Me acostumei com o pouco, mesmo querendo muito. Ocupei apenas espaço imaginário. A realidade não me deu a chance de ser algo. Depois da longa caminhada para lugar nenhum, um último estertor e pude desaparecer como tanto quis. Desaparecer também foi um incômodo. Não comandamos a nossa vontade. A existência é uma maldição. Pra que todas essas palavras? Elas dão voz e forma ao caos, mas elas não curam, jogam uma coberta no incêndio, que continua queimando lá no fundo. Elucido pensamentos e sentimentos em palavras para não engasgar, mas botar pra fora não está fazendo passar o mal estar.