For You
10 O sabor da convivência
Notas iniciais
Chegou o dia. Yoochun e Junsu finalmente partiriam para Seul. Iriam de ônibus, contra a vontade de Yoochun é claro, pois Junsu insistiu e disse que queria ir assim, já que era Yoochun quem estava pagando a viagem. Não conseguia se adequar a mania de Yoochun de achar que dinheiro não era nada. O mais velho aceitou porque não queria contrariar o menor, estragando a viagem.
– Quando chegar lá me liga para avisar se está tudo bem. – disse a senhora Shin enquanto abraçava o sobrinho chorosa por se afastar do rapaz.
– Não fique assim tia, eu vou só passar as férias lá, daqui um mês estarei de volta, ok?
– Se cuidem. – disse o tio abraçando o sobrinho e estendendo a mão à Yoochun.
– Vê se toma conta do meu primo hein, senão já sabe. – Chang disse dando um soco no braço de Yoochun.
– Não se preocupe, eu prometo que tomarei conta dele. – Yoochun disse quando entraram no táxi em direção à rodoviária.
Os tios viram Junsu partir junto da pessoa que ele havia escolhido para estar ao seu lado, e claro que a senhora Shin não conseguiu segurar as lágrimas.
– Não fique assim querida, tenho certeza que ele ficará bem.
– Eu sei, mas eu temo tanto por ele. Sempre foi tão inocente, tão bom, tenho medo que se machuque.
– Calma omma, ele vai voltar logo. Ele não é bobo, sabe se cuidar. – Chang disse abraçando a mãe.
– Eu espero que sim meu filho... Eu espero.
= = = = = = = = = = = =
A viagem não foi tão longa quanto Junsu imaginou e cinco horas depois estavam em um táxi, indo em direção ao apartamento de Yoochun.
Junsu ficou o tempo todo olhando a cidade, as pessoas e as lojas. Parecia que tudo era tão diferente do que estava acostumado. Não que a cidade que morava fosse tão interiorana, mas Seul era bem diferente, o centro da modernidade, muito movimento, muitos carros e muitas pessoas circulando. Yoochun apenas observava o menor ficar olhando tudo aquilo e por dentro seu coração batia ansioso, sabia que o momento de enfrentar seu pai e romper seu noivado estava chegando. Não poderia mais adiar.
– Chegamos. – Yoochun disse entregando o dinheiro ao taxista e descendo do carro.
– Uau! Você mora aqui? – Junsu dizia com os olhos arregalados observando o grande edifício à sua frente. Era um prédio aparentemente luxuoso, só para pessoas que realmente tivessem muito dinheiro.
– Sim, moro aqui. – Yoochun encarou o rosto infantil do namorado e sorriu vendo como os olhos do menor brilhavam.
Entraram no prédio com as malas e logo alguém uniformizado veio e pegou a bagagem e ambos, desaparecendo em seguida por um corredor estreito.
– Senhor Park, como está? – o homem baixinho que estava na portaria cumprimentou-o.
– Bem, obrigado.
Seguiram para o elevador e quando entraram Yoochun apertou o botão que iria para a cobertura. Junsu não disse nada, mas percebeu que estava indo para o melhor apartamento daquele edifício.
Chegaram ao vigésimo andar. As malas estavam ao lado da porta, aguardando os donos. Yoochun digitou o código na fechadura eletrônica e a porta deu um estalo, sobressaltando o menor.
– Entre. – chamou Junsu estendendo-lhe a mão.- A casa é sua.
Junsu entrou devagar, ansioso por ver o lar daquele a quem amava. Era enorme e parecia ser muito aconchegante, mesmo tendo quase todos os móveis escuros, em contraste com o branco das paredes e do chão. Havia pouca cor, revelando aquele ar de seriedade e frieza que Yoochun sempre foi. O hall de entrada os levou até uma sala com dois ambientes, copa e sala. Um balcão separava essa sala da cozinha, que estava muito limpa e organizada. Oposto ao balcão da cozinha, havia havia um corredor, onde tinham várias portas. Conforme andavam, Yoochun explicava onde estava tudo.
– Bem, essa aqui é a sala de televisão. Gosto de ficar aí para jogar vídeo game e ouvir música. Aqui nessa outra porta é um banheiro. Essa aqui é o quarto de hóspedes e a outra é meu escritório. E essa última é o nosso quarto.
