Forever and Ever - Revisando
2 Capítulo - 2 The first hangover we never forget
CAROLINE
Molly entrou em meu quarto aquela manhã, não fazendo a menor questão de fazer silêncio. Foi até a janela e abriu as cortinas e puxando minhas cobertas. Choraminguei com frio e com cabeça doendo por ter chorado até dormir. Resolvi ignorar Molly e sua lista de afazeres para aquele dia, coloquei o travesseiro em cima da cabeça tentando abafar seu falatório.
— Caroline, já está na hora de acordar.
— Eu não vou para escola hoje – murmurei dentro das cobertas, Molly sentou se na cama e puxou a coberta eu me contorci irritada – Molly, por favor, me deixa ficar em casa só hoje.
— É claro.
— Sério? — indaguei erguendo a cabeça e arregalando os olhos de surpresa.
— É claro... que não! — Molly se abaixou pegando as roupas no chão — Caroline, vai ficar mesmo aqui trancafiada no quarto, faltando em aulas e chorando por aquele idiota que não te merece?
— Molly e do Stefan que estamos falando…
— Sim, eu sei. E para mim ele é só um idiota com uma incrível habilidade de te fazer sofrer.
Molly se sentou na cama e acariciou meus cabelos
— Caroline, você incrível — revirei os olhos prevendo o discurso motivacional que viria a seguir – Não é porque sou sua tia, na verdade tenho idade pra ser sua irmã — bufei rindo — Você é linda, inteligente e incrível. Se ele não vê a mulher que tem ao lado, ele não a merece.
— Acha que não pensei nisso um milhão de vezes? Simplesmente não consigo esquecê-lo.
— Care, ele pode até ser o seu primeiro amor, mas não significa que será o último. Agora se levanta rápido, vai se atrasar. Dor de cotovelo não é desculpa para faltar a aula.
Molly me deu um beijo na testa e saiu. Me levantei desanimada, me arrastando até meu guarda-roupa e peguei a primeira roupa que achei. Uma calça jeans skine que era colada demais para o meu gosto e peguei uma top cropped de algodão rosa claro que Molly tinha me dado no meu aniversário. O provei pela primeira vez e me olhei em frente ao espelho e me senti estranha demais com ele. Era curta e rosa demais, logo joguei no fundo do guarda-roupa. Mas Molly tinha razão, eu tinha uma pele impecável, um sorriso perfeito e olhos azuis…. Eu era bonitinha!?
Okay, não era tanto quanto Katherine, mas quem sabe se usasse algo diferente das minhas roupas largas e quem sabe um pouco de maquiagem? Olhei-me no espelho de novo e realidade bateu-me como um martelo. Mesmo que me arrumasse como todas as outras garotas faziam, eu jamais seria o tipo dele. Ele tinha uma queda literal por morenas e bem… Eu ficaria horrenda morena. Suspirei desanimada comigo mesma, eu era mesmo estúpida. Perder meu tempo chorando e reclamando por não ser o tipo de um cara… Mesmo que esse cara fosse o Stefan? Argh, eu era patética.
— Eu estou ridícula!
— Não, não está! — Molly me observava encostada no umbral da porta, largou o cesto na cama e me fez me olhar no espelho — Você está linda e tem medo que alguém descubra isso.
Molly literalmente obrigou-me a ir com aquela roupa. Que era rosa e justa demais para meu gosto. Sentia-me ridícula vestida daquela forma. Senti alguns olhares sobre mim, principalmente dos rapazes e garotas que provavelmente pensariam como eu estava esquisita com aquelas roupas. Tive que me concentrar para não tropeçar em meus próprios pés e fazer papel de idiota.
— Aquela garota realmente acha que alguém vai notá-la? — Katherine desdenhou fechando o armário.
— Eu adorei a bolsa – Bonnie admitiu sorrindo – É no quesito atenção acho que ela conseguiu. Agora que largou aquela jardineira velha – Katherine cruzou os braços em desaprovação.
Me apressei até meu armário, queria correr para casa e tirar aquela roupa e nunca mais fazer papel de palhaça. E quando pensei que os comentários sarcásticos de Katherine já eram o suficiente, Damon passou por mim e sorrindo, para meu descontentamento ele voltou-se para mim com sorrisinho estranho.
— Care, eu acho que vou ter que pensar em um novo apelido pra você.
— Não enche, Damon.
— Calma, eu só estava fazendo um elogio… Você está linda — elogiou. Me virei encarando-o paralisada, demorou alguns segundos para que meus neurônios voltassem a funcionar
— Piadinhas logo cedo?
— Não é piada. Você nunca foi de se jogar fora e agora esta…
— Damon por que não volta pra sua namoradinha e me deixa em paz? – Damon sorriu e pegando em meu queixo
— Eu não menti, nem fiz piada Barbie. Você esta mesmo... De tirar o folego antes. Deveria andar assim, sempre. Ah e queimar aquela jardineira velha.
Mesmo sendo infantil lhe dei a lingua e empurrei. O que so o fez rir enquanto se afastava andando de costas me olhando de cima a abaixo e assobiando. Voltei meus olhos para o armario, tentando ignorar o olhar dele. Fiquei um tanto ruborizada mas não podia acreditar cem por cento no que Damon dizia, afinal ele era Damon. Entrei na sala e meu coração deu um salto ao ver Stefan conversando animadamente com ninguém mais, ninguém menos que Katherine. Senti meu estômago se contrair e agradeci aos céus por não ter tomado café aquela manhã.
— Senhorita Forbes, vai entrar ou não?
Toda atenção da sala se voltou para mim quando o maldito professor chamou-me para entrar. Stefan olhou para mim com olhos arregalados
— Então senhorita Forbes, posso continuar minha aula hoje?
Envergonhada olhei para o assento vazio ao lado de Stefan e Katherine, ele fez gesto me chamando para juntar-me a eles, mas de jeito nenhum que sentaria com ela. Respirei e olhei para fundo da sala e havia mais uma carteira vazia, tomando coragem fui até ele: Matt Donavan.
— Se importa?
— Não… Claro que não! Pode se sentar.
Sentei ao lado de Matt forçando um sorriso, ele devolveu com outro sorriso que diferente do meu parecia de ser sincero. Corei quando notei que ele mantinha os olhos em mim sempre que podia. Stefan era outro que me olhava intrigado e atirou uma bolinha de papel quando me neguei a olhá-lo principalmente com Katherine colada a ele.
Estava querendo que sinal tocasse de uma vez e me libertasse da minha tortura. Quando Lincoln terminou a chamada, anunciou que tínhamos uma nova aluna e para minha total surpresa a garota que até então pensei ser Katherine se levantou.
— Olá — ela acenou sem jeito — Meu nome é Elena Gilbert.
Ela contou sobre sua antiga cidade e sobre o que gostava de fazer, mas não consegui compreender uma palavra pois estava chocada demais para conseguir raciocinar. Ela se sentou rapidamente envergonha pelos murmúrios que cresciam na sala. Stefan se virou olhando para mim e murmurou.
— Era isso que estava tentando te dizer.
Virei o rosto para outro lado ignorando ele mais uma vez. Constatando que o universo estava contra mim! Já não era suficiente ter que suportar Katherine, agora tinha uma irmã gêmea idêntica a ela na mesma turma que eu e que tinha o mesmo gosto para homens do que sua irmã. Ao decorrer da aula ela permanecia sendo o assunto principal de todos, os murmúrios sobre ela só cessaram quando Lincoln cansou de encher a lousa e passou um trabalho em dupla, algo que antigamente eu não teria problema nenhum, mas agora não tinha com quem fazer.
Me encolhi na carteira suspirando em derrota quando escutei Matt rejeitar uma garota que queria fazer o trabalho com ele. Ele deu sorriso simpático para garota, alegando que já tinha um par e então olhou para mim e tanto confusa e boquiaberta pedi que ele repetisse o que disse.
— Eu perguntei se você queria fazer comigo?
