Fracos
2 Capítulo 2: A ilha – parte 2
Notas iniciais
Visão de Draco Malfoy
A aliança no meu dedo parece pesada. O incomodo chega a tanto que preciso tirá-la do meu dedo, ela significa toda a linhagem Malfoy, cada casal Malfoy usou o mesmo par de alianças durante séculos, uma tradição que é teoricamente imortal e que ninguém pode burlar, nem mesmo eu, mesmo assim, nunca realmente acreditei que um dia me veria a usando no dedo, eu nunca acreditei que me casaria, e agora estou de casamento marcado com alguém que com certeza não amo.
Aliás, não amo por que isso não passa de lenda, um amor avassalador e com todos aqueles adjetivos bonitos não passa de imaginação e sinônimo de fraqueza, eu nunca senti nada assim por uma garota, nada além de desejo sexual ou raramente amizade.
As circunstancias estão me obrigando a me casar com Astoria Greengrass, uma menina baixinha, magricela e tímida que eu conheço desde criança por nossas famílias terem sido próximas por muito tempo. Eu não tenho uma aversão por ela, Astoria é uma boa amiga, nós somos próximos, e é a única menina do mundo que esteve perto de mim e eu não tive um caso de uma noite, isto por que é impossível imaginar alguém ter um caso de uma noite com Astoria, ela é inocente e pura demais para se imaginar uma coisa dessas, odiaria fazê-la chorar, uma vez quando eu tinha dez anos, eu azarei um homem adulto que a chamou de “patinho feio da família”, foi um escândalo, ele era advogado e quase processou minha família, se não fosse papai silenciá-lo por alguns milhões em dinheiro, esse ato de amizade fez muita gente de nossas famílias acreditarem que um dia nós nos casaríamos, eles estavam tremendamente enganados, ou eu achava que estavam.
A ideia de casamento veio de um plano para salvar minha mãe, pois meu pai esta esperando sua execução em Azkaban e eu por pouco não estive lá, se não fossem testemunhos e provas circunstanciais que comprovavam que eu me tornei um comensal da morte sem vontade própria, não que eu estivesse do lado do testa rachada ou do Lord Voldemort, eu na realidade não queria estar presente em nenhum dos dois lados, tudo que eu queria fazer era ficar parado e assistir a guerra de longe, sou um sobrevivente, não um lutador por uma causa boa ou não, no fim eu me uniria ao vencedor, mesmo que fosse ao Potter, mas não aconteceu assim. Semanas depois da guerra, durante os julgamentos, minha mãe foi diagnostica com Lithius e isto mudou tudo.
Ela precisa de tratamento intensivo com poções com ingredientes muito caros e médicos especializados, eu poderia pagar por tudo isso, se o Ministério não tivesse confiscado meu dinheiro para investigar os registros bancários da família Malfoy, e assim conferir se havia pagamento da parte de Voldemort. Este tipo de investigação demora muito tempo, por que eu não sou o único comensal na situação, por sorte, Carlisle Greengrass é o juiz do caso, e ele prometeu devolver o dinheiro da família se eu me casasse com sua família Astoria, como não tenho escolha, eu disse sim.
Os sonserinos entram e começam a explorar nossa nova sala comunal.
Paredes verdes, prata, sofás, mesas de vidro, velas mágicas no teto, nada fora do comum, tirando o fato que não tem lareira, levando em conta que estamos em uma ilha quente, não haveria por que ter uma mesmo.
Astoria esta vermelha, com os cabelos loiros grudados no rosto de suor, seus óculos insistem em cair enquanto ela desajeitadamente tenta uma manobra com a mala que esta presa entre dois sofás. Reviro os olhos e empurro um dos sofás, facilitando para a garota.
–Obrigado – ela estava vermelha de novo, mas desta vez de vergonha.
Finalmente a garota loira larga a mala e observa a sala, de repente ela sorri.
–Já terminou de contemplar noivinha? Por que é cedo demais para eu ti carregar até o quarto – Sarcástico e arrogante... Estes são os melhores adjetivos para mim, quem me conhece já esta acostumado.
