Notas iniciais
‘’Mas acreditar no amor é sempre a melhor escolha, quando este te enche a alma e beija-lhe a testa com a paz. ‘’

Aqueles dias que se passaram foram como brisas: Chegavam suaves e iam embora de maneira ligeira, mas sem deixar de ser prazeroso. Nada parecia pertencer ao mesmo mundo e em sua essência tudo já estava mudado. De certa forma, claro.

Eles se encontravam na rua dela, e dava uma saudade danada quando isso não acontecia. Ele estacionava na rua e por vezes buzinava, por outras vezes, batia em sua porta. Mas de qualquer forma, ela sempre o recebia com o maior sorriso, com os imensos olhos azuis brilhando. Como se o mar estivesse em tamanha festa! As sardas subiam as maçãs do rosto quando os dois encontravam-se.

Ele andava mais feliz, isso era notável! Ao ir trabalhar já não pestanejava e praguejava pelo novo dia, mas agia de forma normal e por vezes sorria vacilante para qualquer pessoa que o desejasse um bom dia. O dia ainda era fatigante, contudo, sabia que sempre podia terminar com um jeito manso e singular que vinha da garota que lhe encantava.

Vera ligava e dava gritinhos dizendo coisas como ‘’ você está feliz? Porque cara você me trouxe Tacos. Tacos. Ta-cos.’’ Ou ‘’ Não sei se isso tem a ver com Jazz ser boa de cama ou porque você realmente enfim está apaixonado. De qualquer forma traga mais Tacos. ’’ Era bom saber que a pessoa que ele mais respeitava e admirava no mundo estava feliz e o incentivava. Era diferente! Ter o incentivo de alguém, alguém que te apoie e diga que você pode ser alguém melhor, ou coisas desse tipo. Joseph ria consigo mesmo com a ideia de que isso lhe trazia uma sensação boa. Não que seu mundo estivesse perfeito, só estava... Diferente!

Joseph abriu a porta e Jazz – Della – estava na porta com uma calça jeans velha e uma camiseta simples. O rabo de cavalo acentuava as maçãs do rosto, destacando-as. Os olhos azuis convidativos como sempre, mas sem maquiagem alguma. Natural...

_ Eu fiz almôndegas. – Ele falou fazendo um gesto para ela entrar. Della assentiu e entrou. Colocou a bolsa no sofá e pôs as mãos nos bolsos traseiros da calça. Ficou ali olhando o apartamento que obviamente era maior que o seu, não era grande coisa, mas em suma, bem maior e ajeitado que o seu.

_ Obrigada.

_ Você gosta de almôndegas?

_ Gosto. É bem gostoso quando tem molho branco também... Você mesmo que fez? – ela perguntou rindo.

Ele levantou as mãos como quem se rende. – Ok, você ganhou. Eu comprei, mas tinha uma cara excelente. Comprei num restaurante muito bom

_ Gastou dinheiro, quer dizer... Muito? – sua voz acusava surpresa.

Joseph acariciou seu rosto gentilmente. – Relaxe, Della. Não foi esforço nenhum, além do mais já que minha comida é uma droga queria que você comesse algo realmente bom.

_ Joe...

_ Relaxe, Della. Venha, vou pegar umas cervejas enquanto está no microondas.

Eles sentaram-se no sofá ridículo cor azul desbotado que em muitos lugares estavam rasgados para assistir televisão. Della preferiu ver seriados e Joseph concordou de bom grado.

A bebida gelada descia pela garganta de Joseph o lembrando de como fumar seria uma boa pedida, contudo, lembrou-se de quando Della o vira fumando e pediu para quando estivesse perto dela não fumasse. Ele bufou é claro, como um bom garoto de Denver e depois de muito a ouvir falar sobre como o cigarro era prejudicial, ele assentiu só para não haver discórdia.

_ Espero que a Amy seja um pouco mais inteligente e perceba que o Ty quase morreu por ela. Que diabo há de errado com essa garota? O orgulho dela e dele faz com que já estejam na oitava temporada da série. – Della afirmou, falando consigo.

_ O que disse? – Joseph olhou para ela, confuso.

Ela revirou os olhos e riu. – Estou falando da série. Não está prestando atenção?

'' Não!'' ele pensou e abriu a boca para falar mas preferiu mudar de assunto.

_ Vamos comer!

*

Terminado o jantar Ambos foram lavar as louças e ficaram ali conversando coisas aleatórias, coisas sobre o dia a dia, planejando algumas coisas, conhecendo um pouco mais sobre cada aspecto do outro, contando casos e etc....

_ Posso ir para sua casa amanhã, depois que você sair da casa da Vera. – Joseph sugeriu despreocupado, enquanto lavava os pratos do jantar.

_ É melhor não!

_ Por quê? – Ele olhou para ela um tanto ofendido e suspirou – Della se está com medo de que eu vou tentar transar com você, pode, por favor, se lembrar de que eu prometi que não farei nada se você não quiser?

Ela colocou o prato sobre a mesa e cruzou os braços.

