Notas iniciais
Olá, pessoinhas. Antes de qualquer coisa eu quero agradecer á fofíssima da Jade, que deixou os primeiros 3 comentários na fic. E comentários mega lindos que me deixaram muito feliz. Então, obrigada Jade! E, segundo, eu tenho que falar: eu estou amando conseguir postar os capítulos tão rapidamente. A fanfic vai surgindo de uma forma tão natural, que chega me assusta... sério. Enfim, espero que gostem e boa leitura! (Não se esqueçam de ler as notas finais. Aviso importante!)

Terceiro capítulo

Uma semana antes da volta para São Francisco.

Os raios solares entravam vividos pela janela. Passarinhos criavam uma sinfonia graciosa no jardim e o cheio de ovos mexidos dominava a casa. Desço as escadas de madeira, que chiam quando piso com meu coturno sobre elas, e em pouco tempo chego à cozinha.

– Bom dia, vovô. Gostei do look. – Digo, rindo, assim que o vejo vestido com um avental florido.

Ele ri. – Bom dia, Ari. Obrigada pela parte que me toca. – Conclui, depositando dois prato e um copo à minha frente. Ovos mexidos com torrada, morangos fresquinhos e suco de laranja. Um típico café da manha presente na lista dos meus cafés da manha preferidos. Agradeço a ele e começo a comer. Ele termina de preparar o próprio e se senta na minha frente. O encaro feio.

– O que? – Pergunta, fazendo-se de inocente.

– Bacon, vovô? No café da manhã? Eu sei que faz parte do típico café da manha americano, mas para alguém com problemas de pressão, é o típico café da manha a ser evitado.

Ele revira os olhos. – Esta parecendo a Made, pequenina. Regrando o que eu como.

Eu tinha certeza de que ele havia me chamado assim de propósito. Tentando derreter meu coração.

– Eu não vejo ela voltar do médico com problemas de pressão. – Afirmo e enfim ele assente.

– Ok, ok, só mais hoje. Ninguém teria coragem de jogar essa belezura fora. – Conclui então e começa a comer aquele prato gorduroso. Agora sou eu quem reviro meus olhos e continuo, mas continuo a comer. Em pouco tempo já tínhamos terminado tudo. O relógio redondo pendurado na parede marcava 9h em ponto e eu ajudava vovô a secar a louça.

– Preciso ir resolver algumas coisas na cidade. Vem comigo? – Ele pergunta e eu assinto. Adorava Redmond. As pessoas, os lugares, o clima. Tudo.

Subo até o meu quarto sentindo ainda um certo estranhamento por chamá-lo de meu. Ele fora de meu pai durante todo o tempo que o mesmo morara ali e os anos que se seguiram também. O cômodo ficara por muito tempo vago, mas quando passei a fazer visitas constantes ele logo foi reformado para mim. Abro o enorme armário de madeira, pintado com um tom claro de azul, e escolho uma roupa simples. Camisa xadrez vermelha, calça Jens e o mesmo coturno de antes. Isso é o melhor de Redmond, você não precisa gastar muito tempo preocupando-se com o que veste. Prendo minha franja com um grampo ao lado da cabeça e passo um hidratante nos meus lábios, enquanto coloco meu celular no bolso traseiro da calça e já desço correndo novamente as escadas.

O caminho até a cidade é calmo. Abro a janela da caminhonete, que tinha um tom gasto de vermelho, e estendo meu braço para fora deixando que dance junto ao vento. Fecho os olhos e inspiro aquele cheiro puro de mato, permitindo que um sorriso tomasse conta de meus lábios. Logo os prédios simples vão se formando ao horizonte. Já conseguia ver o logo do Dinner da Macy, uma das melhores lanchonetes do lugar. Vovô estaciona em frente ao prédio da prefeitura e Bob – o assistente do prefeito – acena para nós pela vidraça transparente.

– Tenho que conversar com o prefeito, Ari. Posso demorar. Não quer dar uma volta? – Ele pergunta.

