For You, With All My Memories And Love
1 Introduction
Notas iniciais
Desde já, agradeço quem ler.
#For You, With All My Memories and Love.#
#Introduction.#Ryan estava apenas querendo livrar-se de boas lembranças. Ele estava apenas querendo dizer que as coisas poderiam seguir seu rumo normal, seus medos não se concretizariam. Ryan apenas dirigia rumo à antiga casa em que passou os longos quatro de namoro e noivado. O vocalista da banda The Young Veins nunca se imaginou naquela missão: desfazer tudo o que tinha construído com Keltie Colleen. O verdadeiro – e talvez único – amor de sua vida. Naquele momento, enquanto dirigia (e estava exausto, porque de Los Angeles à Las Vegas era muita estrada) sua mente viajava por tantas lembranças, mas o que mais lhe incomodava era ter aprendido – meio que à força – o fato de John Lennon estar completamente correto. Só havia valor, quando havia perda. Lembrou-se da última vez que havia falado com Keltie e o fato de ter dito que se arrependeria do que estava fazendo. É claro que ele se arrependeria – como tinha o sentimento agora -, porque Keltie era a mulher mais maravilhosa que ele pôde conhecer. Era uma honra encher o peito – na época – de orgulho e dizer: “ela é minha noiva”. Orgulho esse que ele gostaria de ter de novo, de andar com Keltie Colleen de mãos dadas com a mulher certa. A mulher que era um poço de alegria, mas também a porcelana mais rara e sensível que já pôde ter. Hoje ele poderia olhar nos olhos dela e dizer com todas as letras o que ela sempre quis ouvir. “Eu tenho sorte por ter você ao meu lado”, mas claro, precisaram se passar três anos para ele dar valor a um amor que se manteve camuflado em seu peito. Ele voltava a aquela casa, porque Z Berg queria comprar uma na praia, morar com Ryan e toda a sua bagunça. Planos que ele havia feito com Keltie e realizaria com outra mulher. Mais uma das suas loiras, Ryan. Pensou, sorrindo de si próprio. Não fazia muito sentido regredir ao platônico após tudo o que foi vivido, após tudo o que fora dito. Não fazia sentido nenhum, já que o vocalista era considerado tão racional que ele – erroneamente – achou que seria fácil voltar à casa que abrigou seus sonhos com Colleen, mas o que ele não esperava encontrar lá foi o que mais mexeu com ele. Impactado pela nostalgia da casa, Ryan caminhava vagarosamente pelos corredores da mesma – assim que chegou – e fora direto ao porão, lembrando-se muito bem de quando trouxe Hobo. A pequena beagle. Ryan sorriu, sentando-se ao topo da escada. Lembrou-se dos olhos saltados de Keltie quando ele disse “vamos adotar um filhote” sem perguntar sua opinião sobre aquilo. Lembrou-se que Keltie não olhava a pequena Beagle durante meses, porém Hobo era especial; seus olhos expressivos e o carinho que a filhote emanava quando Ryan precisava ir para turnês – que quando o Pretty. Odd. surgiu, Keltie passara a não ir mais nos ônibus com Ross -, e a pequena fora conquistando o coração da dançarina e enchendo o coração de Ryan de felicidade. Ryan recordou-se que eram uma família, os três. Voltou a subir as escadas, indo começar aquela limpeza – porque no final das contas ele teria que encarar bem toda aquela história de frente e saber que quanto mais ele fosse tragado para dentro daquele lugar, mais levado pelas lembranças boas e ruins ele seria. Na verdade, ao contrário do que ele pensava, ele não estava preparado para encarar tudo aquilo. Talvez ele não a tivesse esquecido como pensava que tinha feito.Enquanto lembrava-se das coisas que tinha deixado por aquela casa – livros, algumas peças de roupas -, arrumava o quarto que o casal havia dormido por anos, abraçados. Lembrava-se com pesar da doçura que ele havia perdido, de como aqueles olhos se preocupavam se ele realmente estava bem e como à doçura daqueles lábios rosados, finos e delicados lhe enchia de vida. Era tarde demais para se arrepender de estar sem tudo o que aquela casa significava. No armário, onde o músico separava cuidadosamente as roupas que havia deixado, Ryan viu uma de suas camisas, lembrando-se que Keltie costumava usá-la como seu pijama. Ele sorriu, separando aquela camisa bonita – mas colorida e que ele já não usava mais – na pilha das que ele doaria para caridade. Entre tantas outras coisas, um frasquinho jogado bem ao fundo daquele armário lhe fez sentar-se ao chão (seus joelhos magros agradeceram muito, já que ele ficara separando às roupas que ficavam em pequenas prateleiras dobradas, por horas, ajoelhado), arrumando-se confortavelmente. O frasco cor-de-rosa, completamente sofisticado. Levou o frasco a um de seus braços, borrifando uma pequena dose do perfume naquele local. Todo o quarto fora invadido pelo cheiro adocicado da dançarina. O frasco era o perfume de Keltie e o braço do músico foi levado ao seu nariz. Aquilo era motivo o suficiente para ele descumprir toda a promessa que fez à sua estimada ex-noiva. A promessa de deixá-la em paz de uma vez por todas, deixá-la ser feliz com alguém que fosse tão especial quanto ela era. Alguém que não fosse egoísta e a adorasse. Ross sabia que não era o homem certo, porque só pôde adorá-la quando a viu partir.
— # -
Fale com o autor