Four-Leaf Clover
3 Benevolência & Malevolência
Notas iniciais
2-Benevolência & Malevolência
As pessoas em volta me olhavam confusas e assustadas, eu já sabia que minha íris estaria branca, por isso estava chamando a atenção. Mas meu corpo não tinha forças para me mexer ainda, ele queria aquele homem a quatro metros e meio de mim!
Mas assim como chamei a atenção dos outros pelos meus olhos, eu ganhei a sua atenção. Seus olhos se voltaram a mim e então, meu corpo estremeceu. Meu punho relaxou minimamente. Porem minha vontade de matá-lo ali mesmo, não!
Eles eram castanho escuro, pareciam suave mas eram obscuros ao mesmo tempo. Havia ate me esquecido de que eu estava exposta, apenas me lembrei ao ver seu olhar confuso e receoso a mim. Eu reuni todas minhas forças e quando consegui me virar sentia como se a cada passo apressado ate a esteira, onde minha mala estava, fizesse enormes rachaduras por todo meu corpo.
A dor era grande, mas me expor poderia causar um longo período de tortura!
Eu sentia seu coração batendo, sentia seu cheiro se aproximando e isso me fazia me focar no século que passei trancafiada na masmorra por ter revelado nosso segredo.
Virei minha cabeça para trás vendo-o se esbarrando em outras pessoas. Ele conseguiu me alcançar e segurou meu braço, me concentrei novamente, usei muito além de força para fazer e força meus instintos a se acalmarem apenas por alguns segundos que fossem. Quando ele focou seu olhar me vendo eu entrei em sua mente e o forcei, sim tive que forçá-lo, a ver meus olhos azuis. E sua mente era a mais resistente que eu já havia visto/conhecido por sinal.
Me demorei alguns segundos olhando em seus olhos, antes de me virar logo indo ate a saída e vendo um táxi, Me apressei a tomá-lo, tinha que sair dali o mais rápido possível! Observei através da janela de onde eu havia acabado de sair.
Eu estava faminta por ele!
Fiz o check-in na recepção e logo que entrei no quarto, me tranquei ali e fechei as janelas, deixando o quarto no mais absoluto breu possível. Me deitei na cama sem nem ao menos tirar os sapatos e me dispus a fitar o nada. Seus olhos logo apareceram diante minha mente.
O formato desregular de seus olhos fazia seu rosto, que continha inícios de idade, ter duas “expressões” diferente, sendo um lado mais firme, sério e ate mesmo mais sedutor e do outro suave e carinhoso. Em seu lado direito a pálpebra levemente inclinada de modo anguloso deixava-o com um olhar mais penetrante, esse era o lado “sério”. Do lado esquerdo o que se encarregava de chamar a atenção a mim, era o brilho gentil que exalava deles.
E dentre esses pensamentos eu logo adormeci, quase no mesmo momento em que o sol nascia…
E novamente seus olhos me vieram trazendo meu martírio!
A cena se passava repetidamente em meus sonhos, eu estava parada e ele voltava seu olhar a mim. Eles ficavam confusos ao ver os meus a sua natural forma. Minimamente por eles, se acometia um leve temor, cuja não se demorava a ir embora e logo ele se mantinha confuso e seu coração batia um pouco mais rápido.
Abri os olhos preguiçosamente logo me encontrando no mesmo breu de antes de adormecer. Por um segundo pensei não ter adormecido, mas assim que levantei e alcancei minha bolsa vendo as horas, tive certeza de o ter feito.
Liguei as luzes logo pegando minha mala e separando umas roupas antes de tomar o rumo do banheiro. Tomei um banho rápido logo me apressando em ir atrás dele. Eu sentia o rastro fraco de seu cheiro, porém ainda sim me deixava desnorteada.
Levei comigo apenas o cartão de crédito e o celular. Abri a janela e senti dezenas de aromas, porém apenas um estava se destacando. Fitei o prédio a duas ruas dali. A torre luminosa trazia um destacante “A” no topo. Ele deveria trabalhar com os “vingadores”. Talvez o motorista de certo, uma vez que fora, ele, a ir receber e buscar Barton.
Me sentei na janela colocando minhas pernas para o lado de fora. Inspirei fundo e me levantei ficando de pé do lado de fora da janela. Foquei meu olhar na torre tomando-a como alvo. Tomei impulso logo saltando ate o prédio mais próximo, eu escalava e saltava de prédio para prédio com destreza. E assim que alcancei a torre eu me dispus a achá-lo ali dentro. Fiquei pendurada no lado de fora da janela o observando.
Vestido com um jaleco, ele andava de um lado para o outro pegando papéis, anotações, pelo visto… Hora ou outra ele parava diante a uma tela holográfica e fazia alguns cálculos. Com certeza ele não era um motorista. Me foquei no seu pescoço sentindo meu desejo latejante de o matar. Entrei silenciosamente me aproximando dele. Fechei os olhos me sentindo estasiada em um pleno estado de frenesi. Abri os olhos a tempo de ver ele se virar e se assustar comigo se afastando vários passos e esbarando contra a mesa. Desapareci de suas vistas tão rapidamente que seus olhos não conseguiram acompanhar.
Ouvi seu coração disparado. Sentia o gosto amargo do veneno em meus lábios. Fiquei ali do lado de fora da janela por um tempo, ate perceber ele um pouco mais calmo. Me arrisquei a olhar pela janela, claro discretamente para ele não me visse novamente. Ele estava pensativo e sentado tomando algo, acho que era chá de camomila.