Eu com certeza não queria ficar dentro de uma sala minúscula, escutando conversas intensas sobre terras e coisas do tipo. – Certo, acho que vou dar um olá para a Jenna. – Afirmo e ele concorda. Dá-me um rápido beijo na testa e segue para as portas de madeira da prefeitura. Eu sigo reto, em direção à loja de musica. Era lá que Jenna – neta de um dos vários amigos de meu avô e uma das poucas pessoas que escutavam mais do que country por aqui – trabalhava. Não é preciso caminhar muito, até que a fachada colorida da loja me dê boas vindas. Sorrio ao notar a loira com cara de tédio, arrumando alguns CDs no interior do local. Eu amo essas vidraças. Não preciso entrar no local para saber o que acontece lá dentro.

Assim que abro a porta, o sininho da porta faz barulho me anunciando. Um cheiro de menta me atinge e escuto Born to die da Lana Del Rey tocar baixo ao fundo. Todos no local se viram para mim e eu apenas sorrio, me encaminhando para os fundos da loja. Chego até Jenna e reviro os olhos ao ver que estava com seus fones de ouvido. Os puxo e ela já se preparava para brigar, quanto me nota e sorri grandemente.

– Ari. – Diz, animadamente, deixando os CDs e me dando um abraço. – Achei que já tivesse ido embora.

Faço uma careta. – Para sua felicidade, só semana que vem.

Ela ri. – Temos que aproveitar, então. A Maggie vai dar uma festa no celeiro hoje. Porque não aparece? – Pergunta então.

Maggie. Será que tinha um dia em que a moça – cujos pais viviam viajando por ai – não dava festas no celeiro?

– Se der eu apareço. – Afirmo e ela bufa.

– Ariel. – Diz, me recriminando. – Você logo vai embora, vamos, vai ser legal. Todos os caras interessantes vão estar lá.

Eu rio. – Ok, ok. Eu vou, satisfeita? – Pergunto e ela bate palmas, animada.

– Às 18h, uh. Não se atrase ou me dê bolo. – Diz então e eu assinto.

Ficamos conversando por mais vários minutos. Talvez fosse pelo horário, ou pela falta de apreciadores de musica em Redmond, mas a loja não era muito visitada. Escuto então um bater no vidro e noto vovô sorrindo para mim do lado de fora. Dou um beijo em Jenna e caminho até ele.

– Já resolveu tudo? – Pergunto e ele assente.

– Mas quero te levar em um lugar antes de irmos embora. Pode ser? – Ele questiona.

Assinto e o acompanho pela rua. Vamos conversando normalmente e mesmo conhecendo um pouco a cidade, não sabia para onde ele me levava. Até que paramos em frente a um prédio amarelo. O encaro e ele sorri para mim, me incentivando a entrar. Poucas pessoas entravam no local mas quando uma delas abre a porta, eu seguro, e entro. Vovô vinha bem atrás de mim. Agora eu sabia onde estava: era o centro para crianças com deficiências. Apesar de não ser uma grande cidade, Redmond tinha um local desses. Com recreações para crianças com alguma síndrome. Sorrio para uma menininha em uma cadeira de rodas e meu coração se aperta quando ela sorri de volta para mim.

– Billy. – Uma mulher, que deveria ter uns 45 anos, cumprimenta animadamente meu avô.

– Sasha. – Ele diz então, igualmente animado e assente com a cabeça para ela.

– Não me dica que essa é... – Ela começa a dizer, apontando para mim e meu avô a interrompe.

– A Ariel. Ela mesma. – Diz então e a moça sorri, caminhando até mim.

– Olá, querida. Eu me chamo Sasha. Minha mãe e sua avó eram muito amigas. – Afirma então a mulher e a imagem de minha avó me vem à cabeça. Ao menos, as imagens que eu vira nas fotos. Eu era pequena quando ela morrera de câncer então me lembro muito pouco da mesma.

– Prazer em conhecê-la. – Afirmo, sorrindo.

– Sasha. – Meu avô a chama. – Será que poderia nos levar até a sala de musica?