–Você tira todo o clima mesmo... – Astoria me olha e da um suspiro de exaustão, porém logo volta os olhos a sala – Não é bonito? Estar em um lugar novo, com pessoas diferentes, um ambiente diferente, traz a sensação que este é um novo começo, uma nova chance de fazer as coisas certas.
–Quer mesmo ter esse papo comigo? Eu sou tão profundo quanto uma piscina de criança
–idiota
–Lesa
Pansy Parkinson entra pela porta arrastando sua mala, porém ao contrário dos olhos de todos os outros que estão vidrados na nova sala comunal, seus olhos escuros estão em algo completamente diferente, a bunda de Astoria.
–Que delicia! Os pombinhos estão namorando no meio da sala comunal – ela diz com seu tom malicioso e rouco no fim da frase que é inconfundível. Inesperadamente a primeira coisa que ela faz antes de largar a mala é dar um tapa na bunda de Astoria. — Opa gatinha, agora que estou ti vendo de costas vejo que uma coisa cresceu em você nas férias, foi difícil ver com tanta gente lá em baixo.
–Para Pansy – Astoria diz com as bochechas vermelhas completamente sem graça pelo jeito descarado da morena Parkinson
Pansy Parkinson é uma mulher alta de 1.70 e com um corpo esguio, apesar de não estar à mostra é visivelmente cheia de curvas voluptuosas. Pele morena, olhos negros, boca carnuda e um longo cabelo escuro, as grandes bochechas que ela tinha ainda estão lá, mas diminuíram com o tempo. Visivelmente vem de uma linhagem de bruxos latinos
Nossas famílias são próximas e nós já nos conhecíamos desde antes de Hogwarts, ou mesmo de eu conhecer a família Greengrass, se existe alguém que conhece Pansy Parkinson sou eu. Ela é ousada, debochada, cruel e posso adicionar outros adjetivos horríveis, mas também é muito fiel, é a única dos meus antigos amigos íntimos que continuou próxima a mim depois da guerra, os outros simplesmente aparecem e às vezes falam comigo, por outro lado agora eu sou um “bad boy” para as mulheres, pena que não posso aproveitar isso.
Olho para o corpo de Astoria um instante e vejo que Pansy não esta errada, ela engordou, e apesar de a diferença ser mínima, Astoria esta tomando corpo de mulher.
–É você tem razão, Pansy. Tem um pouco de bunda ali – eu disse
–Eu tenho sempre razão, Draquinho.
–Parem com isso – Astoria esta ainda mais vermelha cobrindo sua bunda com as mãos – olhem pro outro lado
–Virgens – Pansy debocha revirando os olhos
–Cadê o Blás? Ele estava com a gente agora pouco
–Não sei onde esta o gay – Pansy deu de ombros, pois claramente não se importa com o rapaz.
–O Zabini é gay? – Astoria pergunta assustada – Eu sempre pensei que ele só fosse tímido... Ele é tão bonito... – ela arregala os olhos, constrangida quando percebe que disse a última sentença em voz alta – me ignorem, por favor.
–Ele não é gay Pansy – eu reviro os olhos
–Diga isso por você, é claro que ele é gay, todo mundo sabe disso – Pansy tomou sua atenção para Astoria – Ok fofinha, você vai dormir comigo, e isso não é um convite.
Astoria apenas assentiu com a cabeça acolhendo a ordem
–Você esta deixando ela desconfortável
–Draquinho, eu deixo todo mundo desconfortável, mas ela sabe que somos amigas. Vem Asty, temos um baile hoje à noite.
–E você tem amiga? – eu ri
–Cala boca
–Cuida bem da minha noiva
Astoria arrastou a mala indo atrás de Pansy, e quando passou por mim dei uma palmada na sua bunda que deixou a menina loira com a face vermelha como um tomate.
Noiva... Que coisa estúpida, Astoria Greengrass é só uma irmãzinha.
