For You
9 Como nos sonhos
Notas iniciais
Os dias não poderiam estar sendo mais perfeitos para Yoochun e Junsu. Há uma semana Yoochun havia se mudado para um quarto de hotel próximo a casa de Junsu. Os tios do menor protestaram quando Yoochun lhes disse que estava partindo, dizendo que aquilo não era necessário e ele poderia ficar o quanto quisesse. Claro que omitiram que sabiam o quanto a presença de Yoochun fazia bem ao sobrinho, apenas deixaram bem claro que Yoochun sempre seria bem vindo naquela casa.
A rotina de Junsu continuava tumultuada e muito bem ocupada, como sempre foi. Mas agora tinha um adicional que o agradava bastante. Todas as tardes Yoochun esperava Junsu próximo à faculdade, não ficando na porta, mas sim num local próximo, pois não queria gerar comentários à respeito de Junsu entre seus colegas estudantes. Eles caminhavam até o trabalho de Junsu, conversando sobre coisas aleatórias e quando chegava a noite, depois do trabalho de Junsu, Yoochun o esperava em seu hotel, ou ia buscá-lo e o acompanhava até em casa, ficando até o menor adormecer. Não ficavam separados, não mais. Impossível com aquela explosão de sentimentos tomando conta de ambos.
Numa das muitas noites depois do trabalho, Yoochun esperava Junsu para levá-lo para casa. O menor saiu um pouco mais cedo e ambos foram embora, se esgueirando no quarto de Junsu, com uma pequena ajuda de Changmin, que distraiu os tios que ainda estavam acordados.
– Junsu, acho melhor começarmos a planejar um jeito de contar para os seus tios. Não gosto dessa situação. Eles confiam em você, aliás, em nós. Já pensou se eles descobrem da pior maneira? Seria uma decepção e muito vergonhoso. – Yoochun dizia enquanto assistia Junsu tirar a camisa e entrar no banheiro para tomar banho.
– Uhum, eu sei. – o menor concordou enquanto fechava a porta. Alguns minutos depois saiu vestido com uma calça de moletom, enxugando os cabelos com uma toalha e indo procurar uma camiseta nas gavetas do guarda roupa. — Eu pensei em contar depois que eu voltar de Seul. Acho que ainda é cedo para eles saberem, além disso, em menos de duas semanas eu estarei de férias e nós partiremos. Vamos agüentar só mais um pouquinho, quando eu voltar, prometo que conto.
Enquanto Junsu falava, estava revirando a procura de uma camisa velha que gostava muito para dormir, e nem percebeu quando Yoochun se aproximou sorrateiramente para abraçá-lo. Em alguns momentos Yoochun não conseguia se controlar e Junsu não ajudava nem um pouco desfilando a sua frente usando apenas uma calça de moletom.
– Eu já te disse que eu te amo? – Yoochun disse segurando o menor pela cintura e o trazendo para junto de si.
– Já, mas eu adoro ouvir isso. – Junsu disse colocando os braços em torno do pescoço do maior e dando risada gostosa.
– Não vou cansar de dizer isso nunca. E não vou cansar de dizer que seu sorriso é lindo, que amo quando você ri assim. Acho que eu não preciso de mais nada para viver, só ver você sorrir. – Yoochun disse acariciando as bochechas coradas de Junsu e depois o beijando com carinho.
Um beijo calmo e longo. Muito longo, o bastante para se transformar em algo quente, urgente e muito mais prazeroso. Junsu esqueceu-se de sua camiseta, de seus tios e do resto do mundo. Quando Yoochun o beijava daquele jeito, nada mais importava.
As mãos de Yoochun escorregaram pelas costas de Junsu, fazendo este sentir aqueles arrepios que já conhecia há algum tempo, desde que Yoochun o tocou pela primeira vez, naquele banho no hospital. Ambos desejavam que a primeira vez fosse especial, mas em momentos como aquele se esqueciam de seus pensamentos, de suas preocupações e até mesmo de seus nomes. Que fosse inesquecível então, mesmo que fosse num quarto minúsculo, espremidos numa cama de solteiro e sem poder fazer qualquer ruído.
