Forever and Ever - Revisando
12 Capítulo - 12 Scarlet Red
Caroline
Sua vida estava do avesso, nada parecia estar dando certo depois daquela noite tudo tinha mudado, mas para pior. Matt estava distante, sempre tinha uma desculpa para não vê-la, acho que no fundo ele soube assim que a viu chorando desesperada naquela noite. Ela se odiava por não conseguir contar a ele, mas temia magoá-lo. Não sabia como dizer a ele que Stefan a beijou, ou melhor, que deixou que ele a beijasse no dia de seu aniversário. Por isso, preferiu aceitar suas desculpas quando se negava vê-la ou virava o rosto quanto tentava beijá-lo.
Fui procurá-lo em sua casa para dizer a verdade a ele, mas ele optou por ignorar-me mais uma vez.
E as coisas entre mim e Stefan não podiam estar mais confusas. Mesmo dizendo que não, pensei que ele lutaria por mim e no fundo era isso que queria, mas depois de duas semanas, ele e Elena pareciam ter voltado às boas.
Era incrível como ele tinha conseguido destruir meu mundo. Se declarando, jurando que me amava e depois… Elena e ele entraram de mãos dadas na sala de aula como si nada tivesse acontecido. Senti meu estômago se revirar, meus olhos se inundarem quando a lembrança do beijo e ele declarando seu amor pra mim... E no fim eram apenas palavras vazias, promessas vazias.
Depois disso se forcou a voltar a sua antiga vida, aquela que jamais deveria ter abandonado.
Resumida aos estudos, trabalho e casa.
Molly não gostou nada da minha nova vida. Ela não parecia estar disposta a aceitar o eminente fim do meu relacionamento com Matt. Ela não parecia querer aceitar que não era como ela, que não era tão popular quanto ela foi no colégio. E tudo aquilo estava a deixando louca.
A ficha tinha finalmente caído, sonhei demais, acreditei muito e apostei todas as fichas de uma vez. Ignorando a regra básica de quem aposta tudo pode sair sei nada, de mãos vazias. Apostei todas elas em Stefan, todas elas esperando por ele, mas o que podia esperar de uma declaração de um bêbado?
Queria ter alguém para falar, mas não tinha. Bonnie e eu tínhamos rompido nossa “amizade” e não conseguia nem olhar para ela agora. Alias sempre que encontrava com ela estava com Elena. Era algo horrível de se pensar, mas infelizmente todas as palavras venenosas de Katherine faziam sentido. Sentia-me traída por ela, mas acima de tudo sentia sua falta. O que mais me machucava nisso tudo era saber que ela não sentia o mesmo.
Estava cabisbaixa no refeitório, brincando com purê nada apetitoso em seu prato. Ergueu a cabeça e encontrou uma cena que não importa quantas vezes eu assistisse, ainda reviraria o estômago.
O novo trio de ouro. Elena, Stefan e Bonnie rindo a poucos centímetros dela, parecendo amigos de longa data.
Por um instante os olhos de Stefan se desviaram dos olhos amendoados de Elena e encontraram com os meus e todas as aquelas lembranças inundaram minha mente. O gosto dos seus lábios, suas declarações falsas de amor, todas as minhas esperanças sendo massacradas quando seus olhos se voltaram para Elena que apertou sua mão.
Levantou e colocou a bandeja vazia em seu devido lugar, ignorando os olhos que a seguiam pelo caminho. Estava indo para sala, iria ficar ali até sinal tocar quando, seus olhos foram atraídos para uma figura loira passando por ela feito um foguete. Respirou fundo para reunir coragem depois que o chamou e ele a ignorou de novo. Tinha que resolver aquilo de uma vez por todas.
— Matt – gritei ele veio até mim, mas parecia completamente contrariado com isso – Nós precisamos conversar, Matt.
— Não, eu tenho treino Caroline – rebateu enfático, saído em seguida, mas não iria mais deixar aquela situação como estava. Ele não podia fugir daquela conversa pra sempre. Corri até ele e segurei sua mão o seguindo até o corredor.
— Nós precisamos conversar Matt.
— Sobre o que? – inquiriu irritado e impaciente. Encolhi um pouco, sendo afetada pela raiva nos olhos dele.
— Sobre nós. Precisamos falar... Sobre o que esta acontecendo.
