Fotografias
18 Mar Pontilhado
Notas iniciais
– Fica quietinha aqui.
Manu levou o dedo indicador aos lábios da ruiva e virou as costas para ela, colocando a cabeça para fora da parte de trás do banheiro da igreja, que ficava do lado de fora da mesma. Nenhum sinal de Marcela. Era ela quem estava procurando no momento. Bento e Fábio já haviam sido encontrados. Lá na esquina, conseguia ver claramente Miguel em cima do pé de manga. A loira sabia que, pelo fato de Marcela estar sem óculos, ela nunca o veria acenando daquela forma tão ridícula, em uma forma de dizer que o caminho estava livre para rebater seu nome e de Sarah.
– Vem – sussurrou para ela e pegou em sua mão. – Por aqui.
As duas atravessaram as dependências da igreja bem abaixadas, para que não fossem vistas por Marcela do outro lado da rua. Fábio fingia que não as estava vendo e Bento tentava ajudar seu irmão e Denise, que haviam se escondido embaixo de uma das carroças estacionadas por ali. Com certeza era da família de Lucas, pois a égua malhada lhe era familiar. Quando chegaram próximo à rua, Manu olhou para os dois lados e percebeu que Marcela tinha visto os dois sob a carroça e já estava correndo para o local que haviam combinado que seria feita a contagem. Aproveitando a deixa, puxou Sarah com pressa, que xingou umas três vezes por ter quase caído na metade do caminho.
– Um, dois, três, Manuela! – A loira gritou.
– Sarah... – A outra encostou no poste de madeira, quase morrendo. – A próxima vez você avisa quando a gente for correr. Quase me esborrachei no meio do caminho.
– Ia caindo de podre – Fábio implicou, sorrindo torto como sempre, porém Sarah revirou os olhos e o ignorou.
– Um, dois, três, Breno – um dos gêmeos gritou, assim que passou Marcela na corrida e chegou primeiro ao poste.
A veterinária veio depois e rebateu Denise, que chegou com a respiração ofegante e uma cara feia. Com certeza estava culpando Bento por ter sinalizando tanto para seu irmão. Da próxima vez se esconderia com Fábio ou Miguel. Falando no loiro de 18 anos, só faltava ele para iniciarem a próxima partida. Ele, como sempre, era o último a ser encontrado. A não ser quando era um dos meninos quem contava.
Enquanto Marcela procurava em todo canto, Manu sorria e olhava para a mangueira no final da esquina. Sabendo que ele estava com pena da garota, deveria ter descido para rebater seu nome assim que ela se distanciasse outra vez. Mas quando ele se pendurou no galho mais baixo para saltar, ela o viu e ficou boquiaberta. Depois de alguns segundos, correu para o poste e o rebateu. Sendo assim, seria ele a contar a próxima partida.
Passaram as próximas horas brincando. Já fazia algum tempo que o culto tinha acabado e a maioria das pessoas haviam ido para suas casas. Ainda assim, aquela galera parecia incansável. Sarah ainda não tinha conseguido entender de onde eles tiravam tanta energia. Corriam e se escondiam como se ainda forrem crianças. Gargalhavam na maioria do tempo. Quando Denise tropeçou num toco e capotou na grama, tentando não ser vista por Bento, Miguel riu tanto que, em menos de três segundos, os dois foram rebatidos. E quando todos estavam prontos para se esconderem novamente, Fábio zombou dela e sorriu torto, provocando risada nos demais.
Eles eram divertidos e Sarah se sentiu, pela primeira vez há muito tempo, como se estivesse de fato em casa. Talvez por isso não tenha se sentido com vergonha quando foi a vez de Manu contar. Miguel a puxou para que se escondesse junto com ele e Marcela. Nesse meio tempo, ele sussurrou o quanto sentia falta da irmã e que pretendia um dia morar no mesmo lugar que ela, ou trazê-la de volta. Sarah se sentiu um pouco culpada, pois foi por causa dela e das meninas que Manu havia se mudado para o Rio de Janeiro. Minutos depois, aquele sentimento sumiu. Miguel sorriu abertamente e colocou-a sobre os ombros, para que vigiasse se Manu estava perto deles. Eles haviam se escondido dentro de uma cisterna desativada da igreja. De acordo com o loiro, pretendiam limpá-la desde que sua mãe nasceu e nunca mais voltaram a usá-la. Como conseguia enxergá-los? A luz da lua entrava pela entrada quadricular, acima de suas cabeças. Como os primeiros degraus estavam enferrujados, Miguel preferiu levantá-la, alegando que Marcela parecia ser bem mais pesada do que a jogadora de vôlei, o que de fato deixou a veterinária emburrada.
