Forever
10 Uma nova realidade Parte 1
Notas iniciais

Quando cheguei ao meu RV, eu o encontrei totalmente limpo e brilhando, e havia também um jantar quente no forno. Na escola no dia seguinte, Os alunos e professores foram muito atenciosos e gentis. Embora eu não tivesse na escola por mais de dois meses, os professores não ficaram irritados. Todos queriam apenas que Jade e eu melhorássemos. Foi um testemunho maravilhoso do valor de grandes amizades.
Na manhã de cada Domingo eu fazia percurso de duas horas indo da minha casa até a casa da Tia de Jade, e ficava com Jade até o dia seguinte, acoradava as 5:30 da manhã dirigia mais duas horas de volta pra casa e voltava a tempo de me aprontar para a escola. Como eu sou do Time de Futebol de H.A eu que dirigia o ônibus quando o time viajava para enfrentar equipes de outras cidades, o que significava que, em certos Sábados, Os jogos começavam as 7:00 da noite e terminavam umas 8:30 e eu voltava para casa bem depois da meia noite ( Pois o Time na maioria das vezes fazia festa após os Jogos, e eu meio que era obrigado a ficar pois eu tinha que dirigir o ônibus.)
Logo percebi que aquele plano não funcionaria no longo prazo. Eu já não conseguia dormir muito devido a todo o estresse e às minhas dores nas costas. O calendário de visitas a Jade, por sua vez, era muito pouco prático e me dava ainda menos tempo para descansar. Ao mesmo tempo, as ligações das agências de cobrança estavam começando a sair do controle. As despesas médicas de Jade, isoladamente, já passavam dos 20 mil dólares. E havia as minhas próprias despesas médicas, o custo do tratamento de reabilitação pelo qual Jade estava passando e outros gastos, como a compra de um novo carro para substituir o nosso. Tudo aquilo fez com que o total dos débitos ficasse ainda maior. Naquele ponto, já sabíamos que não teríamos uma relação tranquila com a nossa companhia de seguros. Eu havia entrado em contato com eles logo depois do acidente, mas eles deixaram claro que eu não receberia o dinheiro que precisaríamos para pagar as agências de cobrança dentro do prazo que tais agências exigiam.
Aquilo significava a possibilidade de enfrentar um processo jurídico apenas para forçar a seguradora a pagar o dinheiro que pensávamos ter direito por conta do contrato de seguro.
Para piorar ainda mais as coisas, por mais que eu ansiasse pelas visitas que fazia a Jade, sua atitude em relação a mim estava ficando cada vez pior.
Nas Tardes de segunda-feira após as aulas, eu ia direto para Barrow para ajudá-la com sua terapia. Às vezes, ela me cumprimentava de maneira amigável quando eu chegava e, em outras vezes, simplesmente fazia algum ruído enquanto olhava para mim rapidamente antes de continuar com o que estava fazendo.
No fundo do meu coração, eu queria muito que Jade melhorasse, mas estimulá-la a fazer isso era um risco. Como acontecia com qualquer coisa que eu fizesse naqueles dias, eu nunca sabia como ela reagiria. No entanto, minha experiência com o treinador de futebol da escola havia me ensinado que era preciso pressionar as pessoas para que elas conseguissem desenvolver todo o seu potencial, pois elas nem sempre percebem até onde podem ir, algo que o treinador percebe. Assim, eu pressionava Jade porque pensava que aquilo era o melhor a fazer por ela. Entretanto, qualquer estímulo um pouco mais incisivo poderia não resultar na reação desejada, enquanto um segundo estímulo poderia desencadear uma torrente de fúria.
— Pare de me mandar fazer essas coisas! Deixe-me em paz! — Ela gritava para mim.
— Estou apenas tentando ajudá-la a melhorar. — Eu voltava a explicar. — Você quer melhorar, não quer?
— Eu odeio você! Por que não volta para casa dos seus pais, ou qualquer que seja o lugar de onde você veio? — Jade dizia para mim.
— Porque eu me importo com você, e porque a amo.
Certas vezes, a expressão dela se congelava em um olhar amargo e ressentido, e ela virava o rosto sem dizer qualquer outra palavra.
Parecia que aquele tipo de conversa nunca mais terminaria.
Em quase todas as Segundas feiras, após a terapia de Jade quando retornava para meu RV, eu olhava para o deserto conforme o sol surgia à minha frente. Eu me lembrava do ano passado no Festival da Lua Cheia, quando eu e Jade voltamos a namorar, após sairmos da escola eu a prometi que nunca mais a deixaria, e que a amava mais do que minha própria vida.