Por um único instante aquele medo de ter sua primeira vez fez Junsu se encolher sutilmente. Yoochun percebeu e se preparou mais uma vez para deixar seu corpo se afastar do namorado. Deixou aqueles lábios que tanto desejava tocar pelo resto de sua vida e encarou os pequenos olhos brilhantes que lhe olhavam com um misto de desejo, admiração e medo. O mais velho apenas sorriu e silenciosamente fazendo Junsu entender que estava tudo bem, mas foi surpreendido pelos lábios do menor nos seus, agora mais afoito e mais desejoso do que estava acostumado.
Junsu deixou seu corpo reagir àquele olhar doce e amoroso, que lhe passava tanta confiança e conforto. Não queria esperar mais, não podia esperar, tudo em si gritava por Yoochun, que por sua vez não negou ao menor aquele beijo urgente. Para que esperar? Tudo o que ambos queriam estava ali, em seus braços.
Yoochun desceu as mãos pelo abdômen de Junsu de um jeito tão leve e devagar que fez Junsu gemer baixinho, se sentindo torturado pelo desejo de ter mais daquelas mãos em si. O menor ainda que curioso e sedento por mais, deslizava suas mãos timidamente pelas costas do namorado, sem saber se deveria se livrar daquele tecido que o impedia de sentir a pele quente de Yoochun entre seus dedos. Mas não foi necessário muito tempo para que esquecesse seus receios e puxasse um pouco mais forte aquele tecido demonstrando ao mais velho o queria. Yoochun soltou-o por breves segundos, só para se livrar daquele pedaço de pano inconveniente aos dois.
– Chunnie... – Junsu gemeu baixinho, deixando o outro entender que não parariam por ali.
– Confie em mim... – Yoochun dizia baixinho no ouvido de Junsu enquanto mordiscava seu pescoço. – Eu te amo.
– Eu nunca fiz isso... — As bochechas coradas de Junsu denunciavam que estava extremamente envergonhado, apesar de sua voz entrecortada evidenciar o quanto estava desejoso e excitado.
– Não pense nisso, confie em mim. – disse olhando nos olhos do menor, que não conseguiu resistir por mais tempo. Impossível resistir, aquela voz rouca sussurrava em seu ouvido e aquelas mãos o seguravam de forma que não pudesse escapar. Entregou-se ao pedido de maior, deixando que ele tomasse conta de si.
Moveram-se pelo quarto até alcançarem a cama e Yoochun trouxe Junsu consigo ao deitar-se, fazendo o menor cair sobre si. O silêncio do quarto foi preenchido por gemidos baixos e contidos de Junsu, que os segurava ao máximo sentindo os dedos longos e pálidos do outro brincarem com o elástico de sua calça. Yoochun abraçou o menor e girou seu corpo, ajeitando-o sob si da melhor forma possível, já que a cama era de solteiro. Mordiscou a pele clara daquele pescoço tão alvo, espalhando um rastro de marcas avermelhadas, descendo pelo tórax, mordiscando os mamilos rosados que já estavam extremamente enrijecidos. Desceu mais, espalhando beijos e saliva pelo abdômen delicado, chegando até onde tanto queria. Puxou o cós da calça, não se detendo ao trazer junto a boxer que o menor usava por baixo. Vagarosamente passou as mãos pelas coxas fartas de Junsu, até que se livrassem totalmente daquelas peças.
Yoochun parou por um segundo, observando o jovem completamente despido que estava a sua frente. Era tão lindo, tão perfeito que parecia que ía desaparecer a qualquer instante, provando que aquilo era uma ilusãa desaparecer a qualquer instante, provando que aquilo era uma iluste despido que estava a sua frente. monstrando ao mais velhoo. Junsu abriu os olhos ao notar aquele silêncio e não sentir mais as mãos do namorado e viu que este o observava. Corou mais ainda, se é que era possível, sentindo-se constrangido por estar despido pela primeira vez na frente de alguém.
– Chunniiie... – gemeu manhoso, deixando claro seu constrangimento.
