Notas iniciais
''Boom clap, you make me feel good. Come on to me, come on to me now''

Ele esfregou as mãos na testa, com impaciência. Todo o seu corpo estava dolorido, até a última ponta dos dedos. Cada movimento que ele fazia parecia ser o maior dos sacrifícios de todos os tempos. Suspirou ao chegar à porta do seu apartamento. Tirou a chave do bolso e escorou a cabeça na porta e fechou os olhos. ‘’ Maldito dia’’, pensava ele e continuava a abrir a porta de casa.

Entrou e colocou o capacete sobre o sofá e fechou a porta cuidadosamente. Parecia que toda sua energia havia sido sugada. Jogou-se na cama e pôs-se a tentar relaxar, deixar toda a dor ir embora. Revirou-se na cama uma ou duas vezes e percebeu que não conseguiria antes de um bom banho quente.

Quando a água quente desceu sobre seu corpo, suspirou. Era a melhor sensação do mundo.

Joseph pensou no seu dia...

Não fora um dia atípico! Não mesmo, era mais um dia apenas, em que ele acordara cedo, rumara ao trabalho e ficara rodopiando pela cidade trazendo papelada, levando papelada. Ouvindo cada advogado, engenheiro ou qualquer outro fulano descontando tudo que pensava em cima dele quando a única coisa que ele queria dizer para todos era ‘’ Que se foda! Não estou nem aí para os seus problemas, da mesma forma como ninguém se importa com os meus!’’ Era tudo que ele sonhava em dizer a cada um que levantava o nariz achando-se por ser importante. Ele mal comia, gastava tudo em contas malditas que pareciam não parar de chegar mesmo ele quase não vivendo para fazer tantos gastos. Ouvir cada um no seu trabalho dizendo que ele estava errado em trabalhar fazia seu sangue ferver, quase entrar em ebulição.

Ninguém sabia o que era bom para ele. Eles não viviam a vida de Joseph. Não acordavam a cada novo dia olhando para o teto pensando que seus problemas consumiam.

No fundo eles não sabiam de nada. Assim pensava Joseph.

Saiu do banho, vestiu um moletom puído e abriu a geladeira em busca de algo para comer. Ficou feliz ao ver pasta de amendoim, bacon e cerveja. Preparou algumas torradas com pasta de amendoim. Fritou o bacon e abriu a cerveja. Ligou a televisão e deixou em qualquer canal, ele não se importava verdadeiramente.

O canal mostrava um reality show sobre casais separados morando na mesma casa. Ele bufou. Os casais quase se matavam. Gritos, choros e conversas monótonas eram o que basicamente era exibido. Imaginem como deve ser morar com ex-namorado? A sensação podre e tediosa... Se quiséssemos chegar ao ponto de morar com a pessoa certamente não tinha EX antes de namorado, marido, cônjuge, seja lá qual for a nomenclatura que preferirem.

Joseph pensou em cada ex-namorada e em como se assemelhavam exageradamente com as moças loucas do reality show. Pensou em lista que inferno deveria ser morar com um bando de loucas com dor de cotovelo, ciumentas e que tinham possessão por controle. Se isso realmente acontecesse com ele, já teria pulado a primeira janela e se mandado. Morar com o demônio deveria ser mais razoável. Não era exagero! Apenas porque possuía as ex-namoradas mais loucas.

Megara era psicótica! Ninguém nunca prestava para ela, e ela em si era tão grudenta e mimada que Joseph tinha que pensar duas vezes em falar na palavra sexo com ela. Isso que resultava namorar com garotas mais novas, mimadas. Essa foi seu maior relacionamento. Mas haviam outros eu duravam no máximo um mês: Beatriz, estudante de belas artes, ninfomaníaca, era boa no quesito de satisfazer, mas completamente alterada. Um uísque aqui, uma cocaína aqui, e uma cadeia ali. Fora que no final, se tornava patética e muito escandalosa. Joseph já fora preso duas vezes por brigas. Ele não era nenhum santo. Ela menos ainda. Candice, patricinha, mimada, chata, burguesa, grudenta, e blábláblá. Não durou duas semanas. Dil, tráfico de drogas, se bem que era ótima em lances que ele se amarrava, na época.

Ele ficou imaginando cada louca dentro de uma casa com ele dentro.

