Fotografias
16 Simples Felicidade
Notas iniciais
O cheiro de asfalto molhado invadia o ar quando chegaram ao aeroporto internacional. Estava chovendo muito, o que com certeza estragaria o feriadão de quem fosse ficar pelo Rio mesmo. Só que Manu tinha certeza que estaria um sol de rachar em Fortaleza. Tanto na cidade, quanto no interior. E realmente preferia assim. Por que poderia levar Sarah a todos os lugares sem terem que se preocupar com o mal tempo. Tudo sempre é mais fácil quando o dia está limpo.
Só depois de cinco horas, contando com o tempo de espera depois do chek-in, que chegaram ao Ceará. Como era bem cedo, as duas dormiram durante todo o tempo de viagem. Os dedos entrelaçados sem vergonha nenhuma do passageiro no banco ao lado. Manu dormiu com a cabeça apoiada no ombro alvo e sonhou que conhecia a ruiva desde quando era criança. Só acordou quando o piloto avisou que estavam há alguns minutos de pousarem no aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza.
Mesmo Sarah tendo alegado que já esteve em Fortaleza três vezes, ela tirou o óculos escuro e os olhos verdes passearam pelo movimento do lado externo do aeroporto. O sol realmente estava forte, mas isso não a incomodou. Ela respirou fundo e comentou que o ar dali era mil vezes mais leve do que o do Rio de Janeiro. E Manu sabia que era verdade, mas se obrigou a fazer o mesmo gesto que ela. Estava morrendo de saudades da sua terra natal. Da cidade e do campo.
Olhou para ela e sorriu abertamente, pegando em sua mão e puxando-a para irem pegar um taxi. Sarah sabia que não morava na cidade e sim mais para o interior, mas não tinha noção nenhuma de como era. E tinha certeza que ela ficaria espantada com o lugar, que não tinha nada a ver com o que todos pensavam. Só que não contou isso a ela. Juntas alugaram um carro e guardaram as malas no banco de trás mesmo. Estava muito ansiosa para ver sua família. Queria abraçar sua mãe e beijá-la por minutos. Sentia falta de todos eles. Dos amigos, dos parentes, dos vizinhos, dos conhecidos.
Sarah estava contente por estar ali com ela. Sentia de longe o entusiasmo emanar do corpo dela. Estava um pouco nervosa também, podia confessar. Aquela era a primeira vez que veria a família dela e, mesmo não sendo namoradas, sentia-se como uma adolescente indo pedir a mão da namorada para os pais dela num jantar em família. Apesar de que não era bem isso que aconteceria, mas sentia-se desse jeito.
Passaram em várias praias de água azul piscina e o cheiro da maresia fazia o corpo da ruiva relaxar de uma forma única. Era tão bom se sentir finalmente livre e feliz, depois de tanto tempo de agonia. Um forrózinho tocava baixinho no aparelho de som, completamente se adaptando ao lugar. Era tão gostoso estar ali. Não sabia explicar. Os prédios passavam depressa e o vento batia no rosto de ambas, pois trocaram o ar-condicionado pelas janelas abertas. Manu dirigia em silêncio, com um braço apoiado na janela de uma forma relaxada. Às vezes ela levantava os óculos escuros e mostrava algum ponto ou dizia o nome das praias e dos lugares que passavam. O azul daqueles olhos estavam tão vivos que seu corpo vibrava de felicidade.
De repente o cenário mudou. Os prédios, as praias, os carros e todo o resto sumiram e deu o lugar para um ambiente completamente diferente. A estrada era de terra batida e o cheiro de interior tomou conta do ar. De ambos os lados havia pasto e tinha um espaçamento grande entre as casas das fazendas. Pensou que provavelmente estaria no fim do mundo, mas logo mais casas apareceram. Cavalos puxando carroça de um lado, caminhonetes carregando capim do outro. Manu estacionou o carro em frente a um barzinho e virou para ela.
– Tenho certeza que você vai se apaixonar por esse lugar – segurou a mão dela e apertou de leve. – É muito importante para mim que você esteja aqui.