— E o que esta acontecendo exatamente? Poderia me explicar?
— Hum... Okay. É... Você está distante ultimamente. Evitando me ver e conversar. Eu acho que temos que falar sobre isso, nos...
— Nós – ele repetiu sorrindo.
Mas não aquele sorriso doce que ela aprendeu amar e sim um de escárnio combinando com um brilho nos olhos dele. Raiva, desprezo. Inconscientemente ela abraçou a si mesma, sentindo-se pequena, insegura. Era o completo oposto do que ele causava nela.
— Você não sabe mesmo, Caroline? – neguei com a cabeça ele balançou a cabeça – Não sabe o que está acontecendo entre nós, ou do porque eu não posso suportar olhar para você?
— Eu.. Eu não...
— Eu pensei que você fosse diferente – ele maneou a cabeça me olhando com raiva – Juro que cheguei a pensar ter encontrado a garota certa pra mim. Eu pensei que você fosse melhor que isso!
Um bolo se formou em minha garganta quando o encarei aquele olhar decepcionado em seus olhos. Notei que algumas pessoas já prestavam atenção em nós e me encolhi um pouco mais.
— É melhor conversamos depois Caroline – Matt me deu as costas, mas eu detive ficando em sua frente
— Não, Matt... Me diz o que tem que dizer de uma vez.
— Tem certeza? Que quer que eu diga aqui?
— Tenho! – afirmei e tentei soar confiante, mas minha voz saiu falhada.
— Tudo bem, como queira – ele deu ombros e disse sem o menor resquício emoção em sua voz – Acabou!
— O que? – inquiri incrédula – O que você disse, acho que não...
— O que você acabou de ouvir. A-ca-bou! Não dá mais – gritou.
— Matt – segurei seu braço, que ele desvencilhou sem nenhuma delicadeza – Por favor, tem que me explicar…
— Explicar? Você deveria ter sido sincera comigo Caroline – ele se afastou balançando a cabeça me olhando com um olhar de repulsa – Você é como todas as outras, mentirosa... Traidora!
— Matt... Eu tentei de contar, mas você não me deu chance...
— É agora a culpa é minha? – ele riu – Você mentiu sobre o beijo porque e uma mentirosa, covarde.... É agora não importa mais, você está livre para correr atrás dos Salvatore, atrás do Stefan ou dos dois, não é esse seu jogo? Você não gosta de ser disputada por dois, ou quem sabe seja mais do que isso. Eu não sei. Vai ver tem um quarto, ou quinto...
Antes que ele pudesse me insultar mais o esbofeteei, com toda força que tinha. Ele arregalou os olhos segurando o rosto, parecendo chocado. Abri a boca para falar, mas nada saia. Fiquei paralisa sentindo dezenas de olhos sobre mim, escutando cochichos e risinho sem poder me mover.
Stefan e Bonnie estavam lá também, assistindo tudo como meros telespectadores e nada fizeram.
Bonnie apenas me lançou aquele olhar falso de pesar, mas por dentro deveria estar pensando como todos ali, que ela não passava de uma vadia. Saiu correndo para banheiro, desviando de pessoas que pareciam se colocar na sua frente propositalmente.
Trancou-se na primeira cabine que encontrou vazia e deu graças a deus do sinal tocar, todos iriam para suas respectivas aulas. Ninguém entraria por algum tempo. O que lhe permitiria chorar o quanto quisesse. Depois de alguns segundos chorando até que sua cabeça doesse. Ela fitou a porta da cabine.
Lendo alguns nomes, dentre eles o de Bonnie, Lucy, Katherine. E foi lendo aqueles nomes que ela lembrou de sua breve amizade com Bonnie, si que ela poderia chamar de amizade. Sentia-se tão pequena, humilhada, mas principalmente se sentia sozinha. Não conseguia tirar os olhos de Matt da cabeça. Do ódio e magoa, nunca pensou que receberia aquele olhar dele. Soluçou alto, não querendo mais se conter, conter aquela dor. Queria fugir dali, correr para bem longe onde ninguém a conhecia. Onde ela não era a traidora, ou pobre filha de Elizabeth Forbes fugindo pela milésima vez, para chamar a atenção.
