisas, mas Gina disse que você não voltou ontem à noite e essa manhã eu ouvi boatos, fiquei preocupado e decidi esperar por você.

–Rony, você me envergonhou na frente de todos...

–Eu sei – ele me interrompeu – por favor, me desculpe.

–Ok... Sim – eu respondo respirando fundo – você é meu amigo.

–Eu sei... Queria poder concertar isso também.

–Não tem o que concertar, eu sou a coisa quebrada, você não, — eu digo com a cabeça baixa, mas sei que ele esta me ouvindo, eu pisco tentando afastar as lágrimas, respiro fundo e o olho nos olhos – você foi um bom homem, um bom namorado e a culpa não é sua, do Viktor, ou de qualquer outra pessoa, é só minha, eu não consegui ti amar.

Rony não respondeu, ele abriu a boca para dizer algo, mas a fechou, atordoado ele deu um passo para trás, em geral não é difícil calar Rony, ele não é muito inteligente, mas desta vez foi diferente, eu quase pude ouvir seu coração quebrar em milhões de pedacinhos.

O ruivo põe a mão no coração como se estivesse doendo, seus ombros estão caídos e os olhos tão tristes que eu quase o abracei forte, mas eu não me mexi, isso poderia dar esperanças de algo mais que amizade.

–Tudo bem, Hermione... – ele suspirou, olhou para mim e continuou – Não é a primeira vez que não consigo o que eu quero.

–Do que você esta falando?

–Todos os meus irmãos fizeram uma coisa magnifica, coisas que deixariam meus pais orgulhosos, até minha irmã mais nova, ela é a primeira batedora de um time profissional de Quadribol na história. — ele diz atordoado, jogando as palavras para fora, claramente desabando na minha frente.

Rony parece tão frágil que eu não consigo suportar, e algumas lágrimas descem dos meus olhos, eu quero ajuda-lo. Mas como? Não sou capaz nem mesmo de arrumar minha própria vida

–Meu melhor amigo é o eleito, ele derrotou Voldemort, e eu estive na guerra, eu ajudei a salvar vidas, destruí uma orcrux, mas quando você abre o jornal, tanta coisa extraordinária aconteceu que eu sou só lembrado como o namorado da brilhante Hermione Granger e amigo de Harry Potter. – Rony continuou, seus olhos estão vermelhos e algumas lágrimas ameaçam sair, mas eu já estou chorando — Não tenho grandes ambições, Hermione, eu não quero ser o ministro da magia, eu só queria ter você, e mesmo quando eu tive você, eu não fui o bastante para segurá-la perto de mim.

“Eu te amo, Rony, você é como um irmão para mim” eu pensei em dizer, mas por algum motivo sou incapaz de falar, e se isso apenas o machucasse ainda mais? Eu não quero ser o motivo de mais dor.

Graças a Merlin, o ruivo não esperou que eu respondesse, ele se virou e seguiu para o seu quarto. Eu não esperei que ele sumisse da minha linha de visão para correr escada à cima em direção ao meu quarto.

Entrando no meu quarto tranquei a porta e me despi com pressa, não liguei para onde eu estava jogando meu vestido, apenas entrei no boxe do banheiro, liguei o chuveiro na água quente e chorei tudo o que eu podia.

Visão de Draco Malfoy

Depois dos momentos de ódio na sala da diretora, tudo o que eu queria era tomar banho e me alimentar. Eu tomei banho no meu quarto e cheguei aos últimos minutos para o café da manhã, sentei e apressadamente coloquei coisas no meu prato. Estou faminto!

Pansy, Astoria e Blásio estão sentados perto de mim, e logo que sento me bombardeiam de perguntas. Sem estar realmente respondendo a um diretamente, eu relato o ocorrido na sala com o detetive e friso o momento que ele põe um suspecta na minha varinha, dizendo isso para todos de uma vez eu sei que não precisarei voltar a repetir.