– Eu sei que é – ia aproximar para dar um selinho nos lábios sorridentes, mas hesitou. Faria isso mais tarde, tinha muita gente olhando para o carro. Com certeza se perguntando quem estaria ali dentro.
– Ainda não chegamos, mas vamos tomar uma cerveja antes – suspirou e deu um beijo na bochecha dela.
– Eu estou meio nervosa por estar indo conhecer minha sogra – Sarah disse e corou imediatamente quando os olhos dela encontraram os seus de forma divertida.
– E quem foi que falou que ela é sua sogra, hein?
– Se não é... – Chegou um pouco próximo do dela e sorriu. – Vai ser. Você vai ver – piscou para ela e abriu a porta do carro.
A jogadora não sabia o que dizer sobre aquele lugar. Parecia tão aconchegante e calmo. Percorreu os olhos a sua volta e não pôde deixar de sorrir. Conseguiu identificar uma pequena mercearia, uma igreja antiga, uma escola e uma lojinha de roupas. Também tinha alguns barzinhos aqui e ali. Com certeza do outro lado haveria mais alguma coisa e pelo jeito aquele era o centro comercial da cidade.
Algumas pessoas pararam para olhar para ela e arregalaram os olhos quando viram Manuela. Claro que parariam para olhar. Estava como uma turista naquele lugar. Um vestido soltinho e verde claro, acompanhado por uma rasteirinha branca. Os cabelos estavam soltos, com as pontas enroladas oscilando com a brisa fraca daquele começo de tarde. Sorriu quando a loira acenou para algumas pessoas e abraçou outras. Acompanhou os passos dela e entraram no barzinho.
– Que tal aquela cervejinha, meu amigo? – Manu se apoiou no balcão de madeira e sorriu abertamente quando o rapaz a reconheceu.
– Manu! Meu Deus, por que não avisou que você viria?!
Ele deu a volta no balcão e a abraçou apertado. Usava calça jeans surrada e camiseta cinza. Chinelo nos pés russos. O sorriso simpático fez Sarah também sorrir. Ele aparentava ter uns 22 anos. Tinha os cabelos negros penteados para o lado e incrivelmente bem cortados. Logicamente deveria ter uma cabeleireira e um barbeiro pela cidade. E Sarah imaginou quanto seria para cortar o cabelo ali. Os olhos eram castanhos e simpáticos.
– Fábio, essa aqui é minha melhor amiga – apontou para a ruiva, que corou de leve.
– Então você é a Sarah? – Ele indagou, pegando-a de surpresa. Abraçou-a e deu um beijo na bochecha rosada. –Da última vez que a Manu veio, ela falou muito de você – Sarah achou fofo o sotaque carregado, muito parecido com o de Manu, só que bem mais forte.
– Sarah, ele é um dos meus amigos de infância – explicou a loira, sorrindo abertamente. O jeito simples dele agradou a jogadora de vôlei. – Ele é filho do dono desse bar, um amigo da família. Por falar nisso, como estão seus pais? Estou morrendo de saudade deles.
– Estão ótimos. Espera, vou pegar a cerveja para vocês – ao terminar de dizer,ele se afastou e tornou a contornar o balcão. – Quantos dias vocês vão ficar?
– Íamos ficar somente três, mas o estúdio vai fechar por mais tempo que eu pensava, então serão cinco ou seis. Ainda não compramos passagem de volta – respondeu, vendo-o colocar dois copos americanos de vidro sobre a madeira antiga. – Coloque um pra você também. Temos que comemorar, não é?
Enquanto eles conversavam sobre as novidades, Sarah reparou o bar. A tinta na parede era branca e azul, já descascando por causa do tempo que havia pintado. O balcão era de madeira e parecia ter anos de uso. Tinha uma mesa de sinuca no espaço ao lado e os tacos ficavam pendurados perto de uma tvzinha de tubo prateada. Atrás do garoto tinha algumas prateleiras e nelas algumas garrafas de cachaça. Também tinha doces e pacotes de salgadinhos para vender.
– Você joga vôlei mesmo? – Fábio indagou, tentando incluir Sarah na conversa.
