Notas iniciais
'' I wanna turn the whole thing upside down. I'll find the things they say just can't be found... ''

Joseph estava embriagado com a presença de Jazz. Tudo parecia tão certo quanto o alvorecer e logo o entardecer. Era como se ele não vivesse mais a própria vida, era um impostor em sua própria vida. Era como um certo errado ou um errado certo... De qualquer forma, era muito bom!

As horas passavam arrastadas enquanto ele jantava depois de um dia de trabalho comum. Passara-se dois dias em que ele havia convidado ela para tomar um café, mas ainda podia ouvir a risada, o som de sua voz. Era natural, simples, como o correr de um riacho.

Ele vagava a todo o momento por aquele pouco tempo com ela...

_Você costuma derramar cerveja em todas as pessoas?

Ela riu timidamente e obviamente constrangida com a lembrança.

_ Não.

_ Parecia que você sabia todas as técnicas de tal arte. – Joseph brincava enquanto colocava mel em sua panqueca.

E Jazz, ela apenas se limitava a sorrir e bebericar seu café. Tocava pouco em sua panqueca.

_ Você estuda? – Ele perguntou curioso, de boca cheia.

_Eu faço fotografia! É o que eu mais gosto de fazer na vida, sabia?! Captar momentos cotidianos que tem sua beleza própria, a beleza que você jamais irá reparar se não prestar atenção com o coração e a mente aberta. Eu acho tão maravilhoso! – Ela parecia ter os olhos brilhando, como se a fotografia fosse algo mágico. Tocava os cachos longos colocando uma atrás da orelha, gesticulando um pouco, mas nunca sem deixar se perder. Transparecia educação em cada término de frase. É claro, Joseph ficava admirado cada vez mais enquanto ela falava – E foi por isso que vim para os Estados Unidos.

_Oh! Sabia que não era algo de qualquer estado americano este seu sotaque. De onde você é então?

Jazz sorriu e tomou um grande gole de seu café.

_ Sou irlandesa!

Ele assentiu.

Claro que alguém tão bem articulada e educada não era da área, até seus traços soavam de maneira a indicar que não fosse dali. Ele pensava.

_ E você, é daqui mesmo?

_ Não... – ele brincava com o talher cortando o pequeno pedaço de panqueca que sobrara. Pensativo respondeu – Sou de Denver.

_ A capital do famoso Dean Moriarty, de Jack Kerouac, certo?

‘’ Esta mesma. Esta infeliz cidade que me fez tão infeliz quando mais novo. ’’ Ele pensou consigo com a mente distante, mais precisamente em Denver e na sua infância e adolescência, um momento da sua vida que ele não gostava tanto de pensar. Ou deixar de pensar sem certo desconforto.

A conversa estendeu-se. Mudando de rumos... E até que a tarde parecia longa, como se não houvesse mais ninguém no estabelecimento. Como se aquele pouco tempo que tinham para um café era em verdade uma tarde inteira juntos.

_ Então, como conheceu a Vera?

_ Ela é amiga da Wendy. Ambas são muito prestativas comigo, me ajudam sempre. Eu mal consigo me imaginar neste lugar sem elas. – Ela fez uma pausa – Quando precisei Wendy me deu trabalho. Eu a ajudava em alguns pequenos serviços, também carregava compras, tirava fotos de eventos, até que ela me apresentou Vera e ela me pediu ajuda com as costuras e com a casa, e até mesmo para tirar algumas fotos para o site.

Joseph quase cuspiu todo o café que havia tomado naquele instante. MALDITA Wendy! Como assim Jazz era sua empregada????

Era complicado... Isso poderia dificultar tudo. Droga! Parecia que Wendy nunca sairia de sua vida, nunca.

_Carregava compras para uma patricinha? E olha que ela nem é aleijada. Senhor, estou muito afim de rir! – Ele bufou.

Jazz o encarava incrédula. O que havia de engraçado?

_ Ela não é tão má quanto pensa. É uma garota extremamente prestativa, uma alma boa. – Seu tom de voz elevara-se pela primeira vez. – Perceberia isso se deixasse de ser como todos os caras que só se importam com abrir as pernas das garotas...

