Forever

7 Uma Lição em meio a Tragédia parte 2


Notas iniciais
A segunda parte o que acham??

Eu a imaginava lá, dormindo, respirando lentamente, um fôlego após o outro. Será que algum daqueles seria fatalmente seu último suspiro? Eu sabia que ela estava melhorando, mas e se ela tivesse uma recaída? E se os médicos não tivessem percebido alguma lesão grave, algo que poderia matá-la de uma hora para outra?

Em seguida, começava a pensar em como Jade ficaria depois que o processo de reabilitação e o tratamento estivessem concluídos. “Será que Jade conseguirá voltar a ser a mesma de antes”

Era o que eu imaginava.

“Será que ela vai se recuperar a ponto de poder ter uma carreira profissional? Será que vai conseguir ter filhos?”

Todos aqueles pensamentos se reviravam na minha cabeça, noite após noite, conforme a escuridão se transformava em cinza, até que finalmente as cores do dia apareciam. Então eu me levantava, me vestia e saía para mais um dia em Barrow.

Depois de pouco tempo na terapia, Jade estava melhorando. A cada manhã ela parecia estar mais forte, mais alerta e mais disposta a conversar. Aquele olhar perturbador já havia quase desaparecido, e ela estava começando a interagir mais naturalmente durante os diálogos.

Mesmo assim, os terapeutas ainda estavam sendo bastante cuidadosos com ela. Eles faziam com que ela se movimentasse vagarosamente, caminhando com o apoio de um colete que ficava suspenso por uma armação no teto, e trabalhava com quebra-cabeças simples. Quando ela passou a compreender diálogos e a responder perguntas, os médicos começaram a avaliar sua memória e outras habilidades mentais. No início, parecia que eles estavam conversando com uma criança. Ela falava usando apenas algumas palavras de uma ou duas sílabas, depois de longas pausas. Tinha que se concentrar bastante no que ia dizer, formando as palavras lentamente e cuidadosamente, como se elas lhe parecessem estranhas. Mesmo assim, melhorava dia após dia.

Não fiquei surpreso quando, apenas alguns dias depois que Jade começou a sair dos níveis mais baixos da escala de coma, ela quis atualizar seu Status no The Slap. Ela ditou as palavras lentamente e com bastante esforço, enquanto Cat as digitava em seu PearPhone.

— A vida é muito boa. A terapia é muito confusa, às vezes. Sinto falta de como as coisas costumavam ser, de Hollywood Arts, mas sei que é assim que as coisas são.

Não demorou muito até que eu estivesse sentado com Jade, que estava falando com um terapeuta que sondava cuidadosamente as coisas que ela tinha condições de lembrar. Aquele “eu amo você” fora o primeiro sinal de que as coisas estavam lentamente voltando ao normal. Agora, eu estava pronto para receber uma prova ainda mais forte. Eu queria a minha Jade de volta.

— Jade, você sabe onde está? — Perguntou seu terapeuta, falando com uma voz tranquila.

Jade pensou por um momento antes de responder.

— Em Los Angeles. — Isso mesmo, Jade.

E você sabe em que ano estamos?

— 2012.

“Estavamos em 2014”, pensei, sentindo um pouco de ansiedade. “É apenas um pequeno contratempo. Nada com que se preocupar”, disse a mim mesmo, tentando me convencer daquelas palavras.

— Qual o nome do presidente do país, Jade?

—Nixon.

“Bem, Nixon era o presidente no ano em que ela nasceu”, justifiquei.

— Jade, qual é o nome da sua mãe? — Continuou o terapeuta.

— Mary. — Ela disse, sem hesitação... E sem demonstrar qualquer emoção. “Bem, agora estamos chegando a algum lugar. Obrigado, Deus!”

— Excelente, Jade. E qual é o nome do seu pai?

— Gus.

— Está certo. Muito bem.

O terapeuta parou por alguns instantes antes de continuar.

— Jade, quem é o seu Namorado?

Jade me olhou com os olhos vazios, sem qualquer expressão.

Ela voltou a olhar para o terapeuta, mas não lhe respondeu.

— Jade, quem é seu o Namorado?

Jade olhou para mim novamente e voltou o olhar para o terapeuta. Eu tinha certeza de que todos podiam ouvir meu coração batendo enquanto eu esperava, em meio ao silêncio e ao desespero, pela resposta de Jade.

— Não tenho namorado.

“Não! Meu Deus! Por favor!”

O terapeuta tentou mais uma vez.

— Não, Jade, você tem namorado. Quem é o seu namorado?

Ela franziu a testa.

— Todd? — Ela perguntou.

“ Bem esse era o ex-namorado de Jade quando ela tinha 14 anos. Deus ajude-a a se lembrar!”