Yoochun acomodou-se sobre o menor novamente, tomando-lhe os lábios lentamente, fazendo Junsu sentir-se mais calmo e mais entregue.Quando a coxa direita do maior roçou levemente o membro rijo de Junsu, os gemidos não foram contidos, sentindo seus corpos em chamas. Junsu ajudou o maior a tirar as peças que ainda o cobriam, empurrando-as com os pés, e finalmente pode sentir suas peles se tocando e criando um vulcão de desejo. Junsu nunca imaginou que sentiria sensações tão arrebatadoras, atordoantes e incontroláveis como aquelas que sentia naquele momento. Yoochun o beijava por inteiro e o acariciava de um modo especial, que o fazia ir do céu e ao inferno em poucos segundos.
Junsu ficou um pouco mais confiante depois de ter seu corpo explorado daquela forma e começou a se deixar experimentar, passando às carícias mais íntimas em Yoochun. Num pedido mudo ao maior, trocaram de lugar desajeitadamente. Junsu o beijou por inteiro, copiando tudo o que o mais velho fazia consigo antes, dos lábios ate a virilha, fazendo Yoochun enlouquecer de desejo, sentindo que não aguentaria por muito tempo. Puxou Junsu e se deitou sobre ele novamente, perfeitamente sincronizados dessa vez. O encheu de mais carícias, beijando seu pescoço, mordiscando o lóbulo da orelha e beijando sua pele clara, até que suas mãos encontraram a excitação do menor. Não pensou duas vezes, deixou seus extintos o guiarem e começou a massagear o membro rijo do menor, arrancando deste, gemidos incontroláveis, que eram abafados por mais beijos desejosos, enlouquecendo o menor até que este de desfez entre seus dedos, sem conseguir conter o turbilhão de sensações que se apossaram de seu corpo de modo incontrolável.
– Chunnie... – Junsu suspirou enquanto seu corpo se contorcia pelos espasmos de prazer, sentindo o líquido quente escorrer por seu abdômen.
– Eu te amo tanto... – Yoochun confessava enquanto acariciava o namorado, não se importando em sujar o próprio corpo com o prazer do outro enquanto pressionava seu quadril sobre ele.
Junsu ainda gemia baixinho se recuperando lentamente, e sentindo seu corpo esquentar a cada carícia nova. Yoochun foi descendo suas mãos pelo corpo de menor até achar a entrada que tanto desejava, estava indecentemente duro, e não suportaria mais esperar. Introduziu um dígito lentamente e Junsu gemeu em protesto. Sua expressão de dor fez o maior parar e voltar a beijá-lo, tentando aplacar o desconforto. Mais um dígito e uma pequenina lágrima escorreu pela face de Junsu, fazendo o maior cogitar parar com aquilo, não queria machucar o menor.
– Não! – Junsu disse num sussuro fraco quando sentiu Yoochun começar a retirar os dedos de si. – Não pare.
– Não quero te machucar. Você está com muita dor. – o maior disse encarando os olhos marejados do namorado. Arrependeu-se por não ter se precavido e comprado um pote de lubrificante para usar naquele momento, mas não esperava que acontecesse naquela noite.
– Está tudo bem. Não pare, por favor. Eu preciso de você. – Junsu sussurrou encorajando o namorado, mesmo que eu seus olhos fosse visível que estava dolorido.
– Tudo bem. – Yoochun disse voltando a atenção para a pele marcada no pescoço de Junsu, o enchendo de beijos e roçando seus lábios ali. – Se quiser parar me diz, ok? Não quero que sofra. Posso esperar o tempo que for preciso.
Junsu relaxou aos poucos com os toques e palavras doces ditas a cada beijo molhado em sua pele. Quando moveu sutilmente seu quadril, Yoochun introduziu mais um dígito e com a mão livre tomou o membro já desperto novamente de Junsu, intercalando aquele toque com os beijos que molhavam a pele quente abaixo de si.
Aos poucos a dor deixou o aquele corpo, e Junsu pode se mover novamente, fazendo Yoochun movimentar mais rapidamente seus dedos antes de retirá-los. Debruçou-se sobre Junsu, se encaixando perfeitamente a ele, e guiou o próprio membro até a entrada do menor. Forçou aquele pequeno espaço lentamente, fazendo-o recebê-lo gradativamente. Junsu soltou o ar de seus pulmões de uma vez quando a dor foi mais forte, mas não quis parar. Fechou os olhos e apertou suas mãos nos braços de Yoochun, que tomou seus lábios rapidamente, de forma mais selvagem, mostrando o quanto estava louco de desejo por estar invadindo aquele corpo e o tomando para si. Os lábios doces de Yoochun fizeram o menor se esquecer por alguns instantes a dor, sentindo apenas o prazer que sentia quando sentia o gosto daquela boca na sua. Quando deu por si, Yoochun já estava completamente dentro de si e a dor já não era tão ruim.