A boca dele escancarou.

Merda, merda, merda.

_ Ela não é nenhuma santa assim não.

_ É melhor eu ir para casa. Obrigada, Joseph.

Ele sentiu uma urgência em não deixar que ela partisse assim.

_ Espere. Desculpe. Você deve ter razão, quando a conheci, era exatamente isso, e por isso não fui adiante e nem quis iludir ela. Tenho certeza que ela é uma pessoa boa. Acredito em você.

Joseph saiu de suas lembranças quando o seu celular tocou. Retornou a ligação de Vera e logo depois foi dormir.

Os dias passavam-se... E a única coisa que o clima trazia era a certeza escandalosa de que os rumos que vinham junto do vento, deixavam as coisas de ponta cabeça na vida de Joseph.

Ele ansiava pela sexta-feira como uma criança com muita saudade de sua mãe. Uma colega de sala de Vera daria uma festa para comemorar algo da faculdade de moda, ninguém realmente se importava, mas iriam porque como todo bom universitário que se preze, queriam festa, bebida e um pouco da viagem que os afastava da vida real. Vera o convidara, e ele – depois de muitas palavras se referindo ao não e um ao outro se chamando de vadios, e outro xingamentos amigáveis – aceitou.

*

Tragou mais uma vez. Deixou a sensação alastrar-se pelo teu corpo como um frenesi que se instala momentaneamente. Passou a mão pelo cabelo ainda molhado e olhou para a rua movimentada. Pensou em vários motivos que justificassem a pressa de cada pessoa para retornar aos seus lares. Tragou outra vez, deixando novamente a sensação o tomar. Ao mesmo tempo em que se importava com as outras pessoas, não se importava. Ninguém nunca fizera nada por ele, ou se importava com seus sonhos. Era uma pessoa que nunca conheceu a palavra encorajamento se não de seu próprio coração e de sua boa e velha amiga Vera. Amargamente, cresceu e claro, aprendeu. Ninguém realmente se importa com o que as outras pessoas sentem. Esboçam um fingimento de preocupação, mas logo as máscaras caem, como as lágrimas. O mundo lá fora é tão cruel, e faz com que cada um procure seu próprio escudo e aprenda bravamente a lutar com suas próprias armas. Era assim, que Joseph pensava.

Ele engoliu em seco empurrando tudo que estava em sua cabeça para bem longe e pegou as chaves em cima de sua cama e foi ao encontro de Vera.

A fraternidade onde era a festa estava loucamente em destaque. Quem passasse perto repararia obviamente que ali havia muita bebida, muita gente, muito sexo e todas as coisas que atraia os jovens universitários. Caixas de som espalhadas, copos com resto de bebidas ou não pelos cantos. Jovens conversando – ou pelo menos tentando, graças a música alta – alguns se engolindo em beijos, ainda tinha aqueles que participavam de algo parecido com uma competição de cuspe no lindo jarro de flores que ficava em um móvel. E por mais nojento que fosse, muita gente arriscava lançar o cuspe o mais longe possível. Cada cômodo da casa estava apinhado de gente e risadas ecoavam e amontoavam-se junto a batida berrante da música.

Alguns calouros eram virados de cabeça para baixo e tinham que sugar a cerveja por um canudo até que não aguentasse mais e logo eram virados novamente e deviam rezar o hino de suas fraternidades para agradar seus veteranos. Casais que subiam correndo e logo uma porta do andar de cima era fechada.

Mais uma festa comum. Mais uma noite comum.

_ Estou bem vestida? – Vera perguntou fazendo beicinho e uma pose. A saia jeans com uma blusa azul extremamente justa tomara-que-caia, e um cardigã de cor preta com dourado combinando com o tênis a deixavam muito bonita. Os cachos como sempre lindos, eram o que mais Joseph gostava na amiga. Era como um charme só dela. Ele revirou os olhos. – Ah qual é Joe, não quero entrar lá e todos ficarem me olhando e pensando ‘’ ei como você pode vir vestida dessa forma e ainda fazer moda?‘’

Ele a olhou indiferente e a ofereceu um cigarro. Ela recusou.