–O Suspecta esta na varinha da Granger também? – Blásio pergunta interessado

–Provavelmente não.

–Por que não aceitou se juntar a Granger? Duas pessoas morreram ontem

–Não é problema meu Astoria. – eu respondo a loira que esta visivelmente preocupada comigo – Outra pessoa vai ser o herói, eu estou ocupado tentando salvar a minha pele, e eu nem sei quem foi o outro que morreu.

–Um menino na cidade da Ilha, fora dos portões do castelo, — Pansy me respondeu – acho que não era ninguém importante, mas Hogwarts esta agitada.

–Hogwarts? – Astoria pergunta – Não estamos em Hogwarts

–Não, não estamos, mas ainda vivemos como se estivéssemos em Hogwarts, — Pansy da de ombros para a pergunta de Astoria, ela respira fundo, e segura meu braço – eu estou aliviada que você esteja bem, Draco, você preocupou todos nós.

–A mim não, — Blásio diz naturalmente tomando um suco logo em seguida – Draco é um sobrevivente, e não seria tão descuidado ao cometer um crime.

–Bom saber que alguém não me subestima – eu sorri

–Draco, você suspeita quem seja o assassino? – Pansy pergunta com os olhos castanhos preocupados – Theodore era tão quieto, eu não sei quem poderia querer mata-lo.

–Não.

–Você se lembra do que aconteceu ontem? – Astoria esta nervosa, brincando com a comida, sem parecer estar realmente interessada em comer – Você se afastou para pegar uma bebida e não voltou mais.

–Não, eu apaguei depois dali.

–Interessante... – Blásio esta com um pequeno sorriso nos lábios – Segurem-se crianças, nós estamos embarcando em um glorioso mistério.

Visão de Hermione Granger

Não sei quanto tempo passei debaixo do chuveiro, talvez tempo demais, por que quando eu entrei no quarto, Gina não estava lá, porém a coruja Victorie bicava a janela, ela traz uma mensagem de Blásio, meu irmão já esta indo investigar a cena do crime.

Meu cabelo esta molhado, eu não me importo, o amarro em um rabo de cavalo, coloco uma roupa confortável e leve — visto o tempo quente da Ilha -, e estou pronta para sair quando percebo a palidez do meu rosto, uso a maquiagem de Gina para disfarçar o quanto posso e saio rapidamente do quarto, eu passo por algumas meninas que já estão voltando do café, a sala comunal começa a encher e eu faço o possível para passar despercebida, enfim já estou no corredor.

Blásio esta me esperando no corredor antecessor a cena do crime, ele acena com a cabeça a me ver:

–Você perdeu o café, deste jeito vai emagrecer até secar completamente.

–Eu estive ocupada, mas suponho que você já deve saber disso, seu amigo Malfoy é um cretino.

–Não tanto quanto perece, eu asseguro. – ele deu um meio sorriso – Ele vai se unir a nós, Malfoy não é tão frio quanto ele deixa que pensem.

–Onde esta o detetive?

–Se despedindo de McGonagall, você chegou a tempo.

De longe nós observamos Adam O' hanoly e Kate Mc Garvey terminarem seu trabalho, alguns outros peritos da equipe estão examinando o corpo. O homem careca parece ser muito experiente, um novato não levaria tanto tempo analisando a parede com a numeração com tanto cuidado, enquanto a moça loira parece ser apenas uma assistente bonita e novata, perdida no meio de tanto sangue e pessoas.

Celestina Warbeck não esta lá, mas a diretora Minerva McGonagall e alguns elfos estão lá, os pequenos provavelmente esperando para que limpem o local. Mcgonagall esta preocupada, com as mãos juntas na frente do corpo, perguntando algumas vezes algo para o detetive que com a distância não conseguimos escutar. Enfim, o homem afastou da parede, trocou um aperto de mão e saiu em direção contrária a nossa com sua assistente, os peritos continuaram no local, em breve levarão o corpo para a autópsia.

