Forever and Ever - Revisando
11 Capítulo - 11 In detention
Notas iniciais
STEFAN
Corri para o banheiro de madruga se debruçando no vaso sanitário, colocando todas as porcarias da noite anterior. Não sabia com exatidão quanto tempo ficou prostrado no banheiro, só despertou para realidade quando raios de sol bateram contra o meu rosto.
Encostou a cabeça no piso frio do banheiro com mãos em cima do estômago dolorido, ainda sentia a garganta dolorida e gosto amargo da bile em sua boca. Fechei os olhos que estavam pesados pelo cansaço e respirou fundo tentando conter as náuseas que só faziam aumentar.
Quando o desconforto começou a passar, se despiu e entrou no chuveiro, tomando uma ducha fria para despertar. Enquanto sentia o corpo inteiro de arrepiar pelo contado com água fria, sua mente acabou vagueando até ela novamente.
A lembrança vivida do primeiro beijo roubado. Beijo esse que iniciou deixando a covardia e receio de lado sendo encorajado pela alta porcentagem de álcool.
Me odiei por precisar de álcool para fazer o que desejava desde que descobriu sobre seus sentimentos por ela. Detestei mais do que nunca ser tão covarde e como ela mesma disse, esperar que ela seguisse em frente e estivesse feliz ao lado de um cara que diferente de mim a merecia de verdade.
E mesmo repudiando a si mesmo pelo que fez, não conseguia tirar o beijo de sua cabeça. Tirar o gosto de seus lábios, os pequenos gemidos que escapavam dela no processo. A sensação maravilhosa que o possuiu sentindo seu corpo colando a ela. A sensação libertadora e indescritível de olhar em seus belos olhos cândidos e dizer que a ama. Poder finalmente dizer o que sentia parecia ter lhe tirado toneladas dos ombros.
Desligou chuveiro e esticou mão para lado pegando a toalha e se enxugando, enrolando-a na cintura, ele seguiu até seu guarda roupa e pegou a primeira roupa que achou, se vestindo em seguida para ir ao colégio.
Porque mesmo que estivesse feito um lixo naquela manhã, não ir seria pior. Esconder-se em seu quarto como um covarde apenas pioraria as coisas. E vê-la ainda seria um consolo para confusão que se instalara dentro dele, mesmo que ela se negasse a falar com ele depois do que ele fizera, ainda sim, estar perto dela acalmaria a tempestade dentro dele.
Mas foi durante o treino de futebol que percebeu que foi péssima ideia ir ao colégio. A dor de cabeça aumentou e meu cérebro parecia estar sendo amassado pelas mãos de um gorila.
Damon não contribuiu em nada para amenizar o péssimo dia que estava tendo, muito pelo contrário. Ele parecia adivinhar que minha vida estava uma droga e resolveu dar um pequeno empurrão para joga-lo na sarjeta, cometendo faltas, sorrindo e pedindo concentração. Depois disso seu cérebro parecia ter desperto de uma vez, recebendo uma boa carga de adrenalina que se espalhou por meu corpo e constatação que custou a bloquear voltou. Olhei para meu irmão que corria pelo campo e de repente tudo que conseguia lembrar era de Caroline.
Ela podia não admitir, ou saber com certeza, mas ela tinha sentimentos por Damon. Não era apenas por Matt que ela o rejeitou, era por ele, por Damon.
Era incrível como ele sempre ficava no meio de seu caminho. Seja Katherine, ou Caroline, ele sempre surgia como uma cruz que ele era obrigado a carregar. Sempre brigando e transformando sua vida num verdadeiro inferno por se achar preterido pelo pai, ele descontava toda frustração de sua vida imperfeita nas minhas costas, roubando tudo que era precioso. Dizer que estava cansado dele, era eufemismo.
Toda sua cota de paciência e empatia tinha esgotado no momento que ele se atreveu a tocar no que lhe era mais valioso. Minha amizade com Caroline. E já não duvidava nada que ha essa altura ele já não cultivasse sentimentos por Elena também, afinal a sua missão de vida era atormenta-lo.