Uno minhas sobrancelhas, confusa. O que ele poderia querer me mostrar na sala de musica?

A mulher sorri. – É claro. Acompanhem-me.

Eu e meu avô começamos então a segui-la. Passamos por diversas salas, até que paramos em frente a uma com símbolos de musica colados na frente. Ela abre a porta e apresenta-me uma sala bem grande e arejada, com uma enorme janela nos fundos que dava para um jardim florido. Dentro haviam inúmeros instrumentos, de todos os tipos. Mas um entre todos eles me chama mais á atenção. Era um enorme piano, depositado bem no centro ta sala, de um tom claro de rosa. Incrivelmente bonito.

Logo me vejo andando até ele e passo minhas mãos sobre o mesmo. Noto quando Sasha e meu avô trocam um olhar, e ele logo começa a caminhar até mim. Somos deixados a sós e ele me pergunta se eu gostei.

– É claro. – Respondo. – É um piano muito bonito.

Ele sorri. – Era da sua avó. – Diz e meus olhos se arregalam, enquanto eu o encaro.

– Mesmo? – Pergunto e posso notar seu olhar se entristecer um pouco.

– Sim. Ela tocava lindamente. – Ele diz, enquanto se senta no banco do mesmo e abre o compartimento que dava para o teclado. Começa a dedilhar calmamente uma bela melodia, que não me parecia estranha.

– Que musica é? – Pergunto.

– Have yourself a merry little christmas. Você sabe o quanto ela era apaixonada pelo natal então, todo ano, ela tocava para mim poucos minutos antes da meia noite. Foi à única musica que tentei aprender, apesar de não ter tido muito sucesso. Ela era bela demais para eu me prender as notas, enquanto a mesma tocava. – Diz então, enquanto o sorriso triste ainda se mantinha firme em seu rosto.

– Oh, vovô. – Lamento, enquanto vou até ele e o abraço por trás.

Ele me permite abraçá-lo por algum tempo, até que se levanta e disfarça a melancolia sorrindo. – Eu não vim aqui para ficarmos tristes. Mas, noite passada, enquanto mexia em algumas caixas encontrei algumas coisas de sua avó e me dei conta do quão pouco você realmente sabe sobre a ela.

“Esse piano – ele continua, enquanto toca no instrumento – ela me fez prometer que o doaria para cá, caso não conseguisse vencer a doença. Eu afirmava para ela deixar de bobagem e parar de pedir-me promessas, mas ela fazia questão que eu prometesse. Me conhecia melhor que eu mesmo. Sabia que, se dependesse apenas de mim, suas coisas iriam ficar intocadas e criando poeira para toda a eternidade. Cada objeto importante, tudo que tinha que pudesse servir ao próximo, ela deixou por escrito à quem doar. Ela foi uma pessoa incrível, Ariel, e gostaria que pudesse ter tido a chance de conviver com ela.”

Passo a mão por meu olho, secando um leve lacrimejar que se iniciava no mesmo.

– Eu também, vovô. Eu também. – Afirmo, enquanto o abraço novamente. Mais apertado do que de costume.

♦

De volta ao presente:

Sexta feira, 13 de Setembro, 15h10 am.

O sinal berra e os alunos levantam exasperados de suas mesas. A aula de biologia havia enfim terminado e por ser sexta feira, a semana de aulas também. Sinto como se meu corpo tivesse acabado de passar por um moedor de carne e sido pisoteado por uma multidão. Esse é o grande problema das férias.

Após meses sem aulas, nossos corpos e mentes se desacostumaram a rotina que elas acarretam. E, após uma semana puxada para nós quase formandos, tudo que eu – e a grande maioria dos alunos do ultimo e outros anos – queremos, é correr para bem longe da escola em direção à liberdade de nossas casas. Porém este não é o meu caso. Hoje, como em todos os outros anos, abrem as inscrições para os clubes e aulas opcionais. Todo dia – começando na segunda semana de aulas – após as aulas obrigatórias, começam aulas opcionais. Os temas são muito variados e as presenças não são obrigatórias, o que faz com que os participantes sejam apenas aqueles que realmente desejam aprender aquele determinado assunto. No meu caso, música. Mas especificamente, o piano.