Quando o detetive e sua assistente sumiram pelo corredor, Blásio e eu nos aproximamos da cena.

–O que estão fazendo aqui? Esta área esta proibida para alunos, – McGonagall pergunta com os braços cruzados e olhos severos – saiam agora mesmo.

Blásio ignorou a diretora, ajoelhou-se do lado do corpo e deixou que eu explicasse.

O corpo pálido de Theodore Nott esta sentado no chão, com o tronco e cabeça apoiados na parede e as pernas livres no chão. Theodore devia ter 1,70 de altura, corpo magro, quase nenhum músculo, um alvo fácil, pele pálida e cabelos negros despenteados. Veste-se com uma calça marrom escura, cinto de fivela prata, blusa de mangas comprida azul, sua cabeça esta torta, o corte profundo no pescoço expõe o interior do seu corpo, e no lugar de seus olhos um escuro buraco de sangue seco, o tipo de visão que perturbaria até aquele com o estômago mais forte.

–Nós podemos ser tão úteis quanto o Departamento de mistérios, — eu disse – somos uma dupla com métodos próprios de investigação, não custa nada tentar.

–Vocês vão estragar nosso trabalho – um homem moreno fardado esta ajoelhado próximo ao corpo, ele levanta para me corrigir, este deve ser o superior dos peritos – deixe isto para os profissionais.

–Não toque em nada – uma mulher ordena para Blásio que outra vez ignora o aviso

Blásio segura o queixo do corpo da vítima por alguns segundos, olha para mim e diz:

–Este não é o local do crime

–Do que esta falando? – o homem moreno, superior da equipe de peritos, esta irritado.

–Estou fazendo o seu trabalho, — Blásio respondeu, mas não esta olhando para ele, seus olhos examinam o chão, ele levanta e caminha alguns passos de distância do corpo, então aponta com o pé um pequeno arranhão no chão – este arranhão foi causado pela fivela do cinto da vítima, o assassino o arrastou aqui, isto explica a falta de sangue no chão, ele foi limpo, o assassino deve ter tipo tempo de limpar suas digitais também, suponho que com a poção certa conseguimos recuperar as manchas de sangue do chão que confirmam minha teoria. O corte no pescoço foi fatal, quase cirúrgico, mas não perfeito, houve respingos de sangue.

–O assassino precisou arrastá-lo... Ele não tinha força para carregar o corpo? – a diretora pergunta

–Não, acredito que o local da morte este bem próximo. Ali, – ele apontou para uma porta que dava entrada para o jardim do castelo – Nott não esta vestido a caráter para o baile de ontem, eu o conheci, um garoto estudioso, provavelmente optou por não comparecer ao baile e estava no jardim, por isso há barro na sola dos sapatos, foi onde ele foi surpreendido pelo assassino que o matou e o trouxe até aqui onde ele seria facilmente encontrado.

Os peritos, a diretora e os elfos estavam boquiabertos com meu irmão... Um comportamento típico de quem o vê em ação pela primeira vez.

–O que acha Hermione? Ainda consegue me acompanhar?

–Nott foi atacado pelas costas, tentou se defender, fugir, o assassino tinha uma força física superior, Nott caiu de joelhos no chão, o que causou a fratura no joelho, — eu respondo o mais calmamente possível, puxando a calça marrom do corpo para expor as manchas no joelho e a fratura sutilmente visível – quando ele estava de joelhos, o assassino puxou seu cabelo, desmanchando o penteado escovado para trás que para nossa sorte foi feito com gel, assim com um objeto metalizado e bem afiado, provavelmente uma faca, o assassino cortou a garganta de Nott.

–O assassino usou magia para retirar os olhos de Nott, — Blásio continuou – ele o queria para alguma coisa, foi opcional retirar, o uso de magia deixa mais claro que ele não queria danificar os olhos. Você ainda é boa, Hermione, o que acha sobre a numeração na parede?

