Forever Young
3 5, 4, 3, 2, 1, Feliz 2012! - Parte 3
Notas iniciais
Miguel
Miguel sabia que deveria estar lá na festa agradando os convidados e tal. Mas a conversa com Bianca estava tão boa! Ela estava falando de algum dia que ele deu-lhe uma rosa (do arranjo de uma mesa de um jantar qualquer) e como uma pétala dessa rosa foi amada por ela, até que Rosa (a empregada) a jogou fora (coitada, como poderia prever?). Mas Miguel não estava prestando atenção. Ele sabia que devia, mas não conseguia tirar sua concentração daqueles olhos azuis risonhos e do seu cabelo. Ela, a essa altura, estava deitada com a cabeça na perna dele. Era tão gostoso tê-la assim tão próxima dele. Ele imaginou tantas vezes como seria esse dia que eles voltariam a se falar, mas acabou sendo bem melhor.
— Guel? – Perguntou Bianca, como uma voz meiga. Ele quase podia ouvir aquela garotinha de 5 anos que andava de bicicleta com ele, agarrada em suas costas. Aquela que era a única que o chamava assim, por que quando era mais nova ela não sabia falar ‘Miguel’. Mas ele sabia que ela não era mais aquela garotinha. Agora aquela gargalhada banguela dera espaço para um sorriso que, de alguma forma, o encantava. Ele não sabia por que se sentia daquela forma, mas também não queria que aquilo parasse.
— Diz... – Respondeu Miguel fazendo carinho atrás da orelha de Bianca, demonstrando um instinto protetor sobre aquela menina que estava deitada na sua perna que nem ele sabia explicar.
— Faltam sete minutos pra meia noite. Você não acha melhor voltarmos pra festa? Você deve querer fazer companhia pros seus convidados e eu... Bem, eu fico lá com as meninas...
Não. Ele não queria sair dali. Nunca. Ele queria que ela continuasse deitada ali pra sempre. Todos os dias ele se arrependia por ter parado de falar com ela. Mas era aquela mesma história, ela era mais nova do que ele e todos os amigos o zoavam por falar com ela. Ele e Bianca nunca haviam tido um ‘romance’, mas de alguma forma ele sentia uma necessidade enorme de protegê-la desde que eram novos. Os pais deles costumavam dizer que em outra vida ela havia sido filha dele, ou então que eles haviam sido casados. Mas finalmente eles estavam juntos, e ele não queria que aquilo fosse só mais uma lembrança, como todas aquelas sobre as quais eles estavam conversando.
— Acho que eles não sentirão nossa falta. Você se importa se ficarmos aqui? — O que ele sentia por Bianca quando crianças era puramente proteção, mas naquele momento ele não sabia dizer o que era. Ele não estava apaixonado por ela, não era possível, há anos eles não se falavam direito. Mas era alguma coisa completamente diferente, algo que ele não havia sentido antes, nunca. Ele se arrependera mais do que nunca de ter parado de falar com ela.
— Acho que não tem problema se eu ficar aqui com você...
Bianca
— Bibi? – Ela adorava quando ele falava assim. Ela adorava o jeito protetor com que ele acariciava seus cabelos e a ternura com que a chamava. Ela adorava olhá-lo de baixo, pois via seu rosto escondido pelas sombras que a lua lhe fazia. Ele sempre foi assim tão bonito? Ela nunca ficara assim tão encantada. E adorava isso também. Por que diabos ela estava adorando tudo relacionado a ele? Que droga, ela tinha que parar de pensar daquela forma, ele gostava dela como a amiga que ela sempre foi. E só estava arrependido por terem perdido o contato. Nada demais!
— Uhn?
— O que você pensaria se... Se eu te dissesse que de repente eu fiquei com uma vontade incrível de te abraçar e te ter só pra mim, pra te proteger de tudo, e por isso eu quis ficar aqui? E, podendo passar a virada com alguma menina que está na festa, eu escolhi passar aqui, abraçado com você e mais ninguém? – Merda, por que ele tinha que tornar tudo mais difícil?
— Eu... Eu confesso que ficaria nervosa. Mas eu adoraria saber disso. Por que eu poderia estar lá com as meninas, mas eu escolhi passar aqui, no teu abraço, que eu senti tanta falta. Eu não quero que esse momento acabe. Eu não quero que a gente saia daqui de trás da churrasqueira, por que aqui eu sei que isso é real, mas quando a gente sair daqui, e principalmente lá no colégio, quando você fingir de novo que não me conhece, eu só vou ter a lembrança, e não vou saber se foi real ou se não passou de um sonho. – Uma lágrima escorria pelos olhos de Bianca.