— Fazer… com você?
— Bem... é! Você gostaria?
Meu cérebro ainda demorou alguns segundos para responder porque não estava esperando que Matt Donavan, um dos garotos mais populares e bonitos e que eu nunca tinha trocado duas palavras me convidasse para fazer dupla com ele. Olhei para lado e Stefan ria entrosado com Elena, tão concentrado nela que nem se quer cogitou me chamar para fazer dupla com ele.
— Claro — respondi sorrindo — Eu adoraria.
Quando o sinal finalmente tocou, quase pulei pelas carteiras para sair dali. Não aguentaria mais um segundo si quer olhando para cara de panaca apaixonado que Stefan estava fazendo para Katherine 2.0.
— Caroline — Stefan gritou mais continuei andando fingindo não tê-lo escutado, então ele correu até mim e agarrou meu braço para que eu parasse.
— Ei, dá pra parar, por favor – pediu ele ofegante.
Parei olhando para ele que sorria radiante assim que recuperou o fôlego, estava prestes a corresponder seu sorriso porque nunca conseguia resistir a ele quando notei que ele não estava sozinho. Elena estava com ele o tempo todo, com sorriso cheio de dentes.
— O quer você quer? — inquiri sem rodeios, seu sorriso se desmanchou na mesma hora, ele estalou os lábios e olhou para Elena.
— Eu… Eu queria te apresentar uma pessoa — ele apontou para ela com a cabeça.
— Olá, meu nome é Elena — ela estendeu a mão para mim que forcei um sorriso e apertei sua mão rapidamente.
— É, eu sei… Eu estava na sala quando você se apresentou.
— Ah… É mesmo — ela apertou a alça da bolsa desviando os olhos para chão. Sem esperar que ela continuasse encerrei conversa com aceno rápido para ela. Dei as costas para feliz casal, querendo sumir dali, mas Stefan não estava disposto a isso
— Care… Espera… para onde você vai?
— Para o refeitório — respondi impaciente querendo sumir dali, olhando para o lado, Matt estava há alguns minutos com o olhar fixos em mim.
— Não vai sentar com a gente? — indagou ele apontando para Elena com aceno de cabeça
Minha cabeça girou com o modo que ele disse tão naturalmente “a gente” Como se de um dia para noite, ele e aquela desconhecida tinham se tornado “nos”. Olhei para cima respirando fundo, contando até três para não chorar. Sai responder sua pergunta e o deixando parado e confuso logo atrás. Ergui a cabeça e olhei envolta pensando em como seria almoçar sozinha pela primeira vez em anos. Mas então encontrei um par de olhos azuis me olhando com sorriso gentil e num rompante de coragem… Ou desespero fui até ele.
— Matt — me aproximei de seu rosto sussurrei — Eu sei que vai parecer estranho… Alias você nem me conhece… Mas teria como almoçar comigo, tipo agora? — Matt franziu o cenho e para minha surpresa sorriu.
— Claro, vem.
Mais uma vez o garoto sorriu largamente e sem rodeios pegou minha mão e me guiou até sua mesa. Olhei para trás por cima do ombro e um certo par de olhos verdes continuavam fixos em mim, provavelmente se perguntando o que estava acontecendo.
STEFAN
Fiquei parado no corredor, me perguntando o que estava acontecendo com Caroline. Porque ela tratou Elena tão mal? Ela não era assim, pelo menos, não gratuitamente e o mais importante era… Por que de uma hora para a outra ela estava andando com Donavan?
Elena permaneceu ao meu lado, perguntando-me se eu estava bem. Desviei meus olhos de Caroline e seu “amiguinho” e me voltei para Elena.
— Stefan, está tudo bem?
— Sim é que eu… Me distrai — menti — E eu queria me desculpar pela Care, deve ter acontecido algo com ela. Ela não age sempre daquela maneira…
— Ela me detestou — Elena constatou olhando de esguelha para Caroline. Apertei sua mão com carinho, ela desviou olhos para minha mão sobre a dela — Não é sua culpa… É sim da Katherine.
— Ah claro… Tinha que ser.
Sentei na mesa de costume para minha surpresa Caroline estava sozinha em uma mesa, pensei ir até lá e obrigá-la a dizer o que tinha acontecido. Porém Donavan veio trazendo uma bandeja e se sentou ao seu lado. Os meus olhos se encontraram com os dela por um segundo, mas ela mais uma vez os desviou e sorriu de algo que Matt dizia. Senti vontade de ir até ela e obrigá-la a me dizer porque tudo aquilo. Tentei desviar meus olhos deles e me focar na conversa que Elena tentava engatar, mas sua risadinha para Matt me impedia de raciocinar direito.
— Vocês são namorados? — inquiriu Elena, enquanto mexia com purê em seu prato. Demorei até conseguir entender que ela se referia a Caroline, neguei com cabeça.
— Não! Ela e minha melhor amiga. E minha vizinha, nós nos conhecemos desde crianças — Elena ergueu a cabeça e sorriu radiante com minha explicação. E mesmo sendo o mais belo sorriso que ela havia me dado, as risadas na mesa ao lado me causava uma torção no intestino.
— Então você conheceu minha irmanzinha, Stefan — Katherine surgiu passando a mão em volta do pescoço de Damon que olhava abismado para Elena, que sorriu sem graça.
— Por que nunca me disse que tinha uma irma gêmea Kath? — Damon perguntou puxando ela e afastando-a de Stefan que respirou agradecido.
— Eu tinha esquecido que tinha uma — Katherine justificou com desdem — Mas pelo visto ela se socializa muito fácil, não é maninha?
— Sim, mas não tanto quanto você, maninha — Elena retrucou cerrando os dentes. As duas irmãs dirigiam raios com olhares. Lembrei-me de Elena contar que não se dava bem com Katherine e pelo visto não era mentira.
— Então seja bem-vinda cunhadinha — Damon estendeu mão para Elena que apertou a mão dele com sorriso acanhado. Damon puxou sua mão e sem rodeios beijou a costa de suas mão, olhando-a intensamente, mas o que me incomodou e que em momento algum ela desviou olhar dos dele.
(...)
— Então… O que ouve entre você é o Salvatore?
— Nada… Por que?
— Porque vocês dois sempre foram tão… Inseparáveis, vocês brigaram?
— Na verdade… Não. — respondi distraída — E só que… as coisas meio que mudaram depois que ele voltou de Londres, entende? —ele assentiu olhando para Stefan e Elena
Mordi um bolinho de laranja ainda com meus olhos neles e só voltei para realidade quando Matt começou a rir baixinho.
— O que foi?
— Nada… E só que... tem um farelo…— ele apontou para meu queixo e envergonhada tentei limpar
— Ah meu deus — Matt estendeu a mão e limpou o farelo do meu queixo.
E quando sua mão tocou em meu rosto senti algo estranho, ou melhor uma sensação nova. Uma onda de calor estranha, diferente da que Stefan me causava, afinal ele nunca tinha me tocado, ou me olhando daquele jeito. O sorriso de Matt era tão bonito, seus olhos eram de um tom claro de azul, lembravam-me do céu pela manhã. Estava tão pressa a eles que não me dei conta que estava sorrindo. Ele voltou a rir olhando para mim, me perguntei se tinha outro farelo ou se estava fazendo papel de idiota.
— O que é engraçado?
— Uma garota que come bolinhos, chocolate e refrigerante — abaixei a cabeça envergonhada me amaldiçoando mentalmente por comer tanta porcaria — Sabe o quanto e raro encontrar uma garota de verdade?
Levantei os olhos franzindo a testa confusa
— Garota de verdade, eu? Por que diz isso?
— As garotas com quem eu saio, sempre pedem salada e refrigerante diet — sorri maneando a cabeça.
— Eu achei que garotos gostassem de garotas assim?— balbuciei mas para mim mesma do que pra Matt, olhei para Stefan e Elena que por algum motivo estranho estavam sentados com Katherine e Damon. Matt sorriu novamente e apertou meu queixo, me fazendo mergulhar em seus olhos de novo.