Estava se esforçando a se concentrar no jogo, mas tudo que conseguia ver e ouvir era a risada de Damon. Parecia uma maldição, ou melhor, ele era uma maldição. Perguntei-me pela enésima, que mau eu tinha feito nas vidas passadas para merecê-lo como irmão.
— Ei, qual é seu problema hoje? — inquiriu Damon irritado após outra falta cometida.
— Nenhuma. Só estou fazendo a minha parte, Damon.
— O que? Então basicamente a sua parte e fazer falta em mim? – inquiriu ele irritado jogando a bola no chão, acabei rindo ds sua irritação. Sentindo um pouco de satisfação por desfazer seu sorriso insolente.
— Dá pra duas mocinhas pararem de brigar e se concentrarem no jogo?
— Cala boca, Donavan – dissemos em uníssono.
— Cala a boca vocês dois! Não percebem que estão atrapalhando o jogo?
Começamos a jogar novamente e dessa vez foi Damon que veio em na minha direção jogando-o contra o chão.
Não pude mais me conter depois disso, partiu para cima dele e rolaram pela grama úmida trocando socos e pontapés. Matt suspirou resolvendo apartar a briga, já que ninguém pareceu incomodar-se pois estava virando costume ver os irmãos Salvatore quase se matando.
— Não se mete, Donavan – Damon gritou, aproveitou o momento de distração e deferimento um soco no queixo de Damon que caiu no chão atordoado.
Não tinha ideia de como, mas depois de cinco minutos não sabia mais em quem estava batendo, se era em Damon ou em Matt e sendo sincero, não fazia a menor diferença contato que extravasasse a raiva que estava sentindo.
CAROLINE
Me sentia como um zumbi naquela manhã, me arrastando pelos corredores assistindo aulas com a capacidade cerebral reduzida. Mesmo sem ter bebido uma gota de álcool, minha cabeça doía, as veias da têmpora latejavam de dor. Desejei ter ficado em casa aquele dia e ignorar a droga do histórico perfeito e os sermões que Molly daria por ser tão negligente com meu futuro.
Por isso me arrastei até lá depois de engolir duas aspirinas para suportar aulas que veriam a seguir. Mas não era apenas a dor de cabeça que a amolava aquela manhã, era a culpa. A culpa que rastejava sempre que Matt aparecia.
Depois da festa mau fadada a minha vida tinha virado de cabeça para baixo e o grande responsável parecia tão péssimo quanto eu. E mesmo querendo odiá-lo por bagunçar sua vida, não podia. Sua voz rouca dizendo que me amava ainda ecoava em sua cabeça a todo o momento. O que não ajudava muito, quando Matt surgia beijando-a e olhando para mim como se fosse à criatura mais fascinante e pura do universo. Estava tão absorta naquele mar de culpa que acabei me assustando com Bonnie que naquela manhã parecia impaciente comigo, ou com a vida depois de sua briga com Vicki.
— Care, meu deus, onde está com a cabeça hoje? – Bonnie perguntou impaciente
— Desculpa Bonnie, o que estava dizendo?
— Estava falando do Jeremy – explicou impaciente, mas maneou cabeça lançando um olhar gélido — Mas parece que ninguém nunca presta a mínima atenção em nada que eu digo, ou nos meus problemas.
— Espera Bonnie! – segurei seu braço – Me perdoa, estou com cabeça explodindo, está difícil me concentrar – expliquei
— Por que não fala do inicio, o que tem o Jeremy?
— Nada, quer saber deixa pra lá – disse ela dando ombros e entrando na sala e dessa vez não sentou ao seu lado.
Durante o resto da aula ela não me dirigia um olhar si quer porque estava ocupada demais conversando animadamente com sua nova cunhada. E me senti ainda pior depois disso, por ser tão egoísta e não escutar Bonnie, mas ao mesmo tempo ficou irritada por ela correr justamente para Elena e detesta-la por pela primeira vez não prestar atenção nela.