_ Ei, relaxe, ok?! Você está incrível como sempre.

Vera sorriu sinceramente e deu um soco de brincadeira em seu braço.

_ Obrigada, Joe. Você também está um gato, eu o pegaria se não fosse tão asqueroso.

Ele arregalou os olhos: — Asqueroso? Eu tomo banho todos os dias.

_ Asqueroso no sentido de ser meu melhor amigo, seu idiota. – Ela olhou mais uma vez para a casa barulhenta e esticou a mão para o amigo – Vamos lá, iniciar os trabalhos da noite.

Os dois caminharam até a casa de mãos dadas, conversando coisas comuns e em como o lugar parecia estar bem animado para uma festa em uma fraternidade feminina.

_ Antes que eu me esqueça, sem essa de me apresentar para suas amigas. A última foi um caso sério. – Ele a lembrou, ainda olhando para as várias pessoas que se aglomeravam ali.

_ Não apresentarei. – Ela o olhou e saiu na frente. – Até mesmo porque Wendy e Jazz estarão aqui também.

O quê?

Ele ouvira certo? Wendy e Jazz? Ali? Juntas? Ele olhou para cima como se esperasse respostas divinas ou mesmo um milagre repentino. Ele suspirou e foi andando atrás de Vera.

Qualquer policial que fosse ali encontraria de cara várias coisa erradas de acordo com eles, como menores de idade que estavam ali de penetras, mas que ninguém se importava por estarem tão absortos em suas próprias felicidades, drogas porque é claro que haveria, em demasiado se você procurasse e assim desejasse. Várias garotas bêbadas subiam em cima da mesa para dançar. Algumas por felicidades, para comemorar a beleza em ser jovem, ou apenas para imitar.

Uma garota de rosto muito novo que vestia uma saia muito curta e um top brilhante, que escondia boa parte de suas costas com o cabelo loiro enorme dançava loucamente, instigando vários caras. Segundo Vera, era alguma estudante de Direito que afirmava que a vida era incrível. Joseph se concentrava em observá-la enquanto os rapazes mais corajosos brincavam com ela.

Vera ria da garota como se não houvesse amanhã.

_ Aquela é Melanie. Não tenho certeza se mora em alguma fraternidade por aqui, mas sei que ela é do Texas. O que talvez explique a beleza, o berrante mal gosto para roupas e a loucura.

_Deixe de ser hipócrita. Denver não é lá isso tudo. – Joseph respondeu rindo, ainda olhando a garota que chamava atenção na festa.

Vera bufou. – Somos melhores que o Texas!

_ Cala boca!

_ Somos sim, é só olhar para qualquer um de Denver, aposto que até dançar melhor nós dançamos. – Ela indicava a garota como se fosse um pecado a garota estar dançando. – Vai lá, Joe. Dança com ela, a beije e mostra que Denver é o que existe de melhor.

Ambos muito bêbados riam com ideia. Vera o tocou sua mão e entrelaçou seus dedos nos dele e ficou olhando para seus olhos. Joseph ficou completamente confuso com aquilo. O que ela estava fazendo? Não, não queria pensar que ela estava prestes a beijá-lo. Vera era tudo que ele tinha: uma amiga, uma irmã, uma mãe, uma companheira. Ele também fixou seu olhar no dela procurando entender, até que ela o puxou pela camisa e foram caminhando.

‘’Deus me ajude! Isso não pode estar acontecendo. NÃO posso partir com coração dela. O que eu faço? ’’ Ele pensava.

No entanto, Vera o empurrou para perto de Melanie, a texana. E esta ainda muito entusiasmada o olhou.

_ Mel, meu amigo aqui quer muitíssimo dançar com você gata. Mostra para ele que uma garota do Texas faz. – Vera falou e soltou o rapaz que completamente confuso arregalou os olhos. Não sabia como reagir, pensar.

Melanie o puxou para dançar.