Enquanto Astoria e Pansy sumiam escada a cima para os quartos femininos que eu jamais irei subir, Blásio chega por trás de mim carregando várias malas magicamente, ignoro o impulso de perguntar o que ele traz que é preciso tanto espaço.
Ao contrário das duas meninas, minha amizade com Blásio não é tão extensa, apesar de nos conhecermos desde o primeiro ano em Hogwarts, nós só nos aproximamos depois da guerra, tudo que eu sei dele eu ouvi ou presenciei em momentos muito estranhos que despertam curiosidade em mim, Blásio é esperto, excêntrico e pouco social, ele não é tão inteligente quanto à rata da biblioteca – Granger – mas tem um talento um tanto especial e útil, eu nunca fico entediado perto dele, e isso pra mim basta, pessoas previsíveis são chatas demais para eu ficar perto.
–Onde você estava? – eu perguntei
–Nada importante. Onde é nosso quarto?
–Não sei ainda. Vem comigo, podemos escolher.
Seguimos o corredor de quartos masculinos da Sonserina, quando ele diz por alto:
– Você acha que o resultado será positivo?
–Do que?
–Do exame
Parei bruscamente no corredor e me virei para ele para perguntar, com a certeza de que sua resposta seria brilhante:
–Como sabe que eu fiz um exame hoje?
–Você e a Greengrass transpiram álcool, – ele movimenta as mãos para trazer o cheiro para mais perto dele – a Greengrass não bebe álcool, então não poderia ser bebida alcoólica, ela ainda tem um pequeno inchaço debaixo dos olhos, o que indica que ela chorou esta manhã, vocês estão noivos, apesar de claramente você não expressar qualquer desejo físico por ela, ainda assim suas famílias devem ser próximas, a moça deve considerar sua mãe como uma tia e segundo os jornais ela foi diagnosticada com Lithius há um tempo, esta internada, então esta manhã a Greengrass chorou por sua amada Narcisa Malfoy no hospital, o que explica o cheiro de álcool dos dois, e para completar o quadro você tem uma pequena picada vermelha no braço, onde a seringa foi injetada para retirar seu sangue para análise, então pergunto mais uma vez, você acha que o resultado será positivo?
Blásio Zabini é um mestre em dedução.
–Não
Foi tudo que eu respondi. Este garoto será muito útil um dia
Visão de Hermione Granger
[Coldplay — Fix you]
[https://www.youtube.com/watch?v=k4V3Mo61fJM]
–Torturou?
–Sim. Blás me contou agora pouco... Ta acontecendo Gina. Ta acontecendo! Meu passado esta correndo atrás de mim
Gina senta-se ao meu lado na cama, sem grandes movimentos, sem fala, sem reação. Nós interrompemos a arrumação do nosso novo quarto para conversar, Gina tornou-se minha melhor amiga nos últimos anos, é minha confidente, contei meu segredo a ela quando eu tinha catorze anos, eu nunca me arrependi disso.
A ruiva é uma grande atleta, treina duas horas sem parar todos os dias desde os dez anos, seguindo o estereotipo ela devia ser lésbica e bruta, mas na verdade é a garota mais feminina que eu conheço, uma amante de marcas de maquiagem e roupa que eu nunca ouvi falar, além disso, é uma ótima ouvinte e conselheira quando eu preciso. Gina segurou minha mão e respirou fundo.
–Vamos passar por isso, juntas – ela diz com firmeza.
–Não, não vamos. – eu a corrijo, a olho nos olhos azuis e lhe dou uma ordem – Não ouse fazer isso Gina, eu escondi isso do Harry.
–Mas eu também menti pra ele – ela soltou minha mão
–Você tecnicamente não mentiu, apenas deixou de contar a verdade, quando todo mundo souber você pode dizer que não sabia também, Harry vai ficar muito chateado e talvez ele nunca me perdoe, foi muito cruel da minha parte e eu entendo, mas você não precisa passar por isso, eu sei que você ainda o ama.
