Mais um dia chato na minha vida chata no pior orfanato de todos. Nem ao menos eu sei como vim parar aqui! Srta. Lucie, minha tutora, me disse que me colocaram na porta do orfanato em uma cesta com um bilhete que só dizia meu nome: Bella Mason.

Ela é a única pessoa que eu conheço direito por aqui e a única que conversa comigo. Todos os outros têm medo de mim e eu nem sei por quê! Me culpam por tudo que acontece ainda por cima. O galão de água estourou? Foi a Bella. O sofá pegou fogo? Foi a Bella!

Como eu seria capaz de fazer isso tudo sem encostar um dedo em nada? Eles simplesmente me nomearam a estranha no orfanato. Idiotas.

− O que você está fazendo? – Mia, uma garota quieta com quem ninguém falava me perguntou.

− Nada Mia. – escondi minha mochila debaixo da cama.

− Você não vai fugir não é?

− Não! De onde você tirou isso? Volte a dormir Mia.

É claro que eu vou fugir! Há alguns dias, eu achei um buraco na parede que dava para o lado de fora do orfanato. Provavelmente alguém foi esperto o bastante para quebrar a parede e dar o fora, mas todos aqui são preguiçosos demais e só colocaram uma cômoda na frente e um arbusto tampando o outro lado. Uma folha do meu caderno caiu atrás da cômoda, eu empurrei e achei o meu caminho para a liberdade.

Quando Mia voltou a dormir, eu terminei de por as minhas coisas na mochila e a coloquei nas minhas costas. Fui até a cômoda e a empurrei (ainda bem que o piso é de carpete), sai pelo buraco e coloquei a cômoda no lugar, graças a um gancho que eu coloquei na parte de trás da cômoda.

Ainda eram seis e meia, o sol estava começando a nascer.

Fui caminhando até o pequeno parque, lá era como meu pequeno esconderijo. Algumas vezes o orfanato organizava algumas excursões no parque que fica aqui perto, então eu ia até o gramado da pequena casa e guardava um pouco de dinheiro que eu conseguia por ai.

Por que eu não fugi em uma dessas excursões? O pessoal do orfanato colocava uniformes em cada um de nós e pedia para os guardas do parque vigiarem para que nenhum de nós fugisse. Além disso, nós podíamos fazer qualquer coisa no parque. Então toda vez que nós íamos eu arrumava alguma coisa pra fazer lá e ganhar um dinheiro.

Caminhei até o local onde estava enterrada minha caixa com dinheiro, a desenterrei e guardei na minha mochila. Agora sim eu podia fazer o que quiser. Fui caminhando até uma lanchonete perto do parque para comer alguma coisa e percebi que dois caras de terno preto estavam me seguindo. Eu apertei o passo, mas parece que ¹Kevin e James perceberam e começaram a andar mais rápido. Entrei em uma confeitaria e sai pela porta dos fundos correndo quando alguém me puxou para um beco.

− Shhh! – um garoto tapou minha boca antes de eu gritar.

Ele tinha cabelos negros e lindos olhos azuis elétricos.

− Onde ela foi? – ouvi um deles falando, Kevin ou James?

− Não sei. Vamos continuar procurando. – o outro respondeu.

Eles se afastaram e o garoto tirou a mão da minha boca.

− O que esta acontecendo e quem é você? – perguntei totalmente confusa.

− Meu nome é Wren e aqueles caras lá são agentes do governo, você devia ter mais cuidado.

− Cuidado com o que? – perguntei – Eles pensam que eu sou um alienígena?

− O que? – ele riu quando entendeu o que eu queria dizer – Não! Eu quis dizer para evitar eles, você não quer que eles te peguem não é?

− Tá bom. É o seguinte olhos azuis, eu não tenho a mínima ideia do que você ta falando. – respondi confusa.

− Você não sabe? – seus olhos transbordavam espanto.

− Saber o que? Olha, se você não se importa, eu vou indo.

Dei meia volta, mas ele me segurou pelo braço.

− Ei! Me solta!

− Você não pode ir, os a gentes do governo estão por perto.

− Qual é o seu problema? O que eles querem comigo?

− Bella, você nunca reparou em coisas estranhas acontecendo a sua volta?

− O que? – Como você sabe?, era o que Bella realmente queria perguntar.

− Aqueles caras estão de olho em você desde o acidente no parque.

− Como você sabe do acidente? – Bella perguntou espantada.

Há mais ou menos uns dois meses atrás, estávamos em um passeio pelo parque quando Sandy McCurdy começou a me xingar e me bater e do nada um buraco de mais ou menos um metro se abriu no chão e ela caiu lá. Ninguém soube dizer como isso aconteceu.

− Eu estava passando e vi você fazendo aquilo. – ele disse.

− Eu não fiz nada! Por que você acha que eu ia conseguir abrir um buraco na terra do nada?!

− Por causa do seu dom. – ele disse como se fosse para eu responder “Ah tá! Agora está tudo explicado!”.

− Chega, eu vou embora, seu louco.