Meu avô nem imagina como aquele dia, uma semana antes de eu voltar para cá, foi importante para mim. Eu percebi o quanto ele sentia falta da minha avó. Eu não poderia trazê-la de volta – infelizmente – mas poderia fazer uma homenagem á mesma. Fazer sua presença ser sentida novamente. E, a minha ideia, foi tocar a musica que a mesma tocava todo ano no natal. A parte mais importante, que era conseguir que meu avô venha passar o natal conosco, eu já consegui. Mas agora falta aprender a tocar a música. Nunca toquei instrumento nenhum, o que torna tudo mais difícil, mas eu sei que com empenho eu consigo. Tenho 15 semanas para aprender. Pensando no número cruamente assim faz parecer que tenho tempo de sobra, mas as aulas de musica são apenas 2 vezes por semana e como tenho que aprender tudo do começo – por não ter nenhuma base no assunto – pode até ser pouco. Sem falar que não posso ignorar todas as outras matérias e me dedicar apenas ao piano. Não quero ser uma ótima pianista fazendo o último ano pela segunda vez.

Aperto o passo em direção à secretaria. Para minha sorte, haviam apenas quatro pessoas em uma fila. Espero ansiosamente, até que enfim escuto chamarem o próximo. Noto ser a única ainda ali então vou em direção a bancada. Uma moça morena, que não deveria ter mais que 30 anos, me esperava sorrindo para mim.

– Em que posso ajudá-la? – Me pergunta.

– Olá. Eu gostaria de me inscrever para as aulas de piano. – Afirmo.

Sua expressão então torna-se confusa. Ela vira-se e mexe em alguns papeis na mesa atrás de si e depois, agora com a expressão mais natural, vira-se para mim.

– Como eu pensei... – Afirma. – Querida, as inscrições para as aulas de música foram abertas no final do semestre passado e encerradas logo depois também. As vagas acabaram.

Fico parada no mesmo lugar, sentindo minhas pernas um tanto moles, ainda sem assimilar o que ela acabara de dizer. Me aproximo ainda mais da moça e ela me mostra as fichas de inscrições e os avisos com as datas de abertura e encerramento das mesmas.

– Mas... como assim? Todo ano as inscrições das aulas opcionais abrem na segunda semana de aulas. Porque mudaram este ano? – Questiono.

– Ano passado foi um tumulto por causa das aulas de música. Todos querem fazer e com poucas vagas, resolvemos antecipar as inscrições para não termos o mesmo problema. Espalhamos avisos pela escola, querida, me desculpe. – Diz então, com pesar.

Lembro-me então das ultimas semanas do semestre passado. Eu estava tão preocupada com as provas finais, que pouco prestei atenção no mundo ao meu redor. Não posso acreditar nisso. Assinto então para a morena atrás do balcão e já ia me afastando, quando penso em algo.

– Caso alguém desistir. Por favor, me avise. – Afirmo, enquanto anotava meu número de celular em um papel e entregava para ela. Ela assente para mim e sorri. Não consigo sorrir de volta. Apenas me afasto, indo em direção as salas onde as aulas opcionais acontecem. O que eu faria agora? Aulas de música particulares, aqui em São Francisco, são muito caras e eu também queria fazer disso tudo uma surpresa. Não poderia pedir ao papai que pagasse as aulas. Suspiro fundo. Eu teria que encontrar uma solução. E rápido.

Notas finais
E então, amores? Gostaram? Muitos devem estar se perguntando: "Ta, legal, mas cadê o romance?" Gente, calma que as coisas vão começar a acontecer já no próximo capítulo. Como eu já avisei, quis criar uma história bem feita então adiei beeeeem o romance, para ter um contexto para narrar além dele. Apenas fiquem calmos, okay? Beijinhos e não esqueçam de comentar.