–Quer mesmo passar por isso sozinha, Mione? É muita coisa pra uma garota só.
–Eu sou Hermione Granger, eu consigo qualquer coisa.
–Quando vai contar pra ele?
–Amanhã, não vou estragar o baile, o pior é que eu já ia fazer uma coisa importante e agora são duas.
–A outra era?
–Terminar com o Rony
–Ai finalmente! – Gina comemorou levantando os punhos e fechando os olhos, eu a encaro como se fosse louca, afinal estamos falando do seu irmão, devagar ela abaixa os punhos – O que é? Você sabe que esse namoro nunca devia ter acontecido, vocês tem uma química e tal, e eu amo meu irmão, apesar de ser um idiota inseguro, mas qualquer um sabe que vocês dois não iam dar certo. Eu ti disse amiga, eu ti disse.
–E agora vamos ficar as duas solteiras, mas não é o fim do mundo, eu quero me concentrar esse mês em estudar, eu tenho uma prova marcada para o primeiro dia do mês que vem, se eu passar, posso pular o sétimo ano e fazer faculdade.
–Bom... Eu não disse que estou solteira
–Do que você esta falando? Esta saindo com alguém e não me disse nada?
–Não é bem isso... Por favor, não fique uma fera.
–Não vou prometer nada
Alguém bate na porta, salva pelo até desconhecido, Gina levanta e abre a porta para uma garota pequena, pele pálida, cabelos escuros, comprido, lisos e brilhantes olhos verdes, provavelmente uma primeiranista, ela abre um sorriso enorme quando me vê, mas eu não a reconheço.
–O-oi, Hermione Granger! – ela esta nervosa, deu uma pausa demorada demais e eu pensei que ela diria mais nada, ao invés de começar ela entrou no quarto e me deu um abraço muito forte – Rony Weasley esta ti esperando na sala comunal. Eu sou uma grande fã sua! Você é linda e tão inteligente, quero ser igual a você quando crescer. Meu nome é Letícia
–O-obrigado... – eu estou sem palavras – Prazer Letícia
–Diga ao Rony que ela já vai descer – Gina pede a menina quando percebe que nenhuma de nós é capaz de dizer qualquer palavra, a menina apenas balança freneticamente a cabeça para dar sinal de positivo e sai correndo para fora com um sorriso estampado no rosto, Gina fecha a porta e me olha risonha – você precisa aprender a reagir melhor a seus fãs.
Esta não é a primeira vez que alguém se intitular meu fã, mas ainda não consigo ficar confortável com isso, principalmente quando uma menina tão bonita e adorável diz que quer seu igual a mim quando crescer. Sinto um grande peso nas costas, aquela menina se inspira em mim, eu preciso ser legal.
–Rony esta ti esperando, é hora Hermione, faz a coisa certa.
–Obrigado... – eu digo levantando e seguindo em passos lentos, passo pela porta como se estivesse caminhando para uma sala de tortura.
–Não demora, você vai ficar linda para o baile dessa noite.
Visão de Draco Malfoy
Dois pergaminhos estavam na mesa do quarto que Blásio e eu dividiremos, contendo a lista de programas, clubes e outros atrativos do primeiro mês da Ilha, é obrigatório que cada aluno se inscreva em pelo menos uma atividade e eu já estou no Quadribol, com toda a situação que eu estou, preciso estar com a mente sempre ocupada e preciso achar outra coisa para me inscrever, infelizmente Blásio pensa a mesma coisa.
–Chato. Tedioso. Chato. Chato. Insuportável...
–Ai meu Merlin, Blásio, você não pode procurar isso em silêncio? – eu pergunto encarando o rapaz moreno que me ignora completamente, este é um daqueles momentos que Blásio consegue ser insuportável com sua excentricidade.
Blásio é um rapaz muito alto, com músculos discretos. Pele negra, profundos olhos escuros, cabelos pretos, desalinhados, lisos, ele veste-se assim como se comporta: Elegante, um inglês puro. Ele tem um olhar centrado e se senta com uma postura perfeita, pernas cruzadas, mas não de um jeito feminino, parece um futuro juiz ou detetive.
