Abri os olhos no escuro. Abri os olhos na luz que cega. Abri os olhos novamente, mais um suspiro. Olhar sem enxergar ainda. Um sonho dentro do sonho. Um sonho consciente. Tinha que respirar. Estava nascendo depois de morrer. Não poderia acreditar que existia outra vida, mas cai de balão. Eu também era o balão, esvaziando num minuto, enchendo no outro. Um comando primitivo: domais este corpo. Mais um. Era a mesma, era outra. Um apagão em que deixei de ser, voltei a ser eu mesma. Em outro corpo. Outra vida. Depois de toda essa existência miserável vinha outra existência?