Forever

11 Uma Nova Realidade Parte 2


Notas iniciais
Então gente como foi o ano de vocês?? o meu foi ótimo :) então pra compensar a espera aqui está um capitulo novinho pra vocês aproveitarem :)

Algumas semanas depois, eu estava em Barrow ajudando Jade com sua terapia, como de costume. O que não fazia parte do costume foi que, depois da sessão, seu fisioterapeuta me perguntou se eu gostaria de ajudá-lo a treinar um time de basquete formado por crianças, depois que ele terminasse o expediente naquela tarde. Grato pela possibilidade de mudar um pouco a rotina, aceitei o convite de Scott.

O tempo que passei com ele foi muito legal. Durante duas horas, eu me esqueci completamente de que tinha uma namorada que não sabia quem eu era, e de que passava todos os dias e todas as noites da minha vida completamente exausto. Fiquei completamente imerso na estratégia do jogo e na tentativa de ajudar o time de Scott a melhorar seu rendimento.

Depois do jogo, fomos para a cantina do ginásio. Conversamos um pouco sobre o desempenho do time que ele comandava, e, após algum tempo, ele me trouxe de volta à realidade:

— Sei que você está ficando desanimado em relação à Jade. Honestamente, não consigo entender como você consegue prosseguir com tudo isso.

Ele sabia a verdade sobre a situação de Jade, e a minha também, assim, não hesitei em me abrir com ele.

— É difícil. Muito difícil! — Admiti.

— Às vezes fico muito alegre quando parece que estamos fazendo progressos, quando penso que ela vai se lembrar de algo que ligue a vida dela à minha. Mas, em seguida, ela faz ou diz algo ofensivo, por achar que a estou pressionando demais na terapia, ou mesmo sem qualquer razão. E isso acaba me magoando demais. O desafio mais difícil que já encarei.

— Nós podemos continuar a ajudar Jade. Fisicamente, ela está fazendo progressos incríveis. Se não tivesse uma condição física tão boa, ela nunca teria chegado tão longe. Mas seu bem estar é importante também, Beck.

Jade precisa de uma pessoa forte, confiante e tolerante ao seu lado; você tem que ser essa pessoa para ela.

— Você tem razão. Mas é difícil pensar desse jeito quando conseguir cumprir as tarefas do dia frequentemente já parece ser uma tarefa impossível. — Eu disse.

— Você vai conseguir. — Scott comentou, com tranquilidade.

Eu estava chegando em um ponto em que, por um lado, tinha esperanças de que tudo daria certo, mas, por outro, concluía que aquilo poderia não acontecer. Por mais doloroso que fosse aquele pensamento, eu me comprometi a continuar fisicamente por perto de Jade, pelo menos até o dia em que ela não precisasse mais do meu apoio e pudesse viver de forma independente. Naquele momento, perguntaria o que ela queria. Por várias vezes me questionei, querendo saber quando aquele momento chegaria. Eu sabia que seria um dia que teria que encarar e vivia com medo do possível resultado.

De tempos em tempos, havia sinais animadores de que Jade estava começando a aceitar sua nova vida.

Certo dia eu estava conversando com Cat na escola, e ela mencionou que Jade dissera ao terapeuta que sentia “falta daquele rapaz que telefona e vem visitar toda semana”. Fiquei muito feliz por ela ter se lembrado das minhas visitas e por, aparentemente, nutrir um desejo de passar mais tempo comigo, mesmo que não agisse realmente daquele jeito quando eu estava por perto.

Eu me esforcei para telefonar para Jade todos os dias em que não estava com ela. Entretanto, certa noite, não telefonei no horário habitual. Algumas horas depois, o telefone tocou, e aquilo me assustou.

Quando atendi, era a Tia de Jade. Ela disse:

— Beck, há uma pessoa ao meu lado que quer conversar com você.

Eu fiquei em êxtase. Ela passou o telefone para Jade.

— Oi, aqui é Jade que está falando.

— Oi Jay. Sua ligação me deixou muito feliz.

Mais silêncio. Em seguida:

— Bem, preciso ir agora. Tchau.