Ou virava uma grande orgia, ou um puteiro ou ele mesmo pedia para algumas delas tirar sua vida. Ninguém aguentaria. Morar com o demônio seria melhor.

Que fracasso! Sua vida amorosa era tão patética quanto todas elas. No entanto, era para isso que servia as garotas que ele encontrava na noite, sem qualquer compromisso.

Algumas viravam casos casuais, algumas secretarias da empresa em qualquer cômodo desocupado da empresa. Todas sabiam a regra ‘’pegue, e não se apegue’’. Às vezes ocorriam exceções, mas nunca eram levadas a sério.

A verdade é que ele sabia que não encontraria nada em nenhuma delas. Nunca encontrara, e ele perdera a confiança em qualquer pessoa. Ele sentia que faltava alguma coisa, mas também sabia que nenhuma pessoa entendia ou podia ajuda-lo. Algo faltava, mas e daí. Era só ele no mundo e sempre seria.

Desacreditara em qualquer coisa que o pedia para ter esperança. E no fundo, sua existência era vaga, era um ponto de luz fraco em meio a uma onda de luzes felizes que precisavam ser notadas.

Seu telefone começara a vibrar e ele atendeu. Ficou feliz em ouvir a voz de sua velha amiga. Vera.

_ Como vai à noite? – Ela perguntara animada.

_ Chata. Estou vendo garotas sem noção se descabelando pelos seus ex-namorados na MTV.

_ Chato. – Ela respondeu com uma voz repentinamente pensativa.

_Chato. – Ele repetiu, mastigando o bacon e dando um gole na sua cerveja.

_ Então acho que o que eu tenho a dizer é bem mais cativante que descabeladas gritando por falta de beijos em bocas do passado, gatinho. – Ela fez uma pausa, mas antes mesmo dele pensar em responde-la continuou – Eu sei que você não vale a unha do pé e olha que sei bem que teu pé é muito feio, mas, eu acho que valerá a pena... Venha aqui em casa amanhã para jantar. Vai ter um jantar para alguns amigos meus.

Joseph começou a prestar atenção na voz de Vera e abaixou o volume da sua TV.

_ Jantar? Tipo, jantar ‘’ venha de qualquer forma’’?

_ Não! Jantar de ‘’ venha bem arrumado, terá gente importante, tipo patrocinador para o meu site’’.

Joseph revirou os olhos ao pensar em blusa social, calça limpa e gel no cabelo.

_ Nem pense em me colocar como seu namorado só para pensarem que por baixo desse seu cabelo de leão tem alguém compromissada, Vera. – Ele disse rindo, mas no fundo, sendo sincero.

_ Não é isso, quero que dê opiniões se vale a pena mesmo correr atrás deste patrocinador. Se você se comportar bem ganha a surpresa.

Surpresa? Humph!

Joseph odiava surpresas desde que tinha poucos dentes na boa, era tão impaciente....

_ Desembucha!

_ Até amanhã às 19hs, Joe. – E ela desligou.

Lá vinha mais uma das surpresas de Vera. Seria bom ou seria ruim. No máximo podia torcer pela garota da festa estar lá. Jazz. Garota dos olhos de cor do mar.

Aumentou o volume da TV e revirou os olhos querendo que a noite seguinte chegasse rápido.

*

Ele arrumou a manga da blusa social branca e ajeitou a jaqueta preta por cima. Respirara fundo e tocara a campainha do apartamento de Vera. Ela o atendeu com um sorriso gigante. Os cachos lindamente comportados, a maquiagem destacava seus olhos e o sorriso largo a deixava radiante, mais do que ela já era. O vestido rodado azul lhe caía perfeitamente bem. Joseph gostou.

_ Eu nunca te vi tão linda! – Ele deu um beijo em sua bochecha e riu. Ela também riu. E sussurrou um agradecimento – E aí, como é que estou?

_ Um gato cheiroso! Como sempre! – Ela olhou para dentro e virou-se para ele – Preciso avisar. Wendy está aqui, seja educado, ou tudo vai para o espaço.

Ah não...

_ Eu sei que vocês estão furiosos um com o outro, mas era impossível ela não vir.

_ Então devia ter me avisado. – Ele falou baixo, mas com um incomodo evidente em sua voz.