Quando finalmente se cansaram, eles resolveram dar uma passada no bar dos pais de Fábio. Jogaram novamente sinuca, apostando as cervejas que consumiam. Sarah se arrepiou só de ver Bruno virar uma dose dupla de pinga. Sem contar que se sacudiu junto com ele, imaginando como deveria ser horrível. Aquele movimento fez Manu rir, enquanto observava Fábio encaçapar mais uma bola e Bento se lamentar logo em seguida. O vestido azul claro que vestia estava bastante sujo de terra por causa do esconde-esconde, mas ninguém realmente se importava com isso. Todos tinham se divertido bastante. Além de que os moradores já estavam do que acostumados. Desde pequenos que faziam isso.
– Amanhã poderíamos ir tomar um banho de açude – Denise disse, jogando o cabelo ondulado por cima de um dos ombros. – Muito tempo que não dou um pulinho lá.
– Por mim tudo bem – Fábio respondeu, sem tirar os olhos da jogada de Bento. – Estou de folga.
– Nossa, há anos que não vou no açude – Marcela disse, boquiaberta, obviamente topando.
– A gente encontra vocês lá – Bruno disse, se referindo a seu irmão também. – Logo de manhã temos que ajudar mãinha com o rebanho. Ela anda meio ruim das pernas.
– A idade tá batendo – Bento comentou e Sarah notou que o sotaque dele era o mais forte entre os demais.
– Nós vamos também – a ruiva comentou, piscando quando a loira desviou os olhos azuis para encará-la.
Bem mais tarde, quando já estavam em casa, Manu olhou para Sarah. Elas e Miguel já tinham tomado banho e jantado. Sua mãe sempre ia dormir cedo, logo depois da novela das nove. E Miguel também foi fazer o mesmo, já que precisava acordar cedo para ir trabalhar na fazenda. O cheiro suave do ensopado de carne de sua mãe ainda estava no ar e os mosquitos tentavam inutilmente ultrapassar a finíssima tela das janelas. A ruiva vestia um short folgado e um baby-doll, ambos amarelo-bebê.
– Você não liga por não termos tanto tempo assim sozinhas? – Indagou finalmente, observando-a pentear os cabelos cor de fogo.
– Claro que não. Seus amigos são muito engraçados. Há muito tempo eu não me divertia assim – confessou, sorrindo para ela pelo reflexo do espelho. – E estamos sozinhas agora.
– Obrigada por isso – Manu sorriu com ternura e arqueou as sobrancelhas quando uma ideia ótima lhe veio à mente. – Você se importa se sairmos um pouco?
– Agora?
– É, por quê? Tem medo que eu sequestre você? – Sorriu de forma maliciosa e Sarah gargalhou como resposta.
– Mas eu já estou de pijama – virou para ela, gesticulando com a escova de cabelos na mão.
– E qual o problema? Não tem ninguém na rua essa hora – explicou para ela. – Estão dos em suas devidas casas, pelo menos nessa parte da cidade. Eu quero te levar em um lugar.
– Tudo bem, tudo bem – jogou a escova dentro da mala e virou novamente para o espelho para partir o cabelo de lado, com os dedos mesmo. – Vamos?
– Espera eu só pegar minha câmera.