— Bibi, você não está chorando, está? – perguntou Miguel preocupado, mas ela prosseguiu. Agora que, depois de 5 anos, conseguira trocar mais do que meia dúzia de palavras educadas com ele, ela queria falar o que sentia desde que tinha 9 anos.
- Que droga Miguel! Tá tudo mais difícil do que eu esperava! Pode parecer romântico quando eu digo isso, e eu não sei se é, mas a realidade é que há tempos eu não me sentia assim tão protegida como agora. Eu ainda sou insegura, Guel. Eu ainda tenho medo de palhaços e de borboletas. E eu ainda me tranco no armário quando eu quero me esconder de alguma coisa. Eu ainda durmo com a porta entreaberta por medo do escuro, e ainda durmo abraçada com a Bonnie. – Bonnie foi uma coelha de pelúcia que Miguel ganhara numa máquina quando ela tinha uns 6 anos. – E, pode ser incrível, mas pra você eu não tenho vergonha de admitir nada disso. Mesmo que você tenha me deixado de lado 5 anos atrás, eu ainda confio em você cegamente. E é por isso que eu estou chorando. É por isso que eu estou aqui nessa festa. Por que quando chegou aquele convite, eu senti alguma coisa que eu nunca havia sentido. Eu não sei ainda o que era, mas eu senti que deveria vir hoje. Eu não sei se é saudade daquela época, e de me sentir segura como agora. Eu não sei se é amor, e se for amor, que tipo de amor. Mas eu sabia que devia vir aqui hoje. Só não sabia que seria tão difícil sair daqui e voltar à realidade de lembranças que eu vivo.
- Bianca, olha pra mim! – Disse Miguel, abraçado com ela e tentando acalmá-la. – Eu também não sei o que eu estou sentindo. Eu também sinto sua falta, todos os dias da minha vida. Na gaveta do meu quarto eu ainda tenho fotos de nós dois juntos e eu ainda tenho um instinto incrível sobre você quando eu te vejo andando na rua. Eu não sei o que deu em mim pra te chamar pra essa festa, mas de repente eu me peguei escrevendo seu nome em um dos convites. E eu sabia que você não viria sem as outras. Bibi, você sabe que de todas você é a que eu mais gosto! E mesmo que nós tenhamos nos afastado, eu gosto de você. Eu realmente gosto de você. De vez em quando eu me pego pensando naquele seu sorrisinho banguela de quando eu te carregava na piscina por que você era mais baixinha que todo mundo. Ou quando minha irmã implicava contigo e eu te defendia. E esse sorriso tímido que você dá quando nós estamos no portão. Eu também não sei o que eu to sentindo por você, mas eu quero descobrir. Eu quero descobrir se esse aperto no coração quando te vejo chorando é amor. Eu quero descobrir se essa vontade de te abraçar e te proteger do mundo é amor. Eu quero descobrir se essa vontade de te ter perto de mim é amor. E é por isso que eu quero passar essa virada aqui só com você. Eu quero que esse ano defina isso pra mim. Por que talvez, só talvez, nossos pais estivessem certos e nós realmente pertençamos um ao outro.
Miguel
‘5, 4, 3, 2, 1, FELIZ ANO NOVO!’. As pessoas na festa estavam gritando e eles apenas se olhavam. Miguel puxou Bia mais pra perto. Ele não entendia. Se aquela amizade era tão inocente, então por que ele sentia essa necessidade tão intensa de beijá-la? E se beijasse? Será que estragaria tudo? Mas foi aí que aconteceu a coisa mais estranha. Ele não a beijou. ELA o beijou. Ela o surpreendeu com aquele beijo. E ele só queria retribuir. Miguel e Bianca se beijavam como se não houvesse amanhã. Eles queriam recuperar aquele tempo que se distanciaram, mas não sabiam fazer isso. Ele esperava que aquele beijo lhe desse uma pista. E que não estragasse tudo.
- Ah... Me desculpa, Guel. Eu... Eu não queria... – E de repente ela se levantou, colocou seus sapatos e saiu sem olhar pra trás. Será que ele tinha estragado tudo?
- Mas... Foi ela que me beijou! Que MERDA cara, por que eu tinha que me sentir assim com a Bibi? Por que logo a Bibi? Af! – Miguel se deitou com a mão na testa. Falava sozinho, preocupado com o que aconteceria entre ele e a Bianca.
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