– Jogo sim, pelo Flamengo – ela respondeu e notou o sorriso nos lábios dos dois.
– Eu jogo futebol.
– Muito bem por sinal – Manu completou, sorrindo.
– Quem sabe não trago meus amigos aqui para jogar com você? Eles são professores da escolhinha lá do clube – comentou, se entrosando sem perceber.
Manu bebeu um gole do liquido gelado e o sentiu descer suavemente por sua garganta. Passou os próximos 30 minutos conversando com ele, sentindo uma nostalgia terrível invadir seu corpo. Era como se estivessem sentados próximo ao açude conversando sobre qualquer coisa. Não só os dois, o restante do pessoal também. Haviam crescido juntos. Sentia tanta falta daquele lugar que só estando ali que conseguia perceber o quanto a saudade podia ser sufocante. Mas os olhos de seu melhor amigo ainda continuavam doces, como da última vez que passaram a noite brincando de esconde-esconde enquanto seus pais estavam na igreja.
Por acaso acabou lembrando de que quase sempre fugia no meio do culto para brincar na rua com o restante das crianças. Sua mãe sempre reclamava depois, mas todas as vezes valiam a pena. Brincavam de esconde-esconde, de queimada, de corrida. Era divertido.
– NÃO ACREDITO! – Um grito histérico e agudo invadiu o pequeno comércio, assustando a todos que estavam ali. – MANU!
– Marcela?! – A loira pareceu mais assustada do que o restante do pessoal. Fábio apenas sorria, ainda desfrutando da cerveja. – Quando você voltou?
– Tem um mês – disse ao apertar o corpo de Manu contra o seu de forma intensa. – Deus, que saudade de você, sua cadela!
A gargalhada da fotógrafa fez Sarah sorrir outra vez. Percebeu que gostava de vê-la daquele jeito.
– Eu também senti muito sua falta. Fiquei desapontada quando me disseram que você foi estudar em São Paulo. Fiquei impressionada também. Logo você que sempre foi tão...
– Burra? – Fábio arriscou e sorriu de lado. A ruiva achou aquele gesto um charme.
– Ei, eu não sou burra – a garota de cabelos castanho-claros apontou para ele. – Você, como sempre, metido demais para o meu gosto.
– Para, não briguem – disse a loira, ainda rindo. – Marcela, essa é minha amiga Sarah – ao virar para a ruiva, Manu piscou e sorriu. – Sarah, essa é a histérica da Marcela. Ela é gritalhona assim, mas é boa gente.
– Até você?! Estou desapontada – dramatizou e virou as costas, cumprimentando Sarah com um abraço. – Mais tarde eu passo na sua casa, idiota. Preciso comprar uma dúzia de ovos pra minha mãe. Ela quer porque quer fazer pudim hoje, mas está com preguiça de abrir a padaria – revirou os olhos.
– Quem sabe eu não vou lá comer esse pudim?
– Se você não for, eu levo pra você – acenou e saiu.
Logo que terminaram a cerveja, elas saíram do bar, sendo acompanhadas pelo rapaz. Manu alegou que voltaria a noite para beberem mais uma e entrou no carro. Deu partida com o carro e aos poucos foram se afastando. Ela virou o volante e fez uma curva fechada. Sarah notou um cabeleireiro ao lado da padaria, que deveria ser dos pais de Marcela, e sorriu por causa de seu pensamento algum tempo atrás.
– Como você está? – Sarah perguntou, desviando os olhos da janela para ela.
– Não consigo conter tanta felicidade – respondeu, sentindo seu coração bater de forma acelerada.
– Manu...
– Oi – ela desviou a atenção da estrada para encontrar aquele mar verde que era os olhos dela.
– Obrigada por me trazer aqui. Eu estou realmente muito feliz por você estar compartilhando isso comigo.
– Isso é só o começo. Espere até conhecer minha família – piscou para ela e tirou a mão da marcha, levando-a até a coxa dela. Pousou-a ali casualmente e, mesmo percebendo que ela tinha se arrepiado, deixou-a ali por alguns segundos. – E nós teremos um tempo só para a gente, mas primeiro vamos passar em casa.