Estava com abraçada ao joelho chorando silenciosamente quando escutou um barulho na cabine ao lado, prendeu a respiração com medo de ser descoberta. Mas após cinco minutos, constatou que não era ninguém a sua procura e sim uma pessoa qualquer, que pelos barulhos que fazia, estava muito mal. Levantou devagar olhando para baixo e achou os sapatos familiares, saiu de sua cabine incerta e ponderou por um segundo se deveria ignorar, mas o barulho de vomito denunciava que pessoa do lado de dentro precisava de ajuda. Bateu à porta mais sem resposta.
— Ei, está tudo bem? – bati novamente – Eu posso chamar ajuda se quiser.
Para minha surpresa, ou azar. A garota saiu da cabine pálida feito vela, com cabelos bagunçados. Arregalou os olhos quando reconheceu Katherine. Ela limpou a boca, revirou os olhos com impaciência.
— O que é Garibalda, viu alguma fantasma? Merda, uma garota não pode mais vomitar no banheiro sem ter alguém pra encher o saco? – ela cambaleou até a pia e molhou o rosto.
— Se soubesse que era você…
— Se soubesse que era eu o que? Iria me deixar passando mal sem nenhum sentimento de culpa – completou e riu enquanto enchia as mãos de papel e secando o rosto
— Sabe Caroline, nós realmente temos muito em comum.
— Eu não tenho nada em comum com você. – ela franziu a testa, dando seu sorriso debochado.
— Ah não? Olha só pra você – ela me olhou de cima a baixo me rodeando
— Você é a nova eu. Todos na escola invejaram você semana passada. A namorada do Matt Donavan, a garota causadora de uma briga entre os dois irmãos mais gatos do colégio. E agora... Adivinhe! Todas elas te acham nada mais, nada menos que uma vadia.
— Eu não sou uma vadia, eu não sou nada como você – gritei
— Tudo bem, tudo bem – fez um gesto de desistência com as mãos – Tem uma diferença gritante entre nos mesmo… E a grande diferença é que não finjo ser o que não sou mesmo que me odeiem, mesmo que torçam para que me ferre, eu não dou à mínima — respondeu ela fitando seu reflexo pálido no espelho.
Enquanto eu tentava em vão renuir forças para sair dali, ou respondê-la como ela merecia, mas não adiantou respirar fundo e fazer listas mentais de coisas que amava para acalmar-se. As lágrimas voltaram, mordeu as bochechas, olhou para cima numa tentava de reprimi-las, mas nada adiantou.
Chorei mais uma vez e dessa vez cometeu o erro de chorar na frente de outra inimizade. Depois de cinco minutos, Katherine revirou os olhos castanhos e estendeu o papel para mim.
— Se sair daqui chorando, vai dar o show que eles querem – ela ajeitou o cabelo, sorrindo para si mesma. E mesmo o cabelo estando impecável, maquiagem perfeita, ela ainda parecia doente, mesmo a maquiagem não escondeu as olheiras profundas, muito menos magreza que se atenuava nas maças do rosto.
— Quer uma dica, nova eu? Nunca, em hipótese nenhuma faça o jogo deles, nunca deixem que a vejam chorar.
— Como consegue Katherine? Como consegue não chorar? – questionei-a não ligando para o quanto soava idiota e frágil.
— Simples, nenhum deles é melhor que eu. Sempre fui sozinha. Eu mesma contra a merda do mundo – ela estalou os lábios – Nenhum deles pode me derrubar.
Katherine sorriu olhando-se mais uma vez no espelho e saiu rebolando pela porta logo em seguida.
Ficou olhando na direção em que ela partiu, com as mãos apoiadas na pia, olhando para seu reflexo que não era tão diferente de Katherine.
Olhos vermelhos, o rosto abatido, máscara de cílio escorrida lhe dando um aspecto de noiva cadáver.
Abriu a bolsa que trazia consigo e suspirou. Não admitira ela ou a ninguém, mas agradeceu por Bonnie e Molly obrigarem-na a ter uma nécessaire com maquiagem porque ela iria muito a calhar agora. Molhei o rosto e passeium batom, era vermelho demais, mas era o único que tinha. Soltou os cabelos e respirou fundo. Tinha que ser forte agora, ou ao menos fingir que era. O sinal tinha tocado novamente. Passei por aquele corredor, com pessoas cochichando coisas ao meu respeito. Mas não vacilei, passei com a cabeça erguida. Quando passou por Katherine pode jurar, que vislumbrou um sorriso em seu rosto.