O calor aumentou de repente, como uma explosão dentro do peito, e Junsu mexeu o quadril, querendo mais contato, desejando que o namorado de movimentasse, e foi prontamente atendido. De forma lenta e gradativa Yoochun começou a se movimentar, indo e voltando, se retirando e invadindo aquele mínimo espaço que se esforçava para recebê-lo, dando um choque de sensações à ambos. Quase instantaneamente começaram a suar e respirar com dificuldade, tentando aplacar os gemidos com beijos molhados e afoitos, para que ninguém os ouvisse.
Yoochun se afastou daqueles lábios viciantes para olhar Junsu, e presenciar uma das cenas mais lindas que já havia visto em todos os seus dias. Junsu completamente entregue, com a cabeça inclinada para trás, deixando a pele alva do pescoço toda marcada à mostra, enquanto suas mãos se fechavam em torno de lençol, o puxando com força, seus cabelos tão molhados como sua pele e seus lábios entreabertos, gemendo seu nome.
“Meu Deus, como ele é perfeito!” Foi a única coisa que Yoochun conseguia pensar.
Yoochun voltou a tomar o membro de Junsu entre seus dedos sedentos, combinando perfeitamente os movimentos de suas mãos às investidas fortes que agora dava ao menor. Os espamos de prazer voltaram a invadir o corpo de Junsu, o fazendo tremer sob as mãos do namorado, e apertar seus olhos com força, mordando o lábio inferior, tentando conter um gemido que queria rasgar sua garganta. O líquido espesso aqueceu seu abdômen mais uma vez, fazendo Yoochun senti-lo entre os dedos.
Tão quente, tão viciante, tão lindo que em mais um mínimo espasmo do menor,que o fez esmagar o membro de Yoochun ainda dentro de si, fez o maior derramar-se dentro de Junsu.
– Ah... Junsu...
Amaram-se completamente. Yoochun fez tudo o que era possível para fazer daquele momento o mais especial possível para Junsu. E conseguiu. E ainda pôde ver um sorriso surgir sutilmente nos lábios avermelhados e inchados de Junsu, antes de se deixar cair sobre o menor. Exaustos e completamente molhados, mas plenamente satisfeitos e felizes por terem compartilhado aquele momento tão importante e especial.
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– Junsu? – o maior chamou depois de um longo silêncio. Estavam abraçados, Junsu de costas para ele, como uma concha se encaixando perfeitamente um no outro.
– Hum...
– Tudo bem? – Yoochun preocupou-se, pois o menor não falara uma palavra depois do haviam acabado de fazer.
– Sim, estou bem.
– Você está tão calado, fiz algo errado? Você não gostou? Eu te machuquei?
– É que eu estou com dificuldade para achar uma palavra que defina o que eu estou sentindo agora... – Yoochun não podia ver, mas Junsu ainda tinha um sorriso bobo estampado no rosto. — Acho que não existe, é indescritível. Foi perfeito. Nunca me senti tão feliz em toda minha vida.
– Eu também meu amor. E eu te amo muito.
– Eu também te amo! – Junsu disse e se virou de frente para o maior. – Você foi maravilhoso. Obrigado por ter esperado e por ter me feito sentir tudo isso.
– Eu é que tinha que agradecer por ter você na minha vida. Você deu um sentido à tudo o que eu sou
Beijaram-se mais uma vez, apenas uma troca de sentimentos, um ato de confissão de amor.
– Vamos tomar um banho?- Yoochun disse sentando-se na cama.
– Vamos, eu estou todo suado e melecado. – Junsu disse fazendo o outro rir.
Ambos entraram no banheiro e pela primeira vez tomaram banhos juntos. Junsu não sentiu vergonha, como ficava quando estava de toalha ou sem camisa na frente de Yoochun. Deixou o maior lhe acariciar com o sabonete durante o banho, e fez o mesmo com ele. Bastaram alguns minutos apenas e ambos já estavam fervendo novamente. Nem saíram do banheiro, se amaram ali, debaixo do chuveiro.