Percebi ele mexer em alguns papéis voltando sua atenção a eles. Observei seus olhos atentos, sua fisionomia. A expressão concentrada mais ao mesmo tempo serena dele. Sentia minhas fracas batidas soarem mais fortes do que o costume. Eu parecia estar me torturando, ficar ali tão perto dele fazia minha garganta arder, a dor poderia ser comparado a de ser queimado vivo, no mínimo.
Quanto mais o observava mais sentia algo dentro de mim não querer deixar-me o matar. Claro que eu estava tentando resistir a esse “sentimento”. Eu queria tanto o sangue dele. Queria ele todo dentro de mim… queria seu sabor impregnado em minha boca. Mas então eu olhei para seus olhos novamente. Tão doces e receosos ao mesmo tempo.
Eu estava me irritando comigo mesma pelo meu estado confuso, cuja estava na corda bamba entre a benevolência e seu antônimo. Engoli a seco, por fim, decidindo em me afastar dali. Porem não era isso que eu realmente queria…
Eu iria matá-lo.
Eu queria isso!
E eu faria.
Quando voltei o olhar para dentro ele desligou as luzes saindo do laboratório. Assim que saiu de meu campo de visão eu acompanhei ouvindo seus passos ate pararem, pude ouvir o girar da chave. Abriu e fechou a porta… Fui de janela a janela ate encontrá-lo retirando os sapatos com uns papéis em mãos sem desviar a atenção deles.
Novamente, bastou eu vê-lo para que minha “coragem” em matá-lo fosse embora.
Ele começou a desabotoar os botões de sua blusa a deixando aberta por uns segundos antes de retirá-la por fim deixando os papéis sobre a mesa de centro. Com passos preguiçosos e cansados ele foi ate a cozinha, mudei de janela para acompanhá-lo.
Observei-o abrir a geladeira e a olhar sem ânimo logo a fechando e indo ate a torneira pegando um copo d'água. Os músculos e veias de seu pescoço se movimentaram com o movimento de engolir. Molhei os lábios enquanto descia o olhar de seu pescoço pelo seu corpo semi nu. Ele fazia o tipo magro. Os pelos castanhos iam de seu peito ate adentrar dentro de suas calças. Ele deixou o copo sobre a pia e se virou de costas para ela se escorando ali.
Ele parecia muito pensativo. E minha intuição dizia que era sobre ele ter me visto a um par de hora atrás. Sua mão forte e máscula subiu ate seus cabelos os bagunçando ainda mais antes de parar em sua nuca.
Com um suspiro cansado ele desceu a mão indo ate calça e abrindo o botão deixando-a assim, mostrando a samba canção estampada em cores escuras. Ele se arrastou ate a suíte onde foi ligando o chuveiro e voltando-se a retirar as últimas peças que vestia, meias, calça e sua roupa íntima. Na esgueira eu entrei de maneira silenciosa parando exatamente atrás dele. Olhei-o através do espelho que estava a sua frente.
Observei-o através do espelho, apenas, seu único e exclusivo reflexo.
Ele tinha uma alma, eu não.
Meus olhos recairão sobre suas costas, observei a pele cálida. Senti minhas presas saírem enquanto eu levei minha mão suavemente próxima de seus ombros largos, eu não o toquei apenas aproximei-a, e ainda sim podia sentir o calor exalando de seu corpo.
Ele sentiu minha presença ali, seu corpo ficou rapidamente tenso, paralisado e sua respiração desregular. Ele olhava para o espelho, não me via, obvio, através dele, mas isso não mudava o fato de eu estar, logo atras, próximo dele. Aproximei meu rosto do vão entre o final do pescoço e seu ombro.
Ah. Que cheiro!
Entre abri meus lábios trêmulos sentindo o calor tão próximo deles. Eu estava brincando com a sorte, estava me torturando com aquilo.
Rosnei baixinho.
Ele ouviu, ficando ainda mais tenso.
Seu coração batia desreguladamente.
Eu ouvi sua respiração escapando de seus lábios entre abertos. Ele começou a virar seu rosto com cuidado tentado me colocar em seu campo de visão. Admirei por um segundo a parte de tras de seu corpo nu a minha frente antes de voltar meu olhar ao seu rosto que se virava lentamente querendo me ver. Inclinei-me mais próximo de seu rosto, ele fechou os olhos. Ele estava com medo, senti o seu cheiro tremulando.
Passei a língua em minha presa.
Ah como eu o queria!
Fechei os olhos e mordi meu lábio, ficando ainda mais perto de seu rosto. Meu rosnado acabou vindo novamente átona, de maneira rouca e feroz, ainda sim o contive de maneira baixa. Abri meus lábios. “Agora eu o teria!” –Pensei.
Abri meus olhos, por um segundo eu estremeci ao ver que abrimos no mesmo momento e ainda mais ao ver seu olho direito espantado olhando diretamente no meu.
Corri saindo o mais rápido que pude dali. Pude ouvir que com minha pressa eu derrubei algumas coisas suas e ainda atravessei sua janela, quebrando-a.
Tudo o que eu não precisava era de provas físicas que eu realmente estive ali com ele!
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Aviso
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Como sabem, eu sou um pé no saco, mas sugiro não ignorarem esse pequeno aviso aqui!
Para aqueles que acompanharem a fic deixando reveiws e tudo mais ate o final da fic, ira ganhar (ao final dela e obvio) um capitulo EXTRA! Esse capítulo extra sera mandado através por MP para aqueles que comentaram em todos os capítulos.
Esse capitulo em especial sera um "preludio" para a continuação da fic, "Blue Butterfly", e ele somente sera enviado para as pessoas que comentaram, ele não sera postado nem mesmo no grupo! Então se querem o capitulo "Prelúdio" façam por merecer!
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