_Não é isso... É que Wendy descobriu que estamos juntos. Contei a ela, pois não queria que ela soubesse por outras pessoas que não fosse nós. Eu a considero muito mesmo depois que é claro que ela ficou uma fera e me chamou de traidora, estrangeira puta, sonsa e ainda pediu que eu desocupasse o apartamento.

O QUÊ? Joseph ficou boquiaberto com o que ela acabara de dizer! Estava lívido. Riu ironicamente e passou a mão pelo rosto descrente. Como aquela garota podia ter feito aquilo? Era desumano deixar uma garota sem onde morar só por uma briga estúpida, algo que nunca devia ter acontecido – um lance de noite, bêbado. Ela fora longe, deixando que seu ódio se ampliasse para além de ambos, para Della. Como aquela garota podia ser tão idiota e infantil?

Sua vontade era de romper pela porta e ir de encontro a Wendy e jogar na cara dela tudo que ele pensava a respeito dela. Jogar na cara dela tudo que ele a muito tempo queria dizer. Humilhar ela da mesma maneira que ela fizera com Della. Se pudesse machuca-la, então ele faria... Afastou os pensamentos ruins quando Della tocou seu braço, as mãos frias e olhou nos seus olhos. Ainda estava serena, um resquício de tristeza lá no fundo dos olhos, mas ainda assim serena. Como ela conseguia?

Ele parou de lavar os pratos, enxugou as mãos na bermuda e a abraçou. – Della, eu só tomo mais ódio por ela a cada dia.

_ Joseph.. não...

_Não diga não! Ela foi tão rancorosa que te expulsou, eu não entendo sinceramente como uma pessoa dessas pode ser tão idiota, descontasse em mim não em você. – Seus olhos estavam concentrados no nada, completamente raivosos.

­Ela beijou seu rosto. – Eu darei um jeito, relaxe. – Ela sorriu.

Ele não confiava em seu sorriso, mesmo que fosse de verdade. Numa situação desta no mínimo ela estava chateada mas não queria demonstrar. Ele inspirou e expirou.

_ É claro que você vai ficar aqui em casa. Não a deixaria ficar por aí desamparada, amor, nem por um segundo. Eu durmo no sofá se for melhor pra você ficar com a cama toda.

Ela afastou-se dele.

_ Não posso aceitar, Joe.

Ele bufou.

_ Ah claro, como se você tivesse outra escolha. Amanhã te ajudo a pegar as suas coisas, arrumaremos tudo e depois vou lá conversar com aquela puta.

_ Você não vai dar uma de imaturo e sair quebrando o pau com ela, ok?

Joseph riu. Claro que ia. Ele voltou a arrumar a cozinha. – Dos meus assuntos cuido eu.

Della escancarou a boca com o tom de voz do rapaz. Era a primeira vez que ela o via da forma como Wendy falava. Rude! Egoísta e atrevido. Uma imagem que ela nunca acreditara que era verdade.

_ Seu assunto? Ok... – Ela bufou furiosa e ofendida. – Não se trata só de você, seu idiota. Eu também devo ter uma opinião sobre isso e não quero que você seja imbecil e cave mais o buraco.

– Guarde sua opinião para ti. Porque a minha eu vou expor para todo mundo, na cara daquela vadia. – Ele enxugou as mãos. Della segurou o seu braço com força

_ Você é mesmo o imbecil que eu ouvia falar sempre. É igual a todos os outros escrotos desse lugar. Você não sabe o que é companheirismo e eu tenho muita dó de você, espero que Deus sinta o mesmo.

Fogo e gelo se enfrentavam no ambiente, cada qual com sua personalidade distinta e o silêncio pairou sob o ambiente juntamente com a tensão. Uma chama viva pronta para alastrar-se e causar uma explosão eminente.

As palavras dela eram como murros em seu estômago e em seu ego medíocre. Joseph não sabia como havia chegado ali, naquela situação.

Della soltou seu braço e saiu rumo a porta.

Ela estava ofendida, exausta, revoltada e mais um monte de sentimentos que pareciam misturar-se e ligarem um liquidificador em seu estômago.

_ Não, não, não, Della. – Joseph fora atrás dela e ela se virou com o rosto rígido. – Eu surtei, me desculpe. Você tem razão, tudo isso se resume em você e no que faço, no que abro mão para poder ficar com você.

_ Você é um estúpido. Viu a cena que acabou de fazer lá na cozinha? – Ela engoliu o bolo que se formara em sua garganta e de raiva deixou a lágrima escorrer pelo seu rosto. – Porque eu nunca esquecerei.

Vê-la chorando feria seu coração.

_ Me perdoe, eu sei que fui um estúpido. Este sou, um cara idiota que falha, que é estúpido, que age por impulso, que se deixa levar pelas pedras no caminho, que quando cai quer descontar em todos. Mas ainda sim um cara que realmente gosta de você, Della. – Ali estava Joseph, expondo seu coração de verdade, para uma pessoa que não era Vera. Que era alguém que ele sentia o coração reclamar da saudade, falar mais alto que qualquer outro instinto, queria partilhar o pouco que tinha e multiplicar tudo que ansiava ter. Com aquela garota irlandesa.