– Nosso quarto? – Junsu disse corando imediatamente. Pensar que naquele lugar dormiriam juntos e demonstrariam por tantas noites o amor que sentiam, fez um frio lhe percorrer a espinha, o envergonhando ao mesmo tempo pelos pensamentos pervertidos.
– Claro, achou que dormiria longe de mim? De jeito nenhum. — Yoochun abriu a porta e Junsu pode ver que o quarto tinha uma cama imensa bem ao centro. Era toda na cor branca, com uma colcha preta. Os criados mudos ao lado da cama eram na cor branca também, assim como todo o quarto. As únicas coisas que tinham no quarto que não eram brancos, eram as roupas de cama, o tapete e por incrível que pareça, um piano de calda, postado bem a frente da porta da varanda.
– Meu Deus, você tem um piano em seu quarto! – Junsu disse com os olhos arregalados.
– É que eu gosto de tocar, música me faz muito bem. Digamos que era a única coisa que ajudava a me manter com a cabeça no lugar em dias difíceis.
Junsu se encaminhou até a imensa porta de vidro que dava acesso à varanda e a abriu.
– Que vista linda! Imagino que a noite deve ser um espetáculo. — Junsu disse observando Seul se movimentar lá em baixo.
– Sim, a noite é muito bonito. – Yoochun disse abraçando o namorado pela cintura.
Junsu sorriu e se virou para ficar frente a frente com o maior, mas parou ao ver o retrato sobre a mesinha, ao lado de um vaso de orquídea.
– É a sua mãe? – disse pegando o retrato para vê-lo de perto.
– Sim.
– Ela era linda. Você parece com ela. – Junsu disse sorrindo para a foto.
– Sim, ela era linda. – Yoochun disse com a voz triste.
Junsu percebeu e colocou o retrato de volta na mesinha, tentando não demostrar interesse naquele assunto, pelo menos naquele momento.
– Hum, estou com fome e você? – Junsu disse dando um beijinho em Yoochun.
– Também estou. Vou pedir alguma coisa para nós. Aqui em casa não tem nada, já que eu fiquei muitos dias fora.
– Hum, pode ser. Mas a gente podia fazer umas comprinhas depois, não vamos ficar pedindo comida, ok? Eu sei cozinhar e posso fazer a comida.
– Tudo bem, como você quiser. E saiba que eu também me viro bem na cozinha, viu?
– Sério? E como eu nunca fiquei sabendo disso? – Junsu disse dando um tapinha na bunda de Yoochun enquanto pegavam as malas e levavam para o quarto.
– Você nunca perguntou. E a comida da sua tia é maravilhosa, eu nem me atreveria a tentar assumir a cozinha dela.
= = = = = = = = = == =
Algumas horas mais tardes, os dois estavam na sala conversando. Junsu estava sentado confortavelmente, acolhendo o namorado em seus braços. Já haviam almoçado e lavado a louça juntos, fazendo Yoochun começar a gostar de sua própria casa. Nunca teve companhia e estava feliz por ter Junsu ali tão perto, compartilhando momentos tão íntimos e tão tranqüilos.
– Chunnie, você avisou seu pai que está aqui? – Junsu perguntou enquanto acariciava os cabelos curtos do namorado.
– Não, ainda não. Se eu avisar ele vai aparecer aqui em questão de minutos. E eu ainda preciso falar de nós para ele. Amanhã eu vou sair cedo para ir até a empresa e vou chamá-lo lá. Tenho que colocar os assuntos de trabalho em ordem e depois tenho que resolver algumas pendências pessoais com ele. Talvez eu aproveite a oportunidade para falar de nós dois.
– Hum, entendi. – Junsu ficou um tempo em silêncio – Você acha que ele vai aceitar? Sabe... a gente?
– Não sei meu amor. Ele sempre exigiu muito de mim e acho que esperava que eu me casasse com uma filha de alguma família de prestígio e tivesse filhos para herdar o nosso patrimônio. Mas ele não tem saída, tem que aceitar, foi o que eu escolhi e nada vai fazer que eu mude de idéia. – Yoochun disse beijando a outra mão de Junsu que antes descansava em seu peito.
– É, fizemos nossa escolha, mas sinto que isso será difícil.
– Esqueça por enquanto meu amor. Hoje é nosso primeiro dias juntos aqui e quero que você aproveite. Quer ir ao supermercado? Temos que comprar comida, daqui a pouco é hora do jantar e teremos que pedir comida de novo.