E tudo só piorou na aula de educação física quando Srta. Cooper dividiu os times e ela preferiu permanecer com Elena perguntando como ela estava, revirou os olhos tendo que escutá-las.
— Você está melhor?
— Acho que sim, apesar da minha irmã ter beijado meu namorado — desabafou ela e não pode conter o riso lembrando da briga entre elas. Elena me fuzilou com os olhos – Está rindo do que?
— De nada garota – mentiu e recebeu um olhar de reprovação de Bonnie, franzi a testa para ela que suspirou exasperada antes de se voltar para Elena.
— Tsk, Tsk, Tsk pelo visto a sua melhor amiga já trocou de lado – Katherine surgiu atrás de mim como um fantasma fazendo-a pular de susto – Não é engraçado como as pessoas são? Um dia são suas amigas e juram fidelidade e no outro mudam pelos próprios interesses.
— Não enche, Katherine... A Bonnie não é assim! — defendi incerta.
— Ah não? Então não é nada estranho ela mudar de lado, se aproximar da minha irmãzinha logo agora que está de olho no Jeremy? — insinuou ela com sorrisinho maldoso.
Revirei os olhos em resposta, me forçando a ignorar o veneno de Katherine. Mas Bonnie e Elena riam alto a nossa frente e soava mesmo como provocação.
— Não vai defender sua amiguinha? — Katherine riu se divertindo com minha expressão irritada
— Katherine, cala boca! O que você sabe sobre amizades hein? Ninguém a quer por perto.
— Algumas pessoas não precisam de outras para brilhar Caroline. Ao contraio de uma e outras por ai — disse ela olhando para Bonnie enquanto se aquecia com mãos na cintura movendo o quadril em círculos
— O que quer dizer? — inquiriu não resistindo a curiosidade.
— Você não se lembra mesmo? Pois eu vou refrescar sua memória. Caso não se lembre, não era apenas eu que ria nas suas costas e falava de como você era desengonçada, ou de como era uma maluca fanática pelo melhor amigo — Katherine se aproximou falando no meu ouvido — A Bonnie nunca se opôs a nada que eu disse e sempre ria de tudo que eu dizia, Caroline.
Fiquei atordoada ao se lembrar dos anos anteriores, andando pelos corredores com Katherine e sua turma zombando dela. Apelidos como girafa loira, desengonçada, Garibalda, quatro olhos eram apenas o começo das torrentes de insultos que era obrigada a escutar diariamente. Ela erguia o queixo e fingia que aquilo não a atingia, mas a feria. Fazia com que se odiasse um pouco mais, detestando cada aspecto físico que não se enquadrava no padrão delas.
Lembrou de chorar no banheiro muitas vezes, de chegar em casa e olhar-se no espelho sentindo-se a criatura mais feia do planeta.
Tinha esquecido disso, esquecido que Bonnie também fora uma delas um dia. A menos ruim do grupo, com certeza, mas mesmo assim, ela pertencia ao grupo maligno de líderes de torcida que a atormentavam por ser diferente delas. Bonnie parou de falar por um momento notando a angustia em meus olhos. Ela franziu a testa e abriu a boca para falar, mas desviei o olhar. Não querendo acreditar mais em seus falsos sorrisos e preocupação forçada com seu bem estar.
— Alguns podem dizer que eu sou solitária porque ninguém me suporta, mas se quer saber, eu estou melhor sozinha longe de todas essas pessoas falsas e hipócritas. Acha que não sei que cada uma delas fala mal de mim pelas costas? — ela riu — Cada uma delas já sonhou pelo menos uma vez em ser eu, até mesmo você já sonhou.
Não contive o riso chamando a atenção de Bonnie e Elena, mas ignorei seus olhares confusos porque mesmo não querendo pensar muito sobre. Katherine tinha razão, na verdade em tudo que disse. Mesmo por um segundo que fosse desejei ser ela, ser popular e temida, ter o cara que quisesse em um estalar dedos.