Foram se deitar bem tarde, evitando até respirar muito alto, pois não queriam levantar suspeitas. Por sorte o quarto dos tios não ficava tão perto. Junsu não deixou Yoochun ir embora, pediu que ficasse e dormisse com ele, no outro dia cedo dariam um jeito para ele sair sem ser visto.
Mas não foi preciso o esforço, pois acordaram de manhã com primo de Junsu invadindo o quarto e quase os matando de susto.
– Acorda Junsu! – Chang disse sacudindo o primo que dormia sobre o peito de Yoochun. Estavam apenas de cueca e enrolados nos lençóis da cintura para baixo.
– Hum... Que foi Chang? Que coisa! Essa mania de me acordar fazendo escanda... Espera aí! Como é que você entrou aqui?
– Hããã... Muito esperto. Agora que você lembra que existe chave pra trancar a porta não é... – Nisso Yoochun já estava acordado olhando os primos discutirem.
– O que está acontecendo? – Yoochun perguntou confuso.
– O que acontecendo? Acontece que vocês dois espertalhões deixaram essa maldita porta destrancada ontem a noite. E adivinha? Minha mãe veio acordar o Junsu hoje cedo e deu de cara com seu amado sobrinho dormindo abraçado com seu querido hóspede, e ainda por cima os dois quase pelados! Pelo amor de Deus Junsu, como é que você esquece de trancar a porta?
– O que? Minha tia viu isso aqui? – Junsu perguntou apontando para ele e Yoochun. – Ela deve estar uma fera. – disse se levantando e procurando suas roupas para se vestir.
Yoochun fez o mesmo e rapidamente se vestiu.
– E agora? Eu nem sei o que eu falo pra ela! – Junsu disse olhando para o primo e para Yoochun que vestia a camisa.
– Então vai tratando de pensar, pois ela está lá embaixo, junto com meu pai, esperando vocês dois para conversar. – Chang disse e viu que Junsu ficou com medo. Pensou por um instante e depois tentou amenizar seu próprio escândalo, apesar de estar com vontade de matar o primo. – Olha, ela está um pouco chocada, mais chocada do que brava. Eu sinceramente acho que ela e o meu pai desconfiavam de alguma coisa, mas foi meio chocante entrar e ver você dormindo com um cara. Ela me chamou que nem uma doida, dizendo que tinha visto vocês juntos, se eu já sabia e me fez um monte de perguntas sem sentido. Acho que ela se sentiu meio traída por você não ter contado. – Chang se levantou e deu uma última olhada no primo. – Ela está esperando. — E saiu.
– Yoochun, como eu sou idiota. Eu devia ter falado antes, agora ela vai ficar brava e... – Junsu despejava as palavras desesperado, com os olhos marejados e as mãos na cabeça em sinal claro de pânico.
– Shiii, calma! – Yoochun disse e puxou Junsu para seus braços. – Vai ficar tudo bem. Nós fizemos errado de não contar antes. Agora vamos ter que dizer a verdade, pura e simples. Não vai acontecer nada, eles até podem ficar chateados por um tempo, mas o que mais poderão fazer? Eles não vão proibir que nós fiquemos juntos, não podem fazer isso. Você já é maior de idade e eu nem se fala né...
Yoochun esperou Junsu se acalmar. O menor calçou um chinelo e respirou fundo antes de tomar a decisão.
– Então vamos? — Yoochun disse segurando a mão do menor.
– Vamos. — Junsu respondeu respirando fundo.
– Eu te amo. – Yoochun sussurrou apertando os dedos de Junsu entre os seus.
– Eu também te amo. – eles trocaram um olhar cúmplice e depois soltaram suas mãos e desceram as escadas, Junsu na frente e Yoochun logo atrás.
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Os tios de Junsu estavam sentados na sala, ambos olhando para chão. Chagmin estava sentado no canto do sofá, como um mero espectador do que estava por vir.
– Bom dia tia, bom dia tio! – Junsu disse e sentou no sofá oposto.
– Bom dia sr. e sra. Shin. – Yoochun disse e sentou-se ao lado de Junsu.
– Bem... – o tio de Junsu começou depois de um minuto de silêncio constrangedor. – Vejo que você passou a noite aqui em casa Yoochun.