Depois de um tempo, desconfortável, ele se soltou e decidiu entrar na brincadeira. Não havia mal algum sendo feito, e ele também sentia-se com uma alegria inesperada ao lado daquela garota louca texana que parecia estar ligada em 220 volts. Ambos dançaram como se o mundo fosse acabar a qualquer segundo. Joseph ria de maneira espontânea e olhava para Vera que se deliciava com aquela diversão. Parecia que ele estava novamente na universidade, de volta ao tempo que havia chegado a Manhattan e só o que tinha a fazer era estudar e ir a algumas festas. Era como se o tempo não houvesse passado, que ele ainda tinha um dormitório na universidade, tardiamente um apartamento com seus amigos, várias garotas dando-lhe o telefone, preocupações em estudar, pensar em um futuro próspero em uma empresa dos sonhos. Tudo estava em seu lugar. A cada hora que ele girava e via aqueles jovens se lembrava do calor das festas e da vida que ele tinha. A Texana ria para ele e passava a mão pelos cabelos enormes, cantava feliz a música. Era como se a música não acabasse mais e ele gostava assim. Várias pessoas cederam ao agito da música e logo tinha várias pessoas no meio. Joseph puxou Vera. – Acho justo que você também represente Denver, mulher.

E tudo se completara, era como antes, exatamente como antes. ‘’ Nós contra eles ‘’, o lema dos dois amigos que saíram de Denver para estudar em Manhattan.

As pessoas não paravam de chegar, as músicas ficavam cada vez mais animadas e lá no fundo perto das escadas, Wendy e várias garotas posavam para as fotos. O vestido feito por Vera moldava o seu corpo de modelo. No fim das fotos entregou o copo para Jazz.

O cabelo solto emoldurava seu rosto. A blusa branca sofisticada e a saia preta deixavam-na com um ar de americana, mas até que fosse vestida de gorila ou pintada de ouro, Joseph a reconheceria. Ele piscara os dois olhos tentando ver se realmente era Jazz.

_ Eu já volto. – falou no ouvido de Vera que assentiu ainda dançando.

Jazz sorriu ao ver o rapaz.

_ Você estava muito inspirado para dançar.

_ Eu estava representando Denver.

_ A capital dos beatniks – Ela estendeu a mão oferecendo-lhe o copo com cerveja. Ele sorriu e tomou um gole. A bebida gelada desceu por sua garganta refrescando-o de todo calor e matando sua sede. Claro, que ainda assim, a sua sede pedia uma cerveja preta bem gelada.

_ Que por sinal eram muito apaixonados por jazz. – ele falou provocando-a. Ela revirou os olhos.

_ Assim como os habitantes de New Orleans.

Ela era esperta. É claro que era.

Joseph olhou para o lado e cumprimentou Wendy de forma gentil e contida. Não queria brigas, apenas manter a paz. Ela assentiu e levantou o copo o cumprimentando de volta. Era isso, seria sempre assim. De uma forma ou de outra ela estaria sempre ali em sua vida, por causa de Vera, ou por Jazz.

Joseph e Jazz ficaram ali conversando e dividindo a cerveja.

_ Jazz, estamos indo dar uma volta. – Wendy falou se aproximando de ambos.

_ Ficarei aqui tirando mais algumas fotos, se não houver problema.

Wendy assentiu e olhou para Joseph.

_Você não vale nada. Pena que tive o desprazer de te conhecer.

Joseph segurou seu pulso fortemente e sussurrou em seu ouvido com uma voz calma e letal. – Aqui não, Wendy.

Ele a soltou e a encarou e sibilou para ele ir embora. Ambos se encararam por um instante e a tensão entre os dois estava clara. Wendy sabia de seu interesse por Jazz. E ele sabia que a garota era capaz de tudo para dar o troco nele, descontando em Jazz.

Se ela fizesse qualquer coisa com a garota, ele não mediria esforços.

_ Eu não sei quem me dá mais nojo você ou ela que se finge de ingênua.

_Para! – A voz tranquila dele possuía um veneno destilado, quase como de cobra, letal. – Ninguém tem culpa. Você depositou esperança onde não havia nada. Foi só um erro. Agora esquece isso.

