Forever

9 Prosseguindo parte 2


Notas iniciais
Continuação...

Jade avançou pelo Ano Novo com progressos visíveis e consistentes. Nós percebíamos progressos firmes a cada semana. Suas flutuações de humor ainda eram fortes e imprevisíveis e ela reclamava regularmente da pressão que Scott exercia para que ela tivesse o melhor resultado possível nas sessões de fisioterapia. Mesmo assim, ela estava mais forte e mais independente a cada dia e havia começado a sair para fazer algumas caminhadas curtas com membros da equipe médica pelo bairro ao redor do hospital Barrow. Ela adorava poder andar ao ar livre, especialmente quando podia ir até o Shopping Center que ficava nas proximidades. Uma lesão quase fatal no cérebro não havia afetado seu amor por um bom par de sapatos em oferta.

É incomum para um namorado dizer isso, mas eu estava realmente feliz em relação ao desejo que a Jade sentia de poder fazer compras, pelo menos durante o tempo que passou no centro de reabilitação! Por causa da proximidade do Shopping Center, Jade pressionava a equipe para que a levassem para caminhar com mais frequência, o que provavelmente acelerou positivamente sua recuperação. Entretanto, como ainda estava internada, ela não podia deixar a área do hospital desacompanhada. Todos os pacientes da ala onde ela estava usavam braceletes de segurança, e todas as portas eram ladeadas por um pequeno teclado numérico instalado na parede. Sempre que um paciente se aproximava de uma dessas portas, ele tinha que parar e esperar até que algum funcionário digitasse o código. Se qualquer pessoa que estivesse usando um bracelete passasse pela porta sem que alguém digitasse o código correto, um alarme soaria.

Eu estava andando junto com Jade e uma enfermeira pelo corredor, nós todos paramos em frente à porta para que a enfermeira pudesse digitar o código. Entretanto, antes que ela pudesse alcançar o teclado, Jade estendeu a mão e digitou os números. Ela havia aprendido o código ao observar as enfermeiras. Como consequência, tiveram que mudar o código de segurança para toda aquela ala. Embora fosse um aborrecimento, ninguém se zangou com Jade, porque aquilo revelava o progresso que ela estava fazendo. Era mais um sinal encorajador de sua recuperação. Procurei por sinais da velha Jade por toda parte, e eu sabia que, se pudesse ajudá-la a aceitar e cumprir o programa de reabilitação com toda a sua energia, eu a teria de volta. Eu não podia ajudá-la como namorado, mas pensei que talvez conseguisse alcançá-la como treinador esportivo. Assim, troquei uma identidade pela outra, vindo até as suas sessões de terapia com Scott e pressionando os dois para se esforçarem mais. Agi como se fosse um Personal Trainer. Se Scott lhe dissesse para fazer dez abdominais, eu pedia vinte. Se ele queria que ela caminhasse durante cinco minutos na esteira, eu a fazia andar dez. Como eu já esperava, Jade não ficou muito feliz com a nova função que eu assumi. Uma ou duas semanas após o Ano Novo, Jade e eu estávamos jogando uma partida de beisebol, adaptada às condições dela, com uma bola perfurada e um bastão de plástico leve. Eu lhe lançava a bola com um movimento fácil, com uma trajetória previsível, mas ela não conseguia acertá-la com o bastão.

— Vamos lá, Jade. — Eu pressionava. — Eu sei que você consegue acertá-la. Vamos tentar de novo.

— Estou cansada. — Ela respondeu, com uma careta. De repente, eu percebia como Jade devia ter sido quando tinha seis anos de idade.

— Vamos fazer mais algumas vezes. — Eu disse, encorajando-a.

— Não quero.

Lá estava a garotinha novamente.

— Por favor, vamos? — Eu disse, lançando-lhe a bola mais uma vez. Apertando os lábios, ela deu uma forte rebatida, e finalmente acertou a bola.

Nós dois observamos a trajetória que a bola descreveu ao passar por cima da rede de voleibol que estava nas proximidades.

— É isso aí, Jade! Parabéns!

— Você é malvado!

— Não sou malvado. — Eu respondi. — Estou apenas tentando ajudar.

Pela milésima vez, procurei pela mulher por quem havia me apaixonado de forma tão incrível. Eu sabia que ela estava ali, naquele corpo que se recuperava lentamente, lutando para conseguir sair. Ela tinha que estar ali. Eu não queria pensar em outra alternativa.