– É... Sim. Desculpe-me, acho que eu devia ter pedido permissão e...
– Olha, vamos parar com essa conversa mole. – a sra. Shin se intrometeu sem fazer questão de manter aquela conversa de forma civilizada. – Eu só quero uma boa explicação para o que eu vi hoje cedo! E porque estou sendo a ultima a saber?
– Tia, isso não é verdade, a senhora não é a última a saber de nada. – Junsu disse achando que estava sendo injustiçado com aquelas palavras, afinal, ninguém sabia além de Changmin.
– Como não? Meu sobrinho está dormindo com um homem, sob meu teto e eu não sabia de nada.
– Acalma-se meu bem, deixe-os falar. – o tio interveio. Estava bem mais calmo que a esposa, mas não mais satisfeito que a mesma.
– Tio, eu queria ter contado antes. A culpa foi minha. O Yoochun pediu tantas vezes pra eu contar, mas eu fiquei com medo e...
– Não Junsu, não assuma a culpa de nada. Você não está sozinho e não fizemos nada de errado a não ser omitir o que estava acontecendo entre nós dos seus tios. – Yoochun interveio. – Olha senhor e senhora Shin, eu peço desculpas, pois acho que traímos a confiança de vocês. Saibam que ninguém sabe de nós, apenas o Changmin que descobriu sozinho. Nós estávamos temendo a reação das pessoas, sabemos que um relacionamento homossexual não é bem aceito em lugar nenhum. Eu quis poupar Junsu de ser alvo de comentários maldosos. Nós havíamos planejado contar para vocês, mas infelizmente a senhora descobriu da pior forma possível.
Os tios permaneceram em silêncio. Junsu resolveu falar depois daquele silêncio constrangedor. Queria colocar para fora seus sentimentos, precisava falar por si mesmo, não era justo Yoochun ficar a frente e responder por ele, afinal, era um homem, por mais contraditório que isso parecesse naquele momento em que ele estava dando satisfação da sua vida sexual para seus tios.
– Olha, eu errei por não ter falado logo no início. Aconteceu tudo de repente, quando eu percebi já estava totalmente envolvido com Yoochun e eu tive medo que vocês não me apoiassem e não me aceitassem por eu ser assim. – Junsu disse com a cabeça baixa. – Eu havia feito planos, muitos planos junto com Yoochun. Ele está esperando eu entrar de féria e vai me levar com ele para Seul. Nós já havíamos planejado todo um jeito para nos vermos, mesmo eu estando aqui e ele lá. Ontem mesmo eu disse à ele que nós iríamos contar para vocês quando eu voltasse de lá.
– Isso está sério assim? Você ia passar suas férias com ele? – a tia perguntou espantada.
– Sim tia, é sério. Ele me pediu em namoro e eu aceitei. Veja. – e tirou correntinha de dentro da camiseta, que continha a aliança pendurada. – Ainda usamos assim, escondida. Quando contássemos para toda a nossa família, colocaríamos as alianças como deve ser.
– Meu Deus, é sério mesmo. – o tio disse olhando para a esposa. — Bem, eu nem sei o que dizer. – Não nego que estou decepcionado por terem escondido de nós, podiam ter contado, até porque estávamos desconfiados.
– Estavam? – Junsu arregalou os olhos.
– Sim. Você se transformou depois que conheceu Yoochun. Você não sorri assim desde que seus pais se foram. E também parece estar mais tranqüilo, menos obcecado com os estudos. A presença de Yoochun te fez bem e isso nos fez cogitar a possibilidade de estar havendo algo mais entre vocês. A sua tia concordava comigo, mas foi muito mais chocante encontra-lo com Yoochun daquela forma, do que se tivessem apenas nos contado.
– Eu sei, me desculpem. Eu não queria que a senhora tivesse que ver tia, sei que não deve ser fácil de aceitar, quanto mais ter que ver uma situação assim.
A tia suspirou e depois encarou o sobrinho e o rapaz ao seu lado.
– Olha meu querido, eu nunca viraria as costas para você. Não importa o que aconteça eu vou sempre te apoiar e sinceramente eu fiquei feliz de te ver tão alegre durante essas últimas semanas. Entenda, eu fiquei assustada quando os vi, não vou repudiá-los de forma alguma. Mas me digam, desde quando estão juntos?