— Jade, por favor, pense com calma. Quem é o seu Namorado ?

— Eu lhe disse. Não tenho nenhum.

Quando ela declarou que era solteira, daquela maneira tão tranquila e natural, senti como se alguém houvesse enfiado uma faca no meu peito. Olhei em seus olhos, rezando para receber um sinal, por menor que fosse, de que ela havia me reconhecido. Ela retornou o olhar, me encarando como se eu fosse um estranho. Até aquele ponto, eu tinha esperança de que Jade, de alguma maneira, soubesse que eu era seu namorado. Afinal de contas, eu estivera ao seu lado em quase todos os momentos em que ela estivera desperta, desde o acidente. Ela me reconhecia quando eu entrava pela porta do quarto, e respondia quando eu conversava com ela. Mas percebi que ela agia da mesma forma com a equipe médica.

Para ela, eu era apenas mais uma pessoa que a estava ajudando a se recuperar.

Finalmente me dei conta de que ela não fazia a menor ideia de quem eu era. Eu andei para fora do quarto de Jade e, no corredor, comecei a socar a parede. Nem mesmo a dor lancinante que eu sentia na mão, que ainda estava quebrada e presa por uma tala, foi capaz de aliviar a fúria que eu sentia. Por pior que fosse a minha reação, não me deixei dominar por muito tempo. Sentindo-me exausto e derrotado, voltei para o quarto de Jade e fiquei ao lado da cama dela. Ela olhou para mim sem qualquer raiva ou curiosidade. Parecia apenas estar esperando que eu conversasse com ela, como sempre fazia. Eu abri a boca, mas percebi que não tinha nada a dizer. O neurologista de Jade, o Dr. Kevin Obrien, explicou o diagnóstico dela da maneira mais otimista que conseguiu. Ele me disse que o acidente havia causado dois tipos de amnésia.

A primeira, a amnésia pós-traumática, uma desorientação temporária em relação ao lugar onde ela estava e o que estava acontecendo ao seu redor. Para Jade, esse tipo de amnésia já estava começando a desaparecer, e logo sumiria completamente.

O segundo tipo de amnésia era mais preocupante, pelo menos para mim. Jade também estava sofrendo de amnésia retrógrada, uma perda permanente das memórias recentes. Nós já sabíamos que ela havia recuperado a memória em relação a pessoas e eventos do passado distante. Ela se lembrava de seus pais. Também se lembrava da Cat (pois a conhecia desde criança). Ela lembrava-se até mesmo de seu ex-namorado, Todd, o que não me trouxe grande alegria. Mas ela não conseguia lembrar-se de nada do que havia acontecido nos últimos anos e meio. E o que havia acontecido durante aqueles meses? Eu e ela havíamos nos conhecido, namorado, terminado, e voltado a namorar novamente, fizemos tantas coisas e ela não se lembrava de nada daquilo. Ela nem sequer se lembrava do acidente.

No decorrer dos dias seguintes pensei no futuro, ou melhor no Nosso Futuro. Desde que eu havia visto os paramédicos trabalhando em Jade enquanto ela ainda estava presa de cabeça para baixo dentro do nosso carro, toda a minha existência estava focada em trazê-la de volta. Mas, com aquilo, eu presumia que estaria acrescentando coisas novas ao passado que havíamos compartilhado. De repente, o passado havia desaparecido. Agora eu não fazia a menor ideia sobre quando a memória dela retornaria, se é que ela chegaria a retornar.

A cada noite que passava em claro, pensando sobre como iria me adaptar a essa nova vida, eu tinha sensações diferentes a cada minuto. Medo, raiva e confusão se alternavam. Todos os tipos de perguntas corriam pela minha mente: “Como será a vida daqui para frente? Que tipo de pessoa Jade virá a ser? Ela sempre será diferente? Aquela Jade com que eu me apaixonara e amara ainda está lá dentro, ou desapareceu para sempre? Quando saberemos que a recuperação está concluída? Quando ela vai melhorar o suficiente a ponto de receber alta?”

Era tudo em que eu conseguia pensar. Não conseguia dormir, não conseguia relaxar e não conseguia me livrar de todo aquele estresse. Embora Jade ainda tivesse uma chance de recuperar uma parte da memória perdida, os médicos disseram que havia algumas coisas das quais ela nunca conseguiria se lembrar. A pergunta mais angustiante era:

“Será que eu seria uma dessas coisas?” Eu rapidamente afastei aquele pensamento. Não conseguia pensar na possibilidade de que a minha Jade não voltasse a se lembrar de mim.

Notas finais
isso foi meio triste pro Beck néh rs o que acharam dos 2 capítulos hmmmmm.... preciso realmente saber e aos leitores fantasma espero que tenham gostado também rsrs :) até quinta amoras bjs.