–Sinceramente nada, 4-5-3-5-13-2-18-5, a sequência tem repetições mais esta longe de aparentar um padrão,– eu respondo com um suspiro – porém deve significar algo, o assassino fez questão que eles estivessem expostos.

–Ou é algo para tirar a atenção

–Talvez, mas suponho que não.

–O caso esta cada vez mais interessante – o moreno sorriu – já temos uma parte do enigma

–Demonstre algum respeito Blás, alguém morreu.

–Desculpe interromper a conversa senhores, — a diretora nos chama a atenção – o desempenho de ambos foi extraordinária, são uma grande dupla.

–Ou uma grande fraude – o perito chefe este mal humorado de braços cruzados – você não é um dos suspeitos?

–Sim, mas não sou a assassina.

Eu aceno com a cabeça para Blásio e ele entende que é o momento para nós nos retirarmos.

Eu me levanto do chão e andamos juntos pelos corredores para longe daquele lugar

–Não pense que eu me esqueci de você com minha melhor amiga no baile ontem, — eu digo enquanto ainda estamos caminhando – você não é do tipo que tem relacionamentos.

–Tire suas dúvidas com sua amiga, irmã. Eu estou atrasado para o meu curso.

***

–Um namoro falso? Você não pode estar falando sério, Gina.

–Shi! Fale mais baixo!

Gina esta vermelha como uma pimenta, claramente envergonhada em me contar. Nós estamos na arquibancada no campo de Quadribol assistindo um jogo bobo entre duas equipes montadas há algumas horas, os times oficiais das casas ainda não haviam sido feitos, mesmo assim Gina me arrastou até aqui para vê-la jogar mais tarde.

–Tente entender Hermione, é bom para nós dois, — Gina diz mais para si própria do que para mim, ela respira fundo e continua sua estúpida explicação – eu precisava tirar Harry do meu encalce, ele não desistiu de mim e preciso que ele acredite que estou com outra pessoa

–Que história é essa Gina? Você ainda gosta do Harry

–É, mas eu não quero voltar com ele, essa relação foi desgastante e já deu, nós temos essa conversa outra hora, o fato é que Blásio precisava ter uma namorada para tirar a mãe de vocês na cola dele, ela acha que o Blásio é um gay excluído sem vida social

–Sim, por que é verdade.

–Você sempre disse que acreditava que Blásio é um assexuado desinteressado em sexo.

–Dane-se o que eu disse, Gina, isto é ridículo. Quem é que vai acreditar nisso? A escola inteira pensa que o meu irmão é gay

–Nós vamos os fazer acreditar. Calma Hermione, nós dois estamos super bem.

Visão de Draco Malfoy

O dia se arrastou lentamente, mesmo com tudo o que estive presente hoje eu nunca estive tão tenso, apesar de todas as tentativas de desviar minha atenção, eu sempre acabo me lembrando do assassinato em que me envolvi esta manhã, o ódio e a curiosidade me consomem toda vez que eu encaro o suspecta na minha varinha.

Os portões do castelo estiveram abertos o dia todo e seriam fechados as 19h da noite, os alunos estão livres para conhecer a Ilha. O sol esta se pondo e já faz duas horas que estou sentado na areia da praia encarando o mar, de um jeito estranho o cheiro da água salgada me faz pensar melhor, faz meus músculos relaxarem, e no momento o que eu mais preciso é relaxar, o mundo esta sobe minhas costas e se eu não tiver momentos como esse eu acabarei explodindo.

Em algum momento, Astoria sentou ao meu lado e observou o mar comigo.

–Você não esta bem, não é? – ela perguntou com um suspiro.

–O que esta dizendo? – eu sorri – Eu estou muito bem.

–Sou sua amiga há muito tempo, eu sei quando esta mentindo, Draco.

–É tão óbvio? – eu pergunto

–Não... Só para mim ou a Pansy. Talvez Blásio, não para todos.