– Ai tia, eu nem sei te dizer, foi tudo tão de repente. Faz duas semanas que nós estamos oficialmente juntos, de aliança e tudo. Mas acho que gosto dele desde o dia em que o vi pela primeira vez. – Junsu disse envergonhado.
– É verdade. – Yoochun disse. – Foi acontecendo, quando percebemos já estávamos juntos.
– Tudo bem, não precisam se envergonhar ok? – a tia disse abanando as mãos.
– Acho que até vocês viajarem então, podem continuar como estavam, apenas não precisam se esconder de nós. Adoraríamos que você voltasse para cá Yoochun, já que tem passado algumas noites aqui com Junsu, não vai fazer diferença estiver no hotel ou não. – o tio disse sério. – Prefiro vocês aqui dentro de casa do que andando por aí. Por mais que depois vão assumir tudo na frente de outras pessoas, acho que precisam se preservar por enquanto. E antes de saírem juntos por aí, acho que a família de Yoochun precisa saber.
– Sim, eu falarei com meu pai pessoalmente quando voltar á Seul. Não se preocupem, eu entendo a preocupação em preservar Junsu. Não quero ser incômodo ficando aqui, aceito vir se me deixarem ajudar em alguma coisa.
– Que seja, só não quero que vocês se escondam por aí mais. – disse a tia se levantando do sofá. – Vou preparar o café de vocês.
– Eu vou trabalhar, ainda tenho muito o que fazer hoje. – o tio disse e saiu.
Ambos ficaram na sala em silêncio, apenas esperando o espectador daquilo tudo se pronunciar, o que não demorou a acontecer, como previram.
– Brincadeira vocês dois hein... – Chang se pronunciou pela primeira vez. – São sortudos demais, meus pais não são moles assim não, pelo menos comigo. Ainda por cima querem você aqui em casa Yoochun. Aish... Eu queria essa moleza deles para mim. – disse saindo abanando a cabeça e subindo para seu quarto.
Os dois ficaram sozinhos.
Yoochun pegou a mão de Junsu, que estava gelada como uma pedra, e a segurou entre suas mãos.
– Está tudo bem, eu não te disse?
– Eu sei, estou aliviado. – Junsu disse e deixou sua cabeça cair no ombro de Yoochun.
– O que foi? Parece que ficou mais triste?
– Não é isso. Estava aqui pensando, como vai ser difícil para nós no começo não é? Quando todos souberem. Meus tios foram compreensíveis porque sou da família. Mas e as outras pessoas? E seu pai? Será que ele vai ser assim também? – Yoochun sabia que não. Mas não queria deixar Junsu pior.
– Olha, não importa o que os outros vão pensar. Eu te amo e nada vai mudar isso. Se meu pai ou qualquer outra pessoa não concordar, não vai importar. Eu te disse lá em cima, ninguém pode nos impedir e eu não vou deixar ninguém te atingir. Eu prometo. – disse Yoochun abraçado o menor.
A senhora Shin, que assistia tudo da cozinha respirou aliviada e depois se virou e voltou aos seus afazeres. Teve certeza que pelo menos Yoochun cuidaria de seu sobrinho e o protegeria, mesmo aquela situação não sendo o que desejou para a vida do sobrinho. Achava que ele se casaria com uma boa moça, e teria filhos, que correriam por aquela casa a chamando de vovó. Mas se Junsu escolheu aquele caminho, a única coisa que lhe restava, era apoiá-lo.
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Yoochun voltou para a casa dos Shin e passou a fazer parte do dia a dia da família. Insistia sempre em ajudar a senhora Shin com as compras e quando podia ia até a venda ajudar o senhor Shin em algum trabalho mais pesado. Apesar de estar acostumado com outro tipo de vida estava gostando de estar ali. Sentia-se em casa, pensou que seria fácil levar uma vida daquela forma, se um dia resolvesse deixar sua vida de Seul para trás.