Depois de pouco tempo, chegaram numa vilazinha de terra batida. As propriedades eram separadas por cercas de arame. Manu estacionou em frente a um pequeno terreno de terra batida. Era uma casa bem antiga pintada com tinta branca, com janelas e porta de madeira. Na varanda lateral tinha uma rede e vasos de plantas. Bem na frente da casa tinha uma única arvore e debaixo dela um cavalo selado bebendo água num balde d’água.
– Mãinha! – Manu gritou, abrindo a porta do carro com pressa. A janela da cozinha estava aberta, então ela com certeza estava em casa. – Mãinha!
Instantes depois uma mulher abriu a porta e desceu os dois únicos degraus da entrada. Ela estava com um vestido velho florido e os cabelos estavam presos. As mãos seguravam um pano de prato, evidentemente mostrando que ela estava mexendo em alguma coisa na cozinha. Deveria estar fazendo comida, pois o cheiro de galinha caipira estava fazendo o estomago de Sarah reclamar de tanta fome. Quando a mulher reconheceu Manu, a ruiva tem certeza que viu lágrimas subir aos olhos claros e cansados. Presenciou aquele momento e se sentiu feliz por ver que Manu estava realmente dividindo uma parte importante da sua vida com ela.
Não sabia explicar o que estava de fato sentindo, mas lágrimas escorriam de seus olhos mesmo assim. Não fazia tanto tempo assim que tinha visto sua mãe, porém a saudade chegava a ser sufocante. Sentia falta de seus carinhos, de seus mimos, sentia falta dela inteira. Manteve-se agarrada a ela por longos minutos, enquanto a ouvia sussurrar em seu ouvido o que tanto gostava de ouvir. Ela dizia que estava com saudades, que era sua menina, que deveria voltar a viver ali. Quem sabe no futuro não voltaria mesmo?
Quando finalmente se afastaram, a mulher percebeu que tinha mais uma pessoa ali. O “oh” que ela deixou escapar fez com que Sarah tivesse a impressão que ela sabia muito bem quem era. O que de fato fez com que a ruiva ficasse ainda mais vermelha. A mulher colocou o pano de prato sobre o ombro e respirou fundo, enquanto Manu limpava as lágrimas do rosto. Seu coração parecia que ia pular pela boca de tanto nervosismo.
– Mãinha, essa é a...
– Eu imagino que você seja a Sarah – disse, interrompendo sua filha. A ruiva achou a voz dela doce e gentil.
– Sou eu mesma. Pelo jeito todos aqui já me conhecem – Sarah desviou os olhos por um momento ao dizer, notando que Manu tinha corado, então beijou as mãos da mulher mais velha. – É um prazer conhecer a senhora.
– O prazer é meu, querida. Eu me chamo Helena – abraçou-a apertado, como todos os outros tinham feito. Parecia um costume da cidade. – Fico feliz em finalmente conhecer a amiga que minha filha tanto fala.
– Mãinha!
– Está bem, está bem – ela ergueu os braços e sorriu. – Vocês devem estar com fome. Vamos entrar, vou ajeitar o cozido para vocês – ao terminar de dizer, ela entrou primeiro e desapareceu porta a dentro.
Antes que Manu fosse também, Sarah a segurou pela camisa e encostou o corpo nas costas dela. Por algum motivo seu corpo se arrepiou, mas agora não era momento pra isso. Quando ela virou o rosto, sorrindo, sussurrou no ouvido dela.
– Quer dizer que você fala tanto de mim assim pra mãinha? – Soltou uma risadinha abafada quando ela corou e virou de frente. Ela estava arrepiada e com uma carinha linda de zangada.
– Não fique tão convencida, mocinha – apontou o dedo para ela, fazendo bico, e Sarah não sabe como conseguiu se segurar para não agarrá-la.
– Eu não estou convencida – apertou o nariz dela e passou na frente, antes de entrar falou: — Você só me ama demais e não admite isso – piscou para ela e sumiu do seu campo de visão.