–Estou entediado, não encontro nada que mereça um espaço na minha mente brilhante.
–Do que você esta falando?
–A pessoas perdem tempo guardando coisas inúteis na mente, para que minha memória funcione perfeitamente eu preciso armazenar só o necessário e deletar o restante, por exemplo, eu posso viver uma vida longa e fantástica sem saber a fofoca mais recente da vida de Celestina Warbeck. Não acho nada relevante para fazer na ilha. – Blásio bufa e volta sua atenção eu pergaminho.
–Você é brilhante, mas às vezes leva ser estranho a níveis impossíveis, que tal ir ao psiquiatra? Ele vai adorar brincar com você... Blásio...
–Sim? – ele pergunta, mas seus olhos ainda estão no pergaminho.
–Você já teve namorada ou namorado? – eu pergunto o mais sutilmente possível, a ideia de dividir um quarto com um colega homossexual é estranha.
–Se esta dando em cima de mim, Malfoy, eu não estou interessado, – ele responde naturalmente enquanto seus olhos ainda seguem as linhas do pergaminho. Ele me chamou de gay? Eu não sou gay! – procure sua noiva, qualquer cego veria que ela é apaixonada por você.
–Eu não estou dando em cima de você! Ficou maluco? O meu negocio é mulher!
–Então o que esta fazendo?
–Pansy acha que você é gay
–Ela não é a primeira e não será a última, Malfoy eu não estou interessado em você nu, fique tranquilo, minha mente esta ocupado com outras coisas mais interessantes e verdadeiramente excitantes como o curso de criminalística que eu acabo de achar, finalmente algo para me tirar do tédio.
De certo modo eu me sinto aliviado, Blásio não esta interessado em mim.
Mas tudo que ele disse não foi explicativo, Blásio não disse que é gay e nem disse que não é. Que cara estranho! Espera... Ele também disse que...
–Astoria esta apaixonada por mim?!
–Todos sabem disso, menos você. O amor é reação química mais visível que existe se quer minha opinião.
Visão de Hermione Granger
[Kelly Clarkson — Already Gone]
[https://www.youtube.com/watch?v=f0T3WAbU6tg]
Desço lentamente as escadas para o salão comunal, apesar dos muitos alunos, conversas altas, baques, e outros sons, tudo o que eu realmente estou ouvindo são as batidas frenéticas do meu coração e minha respiração pesada, eu nunca terminei um namoro antes, eu nem ao menos sei quais são as melhores palavras para se usar.
Na minha cabeça enumero os melhores fins de relacionamentos que já li, ouvi e assisti, todos eles contém lagrimas, tristezas e em muitos casos a frase “não é você, sou eu”, mas é sobre Rony que estou falando, preciso ser o mais simples e objetiva possível, talvez “quero conversar a sós”, a segunda frase mais usada da minha lista seja a melhor opção para iniciar nossa conversa.
Rony esta de costas para a escada, porém quando desço o último degrau ele se vira para mim com um sorriso, descruza os braços para me oferecer a mão, mas eu recuso a empurrando gentilmente para seu corpo, já foi o suficiente para eu passar às duas horas da viagem de mãos dadas, eu poderia ter feito isso antes, mas pensei que o clima entre Harry e Gina já seria pesado o suficiente para a situação.
–Quero conversar a sós – eu digo a frase olhando para um ponto fixo no seu rosto, seu queixo, ainda não sou capaz de olhá-lo nos olhos.
–Claro – Rony responde oscilante
Nós caminhamos para a porta e mantivemos uma distancia incomum até chegarmos ao corredor do castelo, alguns últimos grifnorios estão entrando na sala, e logo o corredor fica vazio.
–Algum problema?
–Sim, — eu suspiro, respiro fundo e me obrigo a olhá-lo nos olhos – Eu quero terminar Rony, nós passamos três meses bons juntos, mas eu descobri que nosso namoro não vai dar certo.