Junsu estava no céu e agora não tinha que se esconder de seus tios, apesar de trancar bem sua porta agora todas as noites, para que ninguém flagrasse uma cena tão íntima entre ele e Yoochun de novo. Estava muito feliz e apaixonado, tinham uma ligação forte, que não os deixavam se afastar por muito tempo, estavam dependentes um do outro. E também agora tinham um adicional que os estava deixando loucos. Depois da primeira noite de amor, não conseguiam se controlar. Estavam em constante ebulição. Mal entravam no quarto à noite e já estavam na cama, ou no chuveiro, ou no colchão e até sobre a escrivaninha. Amavam-se como loucos, como se a vida deles dependesse desse ato de amor. Não tomavam banho separados de forma alguma e isso resultava em mais momentos insanos de amor, deliciosamente incontroláveis.
Já era noite e os dois estavam deitados conversando sobre seus planos de viagem para Seul. Faltava apenas quatro dias para Junsu entrar em férias.
– Yoo, você não parece estar feliz de estar indo para Seul. – Junsu disse percebendo como o namorado estava desanimado.
– Não é tristeza amor. É que eu deixei tanta coisa pendente, estou ficando ansioso para resolver tudo logo. Quero te dar atenção quando estivermos lá, não quero ter que ficar o tempo todo te deixando sozinho para ter que resolver problemas de trabalho.
– Vai dar tudo certo. E você não precisa se preocupar assim comigo. Resolva seus problemas e quando terminar, eu estarei esperando. – Junsu disse dando um beijinho nos lábios do namorado.
– Você é maravilhoso. – Yoochun disse apertando mais os braços em torno do namorado. – Isso me fez lembrar uma coisa. Aquele dia que conversamos com seus tios, você disse para eles que se apaixonou por mim desde o dia em que me viu. Como foi isso? Achei que isso só tinha acontecido comigo. Você praticamente fugiu de mim no começo.
– Eu não fugi. – Junsu fez um bico fofo. – Eu estava com medo. E eu me apaixonei por você sim, desde o primeiro dia, mesmo que meio inconscientemente. Eu não te contei, mas... Não ria, ta? – suspirou — Alguns dias antes de você vir, eu sonhei com você.
– Como assim? – Yoochun se espantou com aquela informação. – Você não me conhecia.
– Não me olhe assim! Eu sei, parece loucura, mas aconteceu. Eu sonhei várias vezes com um homem, que eu encontrava numa estrada sozinho. Ele sempre vinha caminhando até mim e quando ele chegava eu via que estava ferido, mas não conseguia ajudar. Quando te vi no dia do acidente, fiquei chocado, pois você parecia demais com o cara com que eu tinha sonhado.
– Só parecia? Pode ser que não seja eu então. – provocou Yoochun.
– Era você, com certeza. Sei porque dois dias depois que eu te conheci eu sonhei de novo, mas no final eu conseguia te ajudar e eu via nitidamente que a pessoa que estava em meus braços era você.
Yoochun ficou pasmo com aquilo. Mas não podia negar que sentia estar destinado a estar ao lado do menor.
– Então isso significa que estávamos destinados a ficar juntos. E isso ninguém pode mudar. – Yoochun disse beijando o ombro de Junsu.
– Sabe... Eu estava pensando que eu poderia muito bem me acostumar a viver aqui.- o maior disse despreocupadamente. — Assim como estamos agora. Estou cansado daquela vida sem sentido que eu levava antes. Estou cogitando a idéia de abrir um escritório da empresa aqui, como se fosse uma filial. Eu poderia vir para cá e administrar tudo daqui. Não faço questão de estar em Seul. Aí depois que vocês se formar, a gente decide se ficamos aqui ou se mudamos para outra cidade ou voltamos para Seul.
– Sério? – os olhos de Junsu brilharam.
– Claro, só me importo de estar perto de você. O resto vai ter que se encaixar na minha escolha. Mas agora não vou falar disso, além do que são planos para um futuro um pouco distante, e eu quero aproveitar esses dias de sossego junto com você, meu amor. – Yoochun o puxou para si tomando seus lábios.
Pouco depois já estavam em chamas novamente, se amando como faziam todos os dias. Incansavelmente. Em nenhum momento Yoochun deixou o nervosismo pelo que o esperava o dominar. O que mais poderia atrapalhar afinal? Só não podia deixar Junsu saber sobre a sua noiva, não queria magoá-lo. O resto ele daria um jeito, nem que tivesse que fugir para o fim do mundo com Junsu, para poder amá-lo pelo resto de seus dias.
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