Sarah não entendeu o porquê, mas se conteve para não perguntar. Assim que a loira pegou a câmera fotográfica, ambas saíram de casa com calma. Um silêncio gostoso rodeava todo o lugar, sendo quebrado apenas pelo cantar dos grilos ou das cigarras. Aos poucos iam seguindo uma estrada de barro, que logo foi substituída por um estreito e escuro corredor de árvores, subindo uma ladeira quase sem fim. Sarah sentiu medo, mas Manu permanecia segurando sua mão desde que tinham deixado a casa para trás. Ainda assim, temia por algum animal aparecer, já que a loira cismava em dizer que durante anos não houve um sequer caso de violência na cidade, o que deixava o passeio das duas um pouco menos seguro do que Sarah realmente gostaria que fosse. O cheiro de verde invadia a narina da ruiva, dando a sensação de que estavam num lugar virgem, sem um único sinal da vida humana. Nunca tinha sentido algo semelhante na vida, mas foi só quando o corredor de árvores chegou ao seu fim que Sarah imaginou estar no paraíso.
Estavam no topo de uma colina não tão alta, onde somente a lua as observava, bem à suas costas. Fora isso, um mar negro se estendia imensamente acima de suas cabeças, repleto de pontinhos brilhantes. Sarah estava maravilhada, pois nunca tinha vislumbrado o céu daquela forma. E Manu lhe explicou que era tão nítido por causa da falta de iluminação. Contou também que costumava vir sempre ali para olhar as estrelas, mas nunca teve com quem compartilhar algo tão lindo. Mesmo quando a ruiva ousou mencionar Tom, seu ex namorado, ela afirmou que não valia a pena trazê-lo. Foi então que Sarah soube o quão era especial para a fotógrafa.
– Vem cá – Manu ofereceu-lhe a mão e, quando a pegou, conduziu-a por meio do capim, que passava de seus joelhos. – Olha que bonito.
Quando a ouviu terminar de dizer, Sarah observou a vista. Não dava pra ver muita coisa por causa da pouca iluminação. A vila ficava depois do corredor de árvores, atrás de si. À sua direita, viu alguns pontos luminosos e conseguiu identificar a igreja. À sua esquerda, uma imensidão de pasto se unia ao céu, tão escura quanto ele. Mas não era a isso que Manu se referia. Bem a sua frente, algo brilhava com intensidade, refletindo a luz da lua de uma forma que fez a ruiva se derreter.
– Ali é o açude que a gente vai amanhã – explicou para ela. – Apesar de eu achar que daqui de cima é muito mais bonito de se ver.
– É lindo – foi a única coisa que conseguiu dizer, totalmente maravilhada. – Obrigada por todas essas experiências maravilhosas.
– Eu que agradeço – apertou a mão dela com carinho. – Por tudo.
Então as duas ficaram ali por vários minutos, sentadas em uma enorme pedra. Conversaram sobre trivialidades. Sarah riu quando Manu disse que era chamada de Manuela Meleca quando era pequena, pois nunca esqueceram do dia em que passara duas semanas gripada e com o nariz constantemente escorrendo. Sarah também contou que adorava soltar pipa com seus primos. E apesar de sempre ser maior que eles, era sempre vítima de ciúmes. Por isso só foi sair com garotos bem tarde, quando conseguiu se livrar dos olhares ciumentos deles.
Manu não sabia quanto tempo se passaram desde que chegaram ali. Era como se simplesmente nada mais importasse quando estava perto daquela ruiva de olhos verdes. Vê-la rindo tão tranquilamente tirava o resto do peso que ainda tinha sobre suas costas. Era como se ainda se sentisse insegura por causa de tudo que aconteceu em relação ao Junior, mas parecia que isso estava sendo deixado aos poucos para trás. Não tocavam mais naquele assunto, porém deixavam claro que ele podia voltar a qualquer momento. Ainda assim, só Deus sabia o quanto era bom estar perto dela sem ter nada com que se preocupar. E, só por um minuto, desejou que aqueles dias nunca acabassem.
Em algum momento da conversa, quando a lua já estava acima de suas cabeças, Sarah deitou na pedra e pareceu se perder na imensidão de estrelas. Os cabelos ruivos estavam espalhados sobre a superfície plana da enorme pedra que se encontravam. Enquanto ela parecia tão absorta, Manu bateu a primeira fotografia daquela noite, despertando-a de seus pensamentos.
– No que você está pensando? – Indagou, batendo outra foto quando os olhos verde a encontrou.