— Nem todos os garotos — disse ele com sorriso de lado, que me fez desviar os olhos dos dele novamente. Ele abriu a boca para dizer mais alguma coisa quando Bonnie surgiu atrás dele.
— Graças a deus ela sentou lá hoje, poso me sentar com vocês?
— Claro — Matt e eu dissemos ao mesmo tempo
— Então a festa na casa do Lockwood está de pé? — Bonnie perguntou olhando para Matt
— Acho que sim, ele nunca perde uma oportunidade de fazer uma festa — Matt deu ombros parecendo aborrecido.
— Ah não faz essa cara. Ele é um idiota, mas sabe dar uma festa. E enquanto a você, vai também? — Bonnie perguntou enquanto tirava o lacre do refrigerante o guardando no bolso.
— Eu? —Bonnie e Matt se entreolharam e ela riu
— Sim você. Vai na festa do Ty na sexta?
— Não! — neguei veemente com a cabeça rindo da ideia — Quer dizer, eu não fui convidada.
Bonnie e Matt mais uma vez se entreolharam e sorriram para mim.
— E a festa do Ty, toda a escola e convidada. Você tem que ir, vai ser divertido.
— Não dá, eu tenho que trabalhar.
— Sério, não tem ninguém que possa te cobrir? — Matt perguntou estalando os lábios e me olhando daquele jeito novamente, desviei meu olhar dos dele para os de Bonnie que mantinha os olhos em mim, enquanto bebia sua coca.
— Está bem… Eu vou tentar ir.
— Legal — Matt respondeu sorrindo de novo
— Legal – repeti maneando a cabeça para ele
— Eu posso te buscar… Para irmos juntos…
— Não, Matt — Bonnie se apresou em dizer — Sabe onde é minha casa? — neguei com a cabeça, Bonnie pegou uma caneta e puxou minha mão anotando o que julguei ser seu endereço que ficava na mesma rua que a minha
— E perto da sua, não tem erro. Passa lá antes da festa — olhei de esguelha para Katherine e Bonnie balançou a cabeça — Relaxa, ela não vai… Nem ela nem a irmã.
— Okay, então — me levantei — Eu tenho que ir pra aula agora…
Acenei com cabeça e sai, mas parei quando escutei os dois rindo. Quando fui jogar a bandeja, disfarcei e olhei para trás e Bonnie bateu o ombro dela no dele que revirou os olhos.
"Nem começa Bonnie" alertou ele.
"O que… Eu não ia dizer nada" ele arqueou sobrancelha em descrença "Eu vi como olhou pra ela. Bonnie gargalhou com careta de Matt "Ah Donavan ela bem legal, simpática e muito bonita. Vai me dizer que não faz seu tipo?
Matt não respondeu, apenas se levantou e pegou a bandeja, mas antes de ir na direção oposta se virou para Bonnie e disse algo que me fez sorrir e que nunca pensei que escutaria.
"Ela faz o tipo de todo mundo"
Bonnie sorriu concordando com cabeça. Então seus olhos se desviaram do amigo para mim e envergonhada por ouvir parte da conversa desviei o olhar, quando voltei para ela. Ela piscou para mim sorrindo. Corri para próxima aula sem conseguir conter o sorriso… Não fazer dupla com Stefan, até que não era tão ruim assim.
STEFAN
Caroline me ignorou o tempo inteiro. Tentei explicar a ela sobre Elena, mas não parecia disposta a dar-lhe uma chance. Ela provavelmente pensava que ela era igual a irmã e por isso a detestou assim que a viu. Queria fazer com que as duas se conhecessem, tinha certeza que Elena era o extremo oposto de Katherine e se Caroline deixasse o receio para trás podiam ser amigas. Não queria ter me afastar de Caroline ou Elena. Por isso resolvi ir atrás dela e conversar, tentar entender o porquê ela ainda me ignorava ou… Porque andava com Matt agora.
Passei pelo restaurante de Molly e ela atendia um senhor que sempre frequentava ali no mesmo horário. O senhor cumprimentou-me alegremente, já Molly levantou o olhar, para mim e seu habitual sorriso se desmanchou
— Olá Molly
— Oi – disse de má vontade – Aqui sua conta, volte sempre — Molly continuou fazendo seus afazeres, sem me dar atenção.
— Molly, a Care está?
— Não, ela acabou de sair, nem sei pra onde foi — deu ombros me ignorando. Não entendi o porque da hostilidade súbita dela. Thomas olhou para Molly balançando a cabeça esperou até que ela entrasse na cozinha e acenou para que me aproximasse
— Ela foi pra casa — contou, assenti agradecido e corri para casa dela.
Chamei por ela mas ninguém atendeu, não iria embora sem antes falar com ela. Odiava quando brigávamos, peguei a chave que ficava no carpete de “Seja bem-vindo” e entrei, procurei por quase toda parte, quando ouvi um barulho vindo do quarto de Molly. Uma música antiga tocava alto, podia ouvi-la cantar em harmonia com a música. Me encostei na porta em silêncio, esperando que ela me notasse.
Caroline estava com vestido, que nunca tinha visto antes. Era rosa e curto e abraçava seu corpo perfeitamente. Ela se inclinou, olhando-se no espelho passando batom vermelho, estalou os lábios em seguida para espalhá-los por igual. Sorriu com resultado e continuou a cantarolar e danças, usando a escova de cabelo como microfone. Ela estava tão adorável que não pude conter o sorriso.
Ela foi até armário pegando um sapado, que juguei ser de Molly pois eram de salto. Caroline sempre ressaltava que não tinha jeito pra aquilo. Ela os calçou e para minha surpresa sorriu, puxando a barra do vestido se olhando no espelho.
Senti um calafrio estranho percorrer meu corpo. Enquanto ela se admirava no espelho, era… Estranho vê-la vestida daquela forma, maquiada usando vestidos, principalmente porque ela sempre odiou tudo aquilo. Sempre preferiu blusas largas, jardineira desbotada. Sempre mantinha seus cabelos presos e não usava maquiagem alguma. E ele sinceramente nunca achou que ela precisasse disso.
Ele adorava quando seu cabelo se desprendia e seus cachos pendiam em seu ombro. Adorava quando conversam por horas em sua cama ou embaixo de alguma árvore e ele podia ver as pequenas sardas envolta de seu nariz. Adorava quando a luz do sol batia contra seu rosto, iluminando ainda mais seus olhos azuis-piscina. Por vezes, ele fazia lhe cócegas para vê-la sorrir, segurava seus pulsos em cima da cabeça e podia mergulhar no oceano de seus olhos, observar a curvadora de seus cílios, formato de seus lábios… Que agora estavam contornados e chamativos de vermelho.
Ele franziu a testa para amiga, ainda sentindo um aperto no peito, se perguntando o quanto ela poderia ter mudado em três meses. Ela se voltou para pequeno som portátil em cima da mesinha, mudando a música por outra que desconhecia. Uma dessas novas eletreletrônicas de uma cantora que não fazia ideia quem era. Ela aumentou o som cantarolando e se voltou para espelho fazendo penteados com cabelo e foi nesse momento que ela me enxergou pelo espelho e gritou.
— Que merda! – ela colocou a mão no peito ofegante – Que merda está fazendo ai em silêncio?
— Desculpe – disse tentando não rir – Eu não queria assustar você.
— Mas assustou — Caroline se sentou na cama tirando o salto dos pés – Como sabia que estava aqui?
— Thomas me disse – ela revirou os olhos gruindo em irritação – Por que, eu não podia saber onde você estava?
— Porque eu não queria.
Caroline amarrou os cabelos e passou por mim apressada descendo as escadas. A segui até a cozinha ela abriu a geladeira examinando o que tinha, ela pegou uma maça na fruteira jogando os restos de salgados e doces que estavam na geladeira.Tudo estava tão estranho. Desde quando ela preferia frutas a sua pasta de amendoim?