Parecia loucura, mas naquele momento percebi algo que nunca imaginei em Katherine, ela não gostava da solidão. Mas tinha se acostumado com ela. Mesmo odiando ela não podia ignorar que ela era forte por não ligar para a opinião dos outros, não deixando que nada nem ninguém a derrubasse. E naquele momento a invejei mais uma vez, dessa vez por um motivo diferente dos outros. Desejava não me importar com nada e nem ninguém, doeria menos.
Nós encaramos por um segundo e Katherine sorriu de lado enquanto arqueava a sobrancelha fazendo uma pergunta silenciosa que por algum motivo bizarro, ela compreendi. Olhei para Bonnie e Elena juntas unidas como melhores amigas que eram e decidi entrar no jogo de uma vez.
— Chega de perder!
ELENA
Conversar com Jeremy naquela noite a ajudou muito. Ambos estávamos precisando conversar e lembrar de como fomos felizes. Estava triste e despedaçada, com tudo que estava acontecendo, mas agora estava mais tranquila, conversar com meu irmão me fez lembrar da sua mãe do que ela aconselharia. Quando tive meu primeiro namorado e ele me traiu, chorei mais não conseguia o deixá-lo para trás. Dentei-me em seu colo ela disse
“Elena em algum lugar por ai tem um cara incrível esperando você. Aquele que só vai derramar lágrimas de felicidades suas. Nunca chore por quem não vale apena, meu amor”
Podia ouvir nitidamente a voz dela dizendo isso. Foi aquela frase que a confortou antes de dormir abraçada ao travesseiro lembrando daquele dia. Mas em seguida surgiu a tristeza com a constatação que não tinha mais uma mãe para aconselha-la.
Agora precisava crescer e não deixar nenhum homem fazê-la chorar ou se humilhar. Mesmo que esse homem fosse Stefan, mesmo que quando visse aqueles olhos verdes esquecesse tudo que vinha repetindo mentalmente. Ah o amor é mesmo uma merda!
Bonnie também repetiu aquela frase naquele dia, mas parecia dizer mais para si mesma. Ela e meu irmão estavam se aproximando, era estranho de início ver meu irmão mais novo namorando minha melhor amiga, mas qualquer uma que o afastasse da Vicki Donavan era lucro para mim.
Mais uma vez Bonnie perguntou se eu estava bem e tive que aturar Caroline rindo descaradamente nas minhas costas. Senti vontade de enforcar aquele pescoço magro dela e pensei que Bonnie a defenderia, mas não.
Permaneceu ao meu lado e para minha surpresa revirou os olhos com atitude infantil de Caroline.
Que agora estava com… Minha irmã.
Elas estavam vencendo por cinco pontos a mais. Caroline era realmente boa, mas junto com a minha irmã estava nos dando um banho. Tentei concentrar no jogo, não queria perder para Katherine, muito menos para Caroline. Bonnie percebeu a tensão no jogo e pediu calma.
— Estou cheia de ser calma e sensata – Bonnie suspirou voltando para o jogo. Caroline conseguiu fazer outro ponto, mas tinha certeza que era uma falta. O time dela comemorava do outro lado
— Não vale treinadora, foi falta! — gritei, a maldita treinadora apitou mandando que voltássemos ao jogo
— Hum, pelo visto a minha irmã tem dificuldade de perder
— Ah mas ela já devia estar acostumada, não é? -
Caroline e Katherine riram alto. Parecia um pesadelo as duas unidas contra mim.
— Elena, se acalma, é só um jogo – Bonnie remediou
— Não Bonnie, não e apenas vôlei, Okay? Não está vendo que as duas estão me provocando?
— Elena, a Care odeia a Katherine sempre odiou – explicou ela pacientemente.
— Não é o que parece, olha como estão rindo, me provocando.
Bonnie parou observando Caroline e Katherine.
— Deve ser impressão sua, as duas são arqui-inimigas, por que se uniriam agora?