– O quanto eu me sinto mais leve estando perto de você – respondeu, apoiando as mãos sobre a cabeça. – Se eu pudesse, nunca mais voltaria pra casa.
– E o que você faria num lugar como esse?
– Passaria o resto da minha vida com você. Se você estiver comigo, não faria tanta diferença – respondeu, desviando os olhos novamente para o céu.
A loira foi pega de surpresa com aquela resposta e automaticamente seu coração acelerou. Como se não pudesse fazer mais nada, Manu curvou o corpo, já que estava sentada ao lado dela, e a beijou. A mistura de sentimentos as envolveu intensamente, como se fossem feitos de eletricidade. Quando ela a abraçou pelo pescoço, a fotógrafa aprofundou o beijo, explorando cada canto daquela boca.
Todos os movimentos eram feitos com calma e carinho, mas mesmo assim a pele de Sarah começou a formigar quando as mãos curiosas começaram a passear pelo seu corpo. Em nenhum momento permitiu que ela desgrudasse a boca a sua, aos poucos puxando-a para cima de si. Ambas estavam envolvidas por um mundo só delas, do qual não faziam a mínima questão de sair. Quando sentiu o corpo dela deitar finalmente sobre o seu, tirou os braços do pescoço dela e desceu apalpando as costas.
Aos poucos Manu sentiu seu corpo esquentar e os beijos e carícias se tornaram cada vez mais exigentes, mais intensos. Percorreu as mãos pelo corpo dela, não fazendo a mínima ideia do que fazer a seguir. Então se deixou levar, já que ela estava permitindo todas as suas caricias. Desde o momento em que a viu mais cedo naquele vestido florido, Manu desejou tirá-lo no segundo seguinte. Nunca tinha se imaginado pensando em coisas desse tipo, sempre foi uma pessoa tímida e quieta. Mas ultimamente isso vinha mudando aos poucos. Não que tivesse virado uma maníaca sexual, longe disso. Mas quem não iria querer tocar e provar cada pedaço daquele corpo tão lindo?
Depois de algum tempo explorando aquela boca, a loira a deixou para beijar-lhe o pescoço e mordê-lo diversas vezes. Os suspiros que saíam dos lábios de Sarah só faziam com que continuasse o que estava fazendo com ainda mais intensidade. Percorreu as mãos pelas laterais do corpo dela, descendo e subindo, enquanto agora beijava-lhe o ombro em movimentos lentos e torturantes. Sentia as mãos apertarem e arranharem sua pele de leve e adorou a sensação que isso lhe causou.
Sentia-se como se fosse uma criança que recebera um pirulito pela primeira vez, desejando sentir aquele gosto gostoso de todas as maneiras que conseguisse. Apertou a cintura modelada e subiu as mãos por dentro do baby-doll amarelo-bebê, provocando arrepios na ruiva. Lambeu a curva do pescoço dela, sentindo o cheiro suave de seu perfume. Em seguida, mordeu o lóbulo da orelha e, quando ouviu-a gemer baixinho, finalmente notou o que estava fazendo. Percebeu onde estavam e o que estava prestes a fazer. Então levantou e sentou-se ao lado dela, passando as mãos no rosto e depois jogando os cabelos dourados para trás.
– O que foi? – Sarah indagou, enquanto se levantava e tentava recuperar o fôlego. – Eu fiz alguma coisa errada?
– Não, claro que não – respondeu, só agora se tocando que a tinha deixado confusa. – Desculpa. Eu só não queria que isso fosse feito num lugar assim.
Sarah sorriu com aquilo. Alguma coisa lhe dizia que se ficasse de pé suas pernas cederiam. Onde Manu tinha tocado formigava, como se as mãos e os lábios dela fossem feitos de fogo. Então, ignorando toda sanidade que ainda tinha em si, terminou de levantar e se sentou no colo dela, de frente para ela.
– E qual o problema? Está com medo? – Indagou, com um sorriso malicioso brincando nos lábios rosados.
– Não me provoca, Sarah – Manu percebeu que os verdes dos olhos dela estavam mais escuros e nebulosos.
– E quem aqui está provocando alguma coisa? Você que veio pra cima de mim e não deu conta do recado – deu de ombros e riu.