— Caroline, será que podemos conversar por um minuto?
— Não, Stefan. Eu não tenho um minuto – ela ia passar por mim e ignorar-me de novo, mas a detive agarrando-a pelo braço. Nós nos encaramos por alguns segundos. Segundos este que me deu tempo para notar que seus olhos estavam pintado com uma leve sombra escura atenuando seus olhos azuis, desviei meus olhos para seus lábios vermelhos e permaneci neles por mais tempo do que o necessário. Ela suspirou irritada e puxou o braço me forçando a soltá-la.
— Anda fala, me conta. Como conheceu a irmã gêmea perfeita, linda… Opa, quer dizer “A mais linda mulher que conheceu ”— imitou meu tom de voz revirando os olhos em seguida com as mão na cintura — Ande comece, não tenho o dia todo.
Fiquei pasmo com seu desprezo em sua voz. Ela se voltou para mesa, mordendo uma maça, me olhando em desafio.
— Eu não ia…
— Me polpe, Stefan! — ela riu — Conheço você desde dos sete anos e sei muito bem o que veio fazer aqui. Não veio se desculpar pelo bolo que meu deu. Veio arrumar um jeito de contar sobre sua nova paixão.
— Então é isso que pensa? — ela assentiu veemente — Bom saber que sempre odiou nossas conversas...
— Não, não odiava nossas conversas. Porque nos não tínhamos conversas! Há muito tempo que tudo sempre era em relação a sua obsessão pela Katherine e agora sobre a doce Eleninha.
— Por que de todo esse sarcasmo? Elena nunca te fez nada. E ela é uma ótima pessoa...— Caroline fungou demoradamente depois sorriu cruzando os braços.
— Uau! Há quanto tempo conhece a Elena, Stefan? Há dois dias? – gritou – E já me vem com esse tom de que ela não me fez nada? Tem razão ela não fez, mas vai fazer contra você mais dia menos dia. E sou eu que terei que ouvir suas lamentações sobre como ela escolheu outro… A julgar pela escolha dela agora, não me admira que ela, assim como a irmã não queria experimentar o outro irmão.
— Ela não é como a Katherine — gritei.
— Oh desculpe, não queria insultar a senhora santidade Elena — me aproximei pegando-a mais uma vez pelo braço, senti seu corpo estremecer com a proximidade entre nos.
— Que diabos está acontecendo com você? Por que tanta raiva dela?
— Idiota, idiota! — ela me empurrou me desequilibrei caindo no sofá – Eu sou muito imbecil mesmo – ela gritou e abriu a porta – Fora daqui!
— Como é? Está me mandando embora?
— Não, eu estou ordenando, fora daqui. Eu não quero te ver, muito menos escultar você. Se eu ouvir qualquer menção do nome Elena, eu não me responsabilizo por meus atos. Agora fora!
Demorei a conseguir reagir, estava em frente a porta e me virei para tentar falar mais ela empurrou me porta fora e fechou a porta na minha cara. Bati à porta em seguida pedindo que ela falasse comigo, mas ela havia trancado a porta. Não muito tempo depois, escutei aquela música novamente na última hora. Me afastei de sua porta derrotado e furioso, a vislumbrei em sua janela, fechando as cortinas quando notou que ainda estava ali, olhando para ela.
DAMON
Olhei para meu prato sem o menor apetite. O rosto de Elena não me saia da cabeça. Era uma grande ironia da vida, ela assim como Katherine caírem de amores por meu irmão. Mesmo sendo mais bonito e atraente que o meu irmão mais novo, era por ele que elas se apaixonavam de verdade, aquilo me incomodava.
Primeiro Katherine, depois Elena. É claro antes de todas ela tinha Caroline. Todas elas perdidamente apaixonadas por ele. As vezes me perguntava o que Stefan tinha para que todos o adorassem e a ele apenas tolerassem? Meu pai franziu a testa olhando fixamente pra mim.
— Não vai comer?
— Estou sem fome — respondi sem erguer os olhos para ele.
— Damon… eu andei pensando…
— Não começa com essa história de novo.
— E o que pretende fazer da vida? Viver eternamente no ensino médio, me dando gastos, vivendo as minhas custas? Já é terceira vez que repete o terceiro ano.
— Decepcionado paizinho? Eu não sou como você, não pretendo passar minha vida inteira enfurnado na droga de escritório, numa mesa abarrotada de papéis inúteis.
— Inúteis? E essa papelada e graças ao meu esforço que você tem essa vida confortável. Acha que vou sustentar vagabundo a minha vida inteira?
— Relaxa velhote, em breve eu me formo e saiu da sua casinha preciosa… — fui interrompido pela risada seca de meu pai.
— E a onde vai morar e como vai se sustentar? Porque Deus sabe que nem talento, muito menos vontade de fazer nada na vida você têm. Eu devo ter feito algo de muito ruim na criação de vocês. Pra ter um filho romântico metido a cineasta e outro um completo vagabundo.
Estava a ponto de retrucar, me imaginando quebrando o prato na cabeça de dele, quando Stefan estou batendo a porta, passando como um foguete.
— O que será que aconteceu?– dei ombros
— Não sei e tenho preguiça até em descobrir.
— Ele e seu irmão Damon, faça algo de útil ao menos uma vez…
— Eu não posso, sou inútil demais. Além do que você e o pai do “filhinho perfeito” é o seu trabalho não meu.
Levantei-me da mesa derrotado. Sabia o que viria a seguir, meu pai me dando um sermão, ressaltando todos os meus milhares de defeitos como filho, irmão etc. Mesmo a contragosto subi até o quarto do meu irmão. E lá estava ele, exatamente como imaginava ouvindo um CD The cure, olhando para o teto melancólico pra variar.
— Cai fora Damon! – Stefan rosnou sem tirar os olhos do teto
— Uiui alguém não tomou os remedinhos hoje — desdenhou olhando a dezenas de pôsteres que meu irmão tinha espalhado pelo quarto, nenhuma mulher pelada, apenas filmes que ele nunca tinha ouvido falar — Então, qual é o grande drama dessa vez? Acabou a bateria da sua câmera?
— Damon, sai daqui! — ele virou de bruços afundando o rosto no travesseiro.
— Ela não te perdoou dessa vez não é maninho? — Ri quando ele ergueu a cabeça olhando confuso e angustiado.
— Ela simplesmente surtou. Me expulsou de lá — gargalhei com estupidez dele – Está rindo do que idiota? — Stefan atirou-me o travesseiro que por sorte desviei a tempo
— Idiota, eu? Fico pensado como você pode ser meu irmão sendo assim tão burro. O que só reforça a minha teoria de que você seja adotado. Sempre tão romântico, perfeitinho e estupidamente burro! Não faz mesmo ideia do porquê da explosão da Care? — revirei os olhos impacientes quando ele demorou a responder, constatei que ele nem se quer fazia ideia sobre sentimentos dela… Ou dos dele.
— Por que eu deveria saber? Deve ser TPM…. Mas espera ai, desde quanto você a chama assim? — encarou-me desconfiado.
— É o apelido dela, não é? – desdenhou – Acaso é uma exclusividade apenas sua chamá-la assim?
— Não estou entendo o porquê desse tom?
— Maninho, maninho como sempre um panaca. Ah eu tinha me esquecido de te felicitar pela nova namoradinha. Mas admito que a escolha e um tanto obvia é duvidosa.
— Ela não como Katherine.
— Claro que não. Ninguém é como Katherine. É por isso, eu sei que essa sua paixonite pela irmanzinha 2.0 vai dar errado. Porque não e dela que você gosta e sim da Kath. Mas infelizmente pra você a Katherine me ama. Stefan ficou sério alguns segundos absorvendo o que acabei de dizer. Estava saindo sorridente, contente por ter saído vitorioso da situação quando ele começou a rir
— Esta, rindo do que? Sabe que estou dizendo a verdade…
— Eu sei que posso ser um idiota às vezes, mas graças a deus ainda não cheguei no seu estágio. Acha mesmo que ela te ama, acha mesmo que é o único?