–Ótimo, é o suficiente.

Outros longos minutos de silêncio...

–Esta esperando que eu chore e desabe ti contando todos os meus problemas? – eu a olho nos olhos castanhos, mas estou sério.

–Não, você não fará isso, por mais que eu queria muito. Eu só vou ficar aqui fingindo estar fazendo alguma coisa útil pra você.

–Obrigado, Astoria

–Não precisa, eu não estou fazendo nada, só sendo inútil como sempre – ela suspirou – eu não sei o que você pensa que estou sentindo sobre esse casamento, mas eu não estou feliz, eu sou muito boba e romântica, sempre acreditei que um dia eu me casaria com o amor da minha vida e ele me amaria intensamente também, estou decepcionada com tudo isso. Eu rezo para que papai consiga seu dinheiro pra você e que consigamos salvar a tia Narcisa.

–Eu pensei... Que você fosse apaixonada por mim.

–Olha! Uma garrafa!

Astoria correu para o mar e pegou uma garrafa flutuante, ela esta com um sorriso bobo nos lábios e destampa a garrafa com animação, mas o seu sorriso murcha quando ela lê a carta no interior da garrafa, ela me entrega imediatamente:

“Parece que você se recusa a entrar no meu jogo, Draco, pois eu farei com que fosse se interesse em jogar comigo. Onde esta Pansy Parkinson?”

Visão de Hermione Granger

A sala comunal da Grifnória costuma ser animado, um lugar onde posso compartilhar momentos felizes com meus amigos, mas esta noite, tudo o que consigo pensar são nos assassinatos, eu não consegui coletar muitas informações sobre o menino que morreu na cidade fora dos portões do castelo, os boatos que correm são que era um menino de quinze anos de idade filho de um padeiro, morto exatamente da mesma maneira que Theodore Nott e com uma numeração na parede da qual ninguém tem certeza... E eu que pensei que vir a Ilha Pégaso seria entediante, um dia e meio aqui e eu tenho emoção para uma vida inteira.

Rony e Harry estão no chão concentrados em um jogo de xadrez, não é surpresa que Rony esteja vencendo Harry, ele é muito bom no jogo, já faz algum tempo que não presto atenção, estou inerte em meus pensamentos, e Gina esta no sofá na minha frente simplesmente os ignorando concentrada em sua revista de moda.

–Tudo bem, Mione? – Harry diz tocando meu pulso, ele parece preocupado, eu já contei a todos os três sobre o ocorrido, apenas omitindo algumas partes que envolviam meu irmão para Harry e Rony que não sabem disso, Harry ficou muito preocupado comigo, enquanto Rony tem agido muito estranho desde seu desabafo esta manhã – Você esta muito aérea.

Gina abaixa a revista e nos observa

–Estou bem, claro – eu finjo um sorriso, mas não consigo convencê-lo. Mentir para Harry é insuportável.

–Eu estou com você, Hermione, nós estamos, é só pedir que faremos alguma coisa, nós vamos descobrir quem é que esta ti incriminado.

–Olá Hermione, — Dino Thomas me cumprimenta sentando ao meu lado no sofá – Draco Malfoy esta lá fora, ele insistiu que eu chamasse você.

Fechei os olhos, respirei fundo atordoada, Harry e os outros ouviram o aviso de Dino e dificultaria em esconder o que esta acontecendo seja lá o que for, eu agradeço muito baixo com um “obrigado Dino” e saio da sala comunal, Malfoy esta bem na frente da porta me esperando.

–Eu repensei, precisamos nos unir – o rapaz loiro diz afobado – ele atacou de novo.

–Alguém morreu?

Nos momentos seguintes eu não sei o que mais me surpreendeu, o arrogante Malfoy admitir mesmo que não usando as exatas palavras que precisava de mim ou que ele de fato tinha um coração. Malfoy disse:

–Pansy Parkinson sumiu, e eu não vou descansar até trazer minha amiga de volta.