_ Fui idiota, só que se eu tivesse avisado você não viria e eu precisava que você viesse, aliás você vai gostar de ter vindo, mas não faça nenhuma burrada. Espere o momento certo. – Vera suplicava, sua voz era baixa e quase implorava.

Ele queria dar meia volta e dar o fora, só que não fez. Vera era sua amiga, sua melhor amiga, quase uma irmã. A única no mundo em quem ele confiava. Era tudo que tinha de mais importante no mundo. Por fim, assentiu e deu outro beijo em sua bochecha.

Ela sorriu agradecendo e então eles adentraram para o apartamento.

_ Pessoal este é Joseph Harris. Um grande amigo meu. – Ver anunciou para as pessoas da sala.

As pessoas viraram seus olhares para ele.

Ah não, não, não. Wendy estava lá, com um vestido decotado, e, pronta para tentar pular em seu pescoço. Ele cumprimentou a todos educadamente e até esboçou um sorriso. Se Wendy pensava que poderia tira-lo do sério, estava enganada. Ele seria melhor que ela!

_ Joseph, este é Wesley Wester, o avô de Wendy e meu futuro quem sabe parceiro do nosso site. – Ele esticou a mão para o senhor grisalho, bem apessoado em sua frente. – Bom, você já conhece Wendy, Catarina e bem... – Vera olhou nos olhos dele e piscou – Esqueci-me de apresentar, esta é Jazz.

_ Prazer! – Jazz levantou-se do sofá onde estava sentada ao lado de Catarina e esticou a mão para Joseph, com um sorriso cordial. – Mas creio que já nos conhecemos, bem vagamente.

Joseph ficou paralisado ao vê-la. Era ela! Enfim a viu novamente, a garota dos olhos de cor do mar. Sua memória não lhe fizera justiça. Ela era ainda mais bonita que em sua lembrança. Os cabelos presos em um penteado simples, os olhos iluminados com os grandes olhos e ali estavam, assim como ele lembrava, as sardas no rosto. A boca aberta em um sorriso lindo, num batom de cor clara. E um vestido floral.

Ele esticou a mãe a apertou a dela com tanto cuidado. ‘’ A festa. ‘’

Ela sorriu. – Ah sim, é verdade.

_ Bom, que bom! Vamos ao que interessa. – Wendy levantara impaciente — Vamos aos negócios que são mais relevantes. Vamos ao nosso santuário de roupas. – Ela se virou para Jazz – E você vai terminar de arrumar o jantar.

_ Claro.

Todos se levantaram para ir ao quarto onde eram produzidos os produtos da loja virtual das meninas. Joseph olhou mais uma vez para Jazz. E olhara para Vera. Agora ele entendia o porquê de todos aqueles pedidos dela para ele não fazer nenhuma besteira.

*

_Nós basicamente produzimos todas as peças que vendemos em nosso site. Tantos as bolsas quanto às roupas. São exclusivas. Toda a mão de obra é nossa. Minha de Catarina e Wendy, senhor Wester. Estamos conquistando clientes muito bacanas e a coisa está realmente indo para frente, conseguimos alguma credibilidade enfim. – Vera discursava durante o jantar. O senhor Wester ouvia atentamente e Wendy olhava esperando que ele topasse. – Não estamos pedindo que o senhor coloque tudo na empresa. Não é algo de risco, só queríamos certo apoio.

_ É vovô, você sabe o quanto estamos nos dedicando ao que queremos e queremos que nosso projeto dê certo, e o senhor pode nos ajudar nos dando financiamento para mais materiais. – Wendy falou com um tom que Joseph nunca havia ouvido em nenhuma conversa que tiveram. Parecia adulta, dona de si mesmo.

_ Eu sei. Vejo o empenho. Mas quem me garante que vocês não vão simplesmente pular fora na primeira dificuldade?

_Não vamos! As primeiras dificuldades foram há um ano quando comecei sozinha e desacreditada por todos. – Vera argumentara gesticulando com as mãos. Joseph a observava enquanto terminava de jantar. – Joseph está de prova.

Era essa a hora que ele deveria dar um apoio? Certo, ele aprumou-se e foi.

