Forasteiros? Não se o mundo for meu!

1 Capítulo 1 - Perdidos ou Mortos?


São duas horas da madrugada e está escuro, pelo menos é o que o meu relógio diz, mas ele dizia a mesma coisa há uma hora e a duas antes disso, há dias ele marca a mesma hora… Ou seriam semanas? A muito perdi a noção de tempo, é difícil contar os dias quando não se tem dia e noite, não há sol onde estamos agora, apenas essa semi escuridão sem fim.

Não que saber a quantos dias estamos aqui vá ajudar em alguma coisa, perdi a esperança de um resgate já no primeiro dia, esse não é um lugar normal…

Há coisas aqui dentro, e elas nos caçam, nos ferem, querem nos matar, cheguei a pensar que tínhamos morrido e fomos todos pro inferno ou algo do tipo, aqui é frio demais pra ser o inferno, e tirando os ataques diários (Nem sei que horas são e falo em ataques diários.), é uma monotonia, um numero gigantesco de corredores, todos parecidos, muitas portas, todas iguais, e sempre um monte de entulho dentro delas, esse lugar é antigo, misterioso, tem uma espécie de luz azulada no corredor que ilumina apenas o suficiente pra fazer tudo ficar parecendo o mesmo, nada muda. Minto, nós mudamos, não há mais os berros e o choro do primeiro dia, nem hesitação, endurecemos, gosto de pensar que o frio desses corredores congelaram nossos sentimentos e quem sabe quando sairmos daqui eles descongelem, pensamento bobo eu sei, há também os ferimentos, há sempre ferimentos novos, ontem o Marc perdeu um pedaço do braço, uma daquelas coisas arrancou na base da mordida, em troca, esmagou ela contra a parede e arrancou fora à cabeça de cima do corpo dela, eu digo que foi uma boa troca.

—Ei Marc, como vai aquela mordia?

—Já esta cicatrizando… Ainda me pergunto como nossos ferimentos se curam tão rápido.

—Também gostaria de saber.

—É isso que vocês gostariam de saber? Pois eu digo que estamos num maldito de um pesadelo coletivo pós apocalíptico onde vamos ficar presos até nossos corpos despertarem de um coma provocado pelas nossas quedas naquela maldita caverna.

—Bom dia pra você também Mariah

—Ou boa noite ou tarde pra você Dean. Aqui, pedaço de borracha e gosma quase liquida pra vocês dois.

—Obrigado

—Valeu Mari.

Ela da um tapinha carinhoso no ombro de Marc e vai entregar as poções dos outros.

—Boa garota – diz Marc olhando pra Mariah, ele está sempre olhando pra ela. Talvez eu esteja errado sobre o congelamento.

—Eu sei, já falou com ela?

—Sobre o que? – Ele ainda esta olhando pra ela, nem percebeu a pergunta. Ou talvez seja o cérebro dele que tenha congelado.

—Nada. Melhor comermos.

Só agora ele olha pra comida.

—Acha que ela tem razão Dean?

—Sobre o coma?

—É

—Desde que esse pesadelo acabe logo, eu espero que sim Marc, eu espero que sim.

—É… Eu também.

Termino de comer e deixo Marc com seus pensamentos, preciso me mexer, estamos a algum tempo nesse salão, tem quatro acessos um em cada canto da sala, os portais parecem idênticos, mas não custa da uma olhada, vai me manter ocupado.

—Ei cuidado onde pisa!

Paro onde estou, essa escuridão dificulta a caminhada, não foram poucas as vezes que tropecei em algo, aprendi a ouvir os avisos, ajudam a manter minhas unhas nos lugares, ou como nesse caso, a evitar ter algumas estacas de seja-la-que-metal-é-esse alojadas nos pés.

—Obrigado Cris.

Ela da um pequeno aceno de cabeça, cabelos castanhos, lábios carnudos, olhos avelã, corpo escultural, a nossa jogadora central do time de handebol da faculdade, gênio forte, decidida, independente, corajosa, foi a primeira a parar de correr agarrar uma barra de ferro e enfiar nas fusas de uma daquelas criaturas que nos atacam… Acho, que tenho uma queda por ela.

—Indo dar uma olhada nos portais?

—Sim, estamos aqui há algum tempo já e …

—Você não consegue ficar parado.

Sou obrigado a sorrir, ela me conhece bem.

—Isso.

