For the first time
7 Capítulo 7

Della apertou-se contra Joseph enquanto ele se preparava para ligar a moto. Ele estava de folga, um acontecimento raro!
Fazia um calor agradável, contudo, com a tendência a aumentar e ficar insuportável e aparentemente tedioso. Joseph ligou a moto e rumou para o Central Park.
Era um lugar lindo! Sem qualquer sombra de dúvidas ou questionamentos controversos. O frescor das árvores pendia pelo ambiente e juntamente com o vento fazia todos que ali estavam se esquecerem de que estavam em uma cidade cosmopolita, recheada de pessoas e um voraz mundo de pedra esmagador e louco lá fora do Parque.
Della desceu da moto e escancarou a boca deliciada com o lugar. Era tão lindo... Ela já havia ido lá, claro. No entanto, parecia que aquele lugar estava mais saudável, mais bonito, dono de uma vastidão relaxante, contrastante com amuralha de pedra que rugia a alguns metros lá fora. Lembrava um pouco da Irlanda. O doce contanto com um ambiente puro, natural... A despreocupação...
_ É meio impossível pensar que esse lugar lindo fica dentro de Manhattan. É meio... Estranho.
_ É, se você tiver a ideia de que isto é impossível. – Joseph disse de ombros, observando-a.
Ela se virou para ele e sorriu. Sorriu larga e sinceramente. Em tudo eram contrários: pensamentos, opiniões, culturas. Igualmente unidos pela paixão, era isso que provocava Della. Mesmo que timidamente ela sempre queria ouvir o que ele tinha a dizer, fosse errado ou fosse certo, era ele quem ela queria ouvir. Sua voz. Assim como ele também...
O ritmo do seu coração alterou-se, movimentando tudo dentro de si de uma maneira inexplicável. Ele cruzou os braços para tentar conter o manifesto de seu âmago. O que tinha naquela mulher que mexia tanto com ele? Porque o intrigava tanto? Ele não conseguia achar a resposta, mas alegrava-se em tentar descobrir as respostas a cada dia.
Ela tirou a câmera da bolsa e começou a fotografá-lo. Ele abaixou a cabeça.
_ Ah qual é, Joe? Você é tão bonito. – Ela disse fingindo desapontamento.
_ Me deixa tirar fotos de você. – ele estendeu a mão para ela e ela entregou a câmera.
Pelas lentes enxergava uma realidade que para ninguém era possível enxergar e ver. As luzes refletiam m teus olhos e seu rosto. Refletiam na humilde moça em sua frente vestida de maneira simples, mas com um largo sorriso de felicidade. Ele apertou o botão e ali estava o momento registrado. Registrado pela câmera e cravado em seu coração a bela imagem da forasteira que alcançara mais que qualquer autóctone daquele país.
Ele passou a entregou a câmera e ela saiu andando pelo parque em busca de bons momentos cotidianos para fotografar.
A tarde passou de maneira de maneira agradável. Há muito tempo as horas não se passavam de maneira tão prazerosa, espontânea. Era como se o dia durasse uma tarde inteira.
Depois de muito andarem pelo parque – Joseph sempre atrás de Della a passos lentos e ela correndo para lá e para cá fotografando – eles se deitaram na grama e então ele fechou os olhos. Ela se aconchegou em seu peito e suspirou: — Deve ser uma das poucas vezes que me senti tão bem aqui!
_ Quando foi a outra? – Ele perguntou acariciando seus cabelos.
_ Hmmm.. Quando brigamos naquela noite na sua casa e nos desculpamos depois.
_ Eu adoro fazer as pazes na cama.
_ Eu acho que eu também! – Ela riu. Nunca pensou que diria tal coisa a plenos pulmões ainda menos em um parque deitada.
_ Que mulher devassa, essa Irlandesa!!! – Ele brincou e ficou ali alisando seus cabelos, atento a cada detalhe dela e em como ela ria depois.
_ Me diga quando foi que você se sentiu tão bem. – Ela murmurou.
_ Quando cheguei a Manhattan me tornei um universitário maconheiro. Livre de qualquer familiar.
Era isso. Um fato brusco assim, simples assim, mas nem tão simples.
_ Livre de qualquer familiar? Não entendo.
_ É complicado demais.
Ela tocou seu braço e levantou seus olhos para ele pegando-o de surpresa. – Então explica, quem sabe sua complexidade seja diferente da minha? Eu quero ouvir, Joe...
Não era tão fácil, ele sabia que seria rude apenas dizer não, só que não queria entrar naquele assunto e em suas lembranças que ele tanto lutara para impedir de vir a tona todos os dias.
_ Minha família é complicada. Pronto. – Ele respondeu de forma um tanto contida.
_ Por quê?
_ Eles são uns brutos, Della. Vamos mudar de assunto. – Ele pediu impaciente. Não queria pensar em ninguém de sua família.
Ela sentou-se e ficou encarando-o. Suspirou e insistiu. – Mas se você não me contar como posso fazer parte desta família?
Ele passou a mão nos cabelos. – Vera é minha família, ok? Você será minha família e então será o bastante. Ninguém mais. – A resposta dele fora como um sopro gelado, sutilmente chega e de repente congela e de sua maneira machuca. Ele olhou para longe.
Della ficara ali, imóvel, deixando que cada palavra fizesse sentido ou processasse em sua mente. ‘’ Você será minha família e então será o bastante. Ninguém mais.’’ Que coisa brutal para se dizer, até mesmo de brincadeira. Como assim, ninguém mais?