Bonnie
Demorou alguns segundos para piscar os olhos e ter alguma reação. Deu alguns passos apressados a caminho do banheiro feminino, com certeza, ela teria corrido para lá. Mas parou, agarrando a alça da bolsa. Caroline não ira querer vê-la, principalmente depois dos últimos dias. Ela não tomou inciativa alguma em falar com ela e agora a amizade perecia desfeita. No lugar dela, também bateria com porta em sua cara.
Matt terminou com ela na frente de praticamente todo o colégio. Nenhuma garota merecia aquilo, principalmente Caroline. Sentiu a culpa a remoendo agora porque daquilo era culpa dela por ter forçado a barra para aquele namoro que desde inicio parecia fadado ao fim.
Em parte porque seu melhor amigo nunca se recuperou da traição de uma antiga namorada e o abandono da mãe. Ele desconfiava de toda e qualquer mulher e mesmo Caroline não foi capaz de vencer esse trauma.
Mas foi depois de conhecer Caroline Forbes melhor, foi que entendeu a cama de gato que tinha armado.
Caroline tinha tudo nas mãos para ser popular e bater de frente com Katherine pelo posto de abelha rainha do colégio. Mesmo que se esforçasse para esconder seu corpo com jardineiras e blusas de moletom, óculos grandes e cabelo sempre preso. Ela era linda e acho que parte dela sabia disso. Ela ainda podia se lembrar de um tempo que Caroline parecia ter si esquecido, mas elas costumavam a si falar no jardim até a quarto ano.
Caroline era um raio de sol, todos pareciam gostar dela e eu não era uma exceção. Mesmo que ela fosse mandona e um pouquinho controladora quando se tratava de projetos escolares, mas era uma boa amiga e não se vestia feito um menino, ou Carrie a estranha. Ela costumava a gostar de pulseiras coloridas que se faziam em casa e dávamos para melhores amigas, brincava de boneca e gostava de desfilar pela casa.
Mas um dia tudo mudou.
Os pais dela começaram a brigar e ela começou fechar-se para mundo, empurrando-a para longe. O golpe final foi a morte de Liz em curto tempo de seis meses. Ela ainda podia lembrar-se do enterro. Caroline segurando uma orquídea roxa, olhando para caixão sendo enterrado. Ela soltou da mão de sua vó e correu ate ela, apertou seu ombro e tentou em vão dizer algo que a confortasse, mas nada saiu. Aquele era seu primeiro contanto com a morte e somente de pensar em perder sua avó ou seu pai, sentia os olhos arderem.
Caroline amaçou a orquídea e deixou as pétalas caírem no chão e correu para longe. Ao fundo encontrei uma figura esperando por ela, era Stefan. Ele abraçou e levou para longe de todo aquele pesadelo. Eles consolaram um ao outro, porque ambos sabiam o que era perder uma mãe.
Era algo que as vezes ela pensava saber exatamente como eles se sentiam, mas naquele dia entendeu que estava errada. Sua mãe ainda estava viva, respirando. Não estava sendo devorada pelo câncer ou enfisema pulmonar. Minha mãe estava bem em algum lugar que eu desconhecia e esse pensamento nem causou raiva como das outras vezes, ao contrário. Me senti aliviada em pensar que um dia ela voltaria e abraçaria como sonhou todos aqueles anos. Infelizmente Caroline não teve a mesma sorte.
Fui despertada para presente não menos complicado e melancólico pela voz rouca que a fazia lembrar-se de uma gralha ordenando que entrasse na maldita sala.
Sentada na carteira rabiscando símbolos estranhos que encontrou em livro no porão, não conseguiu desligar seus pensamentos e se concentrar na aula de literatura imaginando como Caroline deveria estar. Matt estava amassando uma bola de papel mirando no lixo, mas não acertava uma se quer. Parecia miserável e mesmo estando com pena, ele merecia estar naquele estado depois da maneira que terminou as coisas.
— Bonnie – Elena me chamou pela terceira vez
— Oi Elena, fala – respondi distraída demais para prestar atenção na droga da aula. Já tinha lido dez mil vezes à letra escarlate e não conseguia ter muita empatia com a protagonista. E pela terceira vez tinha que fazer algum outro trabalho inútil sobre ela, já debatemos tanto aquele livro que minhas ideias e dos meus colegas pareciam ter se esgotado.