— Cala boca – rosnou exaltado
— Ela é uma vagabunda, dissimulada. Ela não ama ninguém além dela mesma. Agora sai daqui! Pouco me importa sua vidinha medíocre com a Katherine. Quem ela ama ou deixa de amar, não é problema meu.
Stefan me empurrou para fora do quarto e bateu a porta com força. Entrei em meu quarto desnorteado, chutei tudo que vi pela frente, a cômoda, puf. Pegou o porta-retratos com a foto deles abraçados e felizes.
Não! Eu não podia estar enganado, ela o amava, era real. Katherine sempre dizia que o amava, que nunca havia realmente amado Stefan, apenas o usou para aproximar-se de mim… Não, com certeza Stefan estava errado.
CAROLINE
Ri de todas as tentativas falhas de Molly de me fazer experimentar um de seus vestidos curtos exuberantes. Thomas tentava em vão fazê-la se livrar de todos aqueles vestidos e roupas chamativas.
— Meu bem, você será mãe logo, não pega bem usar isso. Thomas pegou um vestido incrédulo com tamanho.
— É engraçado que você me amava ver neles até pouco tempo, antes de colocar uma melancia na minha barriga. Molly estendeu um vestido dourado versace – Sabe o quanto foi difícil conseguir esse vestido? Care tem que ir a festa com esse.
— Primeiramente, eu não usaria isso – disse torcendo o nariz para vestido curto – Segundo, eu nunca disse que iria.
— Sempre desistindo antes de tentar, tão típico de você — Molly afirmou balançando a cabeça – Eu não sei a quem puxou.
Thomas alternou o olhar entre mim e Molly e saiu de fininho prevendo uma discussão.
— Molly, vai começar?
— Não. Sei que não adianta, mesmo se eu fizer os melhores dos discursos ou estapear você, sei que mesmo assim vai para o seu quarto ler livros estúpidos de romances que jamais vai ter. Porque não tem coragem suficiente de sair e vivenciar um.
Fiquei paralisada olhando para expressão fria de Molly, ela me dissera tudo aquilo com voz baixa e calma enquanto dobrava os vestidos apoiando na própria barriga. Lagrimas brotavam em meus olhos. Quem ela pensava que era para me dizer aquilo, para me humilhar, fazer-me sentir tão pequena.
— Você não é minha mãe, não ouse …
— Não ouse o que? Dizer a verdade, pois eu digo! Sou sua tia, sou responsável por você. Eu mais do que ninguém conhecia sua mãe – Molly abaixou a cabeça suspirando – E você não herdou a metade da coragem dela.
Inclinei a cabeça para cima e respirei fundo tentando engolir o choro e vontade gritar. Enxuguei minhas lágrimas com costas da mão e arranquei o vestido das mãos de Molly, que sorriu satisfeita.
Sai correndo para meu quarto, me joguei na cama olhando para maldito vestido.
Eu não sou covarde! Não tinha medo de viver como ela vivia dizendo, apenas era diferente dela. Mas pelo visto isso era um erro imperdoável. Permaneci na cama chorando com vontade de rasgar aquele vestido estupido. Mas me levantei e o peguei. Tomei um banho rápido e me vesti decidida a ir naquela maldita festa, provaria para Molly que não era uma covarde. Mas minha coragem começou a se desfazer quando me encarei no espelho me achando esquisita com aquele vestido curto. Mordi os lábios, enquanto tentava ajeitar meu cabelo, que não estava disposto a colaborar comigo. Depois de tentar milhões de penteados que ficaram horríveis o deixei como estava, soltos. Peguei uma bolsinha de mão prateada e desci as escadas em silêncio, não queria chamar atenção de Molly, não queria discutir de novo e muito menos lhe dar a satisfação de ter me vencido.
A casa de Bonnie realmente ficava próxima da minha, tanto é que consegui ir andando, embora não foi uma tarefa fácil com aqueles saltos desconfortáveis. Exitei em apertar a campainha, tentei reunir coragem e pensar no que diria. Bonnie era uma líder de torcida, popular, bonita que tinha dezenas de amigas e namorado.
O que nós duas teríamos em comum para conversar?
Nunca tive amigas mulheres, sempre foram garotos. Quer dizer, os irmãos Salvatore. Balancei a cabeça olhando para mim mesma, tudo aquilo era loucura. Não me encaixaria nisso. Almoçar com o capitão do time de futebol, ou fazer amizade com uma líder de torcida. Decidi dar meia volta e correr dali, mas para minha surpresa Bonnie abriu a porta naquele momento e surgindo com vestido verde e cabelos enrolados, com sorriso simpático nós lábios.
— Eu fiquei me perguntando, quando apertaria a campainha — cocei a cabeça envergonha
— Eu ia…
Não consegui terminar a frase e explicar-me pois Bonnie puxou-me pelo braço me levando para dentro. A casa de Bonnie era grande, tinha moveis de madeira que lhe pareceram antigos como os que tinha na casa de sua avó. A tinta da sala, já estava desbotada. Tinha um leve cheiro de alecrim com incenso.
— Eu sei, esta precisando de uma pintura e queimar essa madeira velha – Bonnie olhou para cortinas – Mas minha avó, ela adora! Acho que nunca vai se desfazer disso – deu ombros olhando envolta – Então, está ansiosa para sua primeira festa?
— Como sabe que e minha primeira festa? – inquiri intrigada com ela que se entrou na cozinha e voltou segundos depois me estendendo um copo.
— Relaxa é chá gelado. E sobre a festa, eu vou te contar um segredo – Bonnie se inclinou até mim e sussurrou – Eu sou meia bruxa, por isso sabia.
Eu sorri balançando a cabeça e Bonnie cruzou os braços carrancuda
— Porque está rindo, não acredita em bruxas?– me calei instantaneamente sem saber o que responder. Bonnie gargalhou dando um gole longo no chá
— É brincadeirinha Caroline. E sobre eu saber, bem… Sempre ti vi colada em Stefan e no Damon no lago. Nunca saia de perto deles…. E nunca te vi em festa alguma. Bonnie me lançou um olhar que eu conhecia muito bem.
— Nos somos só amigos… Eu e o Stefan somos quase irmãos – afirmei sorrindo tentando parecer o mais convincente possível, mas Bonnie sorriu de lado.
— Você gosta dele, não é?
— Não. Eu? Claro que não!
— Eu vejo como olha para ele, alias todo mundo vê. Na verdade esse é o grande motivo da implicância da Katherine com você.
— Nada a ver. Eu e Stefan nunca rolaria — ri revirando os olhos, mentindo totalmente.
— E porque que isso soou como lamento? Mas se quer saber, acho ótimo!
— Acha ótimo?
— Sim – Bonnie entrelaçou o braço com os meus, me guiando para andar de cima – Porque eu tenho um amigo que está louco por você.
Bonnie parou com a mão no queixo me analisando
— O vestido é lindo, porém precisa de mais umas coisinhas – ela sorriu com olhos brilhando. Me fez sentar na cadeira em frente a sua penteadeira. Me fez experimentar dezenas de brincos e pulseiras diferentes. Maquiou-me com coisas que eu nunca tinha visto antes.
— Bonnie o que queria dizer com amigo que gostava de mim – Bonnie pediu para que eu se tira o excesso de batom pressionando os lábios
— Essa cor ficou ótima! Veja só – ela estendeu um pequeno espelho – É sobre esse meu amigo… Vai me dizer que não notou que Matt estava babando por você? Ele não parou de falar de você, chega até ser irritante.