— Porque elas têm um denominador em comum – Bonnie franziu a testa – Eu, Bonnie. Elas me odeiam mais do que se odeiam – expliquei e Bonnie alternou o olhar espantado entre Caroline e Katherine.
KATHERINE
Bem diz aquele ditado: Quando não se pode contra o inimigo, una-se a ele. Era frase perfeita para aquele dia, naquela partida tediosa de vôlei, mas que por sorte eu era muito boa. Caroline e eu… Por mais que me causasse náuseas pensar nisso, éramos uma boa dupla.
Diferente de Elena, ela não teve medo de derrotá-las, nem pensou duas vezes quando entendeu o que propus. Caroline entrou no jogo e entendeu de primeira. Riamos alto da cara irritada de Elena, tão qual eu mesma, tantas vezes fiz com a traidora da Bonnie.
— Minha irmã está quase explodindo de ódio – Caroline riu concordando com cabeça, ela fez um gesto com as mãos para fazermos um lance, olhamos para outra garota avisando
— Between – Caroline sussurrou, eu fiquei incumbida de chamar atenção do outro time, era fácil atrair atenção da Elena. Caroline atacou após o salto, e por fim a bola voltou a Caroline que finalizou marcando outro ponto.
Comemoramos, como se fossemos velhas amigas e fiquei impressionada por Caroline não parecer nem um pouco incomodada em confraternizar com inimigo.
Eu estava subestimando aquela garota. Era loucura ou ela se parecia muito… Comigo?!
— Treinadora, foi falta! – Elena e outra garota do time gritarão indignadas
— Pelo amor de deus Gilbert, será que é tão má perdedora assim? Foi uma jogada limpa.
— Limpa? Vocês fizeram cinco faltas.
— Qual é pessoal é só vôlei – Judy disse fitando as cutículas
— Não é apenas um jogo...
— Claro que não se trata do vôlei maninha, se trata de um certo Salvatore, ou melhor de dois — Caroline parou olhando para mim, pensei que ela começaria a me atacar também, mas nada fez, ela se voltou para Elena cruzando os braços e se aproximando dela com queixo erguido. O que me surpreendeu, admito!
— É Elena, tem que saber relevar. Afinal não é culpa nossa que não consiga segurar seu namorado – disse ela em tom condescendente.
Elena fechou a cara mais logo forçou um sorriso falso.
— Deve estar mesmo muito desesperada para se unir a minha irmã apenas pra me provocar — Caroline desviou seus olhos para mim e riu balançando a cabeça
— Não mais que você quando a trouxe pra arruinar a festa do Matt – ela colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha e sorriu – Mas acho que não estava nos seus planos seu namorado "acidentalmente" beijar ela – zombou ela fazendo aspas com seus dedos finos.
Todas as garotas ficaram caladas olhando para Elena que enrubesceu de raiva. Ela pegou a bola e jogou no peito de Caroline que se desequilibrou e caiu de bunda no chão, não resisti a vontade de rir da cena. Caroline gemeu de dor, levando as mãos aos seios.
— Vocês são patéticas, sabia? — Bonnie retrucou com aquele ar de superioridade que me irritava, fazendo menção de ir até Caroline e ajudá-la, mas não estava nos meus planos que as duas se reaproximassem.
— Cala boca, Bonnie! Quer ser mais patética do que sair no tapa com Vicki pelo meu irmãozinho. Não tem vergonha nessa sua cara não? Ele é praticamente um bebe, que feio!
Bonnie pegou a bola jogando na minha barriga, cai estatelada no chão e foi à vez de Caroline rir alto, colocando a mão na boca. A fuzilei com olhos e a mesma continuou rindo sem a menor a culpa, ela estendeu o braço pra mim enquanto pegava a bola.
— Ah Bonnie, você não sabe com quem mexeu – alertei, quiquei a bola no chão e me voltei para Caroline – Quitão mudarmos um pouco esse jogo Caroline? – ela correspondeu o sorriso entendendo de primeira.
— Acho ótimo, porque não queimada?