– Ah não, vamos ao supermercado então... — disse correndo para o quarto para trocar de roupa, sendo seguido por Yoochun.
= = = = = = = = = == =
Uma hora depois estavam dentro de um supermercado imenso, afastado do centro de Seul. Yoochun usava óculos escuros e boné, e eles não andavam de mãos dadas. Junsu entendia que ainda não podiam fazer isso e correr o risco de alguém ver e reconhecer Yoochun. Não era nenhuma celebridade, mas já havia estampado a capa de muitas revistas de economia e alguns jornais.
Yoochun empurrava o carrinho e Junsu ia escolhendo os itens. Deram muitas risadas durante o tour pelo mercado, brincavam com as coisas engraçadas que encontravam e riam dos maridos que ficavam pelos corredores discutindo com as esposas, ou por causa da demora ou porque a mulher gastava demais.
Compraram bastante coisa, Junsu queria evitar ao máximo que comecem fast food. Yoochun não reclamou e atendeu ao pedido do menor. Ceder a qualquer pedido dele seria muito pouco perto das férias que Junsu teria que passar trancado em um apartamento. Podia ter ficado em sua cidade, podia estar passando dias ao ar livre em qualquer lugar, indo ao cinema e comendo a comida saborosa da senhora Shin. Mas por Yoochun estava ali, enfiado em um apartamento, cozinhando e teria que passar várias horas do dia sozinho esperando o maior resolver seus problemas no trabalho.
Chegaram em casa e guardaram todas as compras. Estavam guardando a ultima sacola quando a porta do apartamento se abriu e uma senhora simpática entrou.
– Oh, me desculpe senhor Park, não sabia que o senhor tinha voltado. – a senhora se curvou diante de Yoochun.
– Tudo bem ahjuma, não se preocupe. Deixe-me te apresentar, esse aqui é meu amigo, Kim Junsu, veio passar uns dias em Seul e vai ficar aqui em casa.
– Olá. – Junsu disse com um sorriso simpático para a senhora.
– Olá senhor Kim.
– Esse mês a senhora não precisa ficar vindo com tanta freqüência. Passaremos muito tempo em casa e podemos cuidar de tudo. A gente combina os dias certinho e a senhora vem, pode ser? Não se preocupe, pagarei a senhora normalmente. – Yoochun disse sorrindo para a senhora.
– Oh... Tudo bem. O senhor tem certeza? Posso cuidar da casa para o senhor.
– Não, está tudo bem. Não se preocupe. Se precisar eu ligo para a senhora.
– Tudo bem então. Já vou indo.
A senhorinha foi embora e Yoochun encontrou Junsu na cozinha com cara de interrogação.
– Ah, desculpe, esqueci de te falar... Ela cuida do apartamento, por isso tem a senha da porta, mas como ela virá pouco esse mês, acho que vou trocar, só para não ter perigo de alguém entrar aqui numa hora imprópria.
– Hum, entendi. – Junsu disse com uma carinha sapeca, entendendo bem o que seria a tal hora imprópria.
– Vamos tomar banho? – Yoochun disse abraçando Junsu pela cintura.
– Huuumm... Não sei se quero ir com você. – Junsu disse fazendo carinha de pensativo. – Só se você me pegar. – e saiu correndo com um sorriso travesso.
– Ah, eu não acredito... – Yoochun saiu atrás do menor. Correram pelo apartamento que nem crianças. Junsu era ágil, pulava sobre o sofá e se enfiava nos quartos e assustava Yoochun quando ele entrava. As risadas ecoavam pelo apartamento, preenchendo aquele lugar que antes era tão solitário e frio.
Junsu entrou no quarto de Yoochun sem ele ver e ficou esperando ele o procurar. Escondeu-se dentro do guarda roupa imenso e ficou observando pela fresta da porta. O guarda-roupa era embutido e muito grande, cabia uma pessoa em pé tranquilamente. Depois de alguns minutos de silêncio Junsu estranhou a demora de Yoochun em procurá-lo e resolveu sair. Mas antes que desse um passo sentiu mãos lhe envolverem por trás, pela cintura e tapando sua boca. Assustou-se, mas logo ouviu a voz rouca de Yoochun sussurrar em seu ouvido.
– Te peguei! – e então o maior virou Junsu de frente para ele e o beijou sem dar alguma chance par o menor lhe responder. O fogo se acendeu imediatamente. Yoochun empurrou Junsu para fora do guarda-roupa aos beijos e ambos foram tropeçando até a cama.