— Você está bem – ela questionou olhando para mim preocupada.
— Sim – menti encarando o professor andando de um lado para o outro com o livro vermelho em mãos.
— Vamos organizar um debate – Linc anunciou
— De novo!? – choramingou em voz alta
— Algum problema senhorita Bennett? – neguei com a cabeça de má vontade
— Qual é a sua visão sobre livro – Linc perguntou a Elena depois que a metade defendeu Hester e debateu o livro com total desanimo. Elena era a única que parecia animada, pelo visto amava o livro ou ainda não sabia que teríamos que repetir debates sobre este livro e Hamlet. Ela a defendeu à com unhas e dentes. Talvez fosse porque Elena era Hester Prynne ou seria a Caroline? Sentiu uma onda de culpa por pensar isso dela.
— Bennett – Linc chamou em voz alta
— Eu acho que aquele A foi bem-merecido – disse mais pare encerrar o debate do que para qualquer outra coisa. Elena olhou para mim espantada.
— Bonnie não acha machista o que ouve com ela? Ela ser tão duramente julgada por pensar que o marido estivesse morto...
— Eu sei – rebati desanimada me perguntando como Caroline estaria agora – Mas o marido não estava morto! Ela supõe que ele estava.
— Ela se apaixonou Bonnie, se apaixonar não pecado. É que ouve com ela depois, ser acusada de adultera, ser marcada para sempre...
— Como adultera? – Matt se pronunciou – Ela traiu o marido! Nem deixou o suposto defunto esfriar – Matt disse encarando Stefan que estava quieto em sua mesa. Tão perdido em seu próprio mundo que não pareceu se importar com os olhares sobre ele.
— Se Hester Prynne fosse um homem, não teria sido julgada dessa forma. Para mim o único pecado dela, foi se apaixonar. Foi acreditar que o seu marido havia morrido e se ele estivesse não haveria nada de errado. O único erro de Hester foi acreditar no amor demais – Stefan rebateu nos deixando calados demais para protelar
— Hummm – Linc chamou atenção – Então ninguém tem nada a declarar sobre a opinião do Salvatore?
Matt abaixou a cabeça parecendo estar em uma luta interna com sigo mesmo. Balancei a cabeça confusa e um tanto envergonhada. O sinal tocou nos libertando daquela aula maçante e constrangedora. Elena esperou que eu pegasse todos os livros e me aguardou em frente a porta.
— Uau, foi um debate e tanto.
— É – disse sem intenção de continuar
— Você deve mesmo detestar aquele livro.
— Sim, eu odeio.
Estávamos no corredor, quando Caroline passou por nos. Com cabelos soltos, com o batom vermelho escarlate que eu havia ajudado a comprar. Ela passou sem se deixar abater pelos olhares e cochichos que zombavam dela. Seus olhos foram atraídos para alguém que não deveria estar sorrindo parecendo... Orgulhosa?!
Mas contrariando as leis do universo Katherine estava, enquanto seguia Caroline com os olhos. para outro canto. Lembrei do debati idiota, do A costurado nas roupas de Hester Prynne.
Caroline tinha agora o mesmo peso, os mesmo olhares de hipócritas que fazia muito pior que ela, mas que mesmo assim a julgavam sem pena Admirei-a ainda mais por isso, por não chorar e nem ceder aqueles olhares e comentários. E acabou compreendendo Hester... Ou melhor, Caroline como nunca antes. Matt ficou parado olhando-a passar pela porta, talvez a ficha do que tinha feito finalmente estava caindo. Tinha perdido a namorada e talvez percebido o quanto gostava dela.
Katherine
Naquela festa na casa de Stefan fiquei radiante e cheia de esperanças tolas e inúteis depois daquele beijo apaixonado que troquei com Stefan. Tinha esquecido como nada era fácil para ela. Reconquistar Stefan era impossível, tinha aceitado isso quando ele disse na frente daqueles idiotas que tinha pena dela, que era desprezível.
Acabou fazendo algo que odiava, chorou na frente daqueles miseráveis e sentiu seu sangue ferver quando notou a pena nos olhos deles.