_ Senhor, sem querer me meter no assunto de vocês, mas Vera tem razão. Se fosse para não dar certo, não teria dado certo há um ano quando ela teve a ideia e trabalhava sozinha noite e dia. Eu via seu empenho, tenho certeza que agora que ela tem apoio das meninas e mais noção do que realmente quer, não tem o que dar errado.

Catarina e Wendy trocaram um olhar cheio e confidências e depois pareceram chocadas e voltaram a olhar para ele.

_ Acho que todos os empreendimentos possuem tendências para riscos, mas quando existe empenho e esforço os riscos de desleixo simplesmente deixam de ser tão grandes.

Vera sentiu um puto orgulho de seu amigo e de suas palavras de apoio e olhou assentiu, mas na verdade estava louca para subir na mesa e gritar que era verdade. Todos olharam para o senhor Wester.

O silêncio que houve durou alguns minutos.

_ Eu vou pegar mais sobremesa alguém aceita? – Jazz falou timidamente e esperou.

_ Não, obrigada Jazz. Pode ir e ficar a vontade. – Vera respondeu simplesmente. A garota assentiu retirou-se da mesa.

_ Temos que conversar sobre valores se realmente acontecer... – O senhor Wester por fim disse e então as meninas gritaram empolgadas.

_ Okay, tudo bem, vamos conversar sobre isso – Vera disse batendo palmas.

Joseph pediu licença e foi até a cozinha. Jazz estava perto da pia pegando mais um pouco de pudim.

_ Acho que vou querer mais um pouco desse treco.

Jazz virou-se para ele e sorriu. – Pudim de leite.

_ Esse treco. – ele insistiu.

Ela riu. – Certo, me dê seu prato então.

Gritos da sala foram ouvidos, gritos de verdadeira empolgação. Parecia que enfim as garotas estavam conseguindo o apoio do tão esperado contribuinte.

­­_ Elas estão mesmo animadas, não é?! Estou contente por elas. – Ela colocou mais pudim para ele e o entregou o prato.

_ Eu também.

Joseph olhava a garota comer e colocava o pudim na boca, no entanto, tudo que ele queria era beija-la. Sua boca era extremamente convidativa. Mas ele não pensava de forma vulgar ou coisa do tipo, só pensava em como seria bom tê-la como alguém especial. Quer dizer, alguém realmente especial. Era tão delicada, sua voz soava tão baixa e educada e tudo nela transparecia suavidade.

_ Me dê aqui – ela esticou a mão o tirando de seus pensamentos – o prato. Vou lavá-los.

Ele assentiu.

_ Seu nome realmente Jazz?

_ Sim.

_ E será que este é seu tipo de música preferido?

Ela olhou para ele sobre os ombros e balançou a cabeça negativamente.

_ Quanta decepção. – Ele sorriu e foi ajuda-la.

_ O que é a vida sem certas decepções, sr. Harris?!

*

Tudo que pensava era em como aquela garota era doce na medida certa. Era diferente de tudo que já tinha visto. Sua beleza vinha de muito além que acessórios, era muito diferente de tudo que ele já tinha visto. Que jeito humilde era aquele? Que sorriso de criança era aquele que acendia seu mundo de forma preocupante? Ela tinha tudo. Tudo como a melodia do Jazz que é bem assim: te convida, te intriga, te excita e te paralisa porque você nunca o entenderá. Era ela, a garota.

E que sotaque era aquele? Poxa, era tudo tão irreal que Joseph rolou na cama a noite toda. Queria mais, mais e mais. Nunca em sua vida uma noite passara tão rápida.

Passava das 2hs da madrugada e ele pouco se importou em se isso era estúpido. Ligar no meio da madrugada, argh, quem faria isso? Bem, Joseph Harris.

_ Eu não acredito que está lingando a esta hora. Está tudo bem? – Vera perguntou com uma voz meio arrastada.

_ Hey, Vera. Não consigo dormir. Sei que você também não, pelo lance com o avô da Wendy, mas escuta essa. Pode ficar rindo aí, eu deixo, mas quero o endereço dela.

_ Dela? Da Wendy?

_ Obvio que não. Da garota da festa. Eu preciso parar de pensar que ela é tudo isso que minha mente miserável pensa. Que ela não é melhor que as outras, preciso parar de pensar que cada gole de cerveja só voltará a ser bom quando eu parar de pensar nela, e ela nem tem esse direito.

