Notas iniciais
Olá, amores. Não demorei tanto para postar, certo? É tão bom quando isso acontece. E o mais legal é que é tão fácil escrever essa fanfic. Eu sento, abro o word e os acontecimentos vão surgindo. Enfim, espero que gostem. Boa leitura!

Segundo capítulo

Segunda feira, 09 de Setembro, 6h30 am.

Escuto o toque calmo de Clair de lune sair do meu aparelho celular, indicando que chegara a hora de me levantar. Mas não só a hora de me levantar. O dia 09 de setembro havia com toda certeza chego e com ele, o recomeço das minhas aulas. Deixo que a música continue a tocar por mais alguns minutos, me passando uma paz matinal incomum. Levanto-me logo depois e calço minhas macias pantufas de coelho, que me esperavam ao lado da cama. É totalmente incompreensível associar pantufas á crianças. Talvez eu só queira sentir meus pés pisando em algo macio e incrivelmente fofo. Não tenho esse direito por já ter dois dígitos na minha idade?

Desconecto meu celular do carregador e caminho calmamente até o banheiro, onde deixo que minha banheira encha. Banhos matinais sempre eram ótimas formas de me despertar. Dispo-me enquanto a água cai branda ao meu lado e prendo meus cabelos avermelhados no topo da cabeça. Assim que a água chega ao topo, fecho o registro e checo a temperatura. Coloco alguns sais de banho e finalmente entro, deixando meu corpo relaxar. Programo meu celular para despertar às 7h, e aproveito meu banho relaxante.

Exatos 30 minutos depois, wake me up when september ends – titulo que tinha incrível significado para mim no momento – me despertou. Já eram 7h em ponto e em exatas uma hora, minha rotina iria recomeçar. Levanto-me delicadamente da banheira, carregando certa quantidade de espuma em meu corpo. Visto meu roupão e solto meus cabelos, já caminhando de volta para o quarto.

5 minutos se passaram e eu ainda estava sentada em minha cama, de frente para meu closet. As roupas pareciam gritar para que eu escolhesse logo uma delas, mas minha indecisão era firme. Era o primeiro dia de aula, não um desfile de moda, então eu não deveria vestir algo extravagante demais – como muitas das meninas insistiam em fazer, nos fazendo questionar onde era a festa que iriam após a aula. Mas também não podia ir de pantufas, como na maioria das vezes eu cogitava devido a seu incrível nível de conforto. Encaro a janela e vejo uma manhã branda. Não tinham raios de sol iluminando a cidade, mas também não tinha cara de chuva. Apenas ventava um pouco.

Decido por usar um dos meus vestidos preferidos – que possuía uma estampa de abacaxis. Também coloco uma meia calça preta, afinal, ele era um tanto curto para o ambiente escolar. Por fim acrescento uma jaqueta de couro, devido ao vento e pego a bolsa já pronta com meus livros. Escuto o choro tão comum das crianças, me alertando que os gêmeos já tinham acordado e começavam sua birra matinal. Isso me faz olhar para o relógio sobre minha cama e ele brilhava 7h42 em um vermelho que não irritava os olhos. Apresso-me e em poucos minutos já estava pronta. Cabelo solto, maquiagem leve, roupa simples. Perfeito.

Desço as escadas de dois em dois degraus e Made já ligava um desenho na TV para os pequenos. Meu pai tomava café apressado na mesa, enquanto apenas passava os olhos pelo jornal.

– Bom dia, querida. Fiz panquecas. – Made me avisa e no mesmo segundo o cheiro me atinge em cheio.

– Bom dia. – Respondo, dando um beijinho em sua bochecha. Faço o mesmo com papai e os pequenos, que – devido à birra matinal – reclamam. Sento-me então na mesa e como minhas panquecas, enquanto checo meu celular. Havia uma mensagem.

Ramona – Seg, 09 de set, 07h40.

“Animada para o primeiro dia de aula? Porque eu não estou. Nem. Um. Pouco.”

Sorrio. Assustada eu estaria se Ramona me dissesse que estava animada com o inicio das aulas.

“De 0 à 10, meu nível de animação é -1000.”– Eu respondo e consigo imaginá-la rindo com aquilo. Pego mais um pedaço de panqueca e Made já me olhava feio. Ela odiava que usássemos o celular na mesa. Ou comecemos vendo TV. Para ela, tecnologia não combinava com refeições. Sorrio grandemente e abaixo o aparelho, que vibra poucos segundos depois.