—Vou com você

Não foi um pedido, aceno concordando

—Vamos

Seguimos para o portal da esquerda superior, tem um monte de entulhos ali, quero dar uma olhada, Cris caminha ao meu lado.

—Foi você que pediu pro Kevin fazer aqueles trecos barulhentos?

—Foi, ele terminou?

—Parece que não. Pra que serve aquelas coisas?

—Pra fazer barulho. – Respondo sério. Recebo um soco no ombro como resposta

—Cretino. – Se faz de braba, mais n consegue evitar mostrar um sorriso. Adoro esse sorriso.

—ok ok, é pra espalhar nos corredores quando tivermos que descansar.

—Tipo um alarme pra caso aquelas coisinhas nojentas venham?

—Isso.

—Mas já colocamos vigias nesses casos…

—Eu sei, mas é melhor…

—Prevenir que remediar. É uma boa ideia.

—Foi ideia da pequena.

Ela levanta uma sobrancelha. – É mesmo?

Cris não confia na pequena, e não faz questão de esconder isso, não a culpo, eu mesmo não tive a melhor das reações quando conheci a pequena, só de me lembrar sinto um frio na espinha.

—Sei que não gosta dela Cris, mais ela tem ajudado muito.

—Se você diz …

Melhor deixar por isso mesmo, já tivemos essa conversa antes, nunca consegui convencê-la, não vejo por que seria diferente agora. Não é todo mundo que iria se dar bem com a pequena, afinal ela é um – Dean…

—Uhm?- Me viro pra Cris. Olhos apertados, expressão seria, sinal de problemas, um sinal mínimo de cabeça manda eu olhar pra frente.

—Ali, próximo aos destroços da sala…. – a voz sai em um sussurro.

Olho na direção indicada, só vejo uma montanha de destroços retorcidos, cadeiras, mesas, são distinguíveis de onde estamos, ainda tem uma infinidade de objetos menores ou quebrados espalhados por perto, algumas carcaças e ossos jogadas ali e acolá.. ossos?

Prendo a respiração

Um vulto que eu não tinha visto repousa calmamente na base dos destroços, sem iluminação consigo ver apenas os contornos que lembram um felino, um felino muito grande, muito, muito grande, grande mesmo… acho que deu pra entender.

Olho pra Cris, ela retribui o olhar e nele vejo medo, curiosidade e a porcaria de uma pergunta. – O que diabos vamos fazer? – Minha vontade é dar meia volta e sair correndo, a porcaria daquele vulto tem uns cinco metros.

Dou mais alguns passos pra frente, silencioso, bem silencioso, Sinto Cris segurando minha blusa, olho pra ela pensando se ela queria dizer algo, ela por outro lado está completamente vidrada no vulto, sigo em frente. A medida que vamos nos aproximando o vulto começa tomar forma e cores e … chifres? Estanco no lugar. A criatura a minha frente tem chifres na cabeça apontando pro alto como os de um grande touro, e ao lado do rosto outro par que se fecham como duas pinças a frente, da boca, completamente machada de sangue em volta, são visíveis vários dentes pontiagudos em diferentes ângulos, das costas saem espinhos e a calda é cheia de escamas e o cheiro… o fedor… Morte. Há ossos por todos os lados, parecem ser dos outros seres desse labirinto infernal. O corpo da criatura está no centro de uma grande poça de um liquido amarelado, e não vejo nenhum sinal de respiração.

—Acho que está morta. Vou chegar mais perto.

Sinto Cris me puxando – N-não acho uma boa idéia Dean…

—Está morta Cris, não tem perigo—

—DEAN, CRI-

Dou um salto, meu coração dispara, minhas mãos suam, minhas pernas tremem e quando eu olho pra trás e vejo Kevin vindo, tenho vontade de matá-lo. Então sinto o vento se mexendo. E um fedor atinge meu nariz e minha mente fica em branco, meus ouvidos ficam zunindo com um estonteante berro monstruoso, meu peito vibra com a força desse berro e meu coração parece parar… Percebo que Kevin e Cris falam algo, porém não entendo mais nada, me viro e vejo dois olhos vermelho vivo me encarando a uns três metros de altura, na minha mente apenas uma palavra.

— *$#$%…

Notas finais
Primeiro capítulo de aventura em construção, espero que gostem, caso tenha aceitação pretendo postar quinzenalmente, próximos capítulos com media de 2000 palavras.