–Por quê? – ele esta com os olhos arregalados desde quando comecei a falar – eu fiz alguma coisa? É só me falar!
–Não, você é bom, gentil, nós temos uma amizade linda, mas eu acho que só sinto isso por você, confundi as coisas, não quero mais continuar isso, não vai dar certo, nós somos muito diferentes, eu quero algo grande na vida. Eu quero que você saiba que você não poderia ter me amado mais, mas eu quero que você siga em frente, você vai encontrar alguém que não ti faça chorar.
–Tem outro cara? — ele diz mexendo os cabelos ruivos e depois o rosto
–Não. Eu só não quero, por favor, vamos ser amigos.
Rony respondeu um muito baixo “ok”, baixou o rosto, fechou os olhos e saiu andando reto, sem olhar para trás, consequentemente esbarrou em Harry que estava saindo da sala comunal, Rony não parou, não pediu desculpas, só seguiu caminho.
Harry olha para mim e sem palavras eu já o que ele quer dizer
–Por que esta chorando? – Harry se aproxima e põe as mãos carinhosamente no meu rosto, eu quase respondo não estar chorando, mas quando abro os lábios para dizer, eu sinto o liquido salgado, sinto meu rosto molhado e percebo que estou realmente chorando, neste momento um grande grupo de grifnorios sai da sala comunal e diminuiu o passo quando nos vê no corredor, geralmente estes atos de carinho geram muita fofoca em Hogwarts, sobre um possível romance, mas nós dois nunca ligamos para isso – Ninguém precisa ver você chorar.
Harry segura minha mão e me guia para longe dos horários curiosos
–O que aconteceu? – ele pergunta enquanto ainda estamos andando pelo corredor
–Rony e eu terminamos, eu feri os sentimentos dele.
–Você terminou?
–Sim... Não pense mal Harry, eu gosto muito dele, mas não desse jeito eu acho, é melhor assim. Ele vai ficar chateado comigo?
–Sim Mione... – ele respondeu sinceramente ajustando os óculos redondos no seu rosto — Mas não precisa chorar, isso vai passar, Rony ama você e ainda podem ser amigos.
–Isso não aconteceu com você e Gina – eu respondo, mas me arrependo assim que as palavras saem da minha boca, Harry para de andar o mesmo instante e olha para mim claramente sofrendo com o meu comentário, não o suporto ver desse jeito – Desculpe.
–Tudo bem, eu sei – ele pisca os olhos demoradamente – vocês vão fazer diferente.
Bom amigo... Irá me perdoar?
Momentos depois, Harry e eu nos despedimos e seguimos caminhos diferentes, ele quer ver o campo de Quadribol da Ilha e tudo que eu quero é minha cama, eu subo as escadas e ando pelos corredores me arrastando, falta uma hora para servirem o almoço e estou cogitando a ideia de simplesmente não comer hoje, mas quando bato na porta Gina me atende com um rosto preocupado.
–Você precisa ver isso – ela diz me puxando para dentro do quarto, antes que eu pudesse perguntar o que esta acontecendo ela me da uma carta aberta endereçada a mim, que ela curiosa como é, leu antes de me entregar.
Primeiramente, como esta Isabel Zabini? Com certeza melhor do que a última alma que esteve em minhas mãos. A Ilha não é linda? Jogos, clubes, cursos... Parece excitante, mas eu tenho uma atividade melhor para sua estadia na Ilha Pégaso. Nossa divertida sequencia numérica começa esta noite, eu adoro jogos, espero que você esteja à altura para jogar comigo.
Faible fille, vous êtes moi amusement
–O bilhete chegou em uma coruja negra
–Eu preciso encontrar o Blásio, — eu digo preocupada – o bilhete é do torturador misterioso, juntos nós vamos encontra-lo com certeza.
–O que ele quis dizer sobre sequencia numérica?
–Ainda não sei, mas com certeza estamos em perigo, a Ilha não é segura.
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