– Menino levado. – Yoochun dizia enquanto arrancava as roupas de Junsu. – Achou que me enganava não é...
– Hum... – Junsu gemia entra os beijos molhados e as carícias atrevidas do maior. – Eu sou levado né...
Não demorou muito e já estavam enlouquecidos entre os lençóis de seda preta. A cor escura dos lençóis em contraste com a pele muito branca do casal, gemidos altos e juras de amor eterno. Momentos únicos que deixavam aquela relação cada vez mais apaixonante e mais forte.
========================
Era quase hora do jantar e os dois se encontravam deitados e abraçados, com o lençol os cobrindo da cintura para baixo.
– Junsu?
– Hum...
– Eu te amo... Muito.
– Eu também te amo meu amor.
A luz do dia estava prestes a desaparecer. O quarto se tornou mais escuro, com os últimos raios de sol do dia entrando pela porta da varanda.
– Você é muito sapeca, sabia. – Yoochun dizia acariciando o rosto do menor que o olhava com seus pequenos orbes brilhantes.
– Só eu? – Junsu sorriu. – Você também não perde em nada. E me conta, como você entrou antes de mim naquele guarda-roupa?
– Eu entrei pelo outro lado. O quarto ao lado é meu escritório e eu fiz uma porta de acesso de lá para cá por dentro do guarda roupa. Te peguei direitinho.
– Ah, assim não vale. Eu nem sabia disso. – fez um biquinho e cruzou os braços, parecendo uma criança emburrada.
– Tenho meus truques meu amor.
Os dois conversaram mais um pouco e foram tomar banho. Claro que o banho não ficou só no ato de higiene pessoal e eles se amaram mais uma vez no chuveiro. Impossível estarem juntos e não se tocarem, se beijarem ou se agarrarem como loucos.
Depois foram preparar o jantar, como se aquilo fosse o que fizessem todos os dias. Parecia tão normal, tão natural, com ambos vestindo roupas confortáveis e chinelos, cabelos despenteados e sorrisos bobos iluminando aquele lugar que antes era tão triste. Junsu fez espaguete e Yoochun ficou olhando e dando palpite enquanto lavava o que Junsu sujava. Jantaram tranquilamente, saboreando cada pedacinho daquele momento tão especial que compartilhavam. Arrumaram a cozinha e depois ficaram sentados na varanda, olhando a noite iluminada de Seul.
– Chunnie?
– Hum...
–Posso te pedir uma coisa?
– Claro meu amor. O que você quiser.
– Toca piano para mim?
E claro que Yoochun jamais negaria qualquer pedido do menor. Ambos se encaminharam para o quarto e Yoochun tomou seu lugar ao piano enquanto Junsu se acomodou na cama para assistir. O piano ganhou vida nas mãos de Yoochun e uma melodia doce e envolvente cobriu todo o quarto. Junsu observava o maior tocar e por mais que aquilo fosse impossível, sentiu seu coração bater contra seu peito desesperadamente, como se a carga de amor que carregava por Yoochun tivesse ultrapassado todos os limites. Junsu o amou mais, não sabia como era possível já que seu coração era por inteiro do maior. Mas vê-lo ali de olhos fechados, acariciando as teclas do piano fez Junsu o querer mais, para toda a vida, como se aquilo já não estivesse traçado.
Junsu abraçou o travesseiro e encostou-se na cabeceira da cama concentrando-se apenas na melodia. Sentiu o cansaço do dia chegando e a música foi ficando distante, como se ao poucos ele caminhasse para fora dali. Lutou internamente para manter-se acordado e ficar observando o mais velho por mais tempo, mas o cansaço venceu, fechou os olhos e de repente a música sumiu.
Yoochun abriu os olhos e viu Junsu adormecido sentado na cama, todo torto. Como ele conseguia ser tão lindo? Tão sexy e tão inocente ao mesmo tempo? Encerrou a melodia, e se levantou indo até a cama, colocou-o deitado confortavelmente e o cobriu com o edredom macio. Ficou observando o sono tranqüilo do namorado e seus pensamentos se perderam nas doces lembranças dos momentos que havia passado ao lado do menor desde que o conhecera. Nunca imaginou se apaixonar daquela forma e ali estava ele, velando o sono de um rapaz que havia se tornado o único motivo de sua vida. Deitou-se um tempo depois abraçando Junsu pela cintura e logo o sono o levou dali.