Ele olhou uma última vez nos olhos de Wendy e quis muito voltar ao passado. Apagar tudo que havia acontecido e esquecer que um dia ele se deitara com ela, gastara seu tempo com uma pessoa como ela. Suas mãos fecharam-se em punhos, ele precisou respirar fundo e se lembrar de que ele precisava ter calma, que o passado nunca regressa e que nada na vida se desfaz assim simplesmente. Ele saiu para longe delas, em direção à porta da casa.

Nada era fácil! Sempre tinha de haver algo no caminho, uma barreira estúpida que o impedisse de alcançar o que queria. Era como se o mundo conspirasse contra ele, até mesmo Deus. Desejou muito saber o porquê de toda aquela provação, aquelas situações ridículas, cada dificuldade que insistia em se instalar na sua vida o lembrando de que o mundo era assim, miserável e injusto. Fora assim desde sempre. E quando ele enfim achava que estava caminhando por um rumo que tendesse a ser bom, logo ele era jogado novamente ao chão.

Se pudesse quebrar algo, descontar sua raiva, gritar, voltar ao passado. Um bolo formava-se em sua garganta o deixando asfixiado, amordaçado por dentro. Ele precisava ir embora.

Pensou em voltar e avisar a Vera, mas não tinha certeza se conseguiria pronunciar qualquer palavra sem parecer com raiva e ter qualquer reação inesperada. Também não queria preocupar a amiga.

_Joseph espera. – Uma mão tocou seu braço, contudo, ele se recusou a virar, só continuou andando. – Espera Joseph.

Ele se virou. Os olhos de mar o olhavam preocupados.

_ O que houve lá dentro? Quero dizer, não quero me intrometer, só que as coisas ficaram meio confusas e eu não entendi porque você saiu assim do nada... Foi a Wendy, certo?

_ Não quero falar sobre isso.

_ Vocês precisam se acertar, sei lá. – Jazz gesticulava confusa e olhando para o nada como se pensasse em alguma solução para a situação.

_ Acertar o quê? Eu só dormi com ela algumas vezes – Joseph gritava indignado. – Ela não precisa ficar criando este tipo de situação idiota, é infantil da parte dela. Acontece sabe, você conhece alguém e tem um lance de uma noite, claro que também acontece de você se apaixonar, mas eu já expliquei que isso não daria futuro. Eu não quero nada! – Ele berrava, olhando para dentro da casa, como se Wendy pudesse ouvir. Algumas pessoas que estavam na varanda da casa olhavam. — Eu sei que não dá para controlar o que sentimos, eu sei bem. Dói, mas é a vida, ok?! O mundo é uma grande droga onde nada do que sonhamos e queremos acontece porque Deus está preocupado demais nos cobrindo de lições idiotas.

_ Para de falar assim. Deus não tem culpa. Pare de jogar a culpa por aí. Ele não merece suas blasfêmias só porque Você está com raiva. – Jazz falou a voz baixa assustada.

_ Então de quem é a culpa? Minha é claro! Eu não aguento mais olhar para você e não poder expressar tudo que eu sinto. Da mesma forma que dói nela, dói em mim. É extremamente doloroso estar apaixonado por alguém como estou por você e ter tudo conspirando contra isso.

_ Joseph...

_ Ah esquece. – Ele passou a mão pelo cabelo e continuou caminhando até sua moto.

*

Ele colocou o capacete e ligou a moto. Apoiou a cabeça no braço e respirou fundo. O que ele havia feito?! Ele respirou lentamente mais uma vez refletindo sobre o que acabara de acontecer e levantou a cabeça, girando a embreagem da moto. Ao abrir os olhos viu Jazz parada no meio da rua olhando para ele. Os olhos cor de mar fixavam-se nos seus e ele não soube o que fazer. Ela era tão linda. Como era possível, alguém no meio de um ataque nervoso dele manter a calma e defender Deus. Só ela mesma.

_ Me dê uma carona para casa? – Ela pediu, a voz soava meio rouca, quase um sussurro.

Ele não entendeu. Ficou olhando para ela durante alguns segundos e por fim, tirou seu capacete e estendeu para ela. Ela sorriu gentilmente e foi até lá.