As sessões diárias de terapia se tornaram um desafio para Jade. Não que elas fossem fisicamente difíceis. Ela simplesmente se sentia entediada e distraída durante a maior parte do tempo. A única razão pela qual ela participava da terapia era porque as pessoas insistiam para que ela cumprisse com o programa, não porque realmente quisesse melhorar.

Mesmo que uma sessão estivesse progredindo bem, ela, às vezes, parava repentinamente e dizia:

— Estou cansada. Quero me sentar.

— Vamos repetir esse exercício mais algumas vezes. — Eu dizia, sem ceder à pressão dela.

— Eu não quero! Pare de mandar em mim! Você não joga limpo!

Às vezes ela estava trabalhando com exercícios de movimento e coordenação na piscina, para logo em seguida parar com os exercícios e anunciar:

— Estou indo para a banheira quente.

Se eu fosse o responsável pela terapia de Jade, nunca permitiria a ela que chegasse perto de uma banheira quente. É desnecessário dizer que eu estava apostando muito na estratégia do “amor exigente”. Nossos amigos e a equipe médica de Barrow eram um pouco mais compreensivos. Eles faziam o que podiam para equilibrar as exigências que Jade fazia com aquilo que sabiam de que ela precisava. Mas Jade não tinha o menor pudor em tentar manipular as pessoas.

Uma das poucas coisas que Jade realmente gostava era da comida, e o alimento preferido dela era torta de chocolate ( pois ela não podia tomar seu adorável café). Nós usávamos essa informação como um incentivo para que ela fizesse as coisas que não queria fazer, porque, geralmente, era possível suborná-la com um pedaço de torta gelada. De qualquer forma, ela não estava autorizada a manipular os sentimentos de culpa das pessoas que, ela imaginava, pudessem resistir aos seus encantos e fazê-las trazer a torta quando ela não o merecia. Ela não tinha sucesso quando tentava usar estratégias.

Eu não consegui estabelecer mais do que uma amizade casual com a Jade, independentemente do que eu fizesse ou do quanto me esforçasse. Quando tentava jogar vôlei com ela, ela desistia no meio do jogo. Quando saíamos para correr juntos, seus comentários e queixas tornavam-se cada vez mais agressivos e pessoais. Eu não sabia o que esperar no dia seguinte. Em um minuto, ela era amigável, carinhosa e sorridente.( O que me fazia lembrar da Cat) Em seguida, em um instante, se eu dissesse alguma coisa de que ela não gostasse, ela olhava para mim e gritava:

— Me deixe em paz! Eu nem sei quem você é!

Certa tarde, ainda magoado depois de uma resposta cortante que Jade havia me dado naquele dia, entrei na sala de fisioterapia e a encontrei deitada de bruços sobre o carpete, com a cabeça levantada e o queixo apoiado sobre as mãos, movendo os pés alternadamente para cima e para baixo. Ela estava tranquila e pensativa.

— No que está pensando, Jade?

Ela virou o rosto na minha direção, ainda com o queixo apoiado sobre as mãos, e depois desviou o olhar. Em seguida, balançou a cabeça negativamente.

— A vida é tão confusa. — Ela disse, lentamente. Depois, voltou a olhar para mim enquanto perguntava:

— estamos realmente juntos? tipo somos namorados ?

— Somos namorados realmente, Jade, e Eu amo você.

O silêncio seguiu mais um aceno negativo de cabeça.

Seria aquela a nossa nova realidade? Eu poderia muito bem estar esperando por algum tipo de recuperação ou reconciliação que nunca chegaria a acontecer. Ao sair da sala, eu pensei:

“Será que este é o fim? Talvez a situação não consiga ficar melhor do que isso”.

Pela primeira vez eu me permiti, verdadeiramente, considerar o fato de que a minha Jade nunca mais voltaria a ser a pessoa que era antes do acidente, a pessoa por quem eu me apaixonara. Muito possivelmente, a Jade com que eu namorara não existia mais.

Nós sabíamos que a recuperação mental de Jade poderia chegar ao fim a qualquer momento. “E se isso acontecer antes que ela se lembre de mim?”, era o que eu pensava comigo mesmo, várias e várias vezes, sem parar.

De certo modo, a ideia de que a Jade nunca voltaria a se lembrar de mim e nunca voltaria a ser como era antes era mais difícil de lidar do que com a morte. Se Jade tivesse morrido no acidente, nossa vida a dois teria chegado ao seu final de forma clara. Eu sentia que poderia haver lidado com aquela situação porque eu entendia o que a morte representava. Em vez disso, o que eu tinha nas mãos era algo completamente desconhecido para mim: a vida em um mundo distante e nebuloso no âmbito emocional, e interpessoal, no qual Jade ainda estava ao meu lado, mas, ao mesmo tempo, não estava.