Quando eu comecei a me afastar, um dos caras de preto usou um taser no meu braço e eu cai. Me virei tentando me levantar e vi Wren se aproximando com um brilho azul saindo de suas mãos, ele as levantou em direção ao homem e ele ficou preso em gelo.

A última coisa que vi antes de desmaiar foi o olhar preocupado no rosto de Wren.

Acordei em um quarto deitada em uma cama macia e Wren estava sentado ao meu lado.

– Onde eu estou? – perguntei.

– Na fortaleza. – ele respondeu.

– Na o que?!

– A fortaleza é um lugar para pessoas... Especiais.

– Um hospício com um nome bonitinho. Que ótimo.

Wren me lançou um olhar sério.

– Ainda não caiu a ficha pra você?

– Eu não tenho a mínima ideia sobre o que você está falando.

– Você é diferente dos outros porque você sabe fazer coisas que eles não sabem. E você tem medo de admitir para si mesma isso.

Eu fiquei assustada, pois podia ver a frustração e, principalmente, a raiva em seus olhos.

– Wren, por favor, se acalme. – uma garota, de pele morena e espessos cabelos negros cheios de cachos, disse com uma voz calma – Me deixe conversar com ela.

A raiva se esvaiu de seu rosto e ele se levantou.

– Tudo bem. – ele saiu do quarto sem olhar para trás, ou seja, para mim.

A garota fechou a porta e se sentou em uma cadeira perto da cama. Ela me olhou como se estivesse se sentindo do mesmo jeito que eu. Será que eu pareço tão triste assim?

– Eu estou refletindo suas emoções, como um espelho. Então, no momento, você está assim. – ela disse.

Levei um pequeno susto. Eu perguntei isso em voz alta?

– Meu nome é Marissa. – ela sorriu – E, embora você não acredite, eu consigo ler suas emoções e ver as informações contidas em sua mente.

– Olha, eu acho que essa brincadeira já está indo longe de mais. Me tire daqui ou eu ligo para a polícia.

– Você está segura aqui Bella. – ela me olhou fixamente com seus olhos dourados, cheios de calma – O que você está tendo é um bloqueio, você se lembra de alguma coisa antes de ir para o orfanato?

– Não. – eu respondi.

– Eu vou tentar uma coisa. – ela estendeu as mãos para mim – Com o seu consentimento, é claro.

Eu respirei fundo e segurei suas mãos.

– Feche seus olhos e esvazie sua mente.

De repente eu senti como se estivesse flutuando, e estava. Em vez do quarto, eu estava parada na sala de estar de uma pequena casa. Na minha frente havia duas crianças, uma com aproximadamente um ano e a outra com dois. A mais nova estava olhando para a televisão, onde estava passando O Mágico de Oz, na parte do furacão. Ela riu e o ar começou a rodopiar em volta dela até ela estar a uns dez centímetros do chão envolta em um pequeno furacão, o que a fez rir mais alto e eu ri também. Uma mulher, de cabelos ruivos e olhos castanhos com uma aparência cansada, apareceu e arregalou os olhos, mas depois sorriu.

– Cuidado Bella.

Eu arregalei meus olhos. Bella? Essa sou eu?

A mulher foi até ela, ou eu, mas parou no caminho e caiu.

– Quem te mandou sair da cama? – um homem de cabelos castanhos e olhos da mesma cor a ajudou a se levantar – Tenha mais cuidado.

A criança mais velha se aproximou preocupada.

– Mamãe?

O homem a olhou com repulsa.

– Isso é tudo culpa dessas crianças, Diana.

– Pare com isso Charles, não é culpa delas! – ela se encolheu e gemeu de dor.

Então eu comecei a flutuar para longe deles.

– Não! – gritei, mas já estava de volta ao quarto.

Olhei para Marissa e senti as lagrimas escorrendo em meu rosto.

– Minha mãe, – minha voz falhou – ela morreu não é?

– Temo que sim Bella. Essa foi a única memória que eu consegui acessar.

– E eu tenho uma irmã. – eu disse, mais para eu mesma do que para Marissa.

– Sim, mas infelizmente não sabemos o nome dela. Aparentemente ela é uma super-humana também, poderia até estar na fortaleza.

– Eu vou ficar. – limpei meu rosto e me levantei da cama.

– Tudo bem. – ela sorriu como se já soubesse da minha decisão – Seus livros e seu horário de aulas estão no armário.

Ela me explicou o sistema de aulas e sobre a Fortaleza, também explicou que como os que passaram a lecionar se mudaram para o outro prédio, muitos quartos ficaram vazios e eu podia ficar com o quarto só para mim.

Fechei a porta do meu novo quarto e abri o armário, peguei meu horário e anotei as aulas opcionais escolhidas. Marissa também disse que eu podia redecorar o quarto e me deu uma pequena lousa e canetas para escrever algo e por na porta. Peguei as canetas e comecei a escrever.

"Quarto da Bella

Entre e eu queimo você =)"

– Perfeito.

Notas finais
(Esqueci de adicionar isso quando postei, peço desculpas.) ¹ Bella faz uma referencia à os agentes de Homens de Preto.