(...)
A velha sala de detenção era pequena e abafada, com quadro com desenhos obscenos semiapagados. Já tinha perdido a conta de quantas vezes estivera ali. Caroline foi relutante para lá se queixando de seu histórico quase perfeito. Porque eu mesma havia me encarregado de fazê-la ir para detenção no sexto ano.
Elena e Bonnie também foram punidas com a detenção. Sentamos distantes uma das outras, fitando o quadro-negro e as regras estupidas contidas nela.
* Não falem, não briguei, não façam nada!
Senhora Ramires ajeitou óculos no rosto pegando um jornal de economia, de vez enquanto olhava de esguelha para nos quatro. Depois de alguns minutos ela saiu como sempre fazia, sempre voltava na hora de nos liberar.
Bonnie estava com a cabeça baixa apoiada na carteira olhando para um ponto qualquer na parede. Já Caroline assoprava o lápis na carteira, esperava que voltasse em sua direção colocava no topo novamente e volta assoprar.
Que tédio!
Tamborilei os dedos na carteira, não demorou muito para alguém se manifestar, e foi justamente Elena.
— Dá pra parar com esse barulho irritante?
— Ou que? Vai me bater de novo? Que medo…
Voltei a fazer o mesmo movimento. Elena se levantou indo até a velha prateleira pegando um livro, mas o barulho de minhas unhas batendo na mesa impediam de se concentrar no livro.
— Katherine para com isso! – Bonnie ordenou – Não consegue ficar quieta por cinco minutos?
— Não! Estou na detenção posso fazer o que quiser.
— Não de acordo com o quadro – lembrou Caroline, por fim, brincando com o lápis entre os dedos
— Se for seguir esse quadro estúpido não vou poder nem respirar – Caroline riu concordando com cabeça.
— Não sei porque acham que isso é punição? Aturar a aula do Linc, sim é castigo.
— Nem me fala, fico tentando entender para qual lado ele está olhando – começamos a rir
— Que diabos está acontecendo com você Caroline? – Bonnie nos interrompeu olhando abismada para ela.
— Não sei do que está falando Bonnie? Afinal você me ensinou uma lição valiosa… Temos que “Nós darmos bem com todos” não é assim que você faz?
— O que quer dizer?
— O que você entendeu, Bennett.
— Bennett? – inquiriu ela me olhando incrédula.
— Eu te disse Bonnie, ela não e nada confiável – afirmou Elena pousou a mão no ombro de Bonnie.
— Confiável? Você armou comigo para arruinar a festa do Matt. Você se faz de santa e enche a boca para dizer que somos diferentes. Mas é uma vadia sonsa devorada de homens tanto quanto eu...
— Ah... Mas não sou mesmo! Você é uma vagabunda. Ficou com os dois irmãos ao mesmo tempo.
— Para de hipocrisia! Vai me dizer que não desejou nem por um segundo o Damon? E você Bonnie está namorando o Mikael mesmo assim, ficou louquinha para desvirtuar meu irmãozinho. É a Caroline nem se fala…
— O que tem eu? – ela inquiriu confusa, se virando para trás dessa vez Elena riu com escárnio.
— Você conseguiu vencer a minha irmã, com esse seu joguinho de “melhores amigos para sempre” – zombou ela afinando a voz, numa terrível imitação de Caroline.
— Como é? Você chega agora e acha que pode…
— Acabar com esse triângulo doentio – ela cortou Caroline que permaneceu com boca entreaberta para retrucar, mas Elena não lhe deu tempo suficiente para isso – Diz que ama o Stefan, mas quer o Damon e ainda por cima usa o pobre coitado do Matt.
— Elena, para! Você não sabe do que está falando – Bonnie a repreendeu.
— Ah, por favor, Bonnie, pare você! Não aja como se não pensasse o mesmo que ela. Quantas vezes você me disse que a Caroline era uma sonsa?
Bonnie engoliu seco e suspirou desviando os olhos de Caroline que se encontravam marejados e arregalados.