Sabia que tinha cutucado a onça com vara curta. No segundo seguinte que disse isso, Manu tomou seus lábios de uma forma completamente diferente de todas as outras vezes. Os lábios dela se movimentavam com uma fome que parecia insaciável. Mordendo, beijando, lambendo, sugando. Automaticamente, sentiu as mãos dela passearem por suas costas, entrando por dentro de sua roupa e arranhando sua pele. Não conseguia explicar a sensação que estava sentindo. Seu corpo inteiro estava arrepiado e trêmulo. Tudo que pôde fazer foi correspondê-la com a mesma intensidade.
As mãos da fotógrafa movimentavam-se avidamente, percorrendo cada pedaço do corpo alvo. Apalpou as costas de cima a baixo, arranhando e apertando a pele repleta de sardas. Bem acima de ambas, a lua as iluminava, acompanhada de um mar de estrelas. Uma brisa fresca soprava, deixando o momento ainda mais agradável. Manu novamente desceu beijando o pescoço dela, enquanto uma de suas mãos subia pela barriga, também por dentro da peça de roupa. A outra foi de encontro aos fios vermelhos, onde os segurou com firmeza e puxou a cabeça dela para trás, para que pudesse lamber-lhe a garganta e descer beijando o colo.
Mal notaram que, aos poucos, as luzes da cidade iam se apagando. A loira segurou um dos seios com a mão em forma de concha e o apertou, provocando mais suspiros nela. Mas não parou os movimentos. Querendo intensificar ainda mais as caricias, Manu soltou os cabelos dela e desceu ambas as mãos, com o intuito de tirar-lhe o baby-doll. Quando ela levantou os braços, livrou-o do corpo dela e deixou-o de lado. Então voltou a agarrá-la, agora com mais ousadia. Enquanto os lábios desciam beijando o colo, as mãos tornavam a subir pela barriga definida. Sentiu os músculos moderados dela, pelos intensos treinos no clube onde jogava. Deixou de beijá-la e ergueu os olhos azuis, olhando-a nos olhos quando apertou-lhe os seios com ambas as mãos. Ela suspirou e sorriu torto, de um jeito travesso. E, surpreendendo-a, levou as mãos ao fecho do sutiã e o abriu.
Manu mordeu os lábios com a visão. Ainda mais magnífica que a vista, o céu e a lua juntos. Percebeu que não havia no mundo mulher tão linda quanto aquela. O sangue em suas veias corriam como nunca, juntamente como as batidas de seu coração. Suspirou e acariciou-os, enquanto ainda a olhava nos olhos. Notou-a morder o lábio inferior e franzir as sobrancelhas. Então, seguindo seus instintos de mulher, Manu abocanhou um deles e o chupou com vontade, deliciando-se com aquilo. Era sua primeira vez, assim como a dela também, mas algo lhe dizia que era daquela forma que ela gostaria que fosse. E foi confirmada suas suspeitas quando um gemido rouco escapou pelos lábios da ruiva. Chupou, lambeu, mordeu, enquanto ela estremecia em seu colo. Aos poucos, ousou descer uma das mãos. Apertou-lhe a coxa direita, descendo e subindo. Depois subiu arranhando o lado interno, até chegar ao meio das pernas dela.
Antes de soltar o mamilo, mordeu-o e puxou-o de leve. Sarah mordeu os lábios com força para não gemer outra vez. A loira subiu e capturou os lábios já inchados por causa dos beijos. Ao mesmo tempo que ia beijando-a, Manu deslizou a mão dentro do short de dormir que a ruiva estava vestindo. Acariciou-lhe o sexo por cima do fino tecido da calcinha e ela apertou seu corpo, estremecendo por completo. Gostou daquela reação, então continuou a acariciá-la lenta, mas intensamente. A mão livre segurava os cabelos da cor do fogo, trazendo a cabeça dela ainda mais para perto. Se é que ainda fosse possível. Não conseguia explicar a sensação, mas sabia que seu corpo inteiro estava vibrando por ela. Uma onda de prazer corria por suas veias, deixando seus movimentos ainda mais intensos.