Jurou se vingar de todos e já sabia o ponto fraco de Stefan, Damon, Bonnie e Elena. Matt seria destruído automaticamente
A verdade e que tinha descobrindo algo naquela festa, ou melhor, presenciando algo. Quando correu para banheiro com aquele mal-estar que sentia há dias. Ficou lá até que a festa acabasse e quando desceu seus olhos pareciam queimar e seu estômago se embrulhou ainda mais com a cena a sua frente. Teve que conter para não correr ao banheiro novamente. Stefan puxou Caroline beijando-a.
Tive que escutar aquela declaração estúpida de amor e ódio dentro de si queimava. Porque aquela declaração tinha que ser para mim, mas a sempre sonsa Caroline se afastou lembrando-se do Matt, mas Stefan não parecia disposto a deixá-la ir e puxou de novo beijando-a de um jeito que nunca havia beijado ela.
Engoli o ódio e a inveja e peguei meu celular e tirei uma foto daquele primeiro beijo apaixonado. Caroline saiu correndo após Stefan dizer que ela... Vejam só, também tinha sentimentos por Damon.
Aproveitei a discursão e saiu dali sem ser vista, chorando de ódio ou simplesmente despeito por não ser eu nos braços de Stefan. Guardei aquela foto até o momento oportuno, tinha em mente usá-la contra Elena e despedaçar seu coração com aquela foto. Porém depois da detenção percebeu que Elena não era seu alvo, ela não era páreo. Sua rival era Caroline.
A desgraçada tinha conseguido o amor e a devoção dos dois sem precisar fazer esforço algum e ainda desfilava com Matt pelos corredores.
Comecei meu plano separando-a de Bonnie e ao que tudo indicava era definitivo. O que eu não contava era que naquele momento falso de união contra Elena e Bonnie, descobrisse o quanto tínhamos em comum.
Eu podia se ver nela, chorando por um idiota qualquer, sem nenhum amigo a quem recorrer. Mas lembrou da detenção, vendo Damon defendê-la e Stefan humilha-la por ousar dizer a verdade.
Todo aquele momento bobo de união de garotas acabou. Stefan a desprezava, mas receberia aquele mesmo desprezo de Caroline. Se ela não podia tê-lo, ele também não teria a doce Caroline. E já sabia como fazer isso. Porque mesmo odiando-a, ela reconheceu um lado negro no anjo dos irmãos Salvatore, tudo que ela precisava fazer era empurra-la e ela se corromperia por ela mesma.
Enviei a foto para Matt anonimamente e esperou ansiosa pelo gran finale. Que demorou duas semanas!
Matt era um verdadeiro corno manso! Eles continuaram juntos, talvez ele esperasse que a mesma confessa-se. Mas não estava errada sobre Caroline. Porquê dizer a verdade se uma mentira pode ser misericordiosa e salvar sua pele?
Ela não contou a verdade a ele e por isso já estava arquitetando outro plano quando duas semanas depois escuto alguém chorar na cabine ao lado. Não deu à mínima, continuou vomitando, quando a mesma saiu de sua cabine, perguntando se ela estava bem… E qual foi sua surpresa quando encontro Caroline Forbes oferecendo ajuda. O destino estava mesmo ao seu favor.
Ela estava péssima, com cabelo preso descabelados, rosto abatido e olhos vermelhos. Não precisou que contassem. Sabia que o plano havia funcionado perfeitamente.
Caroline estava sem seu namorado perfeito, sem sua melhor amiga e Stefan desfilava pelos corredores como se nada tivesse acontecido, seguindo namorando a mosca-morta da minha irmã. Agora ela estava vulnerável, exatamente como eu queria.
Damon
Stefan não precisou contar o que aconteceu naquela festa. Somente em olhar Caroline atentamente naquela sala de detenção eu entendi tudo. Ela e Stefan tinham finalmente... Não conseguia nem dizer a palavra. Mesmo que fosse apenas um beijo, não conseguia ter aquilo em sua mente. Esperou que no dia seguinte Stefan e ela aparecessem sorrindo de mãos dadas, Caroline com o anel que era da nossa mãe na mão direita. Stefan contaria ao nosso pai que estava noivo. Ele não surtaria, muito pelo contrário. Daria uma casa de presente de noivado aos pombinhos.
Não nem olhar para Caroline depois disso. Ficou alguns dias evitando-a por completo, faltando nas aulas de química que antes eram uma benção, hoje era apenas uma maldição.
Mas nenhum dos meus temores aconteceu.