— Cala boca, Katherine!
— Não, não a mande calar a boca. Ela pode ser a pior vadia que já conheço, mas pelo menos ela sempre teve a decência de dizer o que pensava a meu respeito. Não se fez de amiga, não fingiu gostar de mim como você!
— Care, eu não fingi nada, como pode achar isso?
Caroline se levantou olhando para Bonnie com um olhar gélido e sorriu balançando a cabeça. E naquele momento entendia o que ela realmente queria fazer... Chorar.
— Por que estão em pé? – Senhora Ramires surgiu na porta – Sentem-se já – ordenou.
E para nossa surpresa trazia mais uns detentos com ela. Stefan, Damon e Matt. Sorri maravilhada com minha sorte, Aquilo podia ficar melhor?
— Caroline por que está na detenção? – Matt perguntou sentando-se ao seu lado na carteira.
— Por que você está na detenção?
— É uma longa história – Damon se espreguiçou na carteira – Quer ouvir Caroline?
— Porque não cala essa boca, Damon? – Stefan retrucou mal-humorado.
— Fica quieto você Stefan! Se não fosse sua bipolaridade não estaríamos na droga da detenção.
— Foi sua culpa Stefan? – Elena perguntou surpresa.
— Foi – Matt respondeu por Stefan que ficou paralisado olhando para Elena.
— Quem te viu é quem te vê Stefan. Um dia fica bêbado no outro me beija...
— Eu não te beijei! Você se passou pela Elena…
— Stefan, mentir é feio sabia? Como alguém pode confundir a mim, com essa mosca-morta ai?
— Mosca-morta? Sou mosca porta por não sai beijando e dan…
— Chega, parem com isso! – ordenou Caroline colocando as mãos na cabeça.
— Agora vai bancar a santa só porque o Matt está aqui? — Caroline abaixou a cabeça e não retrucou. O que era estranho vindo dela.
— Deixa ela em paz, Katherine – ordenou Damon olhando para Caroline que desviou os olhos dos dele no mesmo momento, ele franziu a testa intrigado.
— Realmente Caroline — bati palmas — Você me superou mesmo. Conseguiu o que eu não consegui em anos. Tem os dois Salvatore apaixonados por você, brigando por você. Tenho muita pena de você Matt… Ah, é de você também maninha. Olha só para cara de culpado do Stefan, não acho que seja por beijar a ex namorada dele não.
Um silêncio se instalou na sala. Matt soltou a mão de Caroline alternando seu olhar para ela e Stefan.
— O que exatamente aconteceu ontem Caroline? – Matt perguntou se levantando da mesa. Caroline parecia desesperada.
— Não aconteceu nada! — Stefan respondeu por ela
— Não seja burro, Matt! Acha mesmo que ela vai confessar que é uma...
— Chega Katherine? — Elena disse desanimada.
— Eleninha, será que não sacou o que rolou depois que o seu namoradinho nos enganou?
— Chega Katherine! — Stefan gritou batendo a mão na mesa me encarando com ódio e desprezo — Eu nunca me arrependi tanto de conhecer uma pessoa como me arrependo de ter conhecido você. De ter me apaixonado por você um dia — ele balançou a cabeça com pesar antes de erguer a cabeça — Sempre manipulando, instigando todos a brigarem. Sempre querendo que todos adorem e idolatrem você porque no fundo e vazia fútil. Só o que consegue pensar e em si própria. E ainda e única que não percebe que só causa pena em mim e em todos. Só o que você me causa é desprezo, indiferença… Pena! Eu tenho pena de você.
Ficou paralisada com as malditas lagrimas rolando por meu rosto, com os olhares de todos aqueles imbecis sobre mim, com misto de pena e desprezo.
— Vai se arrepender amargamente por isso Stefan, alias vocês todos vão — ameacei antes de correr porta fora ignorando Senhora Ramirez, sai correndo por aquele corredor enxugando as lágrimas de ódio, decidida a arruinar todos eles e Stefan seria o primeiro.
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