_ Ai senhor! Você está caído por ela. – A voz dela soava ‘’ nossa isso é obvio’’

Ele não respondeu. Quanta ofensa. Ele não podia dizer isso. Nunca estivera apaixonado.

Houve silêncio de ambas as partes De um lado Joseph relutando a dizer qualquer coisa e Vera esperando que ele admitisse ou dissesse que estava bêbado ou chapado. Até que ela cedeu. – Me promete que não fará nada estúpido?! Não sei Joe. Ela é bem diferente de todas as outras. Não me parece bacana qualquer estupidez sua para provar que é O Cara. Ela é minha amiga e minha empregada. Não quero perde-la.

Empregada? Ahn, Joseph ficou louco para dizer qualquer coisa, mas resistiu até que ela respondesse o que ele queria ouvir.

Outro silêncio.

_ Certo Joe. Eu sei que não vai desistir...

''Não mesmo’’ ele pensou.

*

Ele praguejou! Que merda, será que estava certo ele simplesmente aparecer lá pera vê-la? Mesmo que tão pouco se falaram. Claro que conversaram muito na noite do jantar quando estavam lavando as louças. Algumas risadas. Mas ainda assim...

Ele considerou dar a volta e deixar Jazz em paz, entretanto, o coração – ou algo dentro de si – protestou escandalosamente.

Ele ficou sentado na moto com a dura indecisão: Procurar ela ou parar de agir como um louco obsessivo – parecia até suas antigas namoradas – viciado que precisa ver o sorriso dela mais uma vez.

Os minutos passaram e cabeça do rapaz estava fervendo de pensamentos contraditórios ou não.

Passou a mão no queixo e sentiu a barba por fazer. Gostou do toque e continuou pensando... Quis ao menos sair dali, porque se ela o visse e ele não estivesse pronto... Pessoas iam e vinham pela rua, assim como os minutos.

Algo encostou gentilmente em seu ombro e ele virou-se assustado.

_ Senhor Harris?! – Jazz abriu um sorriso cativante que o deixou bambo – Seria mentira dizer que não estou surpresa em vê-lo.

Fodeu!

_ Ér, uau! Eu vim fazer um trabalho por aqui. Realmente não sabia que você morava aqui. – Ele mentiu, aos gaguejos. CARALHO como sou péssimo em mentir.

_ E como adivinhou que é possível que eu more aqui?

Era melhor ele calar a boca antes que entregasse o curioso fato de ter necessidade em vê-la.

_Pelas suas roupas. – Boa escapada.

Ela olhou a blusa manchada e molhada e riu.

_ Acredite estou voltando de um pequeno serviço.

_ Não devia estar estudando? Faculdade suga a vida social das pessoas, que eu sei bem!

Ela corou e suas bochechas esquentaram. Joseph queria muito poder acaricia-las.

_ Eu não quis, não foi te chamando de desleixada. – Argh porque ele falava tantas coisas imbecis? — É melhor eu dar o fora.

_ Não, jamais pensaria isso de você. Acalme-se. – Ela prendeu o cabelo e um rabo de cavalo – Conseguiu fazer seu trabalho?

_ Basicamente. – Ele disse, passou a mão nos cabelos e olhou para o chão – Estou dispensado por meia hora. Quer tomar um café?

O coração acelerou e tudo dentro dele se revirou como quando acontecesse quando tem um furacão. Ficou ansioso e receoso. Seria o primeiro fora de alguém, mas seria de alguém decente pelo menos? E se ela não aceitasse? Ou se ela tivesse namorado e não estivesse interessada? Ele praguejava por ter más ideias.

Um minuto se passou enquanto ela pensava.

_ Tudo bem, mas eu pago. Não gosto de ninguém assumindo dívidas por minha causa.

_ Você é orgulhosa. – Ele observou.

_Sim.

_Venha. – Ele sorriu deliciado – Só tenho meia hora.

Assim, a garota sentou-se na garupa e apertou sua cintura angelicamente, com muito cuidado. Joseph rezou para não ser um sonho. Algo mexeu com ambos e logo em reação ela tirou as mãos e limitou-se a segurar a parte de trás da moto.

Algo também a fez recuar, era algo novo para ela também.