— Matt Donavan, interessado em mim? – sibilei descrente
— Sim. E por que a surpresa? Olha só pra você – Bonnie ergueu meu queixo me forçando a olhá-la – Tem lindos olhos azuis e loira e tem uma pele perfeita… Você é personificação dá Barbie. Acho que não tinha percebido isso ainda porque nunca prestou atenção em si mesma. Agora, use esse perfume e maravilhoso – ela borrifou um perfume em mim, espirrei na mesma hora, ela riu. Mas até que perfume era suave e agradável.
— Bonnie, eu não sei se vou…
— Qual é Caroline. Vai mesmo ficar em casa esperando o Salvatore eternamente?
Parei me lembrando do brilho nos olhos de Stefan, da maneira como ele falava de Elena. Era o mesmo brilho que eu tinha, todas as vezes que lembrava ou falava dele. Bonnie e Molly estavam certas. Não podia esperar que um dia magicamente ele olhasse pra mim e se apaixonasse perdidamente. Eramos amigos desde dos cinco anos. Stefan nunca me olharia como nada mais que sua irmãzinha.
— Tudo bem… Mas já avisando, eu não faço ideia do que fazer em uma festa.
— Não se preocupe com isso. Não é nenhum bicho de sete cabeças. É apenas música, bebidas e garotos bonitos… Alguns são idiotas… mas tem alguns que valem a pena. Caso se sinta perdida lá, eu estarei lá pra te ajudar.
Ela sorriu largamente antes de me fazer virar de costas me guiando para o andar de baixo. Respirei fundo e ergui a cabeça como Molly sempre dizia para eu fazer. Eu iria para aquela festa e ia me diverti... Ou pelo menos ia tentar.
ELENA
Fiquei deitada em minha cama verificando meu celular a cada cinco minutos e já estava começando a pensar que ele estava com algum problema. Porque ele já deveria ter ligado, ele tinha prometido que ligaria prometido. Porém, ele não ligou. Tentei ler algum livro, me distrair com as músicas de Jeremy, mas os rock pesado inquietavam-me mais ainda e sempre acabava dispersando minha mente para ele. Para os olhos verdes, para boca vermelha e sorriso perfeito. Com aquele perfume marcante que me deixava zonza, sua voz melodiosa e modo sensual como Elena saia de seus lábios. Tudo em Stefan Salvatore a encantava.
— Ele não ligou maninha? – Katherine sorriu encostada na porta, enrolando uma mecha do cabelo.
— Não enche!
— Eleninha, ele não te ligou e nem vai te ligar. E sabe por quê?– revirei os olhos, folheando uma revista tentando ignorá-la – Sabe o porque dele ter sido tão simpático com você? – franziu a testa encarando a irmã. Katherine mordicou o lábio sorrindo – Por minha causa.
— Por sua causa? – ri – Ai meu deus, você se acha o centro do mundo não é – ainda rindo do egocentrismo de Katherine desci para cozinha querendo acabar com aquela conversa de uma vez, mas ela continuava me seguindo.
— Não vai mesmo querer ouvir?– neguei veemente com cabeça – Olha que vai se arrepender…
— Ah é? E por que eu me arrependeria?
— Porque é muita falta de carácter flertar com ex da sua irmã – deixei o copo que segurava cair no chão, olhando para Katherine que sorria satisfeita. Não podia acreditar no que acabei de ouvir, não podia ser verdade! Katherine e Stefan juntos? Então era por isso que ele me tratou daquele jeito quando nos conhecemos.
— Ops, você ainda não sabia? — ela fez uma cara de pesar — Eu fui a primeira namorada dele, a grande paixão da vida dele. Por isso ele se encantou com você. Porque ele foi e continua sendo obcecado por mim. Até se apaixonou pela minha copia.
Eu queria rebater, gritar que Katherine era louca. Mas nada saiu da minha boca.
— Então queridinha é melhor pensar direito. Não vai querer bancar a substituta, isso é deprimente até mesmo para você.
Katherine mordeu uma maça e saiu deixando-me perdida sem chão. Era loucura porque eu mau o conhecia, mas pensar neles juntos me nauseava. Inevitavelmente lágrimas se formaram em meus olhos por mais que tentasse engolir. Katherine tinha razão. Eu estava sendo a substituta, estava sendo usada para esquecer a minha própria irmã.
CAROLINE
Abaixei mais uma vez o vestido que estava justo, subindo nas cochas. Me sentia ridícula com aquele vestido curto, maquiada. Parecia uma vadia, estava quase uma Katherine.
Bonnie não me deu chance de desistir. Era estranho, mais ela conversava sobre tudo, como se me conhecesse a vida inteira. Falava de roupas, maquiagens e garotos. Eu apenas maneava a cabeça concordando com tudo, mesmo sem fazer a menor ideia de como era ficar tardes inteiras em shopping ou de como e a sensação de um beijo.
Bonnie estacionou em frente a casa dos Lockwood. Era de longe a mais bonita que já estivera. Pois era a mansão do prefeito da cidade. Nunca se imaginou indo a uma festa ali. Primeiro, por que sempre achava perda de tempo e neurônios, beber até cair como tantas vezes viu Damon fazer.
A casa de Lockwood era branca com vigas vitorianas um jardim elegantemente bem cuidado e verde pra aquela época do ano. Os rapazes bombados do time chegaram arrastando baris de cerveja para dentro. Uma viatura passou olhando toda aquela bagunça com trivialidade. Como Tyler era o filho único do prefeito da cidade, ninguém parecia se importar no que acontecia naquela casa. Senti as palmas da mão soadas quando notei que uma dezenas de olhos curiosos me observavam. Me encolhi um pouco, me sentindo deslocada ali.
— Caroline – não precisei me virar para saber de quem era aquela voz. Damon passou o braço em volta de meu ombro, estava tropeçando nos próprios pés de tão bêbado.
— Uau... Quem é você e o que fez com Caroline Elizabeth Forbes? – perguntou com sorriso malicioso.
— Cala boca e para de me chamar assim – murmurei não querendo chamar mais atenção para mim.
— Care vem… – Bonnie pegou minha mão ignorando Damon por completo
— Hummm Bon-Bon – ele alternou o olhar confuso entre mim e ela – Katherine sabe que estão amiguinhas agora?
— Se sabe ou deixa de saber, não é problema dela. O único cachorrinho que lhe deve explicações e você.
Tentei abafar o riso, mas a careta desconcertada de Damon me fez explodir em gargalhadas o que o deixou furioso, com aquele brilho de raiva nos olhos.
— Ha, ha, ha é você acha muita graça né – Damon se aproximou do meu rosto tirando uma mecha de meu cabelo do rosto – O meu irmãozinho sabe que está na festa do Ty? Porque se me lembro bem, você era a primeira a julgar a mim e Katherine. Como é mesmo que dizia… “Bando de adolescentes estúpidos”. E agora olha só para você – Damon assobiou olhando-me de cima baixo, mesmo sendo o Damon senti as bochechas queimarem.
— Vai se danar! – Damon a seguiu segurando seu braço abruptamente
— Admite vai, está assim irritadinha porque o panaca do meu irmão já está em outra e de novo... Ele nem se quer olhou pra você.
Respirei fundo contou até três, imaginou seu mantra preferido. Que era cinco maneiras de matar Damon Salvatore, sai com tanta pressa de me afastar que tropecei em alguém.
— Ei… -Tyler parou me fitando demoradamente – Olá doçura, eu te conheço?
— Sim. Desde do jardim de infância se quer saber.
Continuei andando, procurando a saída mais próxima, desviando de um monte de pessoas para conseguir sair dali. Tudo aquilo foi uma péssima ideia e sinceramente não pensou que pioraria. Mas como diz o ditado… Stefan entrou pela porta de mãos dadas com Elena.
— E Care, você não dá sorte mesmo – Damon desdenhou piscando para mim
— Nós podemos ir embora. Essa festa está um saco mesmo. Bonnie olhou na direção em que eu olhava paralisada.
— Ei gracinha quer uma bebida? – Tyler ofereceu e Caroline aceitou bebendo o líquido forte e amargo de uma só vez – Isso ai!