Com os braços cruzados, parecendo uma criança de cinco anos emburrada por não querer tomar banho, a loira entrou na casa. Imediatamente sua expressão se suavizou. Aquela tinha sido a casa em que viveu desde que havia nascido. Tudo estava no mesmo lugar naquela sala. Um tapete antigo no meio do cômodo, entre dois sofás de couro vermelho, onde passou dias e dias sentada brincando com sua única boneca. Em alguns pontos o reboco da parede estava soltando. A TV nova em cima de uma estante antiga de madeira era tudo que estava de diferente ali. Sorriu e suspirou, também percorrendo os olhos pelos quadros que sua mãe tanto amava. Alguns da família, outros de paisagens e também de pássaros.
– Você sempre viajando quando chega em casa – uma voz muito conhecida invadiu o ambiente, fazendo-a virar o corpo com rapidez.
– Miguel! – Exclamou, sentindo novamente as lágrimas subirem aos olhos. Pulou no colo dele e o abraçou pelo pescoço, mal percebendo que Sarah a observava com um sorriso no rosto. – Meu Deus, você está maior que eu. Que absurdo!
– Qualquer pessoa é maior que você, Manu – ele sorriu e beijou as bochechas dela com carinho, colocando-a no chão em seguida. – Não faz essa carinha que eu me apaixono.
– Seu bobo – empurrou-o e foi para cozinha.
– Seu irmão é uma gracinha – Sarah murmurou quando ela passou e riu quando notou-a revirar os olhos.
O rapaz de cabelos loiros arrepiados passou pela ruiva e piscou para ela. Sarah parou para pensar se todos os homens daquele lugar eram charmosos daquele jeito. Mas a questão ali era óbvia, ele era tão lindo quanto a irmã mais velha. Ambos tinham cabelos dourados e olhos azuis, mas não tinham puxado em nada a mãe, que tinha os cabelos mais escuros e os olhos castanho-claros. Deveriam ter herdado do falecido pai. Lembraria de olhar os quadros da família na sala de estar outra hora.
Sentaram-se à mesa de madeira e comeram enquanto conversavam animadamente sobre as coisas da cidade grande, no caso o Rio de Janeiro. Aquela sem dúvida era a comida mais gostosa que havia provado na vida. Era apenas arroz, feijão e galinha cozida com batatas. Estava muito, muito gostoso mesmo. Não hesitou em elogiar dona Helena e notou o sorriso brotar nos lábios de Manuela. Eles eram extremamente simpáticos e hospitaleiros. Trataram-na como se fosse da família e realmente acabou sentindo como se realmente fosse. Quando todos terminaram, Sarah se ofereceu para lavar a louça e insistiu quando dona Helena negou, dizendo que ela era visita.
Minutos depois, Miguel alegou que iria voltar ao trabalho, pois já estava passando de seu horário de almoço. Então ele saiu da casa, indo na direção do cavalo branco que descansava na sombra da árvore. Antes de montar, um rapaz apareceu montado num cavalo preto. Ele tinha os cabelos escuros, mas tinha cachinhos como os de um anjo. Os olhos eram castanho-claros. Ele era musculoso e tinha um sorriso impecável nos lábios carnudos. Sarah pensou que fosse mais uns dos amigos de Manu. A blusa modelava os músculos do braço dele e a calça jeans surrada combinava com a bota de couro.
– Fiquei sabendo lá na venda da esquina que você tinha voltado – ele tirou o chapéu de caubói e sorriu novamente.
– Oi, Tom – Manu acenou e Sarah teve certeza pelo tom de voz dela que ele não era um amigo querido.
– Aquele é o ex-namoradinho dela – dona Helena sussurrou, toda sorrisos.
Sarah ficou boquiaberta. Olhou do cara para a loira e voltou a olhar para ele. Deveria imaginar que teria ex-namorados envolvidos. Afinal, aquela era uma cidade pequena. Revirou os olhos e cruzou os braços, recebendo um olhar de desculpas da fotógrafa. Era só o que faltava.
Continua...
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