Ele nunca fizera isso para garota alguma, com exceção de Vera...

_ Eu sei e machuca um pouco... –Ela suspirou. – Só que eu prometi que ia ter paciência.

_ Me perdoa amor...? – Joseph abaixou a cabeça, pensando em como aquele ser que ele era não merecia um anjo como ela. Uma pessoa tão boa.

Della colocou a bolsa novamente no sofá e ficou ali olhando para ele. No fundo sabia que ele era assim, mas ainda o amava da mesma forma. Dificuldade após dificuldade. E ele ainda era a mesma pessoa falha que a queria bem, que desejava o melhor para ela, que se importava com ela. Ela aproximou-se dele com um medo, um frio na barriga... Talvez aquelas borboletas que sempre ficavam em festa quando estava com ele. Tocou seu cabelo loiro. Era boa a sensação de tocar seus fios finos cor de ouro. Desceu a mão para o seu rosto e passou os dedos pela barba dele, áspera que roçava a pele de seus dedos frios. Ele levantou os olhos e ficou ali em seus olhos cor de mar enquanto ela continuava seu percurso pelo seu rosto. Continuou a passar o dedo por sua testa e contornar sua boca. Ele extremamente branco e sua boca que tinha um formato apropriado para ele. Avançou sua boca para a dele e emaranhou seus dedos pelos cabelos dele.

Ele respondeu ao beijo da mesma forma que ela, louco.

E ao mesmo tempo apaixonado.

Ele segurava sua cintura com cuidado, mas com firmeza também. Della foi beijando o lóbulo de sua orelha e descendo para seu pescoço. Gentilmente. Ela entrou com suas mãos para dentro de sua camisa e começou arranhar suas costas. Ele olhou para ela confuso e ela limitou-se a balançar a cabeça para cima e para baixo, expressando um Sim. E voltou a beijá-lo.

Ele parou o beijo gentilmente – Della, você tem certeza, porque eu sei que você pensa..

_ Eu preciso te conhecer e quero conhecer inteiramente.

Ele assentiu abobado e então a carregou para o quarto.

*

_ Amor, não quero te machucar então qualquer coisa você tem de me falar. – Ele pediu urgente preocupado. Ela riu. Saiu debaixo dele e o jogou na cama.

_ Joseph, sei que sou cristã e bem devagar perto desses americanos, mas não sou virgem. – Ela sussurrou em seu ouvido e passou a mãos pelos cabelos jogando-os para trás e começou a beijar todo o corpo dele.

Joseph estava surpreso. Aquela garota parecia tão pura, tão virgem que ofendia sua existência amar tanto ela.

Ele a jogou na cama com força. – Não devia ter me dito isso, meu anjo. – E então se afundou nela prazerosamente. Della abriu a boca pronta para gritar, mas nenhuma palavra saíra de sua boca apenas gemidos, sua face mesclava prazer e urgência. Ela cruzou suas pernas no quadril dele, enquanto Joseph a fodia com mais força. Ele a enchia de beijos: beijava sua boca, seu queixo, sua bochecha, a base de seu pescoço, seus mamilos.

Ela tentava acompanha-lo, no entanto, Joseph estava deliciado preocupado em agradá-la. Ela reunia as forças para tentar falar. – Joseph, espera... – Della disse.

Tudo o fazia querer mais aquela garota... Parecia ser impossível parar e a vontade aumentava, o corpo dela era o paraíso como a música do John Mayer.

_ Anjo, você é linda.

Ele recuou a tempo de não gozar na garota.

_ Eu não quero mais. — Ela conseguira falar, assustada.

Ele saiu de cima dela confuso e amedrontado. O que será que tinha de errado.

_ Della, desculpe, desculpe..

Ela puxou o lençol para se cobrir e passou a mão pelos cabelos. – Eu sou péssima mentirosa... É a primeira vez mas fiquei com vergonha de contar. Nunca mais me deixe mentir.

_ Della, devia ter falado a verdade, ia poupar que eu te machucasse. Agora estou meio envergonhado. – Joseph falou.

_ Ia soar muito débil para uma pessoa da minha idade. Desculpe.

_ Nunca seria débil. Bem que imaginei que você era virgem. Me afastei de qualquer hipótese de um homem te tocando de tal maneira.

Ela sorriu envergonhada e enrolou-se ainda mais no lençol e pediu a ele licença para tomar banho sozinha. Ele assentiu e assim que ela fechou a porta do banheiro ele deitou-se na cama sorridente.

Era de verdade um anjo. Anjo com olhos de cor do Mar e pele suave, encantadora. Ele sorria bestamente feliz por ter chegado primeiro, por ser para sempre para ela alguém que ela nunca se esqueceria. Depois ficou agradecido pela sua noção e alguma responsabilidade de não ter gozado na garota ou ela teria saído correndo, ou outras possibilidades que não seriam fortuitas no dado momento.