Caroline estava com Matt, mas não pareciam estar muito bem. Stefan tinha engrenado de vez o namoro com Elena. Mesmo tendo um momento de trégua entre mim e minha cunhada, não pode evitar de ficar feliz por isso. Mesmo tendo certeza de que ele estava apenas usando-a para esquecer Caroline.
O que não conseguia entender era o porquê deles não estarem junto e quanto mais pensava menos sentido fazia. Cansou de fazer essas perguntas e resolveu ir a bares, beber e dormir com garotas que não sabia o nome. Se divertiu num fim de semana no iate do Tyler Lockwood. Tinha faltado a aula de ressaca, quando uma das garotas que Tyler estávamos apareceu no iate. Ela o beijou pegando a cerveja de sua mão começou a fazer um interrogatório do motivo pelo qual ele tinha faltado aquele dia. Estava me levantando para sair dali quando ela contou...
— Dill não enche! O que eu perdi de tão interessante hoje?
— Seu melhor amigo, Tyler – Dill riu do próprio comentário – Terminou com a Forbes no meio do corredor, praticamente a chamou de vadia, disse que ela tinha um caso com dois irmãos ai.
— Ele disse o que? – Dill riu bebendo cerveja de Tyler que agarrou pela cintura
— Pelo visto ela está arrasando corações – Tyler debochou olhando para mim
— Cala boca, Lockwood!
— Tá – ele deu ombros – Não está mais aqui quem falou.
— Como ela ficou depois disso?
— Ah… Mau. Foi o maior mico, toco do milênio. Levar um fora e ser chamada de vadia na frente do colégio todo. Ela deu um tapinha básico em Matt e correu feito uma idiota para o banheiro…
Não terminei de escutar o resto da fofoca. Correu para cabine e calçou o coturno e correu para casa de Caroline. Precisava saber como ela estava.
Caroline estava a onde ele imaginava sentada no telhado da sua casa em frente à janela abraçada aos joelhos, parecendo uma criança abandonada. Subiu até lá ela que não o notou até que me sentou ao seu lado.
— O que está fazendo aqui?
— Eu…
— Venho rir da minha desgraça, soube do que ouve e venho rir de mim? – inquiriu com a voz baixa
— Na verdade é isso mesmo. Tinha que ver com meus próprios olhos, você chorando descabelada pelo idiota do Donavan. Tenho que ser sincero Forbes, sempre esperei esse momento.
Esperou que ela rebatesse, mas ela não disse nada continuou olhando para o nada e aquilo o assustou. Não pareceu ela.
— Então esse momento chegou Damon, já viu pode cair fora!
— Claro, mas antes – tirou o celular do bolso – Tenho que registrar esse momento.
— Para! – ela ordenou tomando o celular na mão fez menção de jogá-lo, mas apenas apertou entre as mãos
— Vai embora, por favor – ela suplicou desviando os olhos para o lado
— Não! – me aproximei dela – Não posso acreditar que está chorando pelo Matt, aquele idiota não te merece.
— Então quem me merece Damon?
— Eu – ela olhou para ele espantada.
— Damon, não seja idiota.
— Baby – peguei seu queixo forçando a me encarar – Você esqueceu que eu sou o maior idiota do mundo. É devo ser também o maior do universo, por estar aqui te dizendo isso…
— Com toda certeza, por que eu já sabia disso, há muito tempo – Que eu sou o maior idiota do universo?
— Não, que o idiota mais adorável que já conheci – ela rebateu olhando-me com os olhos cheios d'água– Mesmo assim eu te odeio!
Acabei rindo, envolvendo-a com seus braços.
— Eu também te odeio Care, com isso você não tem que se preocupar.
— É nos não somos amigos – ela murmurou, chorando.
— Claro que não, nunca seremos amigos.
Ela encostou a cabeça em seu peito e chorou por horas. Ele ficou junto a ela, sem dizer nada. Apenas escutando-a chorar por outro, mas não tinha muita importância. Porque naquela manhã acordou com uma garota ao seu lado, que não sabia o nome e sobrenome.
Acordou numa cama que não era sua, sentindo aquele vazio de todos os dias. Mas ali, abraçado com Caroline mesmo que aquelas lágrimas não fossem por ele. Aquela àquela agonia no peito sumiu. Não podia se sentir, mas completo. Sempre se sentia assim ao lado dela.
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