Aquelas foram as melhores palavras que eu ouvira por meses. Naquele exato momento, acreditei que conseguiríamos superar os problemas e que, no fundo, Jade sentia algo por mim, mas, simplesmente, não conseguia encontrar as palavras certas no telefone. Foi a primeira vez de várias outras que ela ligou, disse uma frase ou duas e depois desligou. Mas eu não me importava se as conversas eram curtas. Eram apenas mais confirmações de que a minha Jade nutria sentimentos por mim.

Algumas semanas depois daquela primeira ligação, Cat me telefonou com outra boa notícia. Jade havia se olhado no espelho, concentrando-se no local onde sua cabeça havia levado pontos no acidente. Ela tocou a reentrância enquanto a inspecionava, sentindo-a com a ponta dos dedos.

— Hummmmm. — Ela disse. — Talvez eu realmente tenha sofrido esse acidente.

Desde que Jade saíra do estado de coma pela primeira vez, ela vinha dizendo que se sentia como se estivesse num sonho, do qual todos nós fazíamos parte. Ela insistia que não houvera qualquer acidente e que nunca namorara comigo.

Ela acreditava que estava presa em um pesadelo e que, mais cedo ou mais tarde, conseguiria despertar. Sua reação em frente ao espelho foi à primeira indicação sólida de que ela estava começando a perceber que o “sonho” que ela vivia, afinal de contas, poderia ser o mundo real.

Perceber aquilo era um ótimo sinal, mas a próxima vez que Jade foi a minha casa foi anticlimática. Ela voltou ao meu RV e olhou para tudo, assim como havia feito antes e não se sentiu tão perdida ou desorientada, mas não era por se lembrar de estar ali comigo. Ela se lembrava do lugar apenas por ter estado ali há algumas semanas. Assim, nós passamos novamente por todos os detalhes que ela havia inspecionado na primeira vez: O porta retrato de porcelana e também as fotos e os vídeos nossos. Ela pareceu gostar de tudo, mas nada a ajudou a estabelecer uma ligação com seu passado.

A tia de Jade havia voltado ao meu RV para trazê-la, e, ao final da visita, quando estávamos no Quintal, Lara (que é a tia de Jade) se afastou de nós no portão, para que tivéssemos um momento a sós para nos despedirmos.

— Eu amo você, Jade. — Eu disse.

— Eu amo você também.

A boca dela falou, mas seus olhos não diziam nada. Ela me deu um rápido abraço, como o que ela daria em qualquer pessoa de quem gostasse. Enquanto nos abraçávamos, dei uma rápida olhada para a Lara, que estava no quintal. A dor e a decepção que eu vislumbrei no rosto dela, sem dúvida, eram as mesmas que ela podia ver no meu.

Jade finalmente progrediu até o ponto em que o Dr. Singh e o resto da equipe em Barrow decidiram estabelecer uma data para que ela recebesse alta definitiva do tratamento ambulatorial. Apesar da perda de memória, Jade estava animada a voltar para escola. E, embora ainda me tratasse de forma agressiva vez por outra, e sem qualquer aviso, nós estávamos definitivamente começando a reconstruir nosso relacionamento.

Por fora, Jade ainda tinha incertezas a respeito do relacionamento. Na verdade, ela nem sempre me aceitava como seu namorado. Mas, eu não sabia disso, no fundo do seu coração, e em momentos de maior clareza mental, ela sabia que éramos um casal e queria que o nosso namoro desse certo.

Eis o que ela escreveu em seu diário:

“... eu realmente quero voltar para o Beck e fazer com que nossa nova vida volte a acontecer. E quero muito voltar a ser garota que era, antes.”

Embora eu não soubesse o que se passava na mente ou no coração de Jade, eu sabia que ela, agora, sentia saudades de mim nos dias em que eu não telefonava ou visitava. Havia até mesmo vezes em que ela realmente gostava de estar comigo e nós parecíamos estar progredindo como casal. Eu me apegava fortemente a esses momentos, e tentava freneticamente descobrir o que os fazia funcionar tão bem, de modo que eu pudesse criar mais momentos como aqueles posteriormente.

Notas finais
então espero que tenham gostado até a próxima pessoas lindas