= = = = = = = = = = =
Sete horas da manhã e Yoochun já estava em pé ajeitando sua gravata em frente ao espelho. Suspirou profundamente quando terminou pensando que teria que lidar com seus problemas, havia chegado a hora. Olhou pra trás e viu Junsu adormecido na cama. Não queria acordá-lo, então deixaria um bilhete avisando que estava na empresa.
Voltou-se para o espelho e não conseguiu reconhecer quem estava refletido ali. Quando estava com Junsu conseguia ser ele mesmo, sem mascara, sem rótulo, sem a carga do sobrenome Park. Gostava muito mais do Yoochun do Junsu, do que o Yoochun empresário. E sabia que aquele que dormia ali tão perto, também preferia o Yoochun verdadeiro e sem títulos.
– Sim, é isso. Eu não sou mais esse Yoochun. – sussurrou arrancando a gravata e jogando num canto. Foi até o guarda-roupa e procurou as roupas que havia comprado quando estava na casa de Junsu. Parou por um instante e reparou que a mala de Junsu estava dentro do armário, ainda com as roupas.
– Hum, isso não está bom. – tirou vários de seus ternos e algumas camisas do cabide e jogou tudo no chão. Esvaziou duas das quatro gavetas de camisetas e bermudas.
Procurou uma troca de roupa e tirou o terno. Quando se olhou no espelho novamente estava com uma calça jeans mais justa azul clara, uma camiseta branca e um blazer preto por cima. E para finalizar um sapatênis claro. Foi até o banheiro e passou um pouco de gel, arrepiando mais ainda os fios escuros que já eram arrepiados naturalmente.
– Agora sim, esse sou eu! – disse encarando o espelho. Pegou a aliança que estava pendurada em seu pescoço e a beijou, depois guardou-a dentro da camiseta.
Foi até o escritório pegou uma caixa vazia e colocou todas as roupas que havia jogado no chão. Escreveu um bilhete para Junsu e deixou sobre o piano.
Durante seu caminho, passou pela portaria e deixou a caixa de roupas, dizendo ao porteiro que doasse as roupas para alguém que precisava. Encaminhou-se para a garagem e entrou em um de seus carros que ali estavam e partiu para o trabalho sorrindo. Pela primeira vez estava realmente feliz ao tomar aquele caminho, pois agora tinha um motivo para fazer tudo direito.
===========================
E lá estava ele, adentrando o saguão do edifício e fazendo cada funcionário e cliente que passava olha-lo. Ignorou aquilo e entrou no elevador, seguindo direto para seu escritório. Quando saiu do elevador, a secretária estava ao telefone e rapidamente curvou-se diante dele.
– Bom dia senhor Park! – disse com os olhos arregalados.
– Bom dia senhorita HyeJoo. – disse Yoochun educadamente e entrou em sua sala.
“Nossa, será que minha mudança de estilo foi tão drástica assim?” Yoochun pensou enquanto sentava-se em sua cadeira rindo da situação.
Abriu sua caixa de emails, leu alguns papéis e chamou a secretária.
– Pois não senhor Park. – a mulher entrou na sala.
– Senhorita HyeJoo, preciso de alguns favores. Quero que me passe os relatórios do andamento da empresa no último mês. Desde as despesas até as pautas e atas das reuniões feitas. Quero isso o mais rápido possível. E também uma xícara de café para começar o dia. Estou esperando meu pai, depois que ele chegar, por favor, não quero ser interrompido por ninguém. Tenho assuntos importantes a tratar com ele com a máxima urgência. – Yoochun disse num tom leve e depois encarou a secretária que estava imóvel diante de sua mesa.
– Senhorita HyeJoo?
–Hã? Ah... Oi! Me desculpe senhor Park. Entendi. Relatórios, café e nada de interrupções depois que seu pai chegar. – a moça disse sem graça e saiu do recinto.
“Como ele está bonito, as férias fizeram bem” HyeJoo disse para si mesma.
= = = = = = = = = = = = = =
Yoochun bebia seu café tranquilamente enquanto assinava alguns papéis. Ao seu lado havia uma pilha de relatórios e documentos, informando cada passo da empresa no último mês. Já tinha visto quase tudo, e viu que sua ausência não causou nenhum inconveniente que pudesse prejudicar a empresa. Mas foi interrompido quando o pai adentrou o escritório falando alto.