Por vezes, imaginava o que teria acontecido com as nossas vidas caso aquele acidente nunca tivesse acontecido. Eu pensava e sofria por todos os sonhos e desejos que, agora, poderíamos nunca mais ver realizados. Mas também me dei conta de que tínhamos uma chance de construir um novo futuro juntos. Minha Jade ainda estava comigo. Ela ainda poderia ter uma vida. Nós poderíamos ter uma vida. Mas eu tinha que aceitar o fato de que não seria a vida pela qual eu ansiava. Por mais difícil que fosse, eu sabia que havia algum propósito nisso que eu não conseguia identificar.

Quando Jade completou seu primeiro mês em Barrow, os médicos começaram a nos dizer que ela logo poderia receber alta para viver com sua vida e continuar a terapia em regime de ambulatório.

Jade ficou muito feliz com a notícia, tanto pelo fato de que poderia passar mais tempo com a seus amigos e família, quanto por saber que passaria menos tempo em contato com seu fisioterapeuta, que ela ainda pensava estar pressionando-a demais.

Sete semanas depois do acidente, Jade voltou para a casa. Aparentemente, ela gostava de ter coisas familiares por perto: seus almanaques com as fotos dos colegas da escola, álbuns de fotografias, scrapbooks, os móveis que encheram sua casa quando criança e pequenos objetos que lhe faziam lembrar da infância. Cat ficava na maioria das vezes com Jade.

Eu e Ela lhe mostramos algumas fotos preliminares de quando eu e Jade estávamos juntos. Estávamos sentados lado a lado no sofá enquanto Jade observava as fotos. Ela se reconheceu em todas as fotografias, mas aquilo foi tudo. Ela ainda não tinha qualquer conexão emocional comigo... Nem qualquer vontade de criar uma. Assim, a montanha russa emocional continuou seu percurso. Um dia eu estaria transbordando de alegria porque Jade havia conseguido percorrer uma distância, na esteira, maior do que nos dias anteriores, ou quando lia alguma coisa que não conseguira ler no dia anterior. No dia seguinte eu voltava a cair no abismo do desespero, porque ela havia me insultado mais uma vez por pressioná-la na terapia ou porque outros objetos que ela deveria reconhecer, uma foto, um nome, uma carta, um objeto guardado como souvenir, não conseguiam lhe trazer qualquer lembrança de nossa vida a dois.

Quando Jade voltou para a casa, eu não ia a escola há 3 meses. ( As aulas já haviam começado pois já era Fevereiro). A escola era a última coisa na qual eu pensava. Noite e dia, tudo que eu conseguia pensar era em como conseguiria ajudar Jade a melhorar. Meus pais no entanto, estavam convencidos de que a melhor coisa que eu poderia fazer naquele momento era voltar à minha vida normal. Eles sugeriram que eu voltasse para meu RV, voltasse a estudar e que a minha prioridade fosse restaurar um pouco de normalidade à minha vida. No começo fui totalmente contra a ideia de abandonar Jade . Porém, quanto mais eu conversava sobre o assunto com os nossos pais, mais eu concordava que aquilo era a coisa certa a fazer, tanto para Jade quanto para mim.

O principal fator motivador, por trás do meu retorno a escola, era que eu precisava estar em um lugar onde a vida fosse mais previsível, uma situação onde eu pudesse exercer maior controle.

Jade estava com sua tia,(pois seus pais estavam ocupados demais com trabalho e viagens para ficar com Jade),que era uma pessoa de quem ela se lembrava e amava, e ela cuidaria muito bem dela. Ela não precisava que eu estivesse 24 horas por dia ao seu lado. Havia chegado a hora de eu voltar para casa.

6 de Fevereiro seria o dia em que eu estaria oficialmente de volta a H.A, mas fui rapidamente até lá alguns dias antes para preparar o meu retorno. Enquanto estava lá, tentei não chamar muito a atenção, pois seria uma visita curta. Eu logo estaria de volta definitivamente e poderia ver e conversar com todos.

Notas finais
Eu simplesmente amo essa gif espero que tenham gostado... até janeiro amores não esqueçam de comentar Boa festas! Feliz Natal e Ano novo também beijos.