Fotografia
1 Photography
Notas iniciais
Fotografia...
Numa aula de fotografia eu aprendi o que significa a palavra. O comecinho, photo vem do latim, luz... e como já aprendemos tantas outras vezes, o sulfixo graphos é escrever. Fotografia por tanto é escrever com a luz, utilizar-se dela para conseguir escrever aquilo que nossos olhos vêem.
A professora costumava dizer que fazer uma fotografia é como fazer uma narrativa, afinal, você tem que se concentrar nos elementos que nela existem, você descreve usando de várias imagens e planos que se combinam e fazem a cena toda, detalhadamente.
Por que eu gosto de fotografia? Ah, porque... Vamos começar do começo!
Bem, a primeira foto que eu tirei e tive consciência disso foi quando era pequeno. Bem pequeno realmente, pra minha carteira de identidade, lá pelos 4 ou 5 anos, quando eu estava começando a viver, como meus pais diziam. Depois, começaram aquelas fotos escolares, aquelas coisas todas de apresentação de trabalho do filho, festa de aniversário do primo... Tanta coisa, que é até engraçado! Sabe, reunião de família sem foto não é festa! Então, aniversário da vó, festa de noivado da tia e casamento do sobrinho de fulano de tal, parente longinguo da sua mãe... Conhece isso?
A primeira foto que tenho recordação de ter pego a maquina para tirar mesmo foi aos meus 12 anos. Com você, Uru-chan. Você se lembra? Foi no parquinho, na festa de aniversário do Reita, na escola. Roubei a câmera da minha mãe pra tirar a foto lá e nós sofremos bastante pra conseguir fazê-la. Recorda tudo isso?
Depois, aos meus 15 anos, eu tirei o que seria a foto que me faria optar por virar fotógrafo no meu tempo livre. A foto em que você, Uru-chan, estava sentado no gramado do parque, de óculos de sol, apoiado em suas pernas. Você olhou para a minha máquina fotográfica e deu um sorriso, um belo sorriso, que na foto, apesar de não ser a mesma coisa, me traz felicidade apenas de tomá-la nas mãos e vê-lo com aquela expressão sempre doce, suave, de criança que havia feito algo e preparava-se para contar aos pais.
Seu sorriso ficou aprisionado na imagem, porque... depois daquilo, nunca mais vi um sorriso seu assim, tão belo.
Tiramos muitas outras fotos. Eu, você, Kai, Reita e Ruki. Nós cinco, como sempre, tiramos essas fotografias abobadas de amigos, roubando a Polaroid dos nossos pais para registrar cada pequeno momento repartido entre nós e fazer as situações mais cômicas numa montagem que mais conseguia demonstrar o que passávamos do que se tirassemos fotos espontâneas.
E hoje, eu penso aqui comigo... É uma honra estar fotografando o seu casamento, como você me pediu. Tenho expectativas de ver seu sorriso, como naquela tarde de outono no parque ou como nas fotos antigas que tiravamos.
É, o tempo passou. Já é o dia de seu casamento e seu sorriso não parece tão feliz. Parece nervoso, deprimido. Ansioso, diria. Por que está assim? Por que seus lábios não se curvam suavemente num belo e singelo sorrisinho de canto?
Tenho muita vontade de ver esse seu sorriso porque... Eu não vou poder tê-lo para sempre, mas... Só de saber que eu vou poder guardar uma foto de seu lindo sorriso... Eu realmente não preciso de mais nada do que isso, um pedaço seu registrado numa imagem.
Vai me valer mais do que uma foto premiada e bem paga de agência.
Vai ser a fotografia da minha vida.
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