– Ora, ora, vejo que alguém resolveu voltar das férias prolongadas! – o senhor Park disse ironicamente.
– Olá pai, como vai? – Yoochun disse sorrindo e se levantando para cumprimentar o pai.
– Mas o que é isso? Que roupas são essas? – o senhor Park encarou o filho que se aproximava. – Cadê seu terno?
– Em casa pai. Digamos que adotei um estilo mais moderno e estou me sentindo bem melhor assim. Mas isso não importa, me responda, como está o senhor? – Yoochun disse sentando-se no sofá que ficava em frente a sua mesa, do lado oposto da sala. Estava sorridente e não deixou-se abater pelo comentário sobre suas roupas.
– Como você acha que estou? Você sumiu por dias, quase me matou de susto e aparece com essa cara perguntando sobre mim?
– Pai, eu já disse para o senhor o que aconteceu. Eu precisava pensar, estava muito cansado e sobrecarregado. Mas agora estou bem melhor e tenho várias coisas para conversar com o senhor. Tomei algumas decisões sobre minha vida, não só do trabalho, mas pessoal. E gostaria que o senhor soubesse.
– Então diga. Já que me chamou deve ser muito importante.
– Bem, primeiro quero dizer ao senhor que já conferi todos os relatórios do último mês, estou a par de tudo o que houve por aqui e não tivemos nenhum problema. Já marquei uma reunião com a diretoria para tomarmos algumas decisões para o próximo semestre e está tudo encaminhado.
– Excelente! Pelo menos você não causou nenhum problema com essas férias suas. – o pai disse ignorando a expressão de alegria do filho.
– Certo pai, o senhor sabe que eu não me ausentaria por tanto tempo se eu não soubesse que temos uma equipe excelente à frente da empresa, portanto, sem ironias. – Yoochun disse firme sem mostrar alteração. – E tem mais. Estou comunicando ao senhor que marquei um almoço com a HyeSoo hoje.
– Que bom, achei que tinha esquecido que era noivo.
– Não pai. Não esqueci e marquei o almoço, pois vou romper o noivado.
– O que? – o senhor Park levantou e ficou vermelho como um pimentão.
– É isso pai. Eu não vou me casar com a HyeSoo, eu não a suporto e não vou me casar com ela.
– Você é louco! Você quer envergonhar o nome do seu pai? Você não vai fazer isso!
–Ah vou sim. Logo depois do almoço, vou marcar um jantar com o pai de HyeSoo e vou dizer que rompemos o noivado. Só não marquei ainda, pois o correto é falar com ela primeiro.
– Você enlouqueceu de vez!- o senhor Park andava de um lado para o outro e passava as mãos pelos cabelos. – Não pode fazer isso! Você vai acabar com a nossa relação com a família dela.
– E daí pai? Não precisamos deles e eles não precisam de nós. É só termos cuidado com o que será divulgado e pronto. Não é fim do mundo e nem adianta o senhor ficar gritando. Eu já decidi e não vou me casar com ela.
– O que houve com você meu filho? – o pai encarou Yoochun e suspirou.
– Não houve nada. Eu só não quero mais ser um cara vazio, uma máquina de trabalho que só sabe ganhar dinheiro e não sabe viver. Eu quero mudar minha vida, eu quero aproveitar o que eu posso, quero parar de ter que beber para conseguir dormir ou até mesmo parar de ficar sem dormir por preocupações desnecessárias. – Yoochun disse se aproximando do pai e colocando a mão sobre seu ombro.
O pai se afastou bruscamente, virou as costas e se dirigiu a porta. Mas antes de sair, parou e encarou o filho.
– Não é porque é meu filho que vai poder passar por cima de mim. Não pense que fiquei satisfeito com essa sua idéia de terminar o noivado. E você sabe como eu sou quando fico insatisfeito. – e saiu batendo a porta.
– É... Eu sabia que não seria fácil. – Yoochun disse sentando no sofá. Resolveu adiar a conversa que teria com o pai sobre Junsu, já que o homem estava furioso sobre o término do noivado. Teria que ser paciente e esperar a poeira baixar.
Olhou no relógio e viu que já era hora de enfrentar HyeSoo.
– Bem, vamos lá. Preciso resolver isso de uma vez por todas. – Levantou-se, pegou suas chaves e seu celular e foi ao encontro ao seu maior problema. HyeSoo.
Fale com o autor