Mas ela não mais sentia-se minha namorada. Ela não queria mais ser minha. No estado de desorientação em que se encontrava, não sabia o que realmente queria. Eu achava que ela não sentia mais amor por mim. Alguns meses após reatarmos, a mulher que eu amava aparentemente me odiava. E aquilo estraçalhava meu coração.
Independentemente dos sentimentos que Jade tivesse por mim, eu ainda a amava. E estava determinado a manter o juramento que havia feito, de nunca mais abandona-la. Embora fosse exaustivo fisicamente e emocionalmente, continuei a viajar semanalmente de L.A a Barrow para ficar ao lado de Jade e encorajá-la durante o tratamento. Eu me tornara quase implacável na minha tentativa de pressioná-la para atingir o topo de sua condição física. Quando estava com ela na sala de fisioterapia, não havia mais qualquer sinal do namorado. Apenas do técnico esportivo.
Eu sabia que Jade não gostava das coisas que eu fazia. Ela as odiava, e não tinha qualquer pudor em me dizer o quanto. Algumas vezes, ela agia de forma mais tranquila e amistosa, mas, quanto mais a pressionava, para que ultrapassasse seus limites, mais ela gritava e se irritava comigo. Ela ainda agia e reagia como uma criança e, às vezes, acabava usando uma linguagem muito pouco educada.
Os médicos me avisaram que ela poderia ficar muito desinibida, e havia momentos em que a palavra “desinibida” não era suficiente para descrever seu comportamento. Eu tive que aprender a esperar o inesperado. Mesmo que houvesse outras pessoas na sala, ela ocasionalmente expressava pensamentos inapropriados ou me agarrava sem qualquer motivo. Quando eu resistia, ela dizia algo como “Você não me ama mais. Você não me ama porque eu sou deficiente!”
Tenho que admitir que uma parte de mim desejava ter o aspecto físico do nosso relacionamento de volta, mas aquela situação era muito estranha do ponto de vista emocional; naquele momento, eu a considerava mais como uma irmã do que como uma namorada. Estranhamente, algumas horas depois, ela poderia voltar a dizer que me odiava. As emoções de Jade eram tão instáveis que praticamente qualquer coisa poderia acontecer, a qualquer momento.
Os médicos de Jade pensavam que uma visita ao meu RV poderia ajudar a resgatar algumas memórias. Jade e Cat foram até lá. Mesmo sem a certeza de que algo poderia acontecer, todos esperávamos que, quando Jade entrasse em meu RV, ela, repentinamente, se lembrasse de tudo e voltasse a ser a mulher que era antes do acidente.
Quando Jade entrou nele naquele dia, ela estava agindo de forma amigável, mas parecia como se não tivesse qualquer interesse. quando chegaram, as duas andaram pela, observando a mobília, as fotos nas paredes e os livros na estante. Jade não demonstrou qualquer emoção. Enquanto estava no meio da sala, olhando ao redor, ficou óbvio que ela não se lembrava de nada.
Jade perguntou como era o desenho estampado no conjunto de porcelanas que havia comprado. Cat lhe entregou um prato. Jade o trouxe para perto do rosto, e depois o deixou em cima da mesa.
— É bonito! — Ela disse lacônica. Ela não se lembrava do desenho que havia escolhido cuidadosamente depois de pesquisar muito, e depois de pedir conselhos a mim e a Cat.
Enquanto a levava para conhecer os outros cômodos, eu fazia perguntas sobre várias coisas que poderiam trazer alguma memória: fotos em que nós dois aparecíamos juntos, móveis que havíamos escolhido juntos. Nada funcionava.
Os médicos de Jade sugeriram também que ela assistisse a vídeos de nós dois juntos. Eles esperavam que aquilo pudesse reativar alguma lembrança de sua vida. Quando eu pedi a ela que assistisse ao vídeo comigo, ela concordou. Nós nos sentamos juntos no sofá e assistimos a videos que tinhamos no The Slap no Notbook. Eu podia sentir que ela sabia que aquilo era muito importante para mim, queria que ela se lembrasse de alguma coisa, qualquer coisa que tivesse a haver conosco. Ela tentou não me desanimar.
— Aquela Garota ao seu lado no vídeo sou eu. — Ela disse pensativa.
— Mas não consigo sentir qualquer ligação com ela. Não sei o que ela está pensando ou sentindo. Eu vejo vocês se beijando, mas é como se eu estivesse assistindo ao vídeo de um amigo. Não sei o que a Garota na tela está pensando.
Não havia qualquer emoção em sua voz enquanto ela falava sobre nós dois, e percebi que não havia qualquer sentimento por mim em seu coração.
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