_ Ninguém mais? Que rude! – ela murmurou ainda descrente, vendo em como soava as palavras em sua boca. Até mesmo em vão era bem brutal para ela.
_ Exatamente. Eu não quero ter a responsabilidade de ter mais ninguém. Porque se eu não for o suficiente eu deixarei uma lacuna, um vazio, eu serei alguém inútil. Minha vida já inútil o suficiente para carregar isso em minhas costas.
_ É injusto pensar de tal forma. Quero dizer, não precisa ser comigo, mas imagina se você algum dia se casar e esta pessoa quiser ter filhos. – Ela parecia incomodada.
_ Della. – Ele olhou para os seus olhos de forma penetrante e deixou as palavras saírem por sua boca — Eu sou bem machucado por causa de família. Me recuso a pensar nisso, por enquanto. Isso te incomoda?
_ Bastante! – Ela virou o rosto bruscamente.
_ Della, eu sou bem novo, é como penso agora. Mas eu me casaria com você, a maneira como me faz bem, a forma como gosto de você. Você é minha família e por enquanto me basta.
_ Assim você até me faz repensar morar com você... –ela murmurou. Ele levantou o rosto dela
_ Você não precisa repensar em nada. Eu não abro mão de ter você lá em casa, já não faz sentido você ir morar e outro lugar porque eu iria atrás de você. Eu amo você.
Era a primeira vez que ele dizia que a amava de maneira tão profunda e sincera. Mesmo da forma rude dele, ainda era verdade! Ele a amava. Della mordeu os lábios e assentiu.
_ Além de eu não ter lugar para ir... Eu também amo você, Joe. De verdade.
Ele suspirou, aliviado. Era tão bom ouvir isso, saber que existia reciprocidade. – Não sabe o quanto fico feliz em saber disso, anjo.
*
_ Joe acorda! – a cama tremia. – Joe acorda, vamos anjo. Acorda!
_ Oi, Della... – Joe não abriu os olhos, mas respondeu enfiando sua cabeça debaixo da coberta. Era tão cedo, ainda não devia ser hora de acordar. Por Deus o que ela estava fazendo de olhos abertos, e ainda por cima, animada?
_ Joe, eu estou indo trabalhar! É meu primeiro dia e eu estou animada, quero dizer é um emprego de verdade. Vou poder te ajudar nas contas.
_ Vai na fé! Boa sorte!
Ela puxou a coberta e jogou-se em cima dele. Ele abriu os olhos e praguejou. Mesmo assim ela sorriu o encheu de beijos no pescoço.
_ Certo, Jazz! O que foi? Quer que eu te leve?
Ela afundou seus dedos nos cabelos dele e por fim ficou quieta. Ela suspirou e por fim falou. – Toma café comigo. Na minha família sempre que começamos a fazer algo importante todo mundo toma café junto, ou almoça junto ou janta junto.
Ele riu e cruzou os braços. Santo Deus era cada coisa que ela queria.
‘’ Senhor ela está zoando...’’ ele pensou.
Ela ficou ali sentada esperando, serelepe demais para alguém que estava indo trabalhar. Era assustador para ele. Ele olhou bem para ela e a deitou. – Vamos comemorar de outra forma antes, pode ser?
_ Eu acho muito justo!
Ele assentiu sorrindo maliciosamente e passou a mãos pelas coxas dela, apenas começando a comemorar. Apenas começando o dia.
*
Logo uma estação passara-se, juntamente com o tempo em sua valsa dos dias, dos meses. Como sempre deve ser. O inverno se passou. Trouxe o frio e muitas novidades para todos.
Joseph amava Della ainda mais com o passar dos dias, ela era meiga, honesta, respeitava seu espaço e seu tempo mesmo morando juntos. Sabia que ambos tinham desejos próprios. Ele buscava a cada dia o sustento, o dinheiro da casa e das contas, até mesmo de seus vícios. Ainda adorava ficar na sacada da janela fumando por longos minutos, permitindo-se esquecer que havia um mundo lá fora. Observava a rua e as pessoas que passavam. Em sua mente pensamentos aleatórios e preocupações como a incessante busca por algo melhor para sua vida e também para Jazz. Por vezes permitia-se pensar em como estava hoje e em como estava no passado. Diariamente ia em busca de mostrar em como poderia ser mais no seu trabalho medíocre.
Por outro lado, Della dedicava-se a loja para qual trabalhava. Ainda ajudava Vera nas fotos para o site dela e de suas amigas. Dava uma ajuda aqui e ali para ganhar um extra. Por vezes caminhava pelas ruas a procura de novas fotos, passava sempre pelo curso de fotografia e pensava em como seria estar lá dentro como estudante. Logo abaixava a cabeça e ia embora pensando que não podia estar ali, mas também não podia estar em casa, em sua terra. E assim como seu amor por Joseph, crescia também o anseio em tê-lo por inteiro, só que sempre encontrava um barreira — invisível- mas ainda estava lá. Assim como a saudade de casa...
Sempre que podiam estavam juntos! Ele a levava para vários lugares para conhecer e fotografar. A buscava no trabalho ou na casa de Vera, cuidava dela e repetia em seu ouvido todos os dias quando se deitavam '' Minha Menina, eu vou cuidar de você. '' e caiam no sono. Ela sentia um amor esmagador por ele e ele por ela.
Assim como o tempo cresce sentimentos bons, aumenta também — ainda que contra nossa vontade — os sentimentos indesejados e ruins.
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