Forccinari
3 O Mago
– Esta carta, meu neto, representa um adolescente com um lindo caminho a percorrer, é chegada a hora de iniciar sua estrada espiritual, você é um abençoado pelos Xamãs como eu, você é um bruxo. – Neste momento uma lagrima reluzente escorria pelo rosto enrugado da senhora, e seus olhos verdes cintilavam a pouca luz do ambiente.
– Um bruxo?! Isso não pode ser real, isso não existe
– Existe assim como a sua pele em teu corpo, esta em tudo, meu neto, é parte essencial do teu ser. – Após dizer isso, Thâmara fez um repentino movimento com a mão repleta de anéis e pulseiras, e um vulto azul brilhante surgiu de seus dedos, tinha o formato de uma águia, voava parada em um mesmo lugar e batia as asas graciosamente.
– A sua alma é como uma águia, ela tudo vê e tudo alcança, mora no pico do teu ser e a todo o momento esta a espreitar o seu redor, é hora de se fazer voar meu neto, bata suas asas, a magia é o teu ser. – E com uma baforada do charuto que fumava por cima do vulto, ele desapareceu junto à fumaça. – Você recebeu a carta? Creio que sim, junte suas coisas, vou te levar as compras.
– Mas...
– Apenas faça
– Okay
E assim seguiram para uma vila indígena muito próxima, com várias lojas e diversas pessoas de todos os tipos, saíram de lá com vários cálices, caldeirões, pedras, bastões, roupas, uma aranha e uma varinha feita de pinheiro e pele de lobo.
– Amanha é seu primeiro dia é preciso que descanse, eu falo com sua mãe. – Disse Thâmara chegando a casa.
– Tudo bem, vovó
Thâmara deu um beijo na testa do dedo, respirou fundo e foi para a sala junto a Fernanda.
– Aconteceu, não foi? – Indagou a filha
– Sim, você tem que deixá-lo ir... — Argumentou Thâmara
– Ele vai – Interrompeu – Permaneceu em silencio e continuou: — Não quero que as pessoas saibam que mais um de vocês, serventes do diabo, continuem na minha casa, você até fica, pois tenho fé de que queimará no inferno em breve, mas ele vai.
– Você ainda se arrependerá de suas palavras, minha filha – Disse Thâmara enquanto se retirava.
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