“Ao menos é o último ano. Te espero na fonte, ruiva.” – Leio rapidamente e digito um Combinado, antes que Made notasse. Todo ano, antes do começo das aulas, eu e Ramona nos encontrávamos na fonte para fazer pedidos bons para o ano. Era idiota, nós sabemos, mas não estava na hora de quebrarmos um ritual que cultivávamos desde o primário. Que, aliás, foi quando nos conhecemos.

Apresso-me para terminar de comer. A fonte ficava próxima à escola. Seguindo pela floresta que tinha nos fundos da mesma, você só tinha que seguir uma trilha de terra e chegava lá. Ficava do outro lado de um cercado baixo, onde também tinha uma casa abandonada. Quando pequenas, eu e Ramona vivíamos criando histórias para aquela casa. Mas na realidade nunca soubemos quem eram seus donos. Ou quem foram, devido ao estado atual do local. Mas a questão é que tem uma fonte, já dominada por grandes raízes, mas que continua a jorrar água. Uma água cristalina, que sai da boca de uma cabeça de elefante. Achei aquilo um tanto bizarro a primeira vista, mas Ramona – que tem um misticismo forte em sua família – me disse que ele é um animal que representa sorte. E isso, somado as moedas deixadas no fundo do local, deixavam claro que era um espécie de fonte dos desejos. E foi assim que nosso ritual surgiu.

Após terminar de comer, escovar meus dentes e me despedir de todos, fui para o ponto de ônibus. Já eram 8h e assim que parei, pude ver o grande ônibus amarelo escolar virar a esquina. Ele para na minha frente e eu rapidamente subo. A escola ficava há 20 minutos dali e a primeira aula começava as 8h30. Eu chegaria atrasada – logo no primeiro dia – mas não poderia deixar de ir à fonte.

♦

Assim que passei pela ultima árvore, consegui ver os cabelos negros de minha melhor amiga. Ela sorri assim que me vê e corre para me abraçar. Não nos víamos desde a segunda semana de férias, quando eu viajei para Redmond.

– Isso de você viajar para longe nas férias é um saco, Ariel. – Diz, assim que nos soltamos, me fazendo rir.

– Eu já te chamei várias vezes para ir comigo. – Respondo.

Ela ri – Eu te amo, Ari, mas nem você vai me fazer deixar São Francisco nas férias para ir ao interior. Sem chance. – Conclui e eu reviro os olhos.

– Não sabe o que perde. Nunca viu os meninos de Redmond. – Acrescento e passo por ela, já indo em direção à cerca. Ela ri alto e bate em meu braço, de brincadeira.

– Ahá, então é isso? E você me fez acreditar que era pelo eu avô, sua safada. – Diz a morena então e eu gargalho alto. De todos os nomes do mundo, não haveria algum que combinasse menos comigo que safada. Sinto meu rosto esquentar apenas de ouvir a palavra.

Jogamos nossas bolsas pela cerca e a pulamos logo depois. A fonte estava do mesmo jeito: água cristalina e raízes longas. Faltavam 5 minutos para a primeira aula, então nos apressamos. Pego as moedas e jogo uma para Mona. Paramos em frente à água e nos ajoelhamos na borda. Seguramos as moedas com as duas mãos e começamos a pensar. De tudo que eu mais queria, havia uma coisa que se destacava sobre todas as outras. Sorrio, beijo a moeda e desejo enquanto jogo. Que eu consiga aprender Have yourself a merry little christmas, tocada no piano, até o natal. Escuto quando as duas moedas tocam o fundo de gesso da fonte, fazendo aquele famoso plim. Viramos uma para a outra e sorrimos. Pergunto-me o que Mona pediu, apesar de saber que se contarmos, o desejo não se realiza. E eu não podia brincar com a sorte. Meu desejo tinha que se realizar.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim. Apesar de ninguém ter comentado nem nada ainda, fiquei feliz ao olhar na gerenciação dessa história e ver que 28 pessoas já leram e 2 já acrescentaram em acompanhamento. Espero que em breve vocês mostrem sinal de vida. Mas, enquanto isso, continuem a ler que isso me deixa imensamente feliz. Beijos e até o próximo.