Numa tentativa de conter um pouco o imenso prazer que estava sentindo, Sarah mordeu o lábio inferior de Manu com força e o puxou até desprendê-lo de seus dentes. Suas mãos se moviam pelo corpo dela, apertando e arranhando a pele alva. Arfou quando ela afastou o tecido da calcinha para o lado e explorou seu sexo com dedos curiosos. As batidas do seu coração atropelavam umas as outras, de tão rápido que estavam. Nunca havia se imaginado fazendo amor com uma mulher, porém também nunca tinha imaginado o quão era bom estar nos braços daquela mulher.Os dedos passeavam por toda a extensão de sua intimidade, obrigando-a a apertar ainda mais o corpo da fotógrafa de cabelos dourados. A mão livre dela ainda segurava seu cabelo de uma forma possessiva, o que estava deixando Sarah ainda mais excitada.
O gemido longo e rouco escapou pelos lábios da jogadora de vôlei quando Manu penetrou um dedo e depois dois. Manteve a mão parada, apenas movendo-os em seu interior, explorando e descobrindo o corpo de Sarah. Ela estremecia e mordia seu ombro para conter os gemidos. Soltou os cabelos ruivos e desceu a mão livre novamente até os seios dela, massageando um deles e apertando o mamilo entre o polegar e o indicador. Vê-la tão vulnerável aos seus toques, causava-lhe ainda mais prazer. Então, enquanto beijava o pescoço dela, começou a movimentar os dedos, entrando e saindo o mais lentamente possível. Notou-a prender a respiração e se deliciou com isso, aumentando gradativamente a velocidade.
Apenas a lua estava ali, como testemunha daquele momento tão único. Os dedos de Manu entravam e saíam rapidamente e Sarah podia dizer que nunca tinha sentido um prazer tão grande na vida. Nem com Júnior, nem com ninguém. Inconscientemente as costas do polegar dela roçava seu clitóris, intensificando ainda mais todas as coisas que estavam sentindo. Sua respiração estava ofegante e o coração dava sinais que ia parar de bater a qualquer momento.
– Mais rápido – murmurou rouco no ouvido dela.
Não obteve a resposta em palavras. Os dedos dela pararam de se mover e Sarah levantou a cabeça para olhá-la, confusa com aquela reação. Os olhos azuis estavam tão escuros que pareciam cinza. Foi naquele momento que Sarah percebeu o quanto amava aquela mulher. Mas não teve tempo para pensar nisso, pois os dedos voltaram a se mover. Agora numa velocidade incrível. Voltou a abaixar a cabeça, com o intuito de morder o ombro dela, enquanto suas unhas já arranhavam-lhe as costas. Mas ela não permitiu.
– Quero que me olhe – disse a loira, assim que segurou os cabelos dela e obrigou-a a olhá-la nos olhos.
A loira não sabia de onde vinha tal experiência, pois parecia que sua mão estava se mexendo sozinha. Entrava e saía tão rápido de dentro dela, que as unhas estavam cravadas em suas costas como resposta. Ainda assim, mantinha a mão livre nos cabelos dela, obrigando-a a continuar olhando para si. Gostava daquela sensação de estar no comando, gostava de vê-la vulnerável, a um fio de chegar ao orgasmo. Poucos segundos depois, ela finalmente chegou ao ápice. Sarah arqueou as costas inconscientemente e seu gemido se perdeu na escuridão daquela noite. Era como se mil fagulhas queimassem seu corpo ao mesmo tempo. Seu coração estava prestes a saltar pela boca, enquanto se estremecia em espasmos.
– Tudo bem? – Manu indagou, com a voz meio rouca. Sustentava o corpo dela, que ainda estremecia de prazer.
Sarah apenas moveu a cabeça, assentindo. Mesmo estando um pouco mais relaxada, gemeu quando Manu tirou os dedos de dentro de si. Franziu as sobrancelhas, ainda mergulhada num torpor que parecia não ter fim. Ficaram abraçadas por longos minutos, em silêncio. Ambas desejavam que aquele momento durasse para sempre. Não precisavam de confissões de amor para saberem que se amavam. Às vezes os gestos valem mais que as palavras.
Continua...
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