— Caroline – escutei Bonnie me repreendendo, enquanto Damon arregalava os olhos de surpreso de me observando de longe. Bonnie tentou tirar o copo de minha mão, mais desvencilhei pegando mais um copo e bebendo.
— Relaxa Bonnie, eu estou bem. Nunca estive melhor. – afirmou sustentando o olhar de Stefan que se encontraram com os seus, podia ver o choque em seus olhos. E por um momento adorei causar espanto nele.
DAMON
Tentei afogar a magoas na bebida. Esquecer a briga com pai, tentar deletar da mente a maldita frase de Stefan, que ressoava em minha cabeça. Liguei pela décima vez para Katherine que de novo não atendeu. A única coisa que dissipou tudo aquilo foi Caroline.
Conhecia aquela pirralha a vida inteira, sempre atormenta por ser magra demais, por usar óculos grandes demais para seu pequeno rosto. Sobre seu jeito irritante de certinha sabe-tudo. Mas de uns tempos para cá, tinha dificuldade de arrumar apelidos para chateá-la. A pirralha que vivia na sombra de meu irmão escalando árvores como um moleque, tinha crescido. Era estupidamente linda, mas também era estupidadamente apaixonada por meu irmão.
Stefan também apareceu na festa com Elena a tira colo. Tinha que admitir que eram iguais fisicamente. Os mesmos tom de pele e cabelo, corpo. A única coisa que as diferenciavam eram o jeito e a personalidade.
Um era fogo em combustão, era segura e atraente, a outra era suave, gentil… Entornei outra latinha e me aproximei deles.
— Olá cunhadinha, curtindo a cidade?
— Sim…
— O que quer agora? – Elena franziu a testa olhando para o tom hostil de Stefan
— Nada só cumprimentá-los. Viu só como seu futuro namorado e hostil comigo.
Stefan puxou Elena a afastando de mim. Acabei rindo satisfeito, meu irmão ainda tinha medo de deixar namoradas perto de mim. E ele tinha toda razão em ter. Elena olhou por cima do ombro em minha direção, ainda com testa franzida, pisquei para ela que sorriu sem jeito sumindo da minha vista sendo arrastada por meu irmão.
ELENA
— Stefan, o que ouve?
— Nada. Desculpe-me machuquei sua mão? – tomou minha mãos entre as deles massageando suavemente com as pontas dos dedos.
— Não – sibilou com a voz falhada – Vocês não se dão muito bem não é?
Stefan demorou tanto a responder que pensei que não diria mais nada, talvez o motivo que o fazia ser tão hostil com seu irmão fosse delicado. Pensei que ele estaria olhando tão concentrado para Damon, segui seu olhar e desanimei quando encontrei Caroline na outra ponta flertando com um cara e olhando disfarçadamente para ele.
— O que disse?
— Eu disse… Por que não vai até lá falar com ela?
— Ela não quer falar comigo – explicou visivelmente desapontado
— Não tem ideia do motivo? – ele deu ombros suspirando pesadamente.
— Na verdade não. Sabe quando você conhece uma pessoa mais do que conhece a si mesmo? – assenti mesmo não tendo ideia do que ele falava – Eu e ela sempre fomos assim, sempre soube o que se passava em sua cabeça, somente em olhar nos olhos dela. Daí crescemos…
— E agora as coisas estão estranhas entre vocês.
— Sim… Ela nunca agiu assim antes, nunca brigamos como agora, por qualquer motivo idiota.
— As pessoas mudam Stefan, principalmente nós mulheres – fitei seus olhos por alguns minutos reunindo coragem para fazer a pergunta que tanto a atormentava, mas ele parecia estar tão distante ou melhor estava com toda atenção voltada para melhor amiga que pensei que seria má ideia perguntar sobre isso, mas precisava saber se era verdade ou apenas Katherine tentando me irritar
— Stefan posso te fazer uma pergunta?
— Claro.
— Hoje mais cedo, quando eu estava esperando que você ligasse… Katherine me contou uma coisa estranha… Ela disse que vocês dois foram namorados…
— Sim, nós fomos.
Tentei não demonstrar o quanto aquilo me atingiu. Saber que ele e minha irmã foram namorados. Não conseguia evitar o pensamento venenoso que ele só havia se interessado por mim, porque ainda sentia algo por ela… E agora a hostilidade entre ele é o irmão fez todo sentindo. Katherine o traiu com irmão dele, e pelo visto nem isso o fez esquecer dela. Abaixei a cabeça apertando minha mão, tentando controlar a vontade de chorar por ser tão estúpida. Me sentia estúpida, burra por cair tão facilmente por um cara e menos de uma semana fazer milhares planos envolvendo ele que eu mal conhecia.
Stefan afastou uma mecha do meu cabelo e ergueu meu queixo. Pensei em mandá-lo para o inferno, mas não consegui. Seus olhos me passavam tanta ternura e sinceridade que as palavras simplesmente não saiam
— Katherine foi minha namorada sim. Namoramos por um bom tempo e pensei que ela fosse a mulher da minha vida. Mas nada que tivemos foi real. Sua irmã, ela nunca em nenhum momento me amou, fui apenas mais um de seus brinquedos.
— Eu sinto muito – ele me silenciou colocando os dedos em meus lábios
— Eu sei o que está pensando… Que estou usando você, que me interessei por você por ser idêntica a ela, mas e justamente o contrário. Me interessei por você justamente por ser diferente dela… Por ser tão sincera e autentica..
Seu rosto foi se aproximando do meu lentamente. Prendi a respiração e fechei os olhos, esquecendo qualquer dúvida que Katherine semeou em mim horas antes, tudo que importava agora era ele.
CAROLINE
Eu já nem tinha mais ideia de quantos copos havia tomado. Dancei rodopiando pelo imenso salão de festas, tropeçando em casais bêbados. Queria matar aquela raiva dentro de mim, queria correr até Stefan e esbofeteá-lo por esfregar todo aquele romance na minha cara.
Mas foi quando os vi juntos, se beijando que meu mundo parou. Fiquei parada segurando um copo, com uma bebida qualquer, paralisada olhando para os dois. Mesmo estando com o colégio inteiro a minha volta, não me importei em chorar. Meu mundo estava caindo novamente, parecia que tinha voltado três anos no passado, vendo ele beijar Katherine e declarar seu amor a ela.
Procurei por Bonnie ou Matt, mas não os encontrei nenhuma deles. Fui embora cambaleando, tropeçando nos pés, com tudo a minha volta parecendo girar.
Algumas pessoas diziam coisas inaudíveis sobre mim, sabia disso por que continuavam a me olhar e algumas delas davam risadinhas. Olhei para trás novamente vendo-o Stefan beijar Elena como se não houvesse amanhã.
E de repente a dor foi subsistida por raiva, raiva por ter sido tão idiota em pensar que teria uma chance. Estava prestes a virar e correr dali, quando alguém puxou-me pela cintura… Era Tyler. Em outro momento lhe daria um chute por me agarrar, mas não agora.
Não pensei, nem queria pensar em mais nada. Sabia que me odiaria por isso no dia seguinte, mas ali naquele momento não me importei. Puxei o rosto de Tyler e o beijei.
Meu primeiro beijo, não foi como eu planejava. Não foi embaixo do salgueiro perto do lago em meio a uma noite estrelada com Stefan. Foi com um total idiota que nem se quer sabia meu nome.
DAMON
Joguei o celular no chão. Katherine não aparecera, não o atendia. Tentei beber, mas não descia. Joguei a garrafa na parede indo embora da maldita festa, quando ouviu uma voz conhecida.
Caroline, a miss certinha que cresceu me dando sermões por beber e pegar todas as garotas que podia, estava quase sendo engolida por Tyler… Eca!
Tentei achar Stefan e para minha surpresa estava aos beijos com Katherine… Quer dizer, Elena. Queria xingá-lo e mandar que ele desse um jeito na Barbie dele, mas meu irmão nem se lembrava da existência da melhor amiga naquele momento.
Fui até ela, ainda sem entender bem o motivo que me levou a isso. Caroline e Tyler não notaram minha chegada até que a puxei pelos braços.
— Ei me solta! – Caroline gritou
— Cara, larga ela – Tyler puxou Caroline pelo braço novamente como se ela fosse uma boneca de pano, ela abaixou a cabeça parecendo tonta.
— Larga ela você! – dei um empurrão em Tyler que bateu na parede
— Qual é a tua em Salvatore? Ela esta tão afim quando eu, vê se não atrapalha.
Tyler tentou puxar Caroline, que mais parecia uma boneca de pano sendo puxada por mim e Tyler. Damon sorriu sarcástico para Tyler e puxei Caroline que se apoiou nele, parecendo não fazer ideia de onde estava.
— Damon me solta, seu idiota – berrou ela falando engraçado
— Idiota, eu? Olha só pra você…. Se quer ficar aqui com esse otário, o problema e seu.
Dei as costas devagar, sabia que suas palavras surtiriam efeito, mas como ela estava bêbeda provavelmente demoraria um pouco. Parei ao ouvi-la se queixar, Tyler agarrou novamente. Ela se debatia pedindo que ele a soltasse. Stefan que finalmente se depreendeu da boca de Elena olhou pra mim confuso.
Não esperei que ele tomasse uma atitude. Puxei Caroline e dei o meu melhor gancho de direita em Tyler que caiu no chão nocauteado, peguei Caroline e coloquei por cima do ombro.
— Me larga, Damon! – ela berrou, se debatendo mas estava bêbada demais para reagir.
— Damon o que acontecendo... Caroline o que ouve? – Stefan perguntou preocupado.
— Como se você se importasse realmente – o ignorei sai levando uma Caroline desmaiada a tira colo pra longe dali.
(...)
Não tinha a menor noção de como tinha saído da festa de Tyler, estava vomitando agachada no lago. Quase se desequilibrei caindo no lago quando sentiu mãos a envolverem minha cintura por trás. Quando me virei esperei encontrar com os olhos verdes de Stefan, meu príncipe encantando que tinha me salvado de cometer mais besteiras se é que era possível.
Mas quando me virei me deparei com olhos azuis-celestes e um sorriso cínico que detestava. Quem havia me salvado não fora um príncipe, e sim um sapo de olhos azuis.
— Damon?
— Não, eu sou o Jonnhy Deep, não esta vendo minhas mão de tesoura? – retrucou irônico mostrando as mãos
Voltei a vomitar logo em seguida, sentindo as mãos de Damon segurando meu cabelo. Demorei uns minutos até me recuperar. Coloquei as mãos em concha e molhei o rosto e nuca tentando amenizar o mal estar. Mas o gosto amargo da bile permanecia em minha boca me nauseando e minha cabeça já começava a latejar.
Olhei para trás e encontrei Damon deitado na grama com as mãos flexionas atrás da cabeça olhando para céu
— Damon por que fez isso?
— Isso o que Barbie? – perguntou impaciente.
— Me salvou.
— Não salvei você… Só estava a fim de socar a cara do Lockwood há muito tempo e tive a oportunidade perfeita para isso hoje… Graças a você.
Ele continuou mantendo seus olhos no céu e ainda tonta resolvi imitá-lo. Quando deitei parecia que tinha ficado dentro do mar a noite inteira, sentia como se o chão estivesse se movendo as estrelas no céu pareciam borrões que se moviam me deixando com mais dor de cabeça.
— Por que a lua está em zig-zag? – gemi, fechando os olhos e ele riu,
— Porque está bêbada feito uma gambá.
— Como se você não tivesse bebido. Alias por que, não está tão bêbado quando eu? – Damon esticou o braço me mostrando os pulsos
— Meu sangue e feito de uísque – explicou fechando os olhos e suspirando, fiquei em silêncio olhando pra ele. Intrigada com ele, não que ele nunca tivesse me ajudado antes… Ele costumava assim como Stefan sempre me proteger quando precisava de ajuda. Mas naquela ocasião por algum motivo achei estranho ele ter deixado Katherine para me ajudar.
— Sabia que isso e estranho e incomoda?
— Você nunca ficou observando alguém, enquanto ela dormia?
— Primeiro; isso e coisa de gay – ele enumerou com dedos – Segundo; não sou delicado como meu irmão. Terceiro; nenhuma mulher consegue ficar acordada depois de uma noite comigo – revirei os olhos nauseada com aquele pensamento
— Você é um ogro mesmo – maneei a cabeça incrédula – Mas enquanto a Katherine?
— O que tem ela?
— Nunca se pegou olhando pra ela?
Damon tentou puxar na memória, algum momento como esse, mas não havia nenhum.
— Não.
— Sabe o que eu acho?
— Não sei e nem quero saber – retrucou mal-humorado.
— Mesmo assim eu vou dizer – ele revirou os olhos rosnando, tapando os ouvidos — Você pensa que a ama, mas está enganado. Alias você e o Stefan então.
— Por que você não me faz um grande favor e volta para o estado de bêbada alegre.. Ou fica calada?
— Damon, isso que sente por ela. Que te faz sofrer e agir feito um idiota, não é amor e obsessão. Você costumava ser assim antes dela. Se importava com as outras pessoas, costumava ser um bom amigo. Era divertido, alegre... ela te roubou tudo isso.
— Para Caroline, cala boca – alertou ele com voz baixa, mas não deixou de ser ameaçadora.
— Está bem! Não adianta mesmo dizer, você está cego. E o pior que nem mesmo é amor… Mas se não quer enxergar isso, se prefere continuar se humilhando por ela o problema é seu.
Dei ombros esperei que ele protestasse e assim como estúpido de seu irmão e defendesse Katherine, mas ele nada disse. Me sentei por um segundo, respirando fundo para não vomitar. Precisava ir para casa, beber um litro de água e me enterrar em minhas cobertas e nunca mais sair de lá. Levantei cambaleando e quase cai no chão no processo, retirei o maldito salto e os jogaria no rio, se Molly não me matasse por sumir com seu escarpan.
— A onde vai? – perguntou ele, virando a cabeça em minha direção com testa franzida.
— Pra casa – ajeitei o vestido novamente puxando sua barra para baixo e caminhando para casa tropeçando em meus próprios pés. A que ponto eu tinha chegado: Estava alcoolizada, suada e com muita dor de estômago por causa de um cara. Justo eu que repudiava tanto beber para esquecer os problemas, que era justamente o método mais usado por Damon. Olhei para trás e respirei fundo, olhando para ele que fitava o céu.
— Ah antes que eu me esqueça e provavelmente eu irei pela manhã… Obrigada Damon.
— Pelo quê? — inquiriu ele mais uma vez com aquele sorrisinho cínico.
— Por me impedir de fazer uma grande bobagem… Obrigada por me salvar hoje – disse sinceramente. Ele correspondeu o sorriso e maneou a cabeça, voltando flexionar os braços atrás da cabeça e se voltar para céu.
— Isso tem gosto de vinagre na sua boca, não é? – perguntou, antes que entrasse em casa, assenti veemente com cabeça – Então, valeu a pena.
Ele sorriu novamente, mas dessa vez não foi aquele sorriso cínico ou presunçoso. Foi aquele antigo, um sorriso sincero que ele desaprendera a dar desde que conhecera Katherine. Manei a cabeça para ele, girei a maçaneta de casa, grata por ela estar aberta. E antes de fechar a porta olhei para ele mais uma vez, deitado na grama fitando o céu, com a expressão tranquila. Desejei que ele voltasse ser assim novamente. Nunca diria a ele, mas sentia falta do antigo Damon, daquele que assim como o de hoje não se importaria com nada, nem mesmo com Katherine se fosse